desígnio nacional (2)

“O país de ficção que fora criado necessitava desaparecer. Mas o que alguns tentam construir também é baseado numa ficção dita científica”, Fernando Sobral (hoje no Negócios).

A propósito deste post, que tanto incomodou alguns dos meus caros amigos, quero reforçar o seguinte: o problema de base em Portugal é a sua baixa produtividade – é algo factual e que está amplamente documentado. E resulta essencialmente de três factores: a) um sistema de ensino deteriorado, nomeadamente nos cursos técnicos (onde, por exemplo, a Alemanha aposta muito forte); b) uma justiça inoperante, que gera incerteza e insegurança e; c) uma administração pública ineficiente e caloteira, que lidera pelo mau exemplo. A estes três factores, acresce um quarto: a elevada carga fiscal, que é necessária para financiar toda aquela ineficácia e despesismo.

Assim, em face daquele quadro, é evidente que o País não é atractivo para quem cá quer investir e criar emprego – portugueses incluídos. E o nível de vida dos últimos anos, desde a introdução do euro, foi ilusório, na medida em que, não criando o País riqueza suficiente para manter o tal nível de vida, apenas através do endividamento tal se foi tornando possível. Endividamento público, mas também privado. No grande Estado. Nas grandes empresas, mas sobretudo nas pequenas e nas micro empresas (aquelas que, segundo dados do BdP, maior endividamento relativo evidenciam no sector privado). E é destas micro empresas que temos aos magotes: 321 mil, para sermos rigorosos, num total de 380 mil sociedades (dados BdP). Pelo contrário, entre as empresas exportadoras contam-se apenas 18 mil, sendo que destas apenas 100 (cem) representam 50% do volume global de exportações nacionais. E, portanto, será a empregabilidade de Portugal sustentável somente deste modo? Não me parece…sobretudo num país de tesos como, infelizmente, é hoje o nosso.

Agora, não me interpretem mal. Não está em causa a necessidade de reduzir o peso do Estado. Não, o Estado tem de acabar com o despesismo, tem de pagar a tempo e horas e se há limite a constitucionalizar esse limite não é o défice, mas sim a carga fiscal. E quanto às empresas inviáveis, também não devem ser mantidas artificialmente. Em relação às reformas estruturais, também é de avançar com elas, nomeadamente em matérias de justiça, educação e concorrência interna, a fim de eliminar os custos de contexto que reduzem o produto potencial, bloqueando aqueles que querem trabalhar e avançar, e que são castradores da nossa competitividade externa. Ou seja, até aqui, salvo na questão dos impostos (que têm aumentado quando deveriam descer), tenho apreço pelo programa da troika, embora me pareça que a sua implementação esteja longe de ser o sucesso que tanto apregoam (nota: quase todas as reformas estruturais estão projectadas mas ainda não saíram do papel; e o Estado, de acordo com os dados que tenho da economia real, está cada vez mais caloteiro, pelo que, assim será fácil reduzir a despesa!).

Onde está, então, a minha discórdia com o caminho seguido? Está na inexistência de um mecanismo qualquer que sirva de muleta (pois não se anda com as pernas partidas) para a recessão saneadora que, necessariamente, está associada à correcção das contas públicas, do défice externo, e às reformas estruturais. Porque crer que Portugal se aguentará de pé apenas à custa daquela mão cheia de empresas exportadoras sem que existam outros factores competitivos, que a) permitam a captação de novo investimento produtivo (que gera emprego, promovido por portugueses ou estrangeiros) e b) tão importante quanto o ponto anterior, consigam absorver os recursos que agora se revelam redundantes noutras áreas da economia (ie, as pessoas que ficaram sem os seus empregos e os equipamentos que estão parados), parece-me de um academismo bastante ingénuo.

É, por tudo isto, que eu tenho vindo a sugerir a) que se desincentive por via fiscal a importação de bens e serviços produzidos no estrangeiro, nomeadamente nos sectores onde há know-how português (é ver as tabelas sectoriais do INE) e b) que se incentive o investimento e a produção através de uma redução maciça dos impostos que incidem sobre esse mesmo investimento e produção (IRS, IRC e TSU). Seria substituir a alavanca cambial (que nos servia antigamente, mas que hoje já não temos) por uma alavanca fiscal, reorientando (e no balanço, assegurado emagrecimento do Estado, reduzindo também) a carga fiscal a fim de promovermos a nossa competitividade externa e a protecção do País. Uma negociação proactiva destes princípios junto de Bruxelas, aplicáveis enquanto estivéssemos intervencionados e a pagar juros (uns dez anos), teria condições para ser aceite (certamente que em alguns pontos) porque seria no interesse de todos – nosso (cresceríamos) e dos credores (receberiam). Mais, se fizéssemos de Portugal um país atraente para o capital interno e externo, então sim, poderíamos ser uma rampa de lançamento para o mercado único europeu. Isso, sim, seria solidariedade europeia. Isso, sim, seria refundar o País. Isso, sim, seria pensar de forma estratégica e com os pés assentes na terra.

Por fim, uma pequena nota quanto ao ser liberal. O mecanismo de que vos falei seria um sucedâneo da alavanca cambial que todos os países com independência monetária utilizam. E, francamente, não vejo em que é que isso nos tornaria menos liberais. O ser liberal consiste na abertura interna do País e essa tem sido sempre uma das minhas preocupações neste debate – assegurar a defesa da concorrência, mas dentro de portas, dentro do nosso espaço soberano, em benefício primeiro daqueles que cá vivem, que cá pagam impostos e que cá votam. Chamem-me populista à vontade, mas na minha cabeça, abrir à concorrência sim, meter auto-golos não.

45 pensamentos sobre “desígnio nacional (2)

  1. Miguel Noronha

    ” O ser liberal consiste na abertura interna do País”
    Aparte questões económicas, o liberalismo consiste em não limitar superior e artificialmente as escolhas dos individuos coisa que o proteccionismo faz.

  2. Ricardo Arroja

    Comandante,

    Os EUA, que durante tanto tempo ostensivamente procuraram desvalorizar o USD (e ainda tentam, o problema é não haver grande alternativa!), não são liberais?

    Vocês andam danados comigo! 🙂

  3. Miguel Noronha

    Quanto à questão económica, propriamente dita, penso que o essêncial é mesmo reduzir a dimensão do estado e cortar na burocracia pública, concentrá-lo nas suas funções nuncleares (justiça e segurança interna) e conduzir a consolidação por via da despesa e não da receita (o que também concorre para a redução do peso do estado). Não vejo necessidade qualquer necessidade de introduzir mecanismos proteccinistas.

  4. Miguel Noronha

    “Os EUA, (…) não são liberais?”
    Em muitos aspectos não. A desvalorização artificial consite na aplicação de um imposto generalizado em benefício de uns quantos.

  5. Carlos Guimarães Pinto

    Ricardo, acho que na questão do proteccionismo uma boa forma de pensar é reduzir a questão ao absurdo. Por exemplo, concordas que o conselho de Braga implemente unilateralmente as medidas que defendes para o país (punir importações de fora do conselho)? Se não, porquê? E se for o Norte a fazê-lo? E se for apenas uma rua de Braga?

  6. Ricardo Arroja

    Ó Carlos,

    Vá lá…essa coisa de reduzir a questão ao absurdo…

    Dependeria da organização territorial e administrativa. Se cada município, e no limite cada rua como descreves no teu exemplo, tivesse autonomia territorial e administrativa, atentos também os deveres de responsabilidade para com a unidade soberana maior (o País), sim, se fosse do interesse e no interesse dos seus cidadãos não vejo por que não.

  7. ricardo saramago

    O proteccionismo e o subsídio são duas faces da mesma moeda.
    O pretexto é, como sempre, “ajudar” a ultrapassar uma qualquer crise, na prática torna-se um instrumento de poder de alguns, de promoção da ineficiência e uma forma de enganar a realidade atirando os custos para cima do resto da sociedade.
    Os subsídios são sempre apresentados como investimentos, mas se fossem verdadeiros investimentos (o que pressupõe rentabilidade) teriam investidores interessados no negócio.

  8. Carlos Guimarães Pinto

    Independentemente das questões administrativas e de soberania, os habitantes de Braga beneficiariam se houvesse impostos à importação de bens de fora da cidade? Não ganhariam, simplesmente porque não têm dimensão em nenhuma indústria para criar um ambiente competitivo. E o mesmo acontece com Portugal. São principalmente as economias pequenas como a portuguesa que mais sofrem com medidas proteccionistas, precisamente por não terem um mercado suficientemente grande para garantir um ambiente competitivo.

  9. Ricardo Arroja

    Carlos,

    Portugal está inserido na maior área económica do mundo…mas estamos depenados, estamos dependentes, somos pequeninos, ou seja, acredito que uma solução negociada (como eu defendo) não conduziria a medidas retaliatórias. E o objectivo seria a tal rampa de lançamento para o mercado único (como eu tb defendo)…

  10. Carlos Guimarães Pinto

    O impacto é independente das medidas retaliatórias. Se colocassemos restrições à importação de computadores para beneficiar os produtores de Magalhães, não era o perigo de retaliação que causaria o maior impacto negativo. Era mesmo o facto de termos uma economia toda a pagar mais pela compra de computadores e a escolher comprar computadores Magalhães não por serem melhores, mas porque o sinal de mercado (relação entre preços) foi manipulado. Ao fim de alguns anos teríamos todas as indústrias a funcionar de forma ineficiente e uma indústria de computadores que empregaria muito mais pessoas, mas que não estaria preparada para os mercados internacionais por estar habituada funcionar sem concorrência. Nesta altura, quando fosse considerada a queda das barreiras ao comércio, viriam logo dizer que isso custaria milhares de emprego e as barreiras manter-se-iam indefinidamente. E os defensores da continuação das barreiras teriam razão: a abertura ao comércio internacional custaria de facto muitos empregos, aqueles que foram criados numa indústri protegida e ineficiente.

  11. Miguel Noronha

    “Nesta altura, quando fosse considerada a queda das barreiras ao comércio, viriam logo dizer que isso custaria milhares de emprego e as barreiras manter-se-iam indefinidamente”
    Mmmm… Isso faz-me lembrar os criticos da austeridade.

  12. JoaoMiranda

    Um dos custos maiores do proteccionismo em Portugal seria o encarecimento dos inputs das indústrias verdadeiramente competitivas. Empresas que hoje estão integradas nas cadeias de fornecimento mundiais e que são extremamente competitivas, que precisam de inputs de qualidade e com prazos de entrega rigorosos, teriam que optar entre fornecedores estrangeiros mais caro e os nacionais protegidos com baixa qualidade e má capacidade de resposta.
    .
    Basta pensar na Autoeuropa. A indústria automóvel está inserida em cadeias de fornecimento mundiais com milhares de produtores altamente especializados. Com proteccionismo passariam a ter que pagar mais pelos componentes ficando menos competitivos.

  13. Fernando S

    Ricardo Arroja : “a importação de bens e serviços produzidos no estrangeiro, nomeadamente nos sectores onde há know-how português”

    E ja agora, porque não os exportados (e potencialmente exportaveis … por enquanto são poucas empresas mas poderiam ser muitas mais) ?…
    E porque não muitos dos produzidos internamente para o consumo interno e pouco sujeitos à concorrencia externa (nomeadamente, o alimentar para restauração, o dos materiais e a construção, etc … uma parte muito significativa das micro e pequenas empresas e do emprego) ?….
    Nestes sectores também existe “know-how” portugues e um potencial de empregabilidade e produtividade muito elevado.
    E porque não …?…
    Discriminar entre sectores de actividade, sempre com base em critérios politicos, isto é, que não são de mercado, constitui um mecanismo de alocação de recursos que acaba sempre por ter globalmente efeitos menos virtuosos do que a mera concorrencia em igualdade de condições.
    O melhor é mesmo continuar a apostar na liberalização de toda a economia, em particular no interior, sem recuar relativamente ao exterior (mas seria mesmo aceite pelos nossos parceiros europeus e comerciais ?!…), sem discriminar entre actividades, sem meter o Estado na definição e aplicação de estratégias de apoio a apenas algumas actividades e empresas (“estratégias” que acabam sempre por ser feitas por burocratas e tecnocratas, à revelia dos mercados, e por ser pagas pelo resto da economia).

  14. tric

    A potencialização da dinamica económica interna com a produção nacional é a verdadeira arma para combater a tragédia económica-social que se abateu em Portugal ! exporte cá dentro…protecionismo total ! agora vão gastar 300 e tal milhões de euros para a “criação” de 90 mil empregos jovens…isto é um completo absurdo…um deitar dinheiro à rua…com esse dinheiro, introduzia-se novamente o serviço militar obrigatório para os jovens rapazes com a duração de cada incorporação de um ano e meio, dois anos…estes jovens foram criados numa ilusão, o mundo com o qual eles cresceram não existe mais…nada melhor que os preparar militarmente para a nova realidade…retirava-se os jovens do desemprego e da rua…pagava-se a eles uns meros 20 euros ( reconvertidos na nova moeda…) por semana…aliviava-se tambem suas familias durante algum periodo de tempo …dava-se-lhes disciplina…e… podiam ser tambem utilizado na estratégia de repovoação de Portugal…a dinamização das estruturas sociais, como as aldeias e vilas portuguesas é fundamental em Portugal…

  15. Ricardo

    Gostei da sua ideia em geral, a que apelidei de “flexibilidade inteligente”. Está bem introduzida, os argumentos estão bem encadeados, e os resultados benéficos seriam evidentes.
    Isto, claro, controlando os factores que podem interferir num programa audacioso.
    De qualquer modo, a audácia jogaria a nosso favor agora, pois já nos estamos a ver sem chão debaixo dos pés.
    A dificuldade será vender o conceito de “flexibilidade” a quem pode já ter desenhado um cenário rígido para o nosso país: uma economia anémica de baixos salários e um Estado que mantém o seu peso na economia como gestor financeiro.
    Gostei do argumento do auto-golo, está bem apanhado. Acho que nisso nos tornámos especialistas.
    Ana

  16. CN

    Ricardo. Resolva-se as disfunções do défice, a dívida pública, a carga fiscal e o sistema monetário (que cria as bolhas) e deixemos essas considerações sobre benefícios hipotéticos que certas restrições/incentivos sobre o que as pessoas fazem com o seu próprio dinheiro resultem em algum tipo de ganho. Se resultasse não era preciso impor.

  17. http://mentat-dune.blogspot.com
    Caros Insurgentes

    Este, é o post mais interessante dos últimos tempos (na minha opinião) e que está gerar um debate, em que eu gostaria de participar (se me dessem essa honra), só que é publicado num dia em que eu não tenho tempo.

    Por isso deixo apenas algumas provocações:

    Ricardo Arroja –“… o problema de base em Portugal é a sua baixa produtividade…” – sabe melhor do que eu, como se calculam estes índices, por isso das razões que aponta, a única válida é a c), porque as outras razões são verdadeiras mas geradas por essa.

    Miguel Noronha – “…funções nucleares (justiça e segurança interna)…”- esqueceu-se da segurança externa, ou está incluída, mas de qualquer forma como é que acha que um Estado, garante essas funções nucleares, sem garantir um mínimo de sobrevivência para os seus Cidadãos. Que eu me lembre a Tatcher venceu os sindicatos dos mineiros, criando uma reserva de carvão e Reagan venceu os sindicatos dos controladores aéreos, substituindo-os provisoriamente por militares.

    Carlos Guimarães Pinto – “…concordas que o conselho de Braga implemente unilateralmente as medidas…”- Quando se reduz ao absurdo, porque ir para o micro-espaço e não para o macro-espaço?
    Se os EUA, o Canadá e o México, fechassem fronteiras para o resto do planeta mas praticassem internamente um liberalismo absolutamente ao seu gosto, não acha que se safavam?
    E nesse caso, seriam sociedades liberais ou protecionistas?
    É uma questão de perspectiva, não acha?

    Ricardo Arroja : Nem precisávamos de “pedir licença” à UE para sermos um nadinha “protecionistas”.
    Precisávamos de promover, “o que é Português é melhor”, porque é verdade e já agora fazer o que sempre fizeram a Alemanha, a França, a Espanha e a Itália.
    Quem não sabe, como estes países são, e sempre foram protecionistas, tem andado muito distraído.
    .

  18. Miguel Noronha

    “se da segurança externa, ou está incluída,”
    No caso português a segurança externa está subcontratada à NATO. Mas para além de defesa externa podia também acrescentar à representação externa e (vá lá) talvez as infraestruturas básicas.

    “como é que acha que um Estado, garante essas funções nucleares, sem garantir um mínimo de sobrevivência para os seus Cidadãos”
    Mas não me parece que essa seja uma função do estado. Teriamos que institurir uma especie de rendimento mínimo garantido. Não cabe, de todo, nas funções do estado.

  19. Miguel Noronha

    “Se os EUA, o Canadá e o México, fechassem fronteiras para o resto do planeta mas praticassem internamente um liberalismo absolutamente ao seu gosto, não acha que se safavam?”
    Isso é mais ou menos o caso da UE. Acha que a UE se safa?

  20. tric

    a primeira coisa, era acabar com o regabofe que se passa no Futebol em Portugal !!?? cada equipa só poderia ter um jogador estrangeiro…

  21. tric

    Na Cultura em Portugal…musica, teatro, cinema…90% só podia ser de origem portuguesa…o dinheiro que sai de Portugal para pagar a cultura da estrangeirada é de loucos…

  22. Fernando S

    Mentat : “Precisávamos de promover, “o que é Português é melhor”, porque é verdade…”

    “Promover” não é “proteccionismo”.
    Nem tem de ser uma missão do Estado.
    Se o Estado “promove”, então é preciso saber-se ao certo o que se ganha efectivamente com a “promoção” e comparar com os custos (analise custos-beneficios) e é preciso saber ao certo quem ganha com a “promoção” e quem paga a “promoção”.
    O melhor é mesmo cada sector de actividade promover o que é seu.
    Quando muito, o Estado portugues pode promover o pais em geral e não esta ou aquela actividade em particular, esta ou aquela região ou cidade em particular.

  23. tric

    “Quando muito, o Estado portugues pode promover o pais em geral e não esta ou aquela actividade em particular, esta ou aquela região ou cidade em particular.”
    .
    muito lirismo, para um povo à beira da fome…

  24. Post realista. Em geral sou contra o proteccionismo mas numa altura excepcional como a que vivemos uma solução negociada seria vantajosa. As alturas em que Portugal teve mais sucesso industrial foram de abertura ao exterior mas sempre com um nível de protecção razoável. Existe um trade-off actualmente entre desemprego e “benefício dos consumidores”, os desempregados em geral consomem pouco e já são uma fatia relativamente grande da população, não me parece de todo descabida numa altura excepcional ter uma política mais favorável ao emprego e ao desenvolvimento industrial.

  25. Fernando S

    tric : “muito lirismo, para um povo à beira da fome…”

    Isolar um pais do resto do mundo, como pretende o tric, é que poria o “povo à beira da fome” !

  26. Paulo Pereira

    Não é necessário protecionismo mas apenas reduzir em 50% pelo menos a carga fiscal IRC e TSU sobre as empresas de bens e serviços transacionáveis, de forma a não ficarem prejudicadas face às empresas estrangeiras.

    Numa segunda fase reduzir o IRC e a TSU gradualmente em todos os sectores e reduzir para 10% o IRC e a TSU nos sectores transacionáveis.

    As nossas empresas de bens transacionaveis não têm dimensão para criar emprego em quantidade suficiente com esta carga fiscal e não conseguem ganhar essa dimensão, como se pode verificar pelo fraco crescimento das exportações face a outros países nos utlimos 10 anos.

  27. “Teriamos que institurir uma especie de rendimento mínimo garantido. Não cabe, de todo, nas funções do estado.”

    Caro Miguel

    Não era isso que eu estava a sugerir, mas já agora recordo, que um fassista como Miltom Friedman, que acho que é um “Liberal”, até defendia a criação dum imposto negativo.

    Nós não subempreitamos a nossa defesa externa à NATO, nós somos sócios da NATO.
    A defesa externa duma nação não se limita a ter uns soldados e umas armas.
    Tem de incluir um número mínimo de serviços e recursos que nos permita ser mesmo independentes, no básico para a sobrevivência.

    Ou seja, temos de ter produção própria mínima de alimentação, energia, água potável, armas e telecomunicações.
    Mesmo que não consigamos ser os mais baratos a produzir esses recursos, não podemos, em nenhuma altura, ser chantageados por forças exteriores, embargando-nos esses produtos por qualquer razão.

    Aliás, é o que a Rússia faz à UE com a “cena” do gasoduto.
    .

  28. “Isso é mais ou menos o caso da UE. Acha que a UE se safa?”

    Caro Miguel

    Não respondeu à minha pergunta, mas respondo à sua:
    Claro que a UE não se safa.

    Nem que a Noruega, a Suiça e Israel pertencessem à UE, esta ficaria semelhante ao conjunto EUA, Canadá, México.
    Estes 3 juntos não precisam do resto do Planeta para nada.
    .

  29. Miguel Noronha

    Eu diria que iria implicar algum nível de empobrecimento. Especialmente nas partes que se dedicam ao comércio fora dessa zona ou aos que compram produtos fora desse espaço.

  30. Miguel Noronha

    ” recordo, que um fassista como Miltom Friedman, que acho que é um “Liberal”, até defendia a criação dum imposto negativo”
    Mas eu não tenho que concordar com ele.

    “Nós não subempreitamos a nossa defesa externa à NATO, nós somos sócios da NATO.”
    Pois. Sócios muitissimo minoritários.

  31. vivendipt

    Muita teoria e pouca prática se vê aqui refletido.

    Vamos à prática:

    O protecionismo económico é uma realidade meus caros!

    É só ver a quantidade de moedas que jogam na desvalorização. E destaco moedas como o dólar e o franco suíço que se atrelou ao €.

    O € é no momento a moeda mais liberal do mundo. E já nem falo nas taxas de juros atribuídas a cada país mas com a mesma moeda.

    Mas algo não corre bem a Portugal (nem ao sul da Europa), porque o que foi prometido na união europeia é que haveria um mercado único comum entre países e não um mercado chinês na Europa.

    Porque a China cresce a 7% e a Europa nem a 1%? Porque o comércio entre ambos é desequilibrado. Os chineses não são azeiteiros e nem bébados o suficiente para o sul ter uma vantagem comparativa (esta é para os que seguem a cartilha à risca).

    Já no Brasil, país que gosta de protecionismo consegue ter taxas na ordem dos 3% E faz o comércio que julga necessário com a China como com qualquer outro país. E mantém a sua balança equilibrada e as suas fábricas não andam aí a fechar todos dias, nem todas as semanas, nem todos os meses.

    Sobre a economia real (virtual) dos EUA nem perco o meu tempo enquanto não cair na real. Só digo o seguinte, pelo impacto global, tem mantido o protelar de uma economia artificial.

    O liberalismo é muito bonito quando todos remam para o mesmo lado! O que não é o caso.

  32. tric

    “Isolar um pais do resto do mundo, como pretende o tric, é que poria o “povo à beira da fome” !”
    .
    nota-se…

  33. »»»“Promover” não é “proteccionismo”.
    Nem tem de ser uma missão do Estado.
    Quando muito, o Estado portugues pode promover o pais em geral e não esta ou aquela actividade em particular«««

    Caro Fernando S

    Eu falei em promover, porque não gosto da palavra proteccionismo nem do conceito, porque normalmente significam pura e simplesmente compadrio e corrupção.

    Por isso vou-lhe dar apenas 1 exemplo do que eu considero que devia ser a “promoção” de Portugal e uma obrigação do Estado.

    Mais ou menos em 1996 durante a penúltima obra púbica que dirigi, vi-me envolvido num consórcio de 5 empresas – 2 portuguesas, 1 espanhola, 1 brasileira e 1 supostamente portuguesa (mas controlada por espanhóis) e tomei conhecimento dum facto que me agoniou e ainda me agonia.

    Na “liberdade” de circulação de bens e pessoas da CEE da altura, verificou-se uma coisa curiosa:
    No conjunto de obras públicas de França, Espanha, Alemanha e Itália, nunca houve um nível de adjudicação a estrangeiros que ultrapassasse os 5%.
    Em Portugal no mesmo período esse nível de adjudicação ultrapassou os 25%.

    Nenhuma daquelas empresas estrangeiras trazia conhecimentos que Portugal não possuísse e de melhor qualidade.
    Bastava apenas que se tivesse adaptado o nível de adjudicações à capacidade instalada e depois fazer o que fizeram os outros países europeus, criar regulamentos e regras que só os portugueses conseguissem cumprir com mais facilidade.

    É isto que eu chamo promoção/protecção.
    Não se deve favorecer ninguém internamente, deve-se favorecer todos externamente.
    .

  34. Fernando S

    “Nota-se” o que ?…
    Ao contrario do que o tric sugere, o povo portugues não esta “à beira da fome”. Dizer isto é ou cegueira ou demagogia e ma fé (talvez uma mistura).
    Concretamente, conhecendo para onde vão as simpatias do tric, o nivel médio de bem-estar material dos portugueses nas ultimas décadas foi bastante superior ao que foi antes de 1974 e permanece hoje ainda bem acima do maximo historico daquele periodo, em 1973 (relativamente ao dos principais paises europeus : 35% em 1926 ; 37% em 1961 ; 55% em 1973 ; 65% em 2000 ; cerca de 60% actualmente).
    Historicamente, o crescimento deste nivel fez-se sobretudo em fases de maior e mais rapida abertura do pais ao exterior : entre 1961 e 1974 (EFTA) passou de 37% para 55% e entre 1986 e 2000 (CEE) passou de 55% para 65%. Em contrapartida, no periodo contemporaneo de maior isolamento e proteccionismo da economia portuguesa, entre o final dos anos 20 e o inicio dos anos 60, verificou-se uma estagnação do rendimento médio dos portugueses abaixo dos 40%.
    Portugal atravessa hoje uma fase dificil, com recessão, desemprego e perda de poder de compra médio. Mas não se pode de maneira nenhuma pretender que o povo esta “à beira da fome”.
    Estas dificuldades resultam acima de tudo de erros de politica economica que estão bem identificados e que teem a ver com o despesismo e o intervencionismo do Estado na economia ao longo das ultimas duas décadas. Nada a ver com um excesso de abertura do pais ao exterior.

  35. Fernando S

    Caro Mentat,

    Efectivamente, percebi agora, que não demos o mesmo significado à palavra “promover”.

    Eu não tenho nada contra a promoção do que é portugues. Antes pelo contrario. Não é proteccionismo por que não passa por restrições nem subsidios.
    Com alguma “boa vontade”, até admito que o Estado possa fazer alguma coisa para promover o pais e os seus produtos, internamente e externamente. Penso é que se devem avaliar bem os custos (ter delegações e missões de promoção do comércio externo pode ser caro e pouco eficiente) e não vejo com bons olhos uma promoção feita a apenas a favor de certas actividades.
    No fim de contas, acho que a promoção deve ser uma iniciativa e um custo dos privados nela directamente interessados.

    Vejo que, afinal, para o Mentat, promover é o mesmo que proteger (se bem que através de modalidades mais “administrativas” e não tanto aduaneiras).
    Mas aqui ja não tenho tanta “boa vontade”.
    Compreendo o exemplo que deu, que viveu na primeira pessoa, e reconheço que, infelizmente (mas é a vida !) o proteccionismo se pode fazer de muitas maneiras e sem dar nas vistas.
    Efectivamente, não devemos ser ingénuos ao ponto de pensar que estas formas de protecção não existem e podem desaparecer completamente. Acho natural que, também do nosso lado, se procure no terreno acertar o passo pelas praticas de administração e gestão que vigoram noutros paises nossos parceiros directos.
    Alguma coisa pode e deve ser feita !….
    Mas acho que, de um modo geral, se deve defender um mercado europeu que seja o menos possivel marcado por estas praticas proteccionistas não-aduaneiras. Dando o exemplo e exigindo que se melhorem e apliquem as regras europeias existentes. Tanto mais que, se é verdade que, como lembra o Mentat, os outros as utilizam, ainda é mais verdade que a nossa dimensão e as nossas caracteristicas nos deixariam desavantajados numa espécie de acerto das regras por cima, isto é, com mais proteccionismo. De um modo geral, penso que as empresas portuguesas ficariam a perder numa “competição” deste tipo. De resto, não nos esqueçamos que muitas empresas portuguesas de construção teem ganho muitos contratos no exterior e, mais recentemente, reagindo à crise interna, varias delas, de dimensão até não muito grande, estão a entrar com sucesso nos mercados europeus.

  36. tric

    “Concretamente, conhecendo para onde vão as simpatias do tric, o nivel médio de bem-estar material dos portugueses nas ultimas décadas foi bastante superior ao que foi antes de 1974 e permanece hoje ainda bem acima do maximo historico daquele periodo, em 1973 (relativamente ao dos principais paises europeus : 35% em 1926 ; 37% em 1961 ; 55% em 1973 ; 65% em 2000 ; cerca de 60% actualmente).”
    .
    á custa do endividamento…um bem estar que não passou de uma ilusão fantasiosa…e agora é que vão ser elas…as consequências dessa ilusão vão ter efeitos devastadores…

  37. Paulo Pereira

    Não é possivel manter a fantasia do liberalismo internacionalista quando os grandes paises não praticam essa fantasia internacionalista.

    Os paises que praticam nesta altura a fantasia internacionalista como Portugal, têm crescimentos económicos muito fracos, alto desemprego e fraco potencial de crescimento.

    Insistir nas fantasias terá como resultado manter um país atrasado economicamente e socialmente.

  38. Fernando S

    tric : “á custa do endividamento…um bem estar que não passou de uma ilusão fantasiosa…”

    O que foi à custa do endividamento foi uma parte do crescimento das ultimas duas décadas, sobretudo da ultima (entre meados dos anos 90 e a actualidade a divida externa liquida portuguesa passou de 10% do PIB para mais de 100% ; para tal contribuiram varias dividas, privadas e publicas ; a divida publica contribuiu significativamente para esta evolução, sobretudo a partir de 2009, passando relativamente ao PIB de 60% para 100%).
    Este crescimento foi efectivamente artificial e não sustentavel. E houve sem duvida uma “ilusão fantasiosa”.
    Precisamente por isso é que o rendimento per capita portugues começou a descer a partir de 2005.

    Mas nada disto contradiz o facto de Portugal ter crescido e ter convergido com a Europa durante periodos importantes.
    E nada disto contradiz o facto de uma parte significativa deste crescimento ter sido obtida sobretudo graças às vantagens da abertura ao exterior, ao comércio com o exterior, ao investimento no (ex-colonias ; Brasil ; etc) e do (sobretudo europeu) exterior.
    Sem o contributo do exterior Portugal não teria sequer tido qualquer crescimento e a situação seria hoje muito pior.

    Se agora Portugal se fechar sobre si mesmo, se enveredar pelo proteccionismo, se se isolar … com todas as implicações que dai resultarão (fim da ajuda da Troika, saida do Euro, etc) … então é que a situação vai piorar, e muito … não sei se vai estar “à beira da fome” (apesar de tudo não estamos no terceiro mundo !) … mas havera certamente com um aumento significativo da pobreza e da miséria !

  39. Paulo Pereira

    Manter as empresas sediadas em Portugal em desvantagem na concorrência global por causa da alta fiscalidade que têm de suportar é uma decisão irracional e anti-liberal, porque promove o desemprego e a estagnação económica.

    Manter o desperdicio na investigação paga pelo estado é uma decisão irracional porque provoca um desvantagem das empresas face aos concorrentes globais.

  40. Pingback: desígnio nacional (3) « O Insurgente

  41. Pingback: between a rock and a hard place! « O Insurgente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.