Autoridades democráticas venezuelanas cortam o pio aos media que mais incomodam a paz social.
Mês: Junho 2012
O “Fim das Nações” Sai à Rua
Há algumas semanas escrevi um artigo onde abordava o fenómeno contemporâneo a que chamei de “ideologia anti-nação”. Resumidamente, escrevi que esta ideologia se traduzia pelo amor de grande parte das elites europeias pelo supranacionalismo e que este, para ser exequível, implica a destruição do sentimento popular de nação que impede a centralização política ao nível da União Europeia ou até, em última instância e num cenário futurista, ao nível da ONU. Como instrumentos económicos de centralização (e.g. o euro) prejudicam economicamente mas não alteram o sentimento nacional do grupo, o método usado para atingir este fim foi a imigração em massa: trazendo milhões de migrantes não-europeus para a Europa dá-se passos largos para o fim das nações europeias actuais. E é isto que tem sido feito desde o pós guerra, período em que as elites pensantes “decidiram” que as nações são hediondas e perigosas e que são para abolir se possível.
Na altura, alguns comentários interrogavam se este fenómeno que descrevi é uma ideologia ou uma conspiração. Na realidade, não acredito que uma conspiração a um nível tão elevado se pudesse sustentar tanto tempo devido a problemas evidentes de acção colectiva; como tal, a cola que vai sustentando este processo é de carácter ideológico. No entanto, isto não significa que os interesses individuais dentro desta moldura ideológica não sejam um forte motor motivacional para se jogar o jogo.
Ademais, aquilo que antes era uma evidência factual mas que raramente era verbalizado por agentes políticos foi agora colocado em público: Peter Sutherland, responsável da ONU por questões migratórias, disse abertamente que as nações europeias ainda sentem um sentimento de pertença aos seus, que ainda possuem considerável homogeneidade nacional, que ainda se sentem diferentes em relação a outros povos e que se a União Europeia quiser sobreviver terá de fazer o melhor que puder para acabar com essa homogeneidade pela via da imigração em massa. Ele dá o exemplo do Reino Unido como estando na vanguarda desse processo. E as estatísticas reveladas recentemente por um investigador do King’s College London confirmam-no:
Professor Hamnett says: “London as a whole now has an ethnic minority dominated secondary school system, akin to that of many large US cities, and the figure reaches 67 per cent in inner London. “This is also true of a small number of other towns and cities with large ethnic minorities, notably Slough (64 per cent), Leicester (58 per cent), Birmingham (52 per cent) and Luton (51 per cent). Manchester and Bradford are not far behind with 43 per cent.”
Como é óbvio, Peter Sutherland está a prescrever uma receita para o futuro da União Europeia sabendo que esta tem sido já perseguida desde o pós-guerra. Sutherland não é uma pessoa qualquer, tem já um currículo invejável constituído por prémios e posições profissionais de topo. Para além da sua actual posição na ONU, é também “chairman” da London School of Economics, já foi comissário europeu e director da “Organização Mundial de Comércio”, ocupou posições milionárias em algumas das maiores empresas do mundo como a BP ou a Goldman Sachs e pertence ao famigerado grupo Bilderberg.
Este é um senhor que representa a sua classe e pretende uma União Europeia como Estado “gestor” e “educativo” em todo o seu esplendor, mas claro, onde não irão viver muitos europeus. Por outras palavras, ao querer que a União Europeia acabe com a Portugalidade, com a “Englishness” e com as demais identidades nacionais, o que é pretendido é uma Europa cujo território não é nada mais do que um conjunto de indivíduos atomizados e sem ligações familiares/comunitárias que olharão para o grande Estado europeu como gestor das suas vidas. Estado este que Sutherland magnifica com o epíteto “o projecto mais nobre dos últimos 1000 anos”.
As elites que Sutherland tão bem representa estão equivocadas. A união imperialista que tanto ambicionam é uma utopia. Tal como eu deixei escrito no meu artigo, devido ao tribalismo e nepotismo inatos no ser humano, o que eles vão conseguir com esta engenharia social motivada por um sentido de construção imperialista é uma redefinição das nações europeias, com todos os custos que irão advir dos conflitos territoriais e civis.
Agora que as intenções destas elites são mais claras do que nunca (principalmente para quem ainda não tinha prestado atenção), resta esperar que o euro e este destrutivo projecto europeu sejam colocados rapidamente na prateleira histórica antes que os problemas em curso se acumulem de forma irreversível.
Leitura complementar: O Fim das Nações?
Convém recordar nesta altura
Os vencimentos e prémios pagos à função pública são despesa pública pura.
Spin
Parece que as cimeiras europeias são mais uma questão de spin do que de substância. Quanto mais horas passam sobre os eventos menos se percebe o que efectivamente aconteceu.
O spin dos italianos e espanhóis (com Hollande em background vocal) é de que alcançaram tudo o que queriam:
A banca (em geral, e a espanhola em particular, agora) será recapitalizada directamente pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE). Embora o MEE ainda não exista, com quase absoluta probabilidade (a menos que o parlamento alemão decida surpreender) passará a existir dentro de dias. Mas há aqui um pequeno problema: a decisão da cimeira é de que o MEE possa recapitalizar directamente a banca, mas só quando o BCE assumir funções de “supervisão bancária” à escala da zona euro, coisa que só acontecerá (se acontecer) lá para Dezembro. Até lá, a banca espanhola será salva através da famosa “linha de crédito” europeia, que terá de ser reflectida nas contas públicas do Estado central espanhol. Durante pelo menos seis meses será o que existe. Daqui a seis meses não sabemos: ou existirá ou não existirá o mecanismo permitindo retirar o resgate da banca das contas públicas espanholas.
O MEE passará também a ir directamente ao mercado secundário adquirir dívida pública. Qual o pequeno problema aqui? O MEE dispõe de 500 mil milhões de euros para isto, ao qual se tem de descontar aquilo que tiver de usar na banca. Segundo algumas estimativas, o total das necessidades da Espanha e da Itália ascenderá a 2.5 biliões… E ainda é preciso contar com a Grécia, a Irlanda, Portugal, Chipre, a Eslovénia e o mais que aparecer. Não é propriamente um mandato ilimitado.
Já o spin alemão é de que nada mudou: tudo isto será condicionado. Não haverá ajudas sem condições. Que condições? Ninguém sabe. Mas algumas questões parecem óbvias: viu-se ao longo deste tempo que a Espanha queria a Europa a salvar os seus bancos sem lhe impor condições. Provavelmente terá querido o mesmo para o MEE. Não parece que a Alemanha gostasse muito da ideia. Outra questão: a compra de dívida pelo MEE será feita em permanência? Será feita em emergências? Neste último caso, estará associada a condições? E cabe duvidar se alguma vez a Alemanha vai querer o BCE (em vez do Bundesbank) a supervisionar o mercado bancário alemão… Veremos em Dezembro.
Ainda teremos de esgravatar muito no meio deste spin para perceber o que realmente se passou. E provavelmente não passou nada (pelo menos na substância): se o spin alemão é o correcto então está tudo mais ou menos na mesma ou dependente de decisões ulteriores.
Uma coisa é certa: cada cimeira, cada solução improvisada vai transformando cada vez mais a UE numa verdadeira aberração institucional. Um dia destes será tão incompreensível que não queremos ter nada que ver com ela…
Obviamente, Demita-se

Não era preciso ser genial para prever que o aumento pornográfico da carga fiscal levado a cabo por este Governo levaria a uma quebra da receita – que julgo que se vá agravar. Gostaria de saber duas coisas. Se os Papagaios Laranjinhas e Azuis de serviço vão pedir a demissão do senhor, como faziam sempre que Teixeira dos Santos via derrapar as contas. E quando é que este indivíduo apresenta a sua demissão.
Acerca da execução orçamental (2)
a principal explicação para esta evolução negativa do défice – que aumenta face ao ano passado, apesar de todas as medidas de austeridade – está nos impostos e nas contribuições sociais, tal como já tinha sido indicado pela Direcção-Geral do Orçamento.
Os impostos indirectos, por exemplo, estão a recuar 3,1%, o que representa uma quebra de receita da ordem dos 100 milhões de euros. No caso dos impostos directos, a variação negativa atinge os 7%, “tirando” mais 400 milhões ao fisco.
Do lado da despesa, os números do Instituto Nacional de Estatística mostram que a execução está a correr melhor, já que as principais rubricas estão a cair. A excepção é a das prestações sociais, pressionada sobretudo pelo pagamento de subsídios de desemprego.
Os dados hoje conhecidos acerca da execução orçamental do primeiro trimestre apenas reforçam o que aqui tinha escrito. O controlo sobre a despesa pública é muito superior ao da receita. Para além do mais, estamos a eliminar a fonte do problema em vez de imputar a terceiros a prodigalidade do estado. A correcção a fazer parece-me óbvia.
Aos devotos da justiça social
Recomenda-se a leitura do artigo The Mysticism of Social Justice, de Thomas Sowell.
já não manda
“(…) em Espanha, o executivo de Rajoy avisa: não aguentaremos este nível de juros por muito mais tempo. E em Itália, um sisudo e pouco conversador Monti, ao mesmo tempo que não consegue avançar nas suas reformas estruturais, vai deixando cair que assim não vamos lá. Do outro lado, bem ou mal, Merkel diz “Nein” ao fundo europeu de garantia de depósitos, “Nein” à transformação do mecanismo permanente de resgate em banco – há até quem questione a sua capacidade de fazer aprovar o tal mecanismo no parlamento alemão – e “Nein” aos eurobonds enquanto os credores não forem capazes de centralizar em si a política orçamental dos devedores – “nunca enquanto eu for viva”. Eis a política do “Não” no seu esplendor (…) [mas] como também aqui fui sugerindo ao longo dos últimos meses, o poder germânico não terá hipótese contra o poder de uma união de periféricos e a a Alemanha acabará entre a espada e a parede: ou sai do euro (“Nein”), pelo caminho perdendo uma parte (mais ou menos) significativa dos 700 mil milhões de euros – cerca de 25% do PIB alemão – que tem a haver dos restantes membros do Eurosistema, ou assina o cheque em branco (“Ja”). Sairá do euro”, no meu artigo desta semana no “Vida Económica”.
Pois parece que na madrugada passada Rajoy e Monti caíram em cima de Merkel (salvo seja!), forçando-a a aceitar a necessidade de os mecanismos de resgate passarem a financiar directamente os bancos (e a prazo os países) da periferia europeia cujo perímetro se estende já a Itália e, um dia, se estenderá à própria França. Mais, Merkel, aparentemente em troca de uma união bancária, lá terá aceitado que os mecanismos de resgate não seriam séniores (isto é, detentores de direitos especiais) na dívida espanhola como se previa até aqui. Portanto, aparentemente, uma grande noite para Rajoy e, sobretudo, para Monti que na mesma noite disse aos alemães “arrivederci” duas vezes.
O problema é que Merkel, fustigada pela gestão da crise do euro e pelas derrotas partidárias internas, tem, antes de mais, de convencer o Bundestag – um parlamento a sério e não um simulacro parlamentar como aquele que, por exemplo, nós temos cá -, antes de decidir seja o que for. E, assim sendo, avizinha-se hoje uma noite muito difícil para a chanceler alemã, porque mais logo Merkel irá ao Bundestag, onde supostamente deveria aprovar a primeira versão (não esta última) do mecanismo permanente de resgate. Ora, como os alemães não gostam de improvisações e como já era pública a enorme resistência do parlamento germânico à primeira (não esta última) versão do mecanismo, a ver vamos o que dali sai. Com uma barreira adicional: saia o que sair, a pobre Merkel terá ainda de convencer o Tribunal Constitucional alemão, que está longe de estar convencido…Scheisse!