No Fio da Navalha

 

O meu artigo de hoje para o jornal i.

A crise política da moeda única

Andamos tão preocupados com a crise da dívida, a possível saída da moeda única da Grécia, da Espanha e de Portugal que esquecemos o desafio político que podemos enfrentar nos próximos meses. A diferença da produtividade entre o norte e do sul da Europa, a que se soma a incapacidade que os países mais pobres tiveram em perceber que a solidariedade europeia implicava um esforço reformista que não levaram a cabo, pode tornar-se fatal para o projecto europeu.

Pelos mesmos motivos, as democracias europeias poderão sofrer transformações ainda hoje impensáveis. Caso a moeda única acabe, é todo o programa político que está agora a ser encetado que será posto em causa. Os seus governos perderão credibilidade política e os partidos que os sustentam, pouco mais terão para dizer aos eleitores. Caso o euro desapareça, o palco fica montado para outros actores políticos que não os que estão hoje em cena. PS, PSD e CDS estão de tal forma implicados no programa da troika que correm o risco de serem ultrapassados pelos acontecimentos, caso as políticas seguidas até agora para salvar a moeda única percam sentido.

Mais grave ainda será a helenização política da Europa. O fim do euro é o fim político de Merkel e da liderança alemã. Ora, se sem Merkel a Alemanha vai pensar o que quer fazer da vida, sem Alemanha a Europa volta ser um continente no qual os seus vários estados só têm em comum a história. E esta já nós conhecemos bem demais.

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6 thoughts on “No Fio da Navalha

  1. Joaquim Amado Lopes

    “PS, PSD e CDS estão de tal forma implicados no programa da troika que correm o risco de serem ultrapassados pelos acontecimentos, caso as políticas seguidas até agora para salvar a moeda única percam sentido.”
    As “políticas seguidas até agora para salvar a moeda única” são as políticas necessárias para procurar a sustentabilidade financeira dos países. Com ou sem euro, o sentido dessas políticas (umas mais acertadas do que outras) é inevitável.
    O problema são as “novas medidas” dos “esturricadores do dinheiro dos outros” (apoios públicos ao investimento e “impressoras a todo o vapor”) e que vão contra o programa da troika.

  2. Paulo Pereira

    A CEE foi construida sem o Euro.

    A CEE pode viver sem o Euro.

    A Alemanha está a destruir o Euro com a sua teimosia ignorante.

    A Alemanha se não quer uma moeda única deve sair da moeda unica.

  3. Joaquim Amado Lopes

    Condições do Pacto de Estabilidade e Crescimento, assinado por :
    Deficit público: igual ou menor que 3% do PIB
    Dívida pública: igual ou inferior que 60% do PIB

    E a Alemanha é que está a destruir o Euro por não estar disposta a alinhar com a intenção de certos países de continuarem a ter deficits públicos superiores a 5-8% e a aumentarem ainda mais as suas dívidas públicas que já ultrapassam os 100% dos respectivos PIB’s.

  4. Paulo Pereira

    JAL,

    Os deficits públicos advêm do sistema capitalista monetário em que estamos inseridos.

    Não é possivel uma economia capitalista sem deficits publicos.

    A Alemanha tem deficit publico baixo porque tem um superavit comercial alto. É impossivel todos os paises terem superavits comerciais.

    A Alemanha está a destruir o Euro porque ao fim de 10 anos os mercados perceberam que esta pseudo-moeda única é inviável, e a Alemanha insiste na estupidez de querer manter tudo na mesma, ou seja não aprende apesar de estar á vista de todos a asneira.

  5. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (5),
    Se é impossível todos os países terem superavits comerciais (ao mesmo tempo), é igualmente impossível todos os países terem deficits comerciais (ao mesmo tempo). Assim, o que escreveu não tem qualquer significado ou relevância. De qualquer forma, a China, a África do Sul, a Colômbia ou a Austrália terem deficit comercial não nos afecta minimamente. O que nos afecta é NÓS termos deficit comercial permanente.
    Em qualquer economia capitalista, é perfeitamente possível deficit público 0 (zero) ou mesmo superavit público. O que não é sustentável é haver deficit público permanente.

    E “esta pseudo-moeda” só é inviável por causa da estúpidez dos que acham que quem “faz pela vida” e tem sucesso está por isso obrigado a sustentar os que não estão para se esforçar e querem fazer de ricos com o dinheiro dos outros.
    Não é a Alemanha que quer manter tudo na mesma. Quem quer manter tudo na mesma é quem não abdica de viver a crédito.

    As regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento foram criadas precisamente para que os países do Euro mantivessem a dívida pública “gerível”. A responsabilidade de o Euro ser inviável é de quem assinou o PEC e não quer cumprir as regras com que se comprometeu.

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