Porque é que Hitler atacou a União Soviética?

Sempre tive esta dúvida. E até hoje ninguém me tinha dado um bom motivo para Hitler ter desprezado o poderio Soviético e ter provocado a guerra com Estaline. Creio que neste incidente fica uma pista.

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16 pensamentos sobre “Porque é que Hitler atacou a União Soviética?

  1. CN

    Isso estava bem visível no Mein Kampf. A procura de espaço vital era para leste nunca para Oeste. Foi o Oeste (Ingleses e Franceses) que declarou guerra à Alemanha por causa da ditadura militar polaca e não o contrário. Os “isolacionistas” (na verdade “não intervencionistas”) têm um bom argumento em como com alguma probabilidade Hitler poderia “só” ter virado para Leste o que com alguma probabilidade também teria derrotado Estaline mas deixado Hitler fragilizado e a tempo derrotado,externa ou internamente. Teria-se poupado o comunismo e guera fria e as descolonizações à pressa. O Império Britânico não teria caído por morte súbita mas de forma progressiva e amena.

  2. ricardo saramago

    O plano de Hitler consistia em organizar no mundo eslavo uma semi escravatura ao serviço da economia alemã e a conquista das fontes energéticas do Caucaso.
    Várias coisas correram mal, algumas delas imprevisíveis:
    Desde muito cedo todas as comunicações alemãs eram interceptadas pelos serviços de informação britânicos e todos os movimentos das tropas alemãs antecipados e, por decisão de Churchill, os russos eram informados em tempo real.Os alemães nunca se aperceberam deste facto até ao fim da guerra.
    O apoio maciço prioritário em material fornecido pelos aliados a partir dos EUA, permitiu aos russos recuperar sempre das gigantescas perdas que os alemães lhes inflingiam perante a incredulidade dos generais alemães.
    Finalmente quando a URSS estava à beira do colapso, a decisão do Japão de não atacar a Rússia imediatamente conhecida por Stalin, permitiu deslocar as tropas que estavam no oriente e travar o avanço alemão às portas de Moscovo e Stalinegrado.
    A capacidade de planeamento e de organização sucumbiu perante o impossível e o imprevisível.
    A vitória era possível e provável no entanto a realidade tem destas coisas.

  3. Fernando S

    Hitler acabou com a democracia politica na Alemanha … e as democracias ocidentais não se mexeram.
    Hitler furtou-se às condições previstas pelo Tratado de Versalhes …e as democracias ocidentais não se mexeram.
    Hitler consolidou internamente um regime totalitario e instaurou leis raciais contra os judeus que provocaram uma debandada … e as democracias ocidentais não se mexeram.
    Hitler militarizou a sociedade alemã e preparou e armou um exercito de tipo claramente ofensivo … e as democracias ocidentais não se mexeram.
    Hitler ocupou e anexou a Austria … e as democracias ocidentais não se mexeram.
    Hitler ocupou e anexou os Sudetas (Checoslovaquia) … e as democracias ocidentais não se mexeram (Munique).
    Hitler invadiu a Polonia e anexou uma parte do respectivo territorio …

    ….. e imaginemos que as democracias ocidentais não se teriam mexido !…
    Hitler teria invadido a União Soviética … e as democracias ocidentais não se teriam mexido !…
    Hitler teria invadido a França … e o Reino Unido não não se teria mexido !…
    Hitler teria conseguido por de joelhor e ocupar o Reino Unido … e os Estados Unidos da América não se teriam mexido !…
    Até onde teria ido Hitler antes das democracias ocidentais decidirem reagir ?!…
    ………………………………….

    Mas voltemos atras, à invasão alemã da Polonia.
    Que não era uma democracia perfeita mas também não era uma ditadura.
    Que era uma nação que foi sacrificada durante séculos de invasões, ocupações e anexações e à qual a França e o Reino Unido, vencedores da guerra de 14-18, através do Tratado de Versalhes, reconheceram um territorio e deram garantias de defesa em caso de agressão por parte de algum dos tradicionais inimigos, a Alemanha e a Russia.
    A França e o Reino Unido intimaram a Alemanha a retirar as suas tropas da Polonia.
    Sem resposta favoravel, e de acordo com as regras da garantia dada à Polonia no ambito do Tratado de Versalhes, os dois paises declaram-se em estado de guerra com a Alemanha.
    Mas a França e o Reino Unido não tinham planos para iniciar operações militares contra a Alemanha. As diplomacias dos dois paises continuaram a pressionar a Alemanha para esta retirar as suas tropas da Polonia.
    Hitler tinha perfeita consciencia disto. Nenhum documento secreto alemão foi alguma vez encontrado mostrando que Hitler receava ou tinha indicios sobre uma qualquer iniciativa militar dos aliados.
    Foi Hitler que decidiu desencadear uma “blitz krieg” e invadir a França (e a Bélgica e a Holanda). A ideia de Hitler era precisamente a de apanhar os alidados de surpresa e mal preparados e obter uma vitoria rapida e definitiva a Oeste.
    E virar-se tranquilamente para Leste.
    Como acabou por acontecer. Mas sem ter conseguido neutralizar primeiro os aliados. De resto, fe-lo contra o parecer de alguns dos generais alemães.

    Dizer que os aliados ocidentais podiam ter evitado entrar na guerra contra a Alemanha hitleriana … e podiam ter ficado a assistir tranquilamente os dois totalitarismos a se guerrearem e a se destruirem mutuamente (?!!…) …. é uma verdadeira afabulação da historia !

  4. Ainda a respeito do que o CN e o Ricardo Lima escreveram, talvez haja ainda outra coisa que seja bom notar – a moderna Alemanha é (ou pelo menos era em 1939) largamente a continuação institucional da Ordem dos Cavaleiros Teutónicos, que tinha exactamente como missão conquistar para a Cristandade os territórios das tribos pagãs do Báltico.

    Quando foi a reforma protestante, o grão-mestre dos Cavaleiros Teutónicos converteu-se ao luteranismo e proclamou-se rei (ou duque, ou coisa parecida) dos territórios que a Ordem havia conquistado no Leste, que a partir daí passaram a constituir o estado da Prússia; mais tarde, como todos sabem, a Prússia reuniu à sua volta quase todos os outros principados da Alemanha, dando ao país moderno chamado “Alemanha”.

    Onde é que eu quero chegar com isto? Que, durante muito tempo, a expansão para Leste (o Drang nach Osten) era considerado quase como a vocação natural da Alemanha (tal como os políticos portugueses falam do “mar” sempre que têm oportunidade) – afinal, a Alemanha foi, de certa forma, criada por monges-soldados dedicados a conquistar terras a Leste, e a ideia de Hitler de conquistar espaço-vital a Leste era algo que era mais ou menos mainstream entre grande parte dos alemães.

  5. CN

    Fernando S

    Pode recorrer a um aclamado historiador Inglês A J P Taylor que diz que Hitler não tinha um plano grandioso, “limitou-se ” improvisar com jogadas cada vez maiores (em nada lhe tira as culpas de nada, estamos é a tentar perspectivar as suas ações as dos outros) e é bom de ver que tudo o que Hitler fez durante os anos 30 foi recuperar território e população alemã que de qualquer forma queria pertencer à Alemanha (que não é o mesmo que querer pertencer ao nazismo ou a Hitler), mesmo a Áustria, depois das duas monarquias desaparecerem por asneira nos aliados (da Sérvia,o país terroristas) na Primeira Guerra, e em República e falando a mesma língua e cultura dificilmente se evitava que uma boa parte dos austríacos não tivessem predispostos (a mesma língua…a mesma nação, foi assim por todo o lado).

    Quanto à estratégia dos americanos e ingleses (vá lá, Roosevelt o ingénuo como antes tinha sido Woodrow Wilson nem primeiro lugar, e Churchill o que pensaria controlar os acontecimentos) foi tão boa que o genocida dos anos 30 e igualmente invasor da Polónia ficou com metade da Europa, (Churchill ainda lhe ofereceu os Bálticos).

    Estaline, na verdade pode-se compreender no grande esquema da história, depois da experiência Napoleónica, depois da Primeira Guerra Mundial ter perdido perdido uma extensão de 2 vezes o tamanho da Alemanha (foi essa a paz com Lenine, os Alemães a Leste tinham ganho a guerra, note-se), procurava prevenir-se de mais, e desse ponto de vista a negociação com a Finlândia para defender o ponto frágil compreendia-se. As grandes nações não agem por ideologia, seja qual for o regime a força motivadora é a de preservação, para isso são as grandes nações da história e a Rússia, como Putin já lembrou,é a única que nunca foi colonizada.

    E depois no final da Segunda também se percebe que com essas experiências e mais a WW2 que quisesse um tampão forte e foi com isso que fez o muro de Berlim e essa metade da Europa. Diga-se que depois disso, Estaline foi acusado de “isolacionista”, a sua dissenção com Trotsky era que este era como os outros (neocons) que vieram depois dele, idealista, internacionalista, com a visão da revolução a todos os cantos da terra. Estaline foi o realista do Socialismo num Império ainda assim contido. Só mais tarde é que o Afeganistão veio contrariar a tese, e assim acelerar a queda da URSS. Como fica bonito dizer para quem gosta de grandes frases, o Afeganistão é onde os Impérios vão morrer (Alexandre o Grande, os Budistas que o invadiram – daí os Talibans terem destruído as estátuas, Mongóis, Czar, Ingleses, Soviéticos, e ?).

  6. Ricardo Cerqueira

    Estes esta alegada vocação de conquistar espaço vital é muito interessante, porém tropeça em dois pequenos detalhes que, à medida que os fui analisando, me fizeram deixar de compreender as verdadeiras motivações germânicas no Leste.

    Resumindo em poucas linhas:

    1- Após as grandiosas e inéditas derrotas de 1941, Stalin em pânico terá oferecido uma capitulação parcial a Hitler e este, convencido da invencibilidade germânica, terá ignorado a oferta:

    “Sudoplatov made the first contact on July 25th, asking that the German government specify what it would require from the Soviet Union in order to end the fighting. The Soviet government (in fact, Stalin) offered to surrender Estonia, Latvia, Lithuania, Bessarabia, Bukovina and the Ukraine, as well as the Karielian territory that the Soviet Union had occupied in 1940 after the Winter War with Finland. By July 27th no answer had come, and it was clear that Hitler had rejected Stalin’s offer.”

    2- No início de 1944. a Luftwaffe tinha preparado algumas esquadras de bormbardeamento estratégico (com os novos HE-177 Greif e os extraordinários “Mistel” ou melhor dizendo, um caça FW-190 ou Bf-109 que comandava um bombardeiro HE-111 ou JU-88 carregado de explosivos e que servia de missil guiado contra o alvo) para atacar as centrais eléctricas na retaguarda russa. A missão, sem retorno, foi longamente planeada e, a ser executada com exito, teria paralizado a produção de guerra soviética (e só o material lend-lease não era suficiente para manter o esforço de guerra do exército vermelho). Dos carros de combate T-34 e KV-1, aos caças Yak e MiG, o material russo teria deixado de ser produzido, “tout court”. No entanto, a ordem para a referida missão nunca chegou e as esquadras reservadas acabariam por ser dispersas e derretidas noutras missões com muito menos alcance estratégico.

    Estas duas histórias, aparentemente sem ligação entre si, poderão revelar uma real falta de vontade em derrotar verdadeiramente o inimigo ou uma confrangedora incompetência, disfarçada de arrogância… (de algum modo, uma imagem de marca da aparentemente extraordinária máquina de guerra alemã).

  7. lucklucky

    A Segunda Guerra aconteceu por causa da classe política-jornalista no Ocidente, representando a esquerda, o centrismo dos consenso e o pacifismo. Principalmente na França, mas também devemos incluir vários Britânicos como Lord Halifax.
    Hitler só se tornou no que tornou porque todos o deixaram construir a sua reputação sem nunca travarem as suas jogadas.

    O Estado Maior Alemão só estava á espera de um motivo de correr com Hitler. Cada vez que Hitler queria fazer uma jogada, o Estado Maior dizia que era demasiado arriscado. Mas no fim Hitler ganhava sempre e o seu capital político não cessou de aumentar.

    http://wargamer.com/article/3188/book-review-shattered-genius-the-decline-and-fall-of-the-german-general-staff-in-world-war-ii

    “Ainda a respeito do que o CN e o Ricardo Lima escreveram, talvez haja ainda outra coisa que seja bom notar – a moderna Alemanha é (ou pelo menos era em 1939) largamente a continuação institucional da Ordem dos Cavaleiros Teutónicos, que tinha exactamente como missão conquistar para a Cristandade os territórios das tribos pagãs do Báltico.”

    Os Cavaleiros Teutónicos lutaram contra os Polacos católicos como http://en.wikipedia.org/wiki/Jagiello

    “A missão, sem retorno, foi longamente planeada e, a ser executada com exito, teria paralizado a produção de guerra soviética ”

    Nem pouco mais ou menos. O bombardeiamento estratégico tem de ser massivo para funcionar. Os Alemães nunca tiveram quantidade, nem aviões, nem pilotos.
    Depois o He177 um avião falhado enquanto o Mistel era uma palhaçada .

  8. Fernando S

    CN,

    Retomamos uma velha discussão … com a mesma discordancia … mas é sempre um prazer !

    Eu não pretendo que Hitler tivesse “um plano grandioso”. O CN é que diz que “[] isso [a procura de espaço vital … para leste nunca para Oeste] estava bem visível no Mein Kampf”.
    Mas também esteve sempre bem visível que Hitler considerava o liberalismo e as democracias como inimigos a combater e a vencer.
    E Hitler sabia perfeitamente que o seu projecto de dominação e conquista pela força das armas colidia frontalmente com a organização das fronteiras da Europa posterior à guerra de 14-18, arquitectada e com a existencia e as novas fronteiras da maior parte dos paises garantida pelos aliados ocidentais.
    É verdade que Hitler foi avançando com a política dos factos consumados procurando esticar a corda da paciência dos ocidentais ao máximo, sabendo que ela rebentaria mais dia ou menos dia e preparando-se para tomar a iniciativa da guerra no momento oportuno.
    Foi exactamente o que aconteceu.
    O que é retrospectivamente surpreendente é que os aliados tenham deixado Hitler fazer o que quiz durante anos e anos sem reagir de modo mais enérgico.
    O erro dos aliados não foi o terem declarado formalmente a guerra a uma Alemanha que invadia um terceiro país independente à volta das suas fronteiras.
    O erro dos aliados foi não terem mostrado mais determinação mais cedo. Foi o que se chamou “o espírito de Munique”.
    Se o tivessem feito, talvez não tivesse sido possível evitar o conflito armado, tendo em conta a logica guerreira do nazismo e a psicologia de Hitler, mas pelo menos não teriam permitido que Hitler tivesse ganho confiança na invencibilidade do exército alemão e tivesse tomado a iniciativa da guerra.

    O CN diz o que Hitler fez até 1939 foi “apenas” “recuperar território e população alemã”.
    Mas, até independentemente de se saber se esse desiderato era legítimo e razoável, a verdade é que Hitler o fez pela força, recusando a diplomacia e a negociação, indo contra todos os tratados existentes, e violando as fronteiras e a soberania de países independentes e indefesos. Paises que, de resto, tinham regimes essencialmente democráticos e onde os direitos das maiorias (Austria) minorias (Checoslovaquia ; os alemães de Gedansk/Dantzig eram apenas uns milhares) alemãs eram normalmente respeitados. A Austria, que era o berço de uma das mais antigas dinastias europeias, uma nação com a sua própria história e identidade, tinha um governo democráticamente eleito que teve de capitular perante a força militar alemã. O referendo que teria comprovado a vontade dos austriacos integrarem a Reich alemão foi feito já debaixo do jugo nazi em condições fáceis de imaginar. A invasão e a ocupação da Checoslóváquia, com o pretexto de vir em auxilio de uma população de lingua alemã perfeitamente integrada num país democrático e práticamente desarmado, foi uma acção completamente desproporcionada e uma verdadeira provocação à França e ao Reino Unido (na realidade, a Checoslováquia nunca se preocupou com a sua defesa por ter garantias firmes daquelas duas potências … que finalmente se revelaram inconsequentes … foi a vergonha da Conferencia de Munique !). A invasão da Polónia foi apenas mais uma aplicação do modelo de ocupação e anexação que Hitler já testara na Austria e na Checoslováquia. Muito para além da questão das populações e territórios que Hitler considerava deverem pertencer à grande Alemanha (de resto, também existiam populações de lingua alemã na França, na Bélgica, na Suiça,…), as agressões militares nazis eram, como se vei a comprovar de seguida, apenas uma primeira fase de um processo que não se ficaria por ali.

  9. Fernando S

    CORREC 1 :
    onde esta : “a organização das fronteiras da Europa posterior à guerra de 14-18, arquitectada e com a existencia e as novas fronteiras da maior parte dos paises garantida pelos aliados ocidentais.”
    leia-se : “a organização das fronteiras da Europa posterior à guerra de 14-18, arquitectada pelos aliados ocidentais e com a existencia e as novas fronteiras da maior parte dos paises garantidas pelos mesmos aliados.”

    CORREC 2 :
    onde esta : “O CN diz o que Hitler fez até 1939 …”
    leia-se : “O CN diz que o que Hitler fez até 1939 …”

  10. Ricardo Cerqueira

    lucklucky

    Não estava a referir bombardeamentos estratégicos mas ataques de precisão a alvos bem determinados. Não fui eu que inventei este plano. Quanto aos Mistel serem uma “palhaçada”… bem, depende do ponto de vista. Se falharam o ataque a Sacapa Flow, eles foram empregues em missões de combate na frente Leste, com alguns resultados surpreendentes. Quanto aos HE 177, realmente a propaganda ocidental pinta-os como um estrondoso falhanço, mas o que é certo é que em meados de 1944 chegaram a actuar em bom número (cerca de uma centena) na frente oriental (no KG1) e mesmo na “Baby Blitz” a campanha com os resultados mais escondidos da história da II GM – porque os aliados não queriam admitir que os alemães continuaram a bombardear o Reino Unido até 1945 e muito menos reconhecer os estragos e os meios que se viram obrigados a retirar da frente para assegurar a defesa contra um número relativamente reduzido de aparelhos incursores.

    Os HE 177 do KG1, precisamente os que deveriam ter realizado o tal raide contra as centrais produtoras de energia e postos de transformação soviéticos, (aviõe para isso, além dos Mistel, dispunham ainda de alguns dos novos mísseis guiados Fritz-X) acabaram por ser dispersos ou retirados devido à falta de combustível.

    Claro que tem razão quando afirma que os alemães não tinham uma força capaz para realizar bombardeamentos estratégicos de forma persistente. Mas operações pontuais podiam fazê-las (e fizeram) quando o alto comando se entendia, quando existiam aparelhos e havia combustível disponível.

    Claro que este é um assunto que dá pano para mangas e longas horas de discussão, de preferência a um jantar, sem tempo e de volta de uma boa garrafa de tinto alentejano.

  11. Fernando S

    CN # 6. : « Quanto à estratégia dos americanos e ingleses …[Estaline] ficou com metade da Europa,…”

    E se os aliados não tivessem feito frente a Hitler e não se tivessem aliado com Estaline para este efeito ?… Como teria ficado a Europa ?…
    De qualquer modo, a posterior satelização da Europa de Leste pela União Soviética tem mais a ver com a estratégia dos aliados ocidentais no pós guerra do que própriamente com a guerra contra a Alemanha hitleriana.

    CN # 6. : “Estaline, na verdade pode-se compreender no grande esquema da história,… As grandes nações não agem por ideologia, seja qual for o regime a força motivadora é a de preservação, para isso são as grandes nações da história e a Rússia, como Putin já lembrou,é a única que nunca foi colonizada.(…) []Desse ponto de vista a negociação com a Finlândia para defender o ponto frágil compreendia-se. (…)E depois no final da Segunda também se percebe que com essas experiências e mais a WW2 que quisesse um tampão forte e foi com isso que fez o muro de Berlim e essa metade da Europa. Diga-se que depois disso, Estaline foi acusado de “isolacionista”,… Só mais tarde é que o Afeganistão veio contrariar a tese,…”

    Tudo se pode “compreender no grande esquema da história” ! …
    Até a Alemanha hitleriana e o seu projecto de dominação da Europa através do uso da força militar.

    Curiosa é esta tendência do CN para “compreender” que as grandes nações totalitárias que foram a Alemanha hitleriana e a União Soviética tenham utilizado a força para atacar e dominar outras nações, do seu ponto de vista apenas com um espírito de “preservação”,… e para não “compreender” que as democracias ocidentais não se tenham limitado à via diplomática e tenham também utilizado a via das armas para parar o avanço das tropas alemãs em 1939 (já não era apenas uma ameaça !..) e para contrariar o expansionismo soviético após o fim da 2ª grande guerra.

    É espantoso que o CN apresente a estratégia de Estaline como sendo puramente defensiva e até “isolacionista”.
    Como se o comunismo soviético não tivesse um projecto de expansão e dominação numa escala internacional. O que não é em nada contraditório com todas as precauções realistas de Estaline face a aventureirarismos internacionalistas à maneira trotskista.
    Em particular, depois da 2ª guerra, no periodo da chamada “guerra fria”, e para além da ocupação da Europa de Leste, o regime soviético levou a cabo em todo o mundo uma estratégia sistemática de subversão e agressão tendente a conquistar e dominar cada vez mais territórios até então mais ou menos inseridos no chamado “mundo capitalista”. Com inumeros sucessos ao longo de varias décadas.
    O expansionismo militar soviético não se limitou à intervenção no Afeganistão. No fim de contas, a “guerra fria” foi marcada por inúmeras guerras “quentes” da responsabilidade directa do comunismo soviético. A circunstância da União Soviética não ter entrado directamente com tropas mas antes indirectamente através de outros paises e partidos comunistas, do envio de conselheiros militares, de armamento, provisões, dinheiro, etc, apenas mostra o grau de organização e a capacidade do movimento comunista no que foi um verdadeiro projecto imperialista.

    É a inversão de valores que já lhe tinha imputado em discussões anteriores.
    Não é que eu suspeite o CN de simpatias pelos totalitarismos. Nada que se pareça.
    É para mim perfeitamente claro que estas suas teses “negacionistas” da responsabilidade dos totalitarismos nas guerras mundiais, quentes e frias, é apenas motivada pelo seu preconceito ideológico radicalmente anti-estatista, que o leva a uma espécie de “pacifismo” selectivo, que consiste em criticar sistemáticamente qualquer opção militar por parte das democracias ocidentais ao mesmo tempo que relativiza e desculpabiliza (“compreender”) todas as ameaças e agressões vindas de forças e regimes de cariz totalitário (nacionalismo, nazismo, comunismo, terceiro mundismo, islamismo, etc).

  12. CN

    “Como se o comunismo soviético não tivesse um projecto de expansão e dominação numa escala internacional.”

    Estaline não tinha projeto algum de dominação, o que obteve foi-lhe dado e por boas razões históricas tomo para si como proteção.

    O comunismo internacional não existia, como se podia ver das relações entre a China e Estaline. O Fernando S está a deixar a ideologia tomar-lhe a razão, um problema típico da narrativa proto-neoconservadora da história boa para anjinhos – como o foi Roosevelt – para justificar um século que foi um desastre e mass murder absoluto provocado pelas elites estatistas e onde todos sem excepção mereciam serem crucificados pela história (começa na Grande Guerra, recordemos).

    “E se os aliados não tivessem feito frente a Hitler e não se tivessem aliado com Estaline para este efeito ?… Como teria ficado a Europa ?…”

    Já responde a isso várias vezes, o que fizeram foi dar a vitória ao outro ainda mais totalitário e invasor da Polónia – ver a realidade à frente do nosso nariz por vezes é o mais difícil.

  13. Fernando S

    1 – CN #13. : “O Fernando S está a deixar a ideologia tomar-lhe a razão, um problema típico da narrativa proto-neoconservadora da história boa para anjinhos … ver a realidade à frente do nosso nariz por vezes é o mais difícil.”

    No coments !!
    .
    .
    2 – CN #13. : “Estaline não tinha projeto algum de dominação, o que obteve foi-lhe dado e por boas razões históricas …”

    Decididamente, não temos a mesma leitura do que representou o totalitarismo comunista e do papel de Estaline.
    Não vejo quais seriam as “boas razões historicas” para “dar” a Europa de Leste a Estaline…
    Além de que, lendo o que escreve, até parece que os soviéticos não fizeram nada de planeado e organizado para dominar pela força toda uma série de paises durante varias décadas !…
    .
    .
    3 – CN #13. : “O comunismo internacional não existia, como se podia ver das relações entre a China e Estaline.”

    Bom, existiu certamente até ao inicio dos anos 60. Até essa altura as relações entre a União Soviética de Estaline e a China de Mao, descontado diferendos normais mas marginais, eram de estreita aliança e colaboração. Nomeadamente no plano internacional.
    Deixou de existir enquanto movimento unico a partir do conflito sino-soviético, bem depois do desaparecimento de Estaline.
    Passaram a existir comunismos com estratégias politicas próprias mas sempre fieis à logica totalitaria e conquistadora da ideologia e do sistema.
    De qualquer modo, o comunismo soviético, mesmo rivalizando com o chines (o que não impediu que em muitos casos ambos apoiassem as mesmas forças comunistas em acção em diferentes partes do mundo), continuou a existir e a ter uma estratégia militarista e expansionista.
    .
    .
    4 – CN #13 : “… para justificar um século que foi um desastre e mass murder absoluto provocado pelas elites estatistas e onde todos sem excepção mereciam serem crucificados pela história”

    Quem me parece estar a meter todos no mesmo saco, democracias e totalitarismos, moderados e extremistas, pacificos e militaristas, branqueando assim as maiores responsabilidades dos segundos nos desastres que refere, é precisamente o CN.
    A sua referência às “elites estatistas” é muito reveladora do fundo da sua visão do mundo e da história.
    .
    .
    5 – CN #13 : “… o que fizeram foi dar a vitória ao outro ainda mais totalitário e invasor da Polónia”

    Ninguém “deu” a vitória à União Soviética…
    Ao contrário do que pretendeu a propaganda comunista, a derrota do nazismo e dos seus aliados não se deveu apenas nem sobretudo à União Soviética. De resto, sem a ajuda financeira e em armamento dos aliados, sem a existência de uma frente de guerra a Oueste e noutras partes do mundo, sem a intervenção americana na guerra, a União Soviética não teria sequer conseguido fazer frente a Hitler.
    Mas é verdade que o papel da União Soviética no esforço de guerra na frente de Leste foi importante para derrotar a Alemanha nazi.
    É verdade que o totalitarismo comunista não ficou atrás do nazi, e, em certos aspectos, foi até pior. Mas naquela altura tratava-se de fazer face a uma situação de grave emergência em que o país agressor era claramente a Alemanha.
    A aliança militar com a União Soviética foi na altura pontual e um mal menor.
    Os aliados não tinham antecipado nem que as tropas soviéticas chegariam a Berlim nem que não retirariam dos territórios ocupados.
    Desde cedo, os aliados não aceitaram a posição soviética e procuraram sempre reverter a situação de ocupação da Europa de Leste. A “guerra fria” foi precisamente este confronto. Que durou tempo demais mas que, no final, foi vencido pelos ocidentais e acabou de vez com o comunismo soviético.
    Apesar de tudo, o mundo está hoje bem melhor com a Rússia de Putin do que estaria se a União Soviética ainda existisse.

  14. Masta Supreew

    Esse resposta não mim convenceu.
    Eu aprendi que, o Hitler só poderia vencer a Inglaterra se apoderassem do petróleo e do Magnes que existiam em abundancia na URSS. por isso teve de manter os exércitos soviéticos estacionado muito próximo das fronteiras Alemães.

  15. Robson

    Eu diria que embora havia divergências ideológicas entre URSS e Alemanha bem como a tal busca do expaço vital para a Alemanha, o que realmente motivou a invasão da URSS foi o excesso de confiança que os alemães tinham e o menosprezo aos russos, Hitler estava crente que venceria.
    E porque tanta convicção na vitória?
    1º Porque em combates terrestres nenhuma nação resistiu á Alemanha.
    2º Os russos passaram vergonha na guerra de inverno (1939-1940) contra a Finlândia, bem como fracassaram na invasão da Polônia em 1922.
    Nos primeiros meses de guerra, os Alemães deram uma lavada nos russos e conquistaram a maior parte da parte européia da Russia, cercando eficazmente Leningrado, chegando perto de Moscou e quase tomando Stalingrado.
    Porém, alguns fatores penderam em desfavor dos alemães.
    1º Não liquidou os britânicos antes, assim teve de enfrenta-los no norte da África, e acabou perdendo quando os americanos se juntaram aos britânicos.
    2º Não obteve ajuda dos japoneses pelo outro lado da Rússia.
    3ºNão se preparou para o inverno.
    4ºTropas siberianas cruzaram a Russia indo defender Stalingrado e conseguiram cercar o exercito alemão que a sitiava.
    5º Adiou em mais de 100 dias a operação citadela, permitindo que os Russos preparassem o terreno na batalha de Kursk, e nesta batalha digamos que houve um empate tecnico nas perdas, o problema é que os blindados alemães eram mais caros, então as perdas alemãs acabaram sendo maiores, essas 2 batalhas (Kursk e Stalingrado) decidiram os rumos da guerra na europa.

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