Alemanha deles e a nossa Grécia

Em vez de demonizarmos os alemães e de lhes atribuirmos intenções perversas convinha perceber a lógica das suas exigências e que em posição idêntica agimos da mesma forma. E fazemos bem. Não concordo com tudo o que o Luís Naves aqui escreve. Mas pelo menos ele coloca a questão nos seus devidos termos:

Merkel defende os interesses do seu país e, se houvesse um chanceler social-democrata, a política alemã não seria muito diferente, o que se prova pela forma como os partidos alemães chegaram a acordo sobre a ratificação do Tratado Orçamental que obriga os signatários ao rigor nas contas públicas. Não é possível imaginar que a Alemanha abra os cordões à bolsa sem garantias políticas. O eleitorado não aceitaria pagar mais impostos e ter abrandamento económico ao ajudar outros países, sem ter a certeza de que o dinheiro seria bem gasto.

Num programa da TV, ontem, Henrique Medina Carreira (um dos comentadores mais lúcidos em Portugal) tentou explicar isto e lembrou o exemplo da relutância nacional em pagar as dívidas da Madeira. Os contribuintes continentais têm dificuldade em aceitar manter um sistema que sabem ser ineficiente e um estilo de vida que sabem ser insustentável. Confesso que quando vejo Jardim a mandar “umas bocas” contra o continente sinto uma indignação muito teutónica

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8 pensamentos sobre “Alemanha deles e a nossa Grécia

  1. tric

    era bom era que o Primeiro-Ministro de Portugal defende-se tambem os interesses estratégicos e começa-se de imediato a negociar com a Alemanha a sua saida da zona Euro, em vez de andar por ai a …

  2. “Confesso que quando vejo Jardim a mandar “umas bocas” contra o continente sinto uma indignação muito teutónica…”

    Caro Miguel

    Eu até acho piada ao Jardim, mas confesso que neste preciso momento, e nas condições em que vivemos já não tenho paciência para o ouvir.

    Mas sejamos justos, comparado com o que se espatifou no Continente e fazendo uma regra de 3 simples, entre o gasto e o “lucro” obtido, das duas situações, o homem é uma “virgem” inocente.

    Centro Cultural de Belém, Expo 98, 10 Estádios de Futebol, Rotundas às milhares, Auto-Estradas a granel, Museu dos Coches, subsídios para filmes que ninguém vê, colecção de “arte” do Berardo (e outros assuntos), BPN, PPPs, escolas de luxo, etc. etc.
    Reformas de 15 anos de antiguidade para funcionários do BP, com menos de 5 anos de actividade.
    Ordenados escabrosos para gestores de empresas públicas falidas.
    Chega?

    O homem pode ser insuportável (e neste momento é!), mas parvo não me parece que seja.
    .

  3. Miguel Noronha

    “Mas sejamos justos, comparado com o que se espatifou no Continente e fazendo uma regra de 3 simples, entre o gasto e o “lucro” obtido, das duas situações, o homem é uma “virgem” inocente”

    O AJJ tamém tem imensos “elefantes brancos” e há ali muita gente à alimentar-se na manjedoura orçamental. Mas não sei se à escala é um problema maior ou menor que o continente. Nem é essa bem a questão que coloco. Muitos dos que acham que andam a insultar a Alemanha e assinam manifestos de solidariedade com a Grécia dizem da Madeira exactamente o mesmo que os alemães dizem da Grécia. E os madeirenses até são nossos compatriotas (mas se quiserem declarar independência, por mim, podem ir já hoje). Onde é que fica a tal “solidariedade” quando somos nós a pagar conta alheias?

  4. suc

    miguel,não me parecem comparáveis , o caso do continente face á madeira, e o da alemanha face ao continente.Há um argumento que explica muito disso:. Para quem vende tal hipotética semelhança, pergunto: qual o papel do continente na definição das políticas da Madeira nos últimos 38 anos? Acaso o Governo da República lhes impôs, por exemplo, a destruição de culturas ou das pescas? Haveria reuniões regulares, por exemplo, conselhos insulo-metropolitanos, para decidir das ajudas, das prioridades ou, mais recentemente, das formas de combate à crise internacional? Uma mera miniatura de um PEC que fosse? Quais as contrapartidas para o continente dos fundos nacionais atribuídos? Em que medida se harmonizavam as práticas do arquipélago com as do continente, como acontecia entre este e a Europa? É ou não é a primeira vez que o continente está a ser responsabilizado pelas finanças da Madeira? A Madeira recebia ou não fundos europeus como região ultraperiférica? Qual a semelhança entre o escrutínio feito às contas da República e o feito às da Madeira, região jardinistamente autónoma? Quem, no continente, escondeu de Bruxelas faturas no valor de 8000 M€?

  5. Miguel Noronha

    A comparação não era entre o continente e a Madeira mas entre a Grécia e a Madeira.
    Contudo a situação é semelhante em muitos pontos. Défices recorrentes, endividamento crescente e má gestão dos fundos públicos. Pode haver aqui questões de grau mas no final estamos todos falidos. Uns mais que outros mas estamos todos lá.

  6. Miguel Noronha

    “Qual a semelhança entre o escrutínio feito às contas da República e o feito às da Madeira, região jardinistamente autónoma?”
    A Madeira é uma região autonoma mas não é independente. E antes do mais tem nás transferências do OE do estado português a sua maior fonte de receitas. E os orgão fiscalizadores são os mesmos do estado português.

  7. Paulo Pereira

    A Alemanha não tem que pagar nada .

    A Alemanha apenas tem de deixar o BCE fazer o trabalho de um banco central normal.

    Alías, a Alemanha é muito minoritária no BCE e só manda no BCE porque os outros governos são ignorantes e incompetentes.

  8. E eu sei lá

    Pela referida regra de 3simples, são os continentais que gastam mais que os madeirenses… ou de outra forma, são os continentais que comem uma fatia maior do que as que lhes competem (proporcionalmente (quantia e população residente)). Isto faz com que o exemplo da Madeira não faça nenhum sentido, porque no caso da Alemanha e Grécia, a Grécia é de facto quem gasta mais do que pode à semelhança dos portugueses continentais.

    AJJ tem dito por várias vezes que o Estado Português que apesar de assegurar constitucionalmente e de alegadamente desenvolver várias actividades que não cabem nos estatutos próprios das R.Autónomas, nada faz, e nenhuma quantia envia para o feito. Menciona por variadíssimas vezes que quando é para depositar se alheia completamente, mas quando referem-se a estatísticas económico-financeiras não se lembram de tirar o indíce de desenvolvimento das R.A. Mais se deve dizer, que realmente, o desenvolvimento vivido nos últimos 15 a 20 anos, devem-se aos recursos obtidos directamente da União Europeia pela acima mencionada questão da região periférica. A esse título a R.A.Madeira foi Região Europeia em 2004.

    A figura do bode expiatório é dado adquirido em todas as democracias, e na portuguesa, o AJJ faz questão de ser a referida figura. Graças à mesma é uma personalidade incontornável no desenvolvimento português, sem nunca ter saído da região ultra periférica, enquanto tantos outros na outra região autónoma ou até na mainland são lembrados apenas pelos erros, por não terem feitos.

    Poderá alguem dizer o mesmo de AJJ?
    —————-
    Mas passemos à questão principal…
    A Alemanha é credora, mas é credora porque ganhou/produziu bens de/a alguem. Foi ao povo grego? Ou foram a algumas individualidades gregas?
    Tendo sido ao povo grego…. não faz sentido que para que possam continuar a vender aos mesmos e minimizar as perdas desta crise, esquecer grande percentagem da dívida(entre quantia de custo de factor e de lucro certamente há-de haver grandes diferenças)? Caso contrário nem a Grécia, nem PORTUGAL conseguiram algum dia pôr as contas em dia.

    Se nas nossas famílias pedimos crédito na última semana de cada mês para pagar x e y, porque não conseguimos chegar ao fim do mês…. não me parece que resolvamos o problema pedindo crédito 1 ou 20 pontos (ou seja la a quantia que for) mais baixos, pois continuamos a não conseguir pagar tudo o que não seja a 0% (a não ser que deixemos de ter défice…e aos poucos dívida). é simples, e só não percebe quem não quer perceber…

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