Continua a fantochada?

O ex-ministro Finanças Teixeira dos Santos disse hoje que a proposta feita pela administração de Miguel Cadilhe no BPN com vista à integração na CGD era «inaceitável», porque pretendia aproveitar a situação para vender uma instituição que «não valia nada

Embora pudessem existir planos menos oneroso (a liquidação imediata do banco), o plano de Miguel Cadilhe para o BPN limitava a injeção de capitais públicos a 600 milhões de euros. Eventualmente reembolsáveis. Na altura, Teixeira dos Santos recuso-a considerando que as possibilidades do Estado recuperar aquele montante eram diminutas, impondo assim aos contribuintes um custo inaceitável».. E a opção de nacionaliz​ar o BPN era melhor porquê? Quantos milhares de mihões já custou a sua “solução” aos contribuintes? E já agora porque é que não revela a verdeira razão da nacionalização do BPN?

17 pensamentos sobre “Continua a fantochada?

  1. Miguel Noronha

    Mas o plano dele era tentar recuperar o banco. Caso falhasse avançava para a liquidação.
    Na altura (e até muito depois disso) Teixeira dos Santos insistia que a nacionalização não iria implicar custos para o contribuinte.

    Não estou a dizer que o plano de Cadilhe fosse a melhor solução. Apenas que era menos mau que o que o governo escolheu.

  2. Luís Lavoura

    A mim parece-me que o plano de Cadilhe era um slippery slope. O Estado concedia 600 milhões e Cadilhe tentava salvar o banco. No decorrer disso descobria mais imparidades e pedia ao Estado mais 700 milhões para as tapar. Depois prosseguia, descobria mais imparidades e voltava a pedir mais 800 milhões ao Estado. E assim por diante. O Estado ia cedendo dinheiro, mas sem nunca ter o controle da coisa nem do que se estava a fazer com ela.
    Para mim, portanto, só havia duas opções reais: nacionalizar, ou deixar falir imediatamente.

  3. Paulo Pereira

    A opção de nacionalização é à partida má, porque não se sabe a dimensão do buraco nos activos e os passivos passam para o estado ao valor nominal !!!

    A opção seria óbviamente a intervenção do Banco Central com garantia dos depositos e posterior venda de activos, com os passivos sem garantias reais a serem pagos pro-rata das vendas dos activos, ou com um haircut negociado (30 a 50% por exemplo).

  4. Seg a opinião de Miguel Beleza em entrevista ontem, q eu apoio, um banco não pode ficar simplesmente sem actividade como ficou, acochado na CGD à espera de solução, só aumenta o “buraco” – mais valia ter sido “assistido” por Cadilhe (homem da banca experiente) e vendido logo após, nem q fosse por 0 €.

  5. Miguel Noronha

    “A mim parece-me que o plano de Cadilhe era um slippery slope. O Estado concedia 600 milhões e Cadilhe tentava salvar o banco. No decorrer disso descobria mais imparidades e pedia ao Estado mais 700 milhões para as tapar”

    E isso faria uma enorme diferença para os sucessivos buracos que foram necessários tapar com a nacionalização.

  6. Luís Lavoura

    Miguel Noronha,

    a diferença é que, com a nacionalização, o Estado tapou os buracos mas teve o controle daquilo que se fazia com o banco. Com o plano de Cadilhe o Estado taparia os mesmos buracos, mas quem teria o controle do banco seriam privados, que poderiam continuar a locupletar-se com a coisa.

    Se é para o Estado dar dinheiro a uma empresa privada, então deve, pelo menos, adquirir controle dela.

  7. “E já agora porque é que não revela a verdeira razão da nacionalização do BPN?”

    Meus caros

    Acho que muita gente percebe qual a razão da nacionalização do BPN.
    Eu pelo menos, acho que percebo.

    O que eu não percebo mesmo (mas isso deve ser a minha óbvia incapacidade intelectual), é porque se nacionalizou SÓ o BPN e não todo o grupo económico a que ele pertencia.
    Também não percebo, porque é que, à direita ou à esquerda, ninguém fala nisso.

    É que eu sou do tempo do PREC, e no pós 11 de Março de 75, com as nacionalizações, “ia tudo a eito”.
    Na “molhada” até barbearias foram nacionalizadas.

    Agora esta “nacionalização” pareceu mais uma “poda” duma árvore doente.
    Porque é que a Sociedade Lusa de Negócios não foi toda nacionalizada?
    Ou porque é que não se deixava falir o Banco?
    E porque é que não se fala nisso?

    Eu devo ser muito ignorante !…
    .

  8. ricardo saramago

    Quem o houve apercebe-se da falta de qualidade intelectual e tecnica, bem como da terrível irresponsabilidade e ligeireza com que desgraçou o país.
    Sorri satisfeito e fala pela rama dos despautérios em que participou sem remorso e sem noção da gravidade do que revela.
    Como foi possível um matacão destes ser ministro das finanças de Portugal?
    Ainda me lembro do outro camarada que confessou ao parlamento a sua incompetência à frente do BP reconhecendo-se culpado de “ingenuidade”.
    Riêm de nós com desfaçatez e impunidade.

  9. JS

    #13- Mentat. “Porque é que a Sociedade Lusa de Negócios não foi toda nacionalizada?”
    Exactamente. Essa é que é a pergunta que o Tribunal deveria fazer.
    Vamos esperar, sentados.

  10. NTS

    “Porque é que a Sociedade Lusa de Negócios não foi toda nacionalizada?”

    Penso que ainda bem que não a nacionalizaram.
    Segundo as últimas contas disponiveis, a SLN tem cerca de 300 milhões de euros de passivo bancário, sendo que o seu principal activo é um valor a receber do estado (420 milhões de euros) em resultado da nacionalização do BPN. Ora, dado que o buraco do BPN é do tamanho que se conhece, não se espera que o estado pague qualquer indemnização pela nacionalizacão. ERA O QUE FALTAVA.

    Os restantes activos, cerca de 300 milhões de euros, a avaliar pela criatividade contabilistica conhecida do Oliveira e Costa, palpita-me que não valem nem metade.

    Por isso digo, que ainda bem que não vamos partilhar também os prejuízos da SLN

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