Quem é miserável por mais que destile nunca sai da miséria

Escreve o Paulo Guinote, no seu Educar:

Idade Média Ou… Olhós Pobrezinhos Fresquinhos!

A este propósito vou contar, rapidamente, algo a que assisti há uns dias. Um jovem empresário liberal, aluno de um MBA cosmopolita e transcontinental contava, perante audiência selecta, como uma das visitas de estudo na fase em que a coisa académica se passava na Índia era a visita a uma daquelas famílias numerosas e miseráveis lá do sítio (ler O Tigre Branco para confirmar o contexto…). A mim meteu-me impressão que empresários de sucesso fizessem tal visita mas, principalmente, estranhei que a família miserável, como condição para ser observada no seu habitat, não exigisse deixar de ser miserável no dia seguinte.

O regresso da caridadezinha. Isto fez-me um bocado de confusão… “Ajudar uma família” – ajudar os pobrezinhos, cantar-lhes fado e publicar as fotografias no Facebook…

Pois bem, a experiência que partilhei à mesa de um jantar, que julgava informal e frequentado por gente de boa-fé, está nos antípodas daquilo que o Paulo Guinote aqui escreve. Na verdade, a família indiana que visitei em nada representa um exemplo do regresso da dita “caridadezinha“: a família juntou-se e conseguiu poupar, do seu bolso, o montante suficiente para que um dos seus elementos fosse para Inglaterra estudar na London Business School, onde foi admitido por mérito próprio. Sim, a família não vivia recheada de recursos, quando comparada com as portuguesas, mas não era miserável, pareceu-me serena, digna e feliz, e mais, ao contrário de muitas famílias portuguesas, tinha uma noção bem clara do que é mobilidade social e como é que ela se atinge: não esperaram pela minha caridade nem pela do Paulo Guinote para cuidarem de si e dos seus. Tão pouco me pareceu que tivessem seguido as inúmeras teorias que o Paulo Guinote desenvolve no seu Educar para melhorarem as suas vidas. Aplicaram uma receita simples que anda um bocadito esquecida em Portugal: em redor da família, do que percebi, organizada e metódica, conseguiram poupar 100 mil dólares; pelo menos um deles estudou a sério, foi muito bom aluno, entrou numa das melhores universidades do mundo, e financiou-se junto dos seus. Esta família coopera, não vive de caridade, não ficou à espera que os outros lhe resolvessem a vida. Tão pouco se exibiu no seu habitat numa condição miserável; o que encontrei foram pessoas que viram interesse em partilhar a sua vida e recolherem outras experiências. Foram generosos abrindo as portas da sua casa para falar e também escutar, em vez de se limitarem a ouvir a si próprias.

Não conheço o Paulo Guinote de lado nenhum, apenas nos cruzámos por umas horas, numa mesa com mais onze pessoas. Lamento a forma preconceituosa com que me classifica e apresenta, e o modo como distorce a minha história para a poder encaixar no seu raciocínio. As atitudes ficam com quem as toma.

PS: na dita viagem, visitámos várias famílias e estudantes de diversos extractos e religiões, o que nos permitiu ficar com uma visão plural sobre aquilo que hoje se vive na India. Este tipo de visitas não tem objectivos ideológicos, o que se pretendeu, num programa de enorme exigência (20 intensos meses) que visa formar líderes para uma economia global, é que os alunos ficassem com um retrato fiel do que é hoje a India. Graças à qualidade do ensino ministrado e à forma meticulosa como organiza os seus programas, o IESE ficou em 2012 em primeiro lugar no ranking do Financial Times das Business Schools publicado faz duas semanas (em português, aqui), à frente de prestigiadas academias como Harvard, HEC Paris ou o IMD.

14 pensamentos sobre “Quem é miserável por mais que destile nunca sai da miséria

  1. Não me lembro de ter referido qualquer jantar ou nome no meu post.
    Acho estranho que quem considera inexacta a minha descrição a assuma como sua.
    E acho mais estranho que me atribua uma parte do texto do post que explicitamente é da autoria de outra pessoa.

    Mas a verdade, verdadinha, é que nem sabia que o RAF era o RAF, muito menos que era um líder da economia global.
    Pelos vistos deveria saber, mas não.

  2. RAF, o Guinote não faz nenhuma referência explícita ou implícita a ti. Ninguém que lesse o texto poderia adivinhar que se referia a ti, pelo que tanta lacrimónia é um pouco deslocada.
    E olha que essa de andarem a visitar famílias na Índia é um pouco absurdo e de uma condescendência assustadora. Não esperava que uma escola da Opus Dei embarcasse nessas ridicularias, sinceramente. Esperava um pouco mais de bom senso.

  3. Sebastien De Vries

    Paulo Guinote deve imaginar que há moedas de ouro num pote na Lua…
    Ensine bem o que lhe (o Estado Social-Cál-Quer-Trouxinha) autorizam…só: o contribuinte agradece.

  4. Miucha

    Os Guinotes desta vida não saem dos gabinetes e têm inveja de quem conhece o mundo. Quando saem vão para as estâncias de férias de onde os pobrezinhos andam arredados… perdoa-me Senhor por ter sucumbido a esta miséria que é escrever numa Cx de coments… e ao RAF tb já agora. Boas

  5. leopardo

    os que dizem mal da caridade são os cabrões que podem ver alguém morrer de fome ao seu lado que nada fazem. Dizem, votei (por vezes até nem isso) agora o estado, ou seja os outros, que resolva todos os problemas.
    Este tipo de cabrões são os mais miseraveis dos miseraveis, todos os problemas lhes passam ao lado, porque nada é com eles e tudo é com o estado, ou seja com os outros. São normalmente de esquerda, não votam em partidos de esquerda para serem solidários com ninguém mas para obrigar os outros a serem solidários com eles.

  6. Caro Paulo Guinote,
    1. Se tivesse dúvidas quanto à sua má-fé, o seu comentário dissipa-as. Desde logo, o seu post no Educar todo ele tem um tom irónico na forma como se refere a uma história que partilhei a uma mesa, e que tinha subjacente a ideia de mobilidade social e esforço repartido no seio duma família, como elemento agregador do sucesso. A sua ligação a uma suposta “caridadezinha” (quem faz a ligação de uma coisa à outra é o Paulo) é manipulação. O facto de não referir o meu nome ou o local onde a conversa foi tida é verdadeiramente irrelevante, porque o que está em causa não é o que não foi dito, mas o que está escrito.
    2. O facto de ter frequentado um MBA que tem como objectivo preparar líderes para a economia global não faz de mim coisa nenhuma. E em lado nenhum escrevo que sou um “líder da economia global”. Fico com a sensação, pelo post que escreve no Educar e pelo comentário que faz nesta caixa, que o Paulo Guinote tem algumas dificuldades de interpretação. Ou isso ou algo pior que me escuso a classificar. O MBA, como qualquer diploma de ensino, é uma ferramenta, que me pode ajudar – ou não – a atingir certos objectivos. O GEMBA, que frequentei, visa formar líderes para a economia global. É esse o objectivo do programa. O investimento que fiz é elevado, tanto do ponto de vista financeiro como pessoal, porque o programa é caro, longo (20 meses) e muito exigente. A escola é de primeira linha. Espero conseguir extrair valor do meu investimento e esforço. Não tenho razões de queixa da vida, por isso admito que tudo vá correr bem como sempre tem corrido. Agora, não deixa porém de ser estranho ver alguém que se preocupa tanto com Educação falar com semelhante desdém, a partir do nada, sobre quem investe para obter a melhor formação disponível para poder singrar no ambiente empresarial pela via meritocrática, em vez de se “encostar” no mero tachismo. As atitudes ficam com quem as toma.

  7. APC

    Correspondentes de secretária e de sofá há muitos por Portugal fora, acusam quem ajuda de fazer “caridadezinha”, mas nunca mexeram uma palha “porque o Estado é que tem de resolver”… um bando de maltrapilhos da Esquerda Caviar. É o costume.

  8. Caro LA-C,
    1. O facto do PG não referir o meu nome ou o local onde a conversa foi tida diria que é verdadeiramente irrelevante, porque o que está em causa não é o que não foi dito, mas o que está escrito. E não gosto de ver aquilo que disse totalmente deturpado e colocado numa lógica de “caridadezinha” que é exactamente o contrário daquilo que esteve subjacente à visita.
    2. Tenho a certeza que se tivesses participado das visitas e de tudo o que se fez em redor delas terias opinião diferente. As visitas foram seleccionadas por uma organização local, e permitiram-nos conhecer pessoas de vários extractos socio-económicos, religiosos e culturais, da classe média-alta à classe média-baixa, casais, estudantes, famílias que vivem em partilha de objectivos, hindus, muçulmanos, católicos e ateus. Falaram-nos dos seus objectivos, valores, e da visão que têm da vida em vários aspectos relevantes. Foi também interessante perceber o que pensam eles do nosso mundo ocidental e dos nossos valores. No fim fizemos a consolidação das várias visitas, e uma análise de dados que existem disponíveis para perceber aquela sociedade, uma das economias emergentes mais fortes. Vale o que vale, mas foi uma experiência muito interessante do ponto de vista da aprendizagem. Não houve ali nada de ridículo.
    Ab.
    RAF

  9. lucklucky

    O que é que se pode esperar da Esquerda Social Fascista ? Sempre que o seu Poder de Caridade baseado no Estado – Ou seja comprar votos com o dinheiro dos outros, mesmo os que não concordam com eles – é atingido ficam muito sensíveis.

  10. Rantanplan, o FDP

    Incrível a quantidade de esquerdistas que destilam ódio à acção meritória do Banco Alimentar. Gente inútil que só sabe sacar subsídios e viver do estado social,
    enquanto os nosso velhotes com 50-60-70 anos de trabalho definham aos poucos.

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