uma obsessão

“É um erro enfatizar o sector exportador. Eu acho que se deve enfatizar o sector de bens transaccionáveis que inclui quer o exportador quer a substituição de importações, porque há muito coisa que nós importamos e que eventualmente poderia ser produzido internamente”, Vítor Bento, no “Prós e Contras” de ontem (segunda parte, minuto 15).

Felizmente, ainda há quem tente contrariar essa nova obsessão do pensamento “mainstream” em Portugal…um país em que apenas 5% das empresas são exportadoras.

31 pensamentos sobre “uma obsessão

  1. vivendipt

    Caro Ricardo,

    Quantifique esses 5%:

    Apenas 18 mil empresas portuguesas exportam. Do lote das 18 mil empresas, 100 empresas são responsáveis por 50% das exportações. Fonte AICEP

    Agora quem é contra a ideia que o Ricardo tão bem defende que explique o que se deve fazer…

    Agradecido.

    vivendi-pt.blogspot.com

  2. Ricardo Arroja

    Caro vivendipt,

    Obrigado pela achega. É um reality check ao qual não podemos nem devemos escapar.

  3. vivendipt

    Aqui vai mais uma lenha Ricardo:

    Mais de 80% dos ‘operários’ da linha de montagem da Autoeuropa são robôs (que não recebem salário, nem fazem greve, nem têm direito a férias).

  4. Paulo Vaz

    Ricardo, o seu estado de negação sobre as exportações é lamentável e descredibilizador das suas análises. As 5% de exportadoras, as tais 18000 empresas, representam 36% do PIB na optica da despesa. O consumo público representa apenas 20% do PIB.

    2011P
    Consumo público 34360,6 M€ 20%
    Exportações 60735,5 M€ 36%
    PIB 170928,4 M€

    fonte: http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_contas_nacionais&perfil=97154738&INST=116633478&contexto=am

    É incrível o seu nível de ignorância sobre este assunto.

  5. Guillaume Tell

    Enfatizar o quer que seja é mau, porque enfatizar costuma sempre ser seguido por mais despesa pública, mais regulamentação. Ou seja mais intervenção que acaba por prejudicar a maioria. Deixemos o sistema de preços funcionar e aos poucos o país terá um sector transaccionável extramemente competitivo e um sector não-transaccionável capaz de alimentar decentemente os portugueses.

  6. vivendipt

    Guillaume Tell. compreendo perfeitamente suas palavras, mas está a olhar apenas para um lado da moeda. Não complementa no seu texto o que fazer perante a guerra comercial internacional altamente protecionista , destacando-se como exemplo à cabeça a China.

  7. Guillaume Tell

    Não se preocupe muito com isso caro Vivendi (em termos económicos entendo, em termos de segurança militar partilho a sua preocupação), a China está a pagar cara a sua política protecionista. Ora veja o excedente externo está a derretar como neve ao sol, e o protecionismo não vai servir a nada porque a procura interna está vigorosa enquanto a oferta é insuficiente e pouco concorrencial, a inflação está a disparar por causa disso, agravada ainda pelo Governo ter baixado as taxas de juro na esperança de evitar a implosão da bolha imobiliária.

    Temos de nos abrir mais e impedirmos a mã alocação dos recursos (impedirmos o Estado de intervir), ao início será difícil (já é) mas acabará por dar resultados daqui em breve.

  8. vivendipt

    Caro Guillaume Tell, entendo e esse seria o caminho verdadeiramente desejável, agora não sei se conseguimos essa mudança tão rápido assim. E muitos portugueses precisam de uma resposta rápida.

  9. vivendipt

    Paulo Vaz, ignorância é o unanimismo de ideias. E eu agora pergunto-lhe qual o valor acrescentado dessas exportações?

  10. Ricardo Arroja

    “É incrível o seu nível de ignorância sobre este assunto”

    Não, meu caro, tenho perfeita noção dos números, que aliás tenho citado pois não é meu hábito falar ou escrever a partir da estratosfera. E um dos números mais relevantes é o da empregabilidade, pela qual essas empresas exportadoras relativamente pouco fazem. E não se trata de um juízo de valor, mas sim de um juízo de facto. Não é ignorância; é realismo. Pena que muitos temem em não ver e que, pelo contrário, insistem em ver um país que não existe. E isso sim é que é descrebilizador de qualquer análise.

  11. Miguel Noronha

    Ricardo, mais uma vez. Não é preciso nem desejável o recurso ao proteccionismo. Devem ser reduzindos os impostos, taxas e burocracias que incidem sobre as empresas. Deve-se sanear as contas públicas reduzindo drásticamente a depesa e não aumentando os impostos, como o IVA que neste momento é um enormissimo fardeo e está a levar muitas empresas ao encerramento.

    O proteccionismo vai apenas criar rendas para determinadas empresas e impor custos acrescidos aos consumidores finais.

  12. Ricardo Arroja

    “Devem ser reduzindos os impostos, taxas e burocracias que incidem sobre as empresas. Deve-se sanear as contas públicas reduzindo drásticamente a depesa”

    Miguel, totalmente de acordo contigo nesses pontos. De resto, ao contrário do que o Paulo Vaz sugere lá em cima, nunca me ouviram nem me leram a defender a necessidade de aumentar o consumo público – bem pelo contrário. Mas infelizmente a receita que destacas não chega…a nossa produtividade por hora é muito, mas muito mesmo, mais baixa que a dos nossos concorrentes.

  13. Miguel Noronha

    Eu sei que não queres aumentos a despesa. Nem pus isso em causa.
    Se a nossa produtividade é baixa os salários devem-se ajustar. Ou então o investimento deverá ser direccionado para onde tenhamos vantagens comparativas. Não são as políticas proteccionistas que garantem esse ajustamento. Pelo contrário. Levam por regra ao sobre-investimento em sectores não competitivos. À custa dos consumidores, relembro.

  14. Syme

    Há uns dias referi que era essencial evitar “distorsões nas taxas de câmbio reais efectivas entre os sectores exportáveis e importáveis” e que isso não era incompatível com políticas públicas (indirectas) de apoio aos dois sectores, que compõem o sector dos “transacionáveis”; ou seja –precisamente o mesmo que Vítor Bento defendeu e, provavelmente, pelos mesmos motivos: porque foi o enviesamento suicida na direcção dos “não transaccionáveis” que eliminou o crescimento económico.

    Convinha que o Ricardo Arroja compreendesse que isto não é o mesmo que “proteccionismo” e que a “empregabilidade” enquanto objectivo económico é ouvida por um político como um conselho à expansão da despesa pública (o Ricardo Arroja pode “não defender a necessidade”, mas devia saber que é isso mesmo que a classe política ouve). Aliás, o que foi a permanente expansão do Estado nas últimas duas décadas senão a satisfação política das necessidades burguesas e urbanas de “empregabilidade”, para a prole; uma multidão de licenciados cuja qualificação académica não comporta qualquer vestígio de capital humano e que portanto estão tão bem na redacção de um pasquim como numa direcção geral qualquer, a ouvir o cabelo a crescer?

    Se está preocupado com a “empregabilidade” e a “produtiivdade”, então seria melhor que defendesse uma profunda reforma do ensino, porque, essa é uma das tais políticas públicas “indirectas” que contribuem para a criação de capital humano “empregável”. As mezinhas de corrupção e compadrio do “proteger o quer é nacional” só acelearam a expulsão do país dos mais capazes –é este o caminho que tem sido prosseguido, a sangria de talentos é constante e vir falar de “proteccionismos”, com franqueza, oscila entre a inconsciência e a ignorância. A aldrabice da “empregabilidade e produtividade” acabará em breve por se revelar insustentável e a implosão social será inevitável.

  15. Miguel Noronha

    Mantenho as minhas criticas em dois pontos. As práticas proteccionistas apenas levarão ao adiamento dos ajustamentos necessários. E o corte de impostos deve estender-se a todos os sectores e não depnderem de uma escolha política. Já basta de distorções nos preços.

  16. Ricardo Arroja

    Caro Syme,

    Eu sei que o Vítor Bento não falou explictamente de proteccionismo e a minha citação é textual e clara; Bento falou sim na necessidade de um equilíbrio entre mercado externo e mercado interno no domínio dos transaccionáveis (e na melhoria dos termos de troca entre estes e os não transaccionáveis, uma tese antiga que colhe a minha total concordância). E eu também nunca falei de protecccionismo à argentina….falei sim na ideia de um proteccionismo selectivo que melhorasse a competitividade fiscal de Portugal a fim de compensar aquilo a que Avelino Jesus chamou de desvantagens naturais.

    Porque uma coisa é certa: as reformas estruturais (ensino, justiça, etc) demoram anos e isso é tempo que a maioria dos portugueses começa a não ter. Daí a necessidade de soluções pragmáticas, de equilíbrio, mas sem perder a big picture. E, portanto, seria isso que eu faria: diria à troika que faríamos todas as reformas que eles pretendem no domínio do estrutural desde que ela nos permitissse reindustrializar o país nos próximos dez anos.

    Quanto à empregabilidade, a minha linguagem é explícita e portanto no que a mim me toca tenho feito um imenso esforço por não misturar empregabilidade com políticas públicas que, em meu entender, são ineficientes (basta lembrar os 23 diferentes tipos de centros de emprego que há neste país…).

    Equilíbrio, pragmatismo, sensatez, realismo….é disso que precisamos. Pelo contrário, julgo que deveríamos dispensar dogmas e preconceitos.

  17. Syme

    Ricardo,

    A modulação da adjectivação (à argentina; à tirolesa ou à portuguesa) não mudam o carácter substantivo do proteccionismo: é empobrecedor e mais nada.

    A sua lógica argumentativa apenas “transfere” a empregabilidade directa do Estado os sectores que pretende ver “protegidos”. Por isso repito: ou se enfrentam as causas reais da falta de competitividade; ou não. Se entende que isto é ser “dogmático” então, com todo o gosto: recuso a lógica (não está nas minhas capacidades recusar mais do que isso) das “necessidades urgentes e conjunturais” que exigem que se ignore o problema e se opte por medias puramente dirigidas aos sintomas, como o desemprego. Isso á apenas uma variação do tema das “nuances” sugerido pelo Luís Aguiar-Conraria.

    “Equilíbrio, pragmatismo, sensatez, realismo….é disso que precisamos.”

    Não, não é: com franqueza, estou saturado de frases vagas e de meias tintas. O “pragmatismo” desagua num muitíssimo “realista” lar de terceira idade do tamanho do país e num espaço inferior a duas décadas. Pode indicar uma reforma estrutural ou uma medida de redução permanente (n.b.) da despesa pública promulgada pelo actual governo? Quer continuar à espera?…

  18. ccz1

    “aquilo a que Avelino Jesus chamou de desvantagens naturais” (de Portugal)

    Se tem desvantagens naturais, também tem vantagens naturais. E essas, quando se usam, são muito mais eficazes. Podem é não ser tão “fashion”

  19. economista

    Post scriptum
    1.Contudo , não sendo V. Exa.(PPC) analfabeto , pelo que não tem desculpa não ter lido os conselhos do empresário Henrique Neto . Há já um ano não ter sido criado um Banco de Fomento e uma Sociedade de Seguro de Crédito .
    2. Apenas a titulo de mais um exemplo , o incompetente aumento do IVA da “restauração” de 13 para 23% (+76%) que originou uma receita fiscal trimestral de apenas mais 12 milhões de euros
    (+9%) , a qual não chega sequer para pagar os subsidios de desemprego de cerca de 20 mil ora desempregados deste sector cuja actividade foi reduzida em 50% , já para não falar da correspondente descida de IRS e IRC e contribuições para a Segurança Social . Lá virão mais reformados sem contribuições !…
    3.E assistimos a um exercito de “cabeças de ovo” , incluindo V. Exa.(PPC) , a alardear os santos milagres da Santíssima Exportação que diz respeito apenas a 9% das empresas portuguesas !…
    Alguém já pensou se o País se está a descapitalizar ? Também ignoram a rentabilidade das exportações !… E sobre a substituição das importações ? Que evasão fiscal se está fazendo através das exportações ? Não será também mais uma forma (i)licita de fuga de capitais ? Balança Comercial . E a Balança de Pagamentos ?
    Cabeças de ovo , sim … que apenas têm por hábito masturbar-se com as (duvidosas) estatisticas !!!

  20. Miguel Noronha

    “desvantagens naturais” (ou vantagens) remete mais para o conceito de vantagens absolutas. Ora, a base da especialização e do comércio internacional necessita apenas de vantagens comparativas.

  21. CN

    “Ora, a base da especialização e do comércio internacional necessita apenas de vantagens comparativas.”

    Mais abrangente ainda: A base para as trocas voluntárias entre pessoas, incluindo trabalho por produção, necessita apenas de vantagens comparativas (esta sim é uma formulação de facto universal).

  22. Ricardo Arroja

    Syme (#18),

    Mas então eu não disse que as reformas estruturais são para se fazer?!? Qual é a necessidade de distorcer a minha mensagem?? Eu insisto: economia livre e concorrencial assente numa forte iniciativa privada, sim, sem dúvida, mas dentro do nosso espaço soberano. É isto que eu tenho andado a defender há que tempos e que vou reiterar enquanto não vislumbrar melhor alternativa, a fim de combater um défice estrutural de produtividade (que não se elimina em dois ou três anos) e de vantagens comparativas (concretizadas no défice externo, cuja natureza estrutural tb não se elimina facilmente)….sobretudo enquanto persistir um amontoado gigantesco de dívidas que sem crescimento endógeno não se servirá. E, portanto, não me atribuam intenções de aumento da despesa pública nem qualquer conivência em resistir às reformas estruturais porque isso é manifestamente falso e não encontra paralelo em NADA do que tenho defendido (e felizmente está tudo escrito e disponível na internet).

  23. Paulo Vaz

    Após a minha argumentação, Ricardo Arroja, sem contra-argumentos, inventa novos. Já não é o nº de empresas exportadoras, mas sim o contributo que elas tem para o desemprego. Pois bem, relatório do IEFP de Maio 2012 (http://www.iefp.pt/estatisticas/MercadoEmprego/InformacaoMensal/Documents/2012/Inf_Mensal_MAIO_2012.pdf), página 9: Os sectores que estão a criar emprego ou a contribuir com menos desemprego são precisamente os sectores exportadores. Os sectores do comércio, construção, imobiliário, administração pública (precisamente os não transaccionáveis) estão no topo dos causadores de desemprego.

    A crise actual em Portugal é da economia não transaccionável e respectivas regiões. É uma crise sectorial e não geral. Negar isto é ignorancia ou estado de negação.

  24. economista

    EXPORTAÇÕES ?
    Assistimos a um exercito de “cabeças de ovo” , a alardear os santos milagres
    da Santíssima Exportação que diz respeito apenas a 9% das empresas portuguesas !…
    Alguém já pensou se o País se está a descapitalizar ? Também ignoram a rentabilidade das exportações !… E sobre a substituição das importações ? Que evasão fiscal se está fazendo através das exportações ? Não será também mais uma forma (i)licita de fuga de capitais ? Balança Comercial . E a Balança de Pagamentos ?
    Cabeças de ovo , sim … que apenas têm por hábito masturbar-se com as (duvidosas) estatisticas !!!

  25. Syme

    Ricardo,

    Nem sei por onde pegar na sua réplica, mas de certa modo, agradeço-a; ela serve para me recordar daquilo que há muito concluí: estes “exercícios” argumentativos oscilam entre a irrelevância e o simplesmente nefasto.

  26. Paulo Pereira

    Vamos ter de repetir vezes sem conta que em geral a competitividade das empresas depende da sua capacidade de inovar e das economias de escala que alcança.

    A discriminação fiscal a favor dos sectores transacionáveis é essencial para o crescimento económico dada a desvantagem das empresas portuguesas no dominio da inovação e das economias de escala , e mais ainda dada a propensão que os portugueses têm para a importação.

    O mês de Abril já trouxe uma descida nas exportações para a U.E. de 0,9% e um abrandamento das exportações para fora da U.E.

    Sem crescimento económico não é possivel pagar a divida nem diminuir o desemprego.

    Insistir numa neutralidade fiscal é insistir num mundo de fantasia, porque os nossos concorrentes têm politicas industriais de vários tipos que ajudam essas empresas.

  27. Ricardo Arroja

    Paulo Vaz,

    O meu argumento mantém-se inalterado desde o início. E aquilo que eu tenho repetido é que o sector exportador (pouco mais de 30% do PIB), por si só, não será suficiente para gerar crescimento e emprego nos restantes 70% do PIB. Essa evidência deriva do número de empresas, naturalmente, e do seu impacto na empregabilidade nacional.

    Quanto ao relatório que aqui expôs, há de facto dois sectores onde tem havido crescimento do emprego: a) a indústria automóvel, isto é, a Autoeuropa e seus satélites e b) o sector têxtil. Contudo, vossa excelência, esquece-se de alguns dados muito importantes. Vá consultar a base de dados do BdP e concerteza reparará que, desde 2001 até hoje, a variação homóloga trimestral do desemprego no têxtil e também no automóvel foi em média de -4,8% e -5,7% comparada com uma variação média de -2,8% na indústria como um todo. Ou seja, a recuperação na empregabilidade que houve nos últimos quatro trimestres, sendo de valorizar (sobretudo no sector automóvel, dado que no têxtil foi ainda residual), pode simplesmente representar uma reversão para a média geral. E, infelizmente, pouco mais. Porque, como resulta dos dados que vossa excelência concerteza conhecerá (de tão informado que está), o emprego industrial, de acordo com as séries do BdP, está em declínio desde o início do milénio: 1,1 milhões de empregados no final de 2000 e 800 mil hoje. Mais, o VAB da indústria têm aumentado a um ritmo quatro vezes inferior à produção e o resultado operacional tem implodido a uma taxa anual composta superior a 10%. Quanto à utilização da capacidade instalada na indústria, 84% em 2000 e 73% hoje….

    Quanto ao seu têxtil, oxalá a concorrência paquistanesa não entre por aí como se prevê que possa acontecer. Ah, pois, porque em relação aos paquistaneses vocês já são proteccionistas…

    E quanto à ignorância, aos estados de negação e à desonestidade intelectual, estamos conversados.

    Passe bem.

  28. Paulo Vaz

    Ricardo,
    Você está imerso em paradigmas pré-crise 2007. A realidade é que o mundo mudou e o perfil de especialização da economia nacional também. Além dos agregados macro-económicos que você domina, está também a verificar-se uma redução de emprego nos sectores não transaccionáveis e uma manutenção ou menor redução nos sectores transaccionáveis. E para sua informação, a economia transaccionável já absorveu o impacto da entrada das economias emergentes na OMC e portanto há muito que deixou de competir nos mesmos subsectores de baixo preço que a China e Paquistão (o seu argumento é infantil). O par de sapatos que sai das fábricas portugesas tem um preço médio de 20€; O preço médio do par à saída das fábricas chinesas é de 3 €. POr outro lado, a China está a aumentar os salários internos, o Remminbi está em valorização, os fretes internacionais mais caros, a disponibilidade de crédito para os importadores europeus importarem séries grandes da China é menor. Portanto o abastecimento de produtos manufacturados aos mercados europeus está a ser desviado de produtores longínquos para regiões ainda com zonas industriais como é o Norte e Centro de Portugal. Procure por «China pain is Mexico gain» no google para ver a alteração do paradigma de desenvolvimento que esta a afectar as economias industrias próximas dos grandes mercados consumidores do ocidente.

    Quer você acredite quer não, está a verificar-se uma alteração do perfil da economia nacional desde 2008. Os dados estão ai. Você comete os erros dos macroeconoistas, tal como os curandeiros da idade média queriam curar sem perceber o funcionamento interno do corpo humano. Falta-lhe muita microeconomia.

    Links e imagens recomendados

    http://blasfemias.net/2012/06/08/desequilibrios-regionais-a-corrigirem-2/
    http://balancedscorecard.blogspot.com/2012/06/o-regresso-da-producao-ao-ocidente.html
    https://plus.google.com/photos/104971707635290162711/albums/5749582696401235905/5749582693574326706

  29. Syme

    Ricardo Arroja,

    Ontem escrevi neste espaço que “não sabia por onde pegar na sua réplica”. Como calcula, não era exactamente verdade: foi uma forma de cortar uma conversa que estava a perder o tom de civilidade que exijo sempre, qualquer que seja o meio de suporte. Espero que esteja mais calmo e deixo-lhe aqui um reparo / sugestão de reflexão.

    Mencionou a necessidade de um proteccionismo favorável à “empregabilidade”. Muito bem, parece-me que deveria explicitar exactamente como e em quê é que a sua sugestão se distingue do proteccionismo “contra a concorrência e em nome do emprego” que constitui a exigência permanente, por exemplo, do discurso sindicalista. Sem princípios abstractos, remissões para opiniões pretéritas ou sugestões de interpretações incorrectas: de modo concreto e objectivo.

    Estou moderadamente optimista quanto à possibilidade de encontrar distinções concretas e muito relevantes entre os dois tipos de proteccionismo, porque suspeito que se procurar exemplos de medidas adoptáveis por um governo que sejam protectoras da “empregabilidade”, encontrará, afinal, instâncias particulares das tais reformas ditas “estruturais” que considerei inadiáveis e que, infelizmente, são sistematicamente adiadas.

    Dou um exemplo, que me preocupa especialmente: mencionei necessidade da reforma do ensino; parece-me que a “empregabilidade” beneficiaria tremendamente com a recriação do chamado “ensino técnico e industrial”. A designação só importa na medida em que se refere a um entendimento específico do conhecimento que era transmitido sob forma magistral: o “saber como”, decisivo em quase todas as formas de actividade e que está a ser exterminado por uma concepção racionalista do ensino. Desde os infelizes tempos das maiorias Cavaco que se meteu na cabeça dos portugueses (e no bolso, sob a forma de subsídios comunitários) que o “progresso” exigia o abandono do “saber fazer” –e daquilo que, em muitos casos, os portugueses sabiam fazer muito bem e até melhor do que ninguém.

    Note que a reabilitação do “ensino técnico e industrial” não “demora anos a produzir efeitos”: emprega imediatamente quem sabe, e emprega a curto e médio prazo quem aprende –isto, claro, nas empresas que resistirem ao “genocídio fiscal” em curso. Aliás, se levarmos mais anos a perceber que isto é crucial, os detentores do “saber como” desaparecerão e perde-se o capital humano de conhecimento prático que ainda resta. Se isto não é “pragmatismo e bom senso”, então nada mais posso acrescentar.

    Cumprimentos.

  30. Ricardo Arroja

    “parece-me que a “empregabilidade” beneficiaria tremendamente com a recriação do chamado “ensino técnico e industrial”.”

    Caro Syme,

    Estou absolutamente de acordo. Aliás, uma parte significativa da competitividade da Alemanha está precisamente no sucesso do seu ensino técnico e industrial. E, portanto, sim, eu também reabilitaria esse tipo de ensino. Nada a opôr.

    Quanto ao resto, continuarei em próximos posts e próximos artigos de opinião.

    Cumprimentos,

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