Matéria-prima

Assisti ontem ao programa televisisvo “O Eixo do Mal”, um bom barómetro de certas opiniões convencionais. Não me lembro de muitas coisas, mas lembro-me de um certo momento em que Daniel Oliveira e Clara Ferreira Alves gritavam no estúdio sobre a “xenofobia” e o “racismo” típicos dos alemães (nem Pedro Marques Lopes nem Luís Pedro Nunes o fizeram, diga-se). Daniel terá mesmo gritado às tantas que as atitudes da sra. Merkel lhe faziam lembrar “alguém”. Para quem não percebeu, “alguém” é “Hitler”. Estas pessoas esperam, portanto, obter a solidariedade alemã à custa de preconceitos e insultos (neste caso o pior insulto que se pode dirigir a qualquer pessoa). São também estas pessoas que propõem, como grande solução para a crise, a “refundação democrática” da Europa. Se imaginarmos que do lado de lá os preconceitos são efectivamente aqueles que se dizem que são (que os dos sul da Europa são pretos e preguiçosos), temos aqui excelente matéria-prima para a criação de um povo europeu e de uma democracia europeia. Aguarda-se o melhor.

18 pensamentos sobre “Matéria-prima

  1. migspalexpl

    Caro Luciano,

    A questão não é querer solidariedade alemã, a questão é querer que não se transforme dívida privada com dívida pública, não querer que os maus investimentos e perdas de alguns, se tornem responsabilidade de todos.

    Mas este é o plano da Alemanha: penalizar uma suposta irresponsabilidade económica dos países do sul pressionando os seus Estados a assumirem como suas, dívidas privadas. Porque são dívidas a credores alemães.

    Esta situação num blogue que se diz liberal devia ser vista como inaceitável.

  2. lucklucky

    migspalexpl não há suposto nenhum. quem tem défices e quem não tem dinheiro é o Governo Grego. Tal como Governo Português e outros.
    O Governo Grego tem 160% de Dívida Publica porquê? E Portugal tem 110-120% porquê?

    Já agora concorda com desvalorizações? ou seja fazer pagar pelos que não se endividaram os “maus investimentos” -na verdade simples compra de votos, feitos pelos Estados e políticos?

  3. lucklucky

    Porque será que esta Esquerda não quer nada com os Alemães caso estes não ainda dêem mais dinheiro que os subsídios europeus?
    Será que a esquerda é xenófoba, se nos pagares o que nunca tivemos direito já não dizemos mal de ti?
    A Esquerda faz tudo por dinheiro?

    Será que os Alemães são agora no Sec.XXI outros Judeus? Destinados a pagar com as culpas das asneiras dos outros?

  4. Fernando S

    “a “xenofobia” e o “racismo” típicos dos alemães”

    Por sinal, a Alemanha até é um dos poucos paises europeus onde os resultados eleitorais dos partidos da extrema direita são insignificantes e não teem crescido !!

  5. A. R

    A esquerda não aprende nada: estão cheios de preconceitos e o ódio gratuito tolhe a pouca inteligência que lhes resta. Nunca construíram nada de monta – Coreia do SulXCoreia do Norte e Alemanha de LesteX Alemanha Ocidental- os mesmos povos e de um lado miséria e do outro progresso. A sina dos incompetentes é culpar os outros dos seus fracassos.

  6. Joaquim Amado Lopes

    migspalexpl (2),
    “penalizar uma suposta irresponsabilidade económica dos países do sul”
    “suposta”?! Só pode estar a gozar.

  7. migspalexpl

    caros, houve irresponsabilidade/maus investimentos de individuos/grupos/bancos particulares – nao do povo portugues em geral, isto devia ser obvio, tal como devia ser obvio a necessidade de nao fazer pagar toda a populaçao portuguesa pelos erros de alguns/muitos.

  8. lucklucky

    “caros, houve irresponsabilidade/maus investimentos de individuos/grupos/bancos particulares – nao do povo portugues em geral”

    Deve estar gozar quem é que fez 80 mil milhões de dívida 3 anos?
    foi quem votou PS.
    E teve o belo apoio do PSD nos últimos 25 mil milhões. O CDS votaria também se dependesse dele.
    E o BE e o PCP queriam mais, achavam pouco.
    Os únicos que não têm responsabilidade foram os que não votaram do BE ao CDS.

    Ou seja esses não devem pagar os impostos que subiram. Uma bem pequena minoria.

  9. Zebedeu Flautista

    Grande burro que tenho sido. Se soubesse tinha alternado o meu voto entre o MRPP e o PNR.

  10. migspalexpl

    Caros,

    aqui:

    http://www.bportugal.pt/en-US/Estatisticas/PublicacoesEstatisticas/NIE/Lists/LinksLitsItemFolder/Attachments/52/PR%202012%2004%2023.pdf

    “The April 2012 Statistical Bulletin also presents3
    Chart 1 the preliminary figures for public debt in February 2012 which increased to 190.1 billion euro. This increase mainly reflects the loans received in the framework of the Economic and Financial Assistance Programme to Portugal in January 2012 (4.25 billion euro).”

    o crescimento na dívida pública dos ultimos anos deve-se às “ajudas” que temos recebido – para quê? pagar dívida privada/salvar a banca.

    É um pesadelo socialista – as aventuras e maus investimentos de alguns, são pagos por todos. Não é?

    E comparem os valores da dívida pública pré crise, entre Portugal, Alemanha e França em 2007 por ex

    Portugal: 63.6 % of GDP
    Germany: 64.9 % of GDP
    France: 63.9 % of GDP

    ou em 2010:

    Portugal: 83.2 % of GDP
    Germany: 78.8 % of GDP
    France: 83.5 % of GDP

    daqui ( http://www.nationmaster.com/graph/eco_pub_deb-economy-public-debt&date=2010 )

    O problema não era de dívida pública. Era de dívida privada, mas que agora se está a tornar de todos.

  11. Miguel Noronha

    “This increase mainly reflects the loans received in the framework of the Economic and Financial Assistance Programme to Portugal in January 2012 (4.25 billion euro).”
    o crescimento na dívida pública dos ultimos anos deve-se às “ajudas” que temos recebido – para quê? pagar dívida privada/salvar a banca

    Não sei o que lhe permite tirar essa ilação. O programa de assistência a Portugal é da ordem dos 80 mil milhões dos quais “apenas” 12 se destinham à banca. E recordo que esta ainda não recebeu nada.

  12. Miguel Noronha

    ” problema não era de dívida pública. Era de dívida privada, mas que agora se está a tornar de todos”
    Mais uma vez não percebo onde tira essa ilação. O endividamento privado e público em Portugal crescem a par. Não se verifica qualquer fenómeno de substituição.

  13. Fernando S

    migspalexpl 13. :
    “o crescimento na dívida pública dos ultimos anos deve-se às “ajudas” que temos recebido – para quê? pagar dívida privada/salvar a banca.”
    “E comparem os valores da dívida pública pré crise, entre Portugal, Alemanha e França …”

    Em primeiro lugar, é obvio que se alguém nos empresta dinheiro a nossa divida aumenta … é uma verdade à La Palice !
    De resto, é espantoso como haja quem ponha aspas em “ajudas”, dando a entender que a culpa pela situação de aflitos em que nos encontramos é de quem nos empresta dinheiro para evitarmos a bancarota numa altura em que a nossa credibilidade junto dos investidores é muito baixa e o custo do financiamento nos mercados muito elevado. Se isto não é “ajudar” !!…

    Em segundo lugar, não é verdade que o crescimento da divida publica se resuma ao dinheiro agora emprestado pela Troika.
    A divida publica foi crescendo estruturalmente ao longo das ultimas décadas. Relativamente ao PIB, era de apenas 13% em 1974, saltou para cerca de 60% no final da década posterior ao 25 de Abril, voltou a crescer a partir de 2000, de forma acentuada a partir de 2008, ultrapassando os 100% ainda antes dos empréstimos da Troika.
    Ou seja, não é a ajuda financeira da Troika que é responsável pelo crescimento estrutural da divida publica portuguesa mas é antes por esta ter atingido niveis incomportaveis que esta ajuda se tornou indispensavel.

    Em terceiro lugar, embora seja verdade que, até há relativamente pouco tempo, a dívida pública portuguesa não era muito superior à de outros paises europeus hoje considerados virtuosos (o último “salto” aconteceu a partir de 2008, em parte em consequência da crise internacional e das medidas então tomadas pelo governo português), este facto deve ser relativizado por outros aspectos que favoreceram as finanças públicas portuguesas durante as últimas décadas : a recepção a fundo perdido de somas de dinheiro importantes provenientes da Europa ; os custos financeiros baixos no contexto da moeda única ; o aumento considerável da carga fiscal (que práticamente duplicou em termos do PIB passando de pouco mais de 20% nos anos 70 para mais de 40% na actualidade).

    Em quarto lugar, a situação de Portugal no que se refere ao endividamento público não pode ser vista do mesmo modo quando comparada com as dívidas de outros paises. Há paises que, como acontece com a Alemanha e outros paises da Europa do Norte, até podem suportar dividas públicas mais elevadas porque têm economias que são muito mais eficientes e podem mais fácilmente e mais rápidamente gerar receitas fiscais adicionais e financiar-se nos mercados.
    No fim de contas, o endividamento português é excessivo e sem sustentabilidade sobretudo por dizer respeito a uma economia com fraca competitividade e sem margem de manobra fiscal e financeira.

    Em quinto lugar, os empréstimos da Troika servem sobretudo para financiar o Estado, pagar despesas e reembolsar divida que completa o prazo. Não se paga nenhuma divida privada. Ao contrario do Estado, a generalidade dos privados endividados teem de se desenrascar sem “ajudas”.
    É verdade que uma parte do dinheiro que a Troika põe à disposição do Estado portugues se destina a ajudar a Banca. Mas, como lembra aqui em cima o Miguel Noronha, é apenas uma pequena parte e não foi ainda utilizada, pelo que não afectou ainda o nivel do endividamento publico. Além disso, o dinheiro que vier a ser utilizado para este efeito é emprestado pelo Estado aos Bancos, devera ser reemboldado e pagara juros (acima do custo do financiamento da Troika ; ou seja, se tudo correr de feição, no final o Estado até pode ganhar algum dinheiro).
    De qualquer modo, a ajuda do Estado à Banca destina-se precisamente a procurar reduzir o risco de um colapso no sistema financeiro, que teria consequencias muito sérias para o país, e a libertar mais crédito para a economia. Pode-se estar mais ou menos de acordo com a oportunidade e eficacia deste tipo de intervanção do Estado. Mas não é correcto sugerir que se trata de favorecer os interesses privados dos accionistas dos Bancos. Ao contrário do que muitas vezes se diz, estes accionistas não saem a ganhar com a crise e com as ajudas. Pergunte-se a quem detém acções de bancos em carteira e veja-se o que esses activos têm represetado nos balanços de tantos, particulares e empresas.
    A intervenção do Estado no sentido de garantir empréstimos para a capitalização da Banca é hoje uma necessidade que resulta do facto de em Portugal ter existido nas últimas décadas, e ainda ser dominante, um modelo económico estatista e intervencionista que desenvolveu artificialmente um sector não transaccionável onde os grandes Bancos tiveram e têm um papel central. Nestas condições, não “ajudar” os Bancos representaria um risco enorme para o conjunto do sistema. Esperemos é que seja agora uma última medida excepcional e que se insira num processo de transição para um modelo económico bastante diferente.

  14. Lucklucky escreveu:

    “Já agora concorda com desvalorizações?”

    Bom, acho piada estes protestos todos contra desvalorizações da moeda, protestos estes que ficam mudos quanto a valorizações da moeda.

    O nosso problema é termos uma moeda estrangeira demasiado valorizada, mais do que a economia portuguesa poderia suportar.
    Assim uma pretensa desvalorização da moeda de Portugal não é mais do que uma reposição da moeda no seu justo valor anulando valorizações que tem sofrido.

  15. Pingback: Alemanha deles e a nossa Grécia « O Insurgente

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