Pedro Passos Coelho e Jerónimo de Sousa sobre o Desemprego.

O primeiro-ministro apelou hoje aos portugueses para que adotem uma “cultura de risco” e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser “uma oportunidade para mudar de vida”.

Passos Coelho referiu que “estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo”. “Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”, afirmou o primeiro-ministro, durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. (ver ligação na reação de Jerónimo)

Passos Coelho disse o óbvio:
– Em Portugal, o principal problemas de cultura económica é a Falta de Cultura do Risco;
– Estar desempregado não deve ser encarado necessariamente como algo negativo, pois pode também ser uma oportunidade, como qualquer crise é vista na cultura chinesa.

Face a estas declarações pacíficas e até de incentivo, qual foi a reação do Partido Comunista Português?

Jerónimo reagiu imediatamente para dizer 2 disparates:

1. “O Governo esconde o número [do desemprego] aos portugueses, particularmente aos desempregados e não é por erro de cálculo, não é por erro de contas. É para tentar mistificar aquilo que hoje é um dos problemas centrais do nosso país, um dos problemas centrais da juventude, particularmente, que ainda por cima tem como resposta, como conceção, por parte do primeiro-ministro esta ideia ofensiva para mais de um milhão de desempregados”
Isto é falso, pois é o INE que tem de calcular e a Comunicação Social que deve divulgar. O que faz regularmente, de resto.

2. O secretário-geral do PCP questionou como é que “um primeiro-ministro pode ofender esses que estão numa situação desesperada não por não querem encontrar emprego, não porque não querem trabalhar, antes pelo contrário”.
O 1º Ministro não ofendeu. Antes pelo contrário. Deu uma esperança: o mundo não se resume a uma carreira profissional. Portugal tem cada vez mais exemplos, desde a conquista do prémio Leya, a exemplos como o do pintor de camélias, até algo mais sistemático como a conferência UBI sobre Desemprego e empreendedorismo.

O país, perante as óbvias dificuldades, tenta lançar-se para a frente e sair da crise. PPC apoia. Jerónimo acha isso ofensivo.

PPC e Jerónimo vêm as dificuldades. PPC aponta uma saída possível. Jerónimo só vê motivos para desespero. É pena.

24 pensamentos sobre “Pedro Passos Coelho e Jerónimo de Sousa sobre o Desemprego.

  1. Paulo Pereira

    Numa economia em recessão é extremamente improvável que um desempregado tenha sucesso a criar uma empresa.

  2. Paulo Pereira

    Sim claro deve tentar , mas o resultado global vai ser quase nulo em termos de empregos criados que durem mais do que uns meses .

    Só nos sectores transacionáveis vale a penas apostar na criação de emprego, porque somos importadores .

    Nos serviços temos excesso de oferta.

  3. Ricardo Lima

    As declarações dele só fariam sentido numa economia aberta, pouco regulada e sem a carga fiscal que temos.

  4. hf

    Não me parece muito racional pensar que alguém em portugal nessa situação está em posição de investir o que quer que seja.

  5. Vasco

    “mas o resultado global vai ser quase nulo em termos de empregos criados que durem mais do que uns meses .”
    Isso é conversa de comunista…

  6. Fernando S

    Não é apenas o PCP a criticar as declarações de Passos Coelho … também o BE, o que não admira, … e ainda o PS, o que é bem mais grave e preocupante !…

  7. Fernando S

    Julgo que o Passos Coelho não se referia apenas à criação de empresas por desempregados mas também, e principalmente, à possibilidade de muitos desempregados procurarem ocupações em actividades, areas geograficas, e funções diferentes das que tinham anteriormente. Todos sabemos que ao mesmo tempo que ha desemprego ha também postos de trabalho não preenchidos em certas actividades e empresas.
    Passos Coelho disse evidencias e fez recomendações de mero bom senso.

  8. Fernando S

    Paulo Pereira 1. : “Numa economia em recessão é extremamente improvável que um desempregado tenha sucesso a criar uma empresa.”

    Antes pelo contrario, a necessidade aguça o engenho !

  9. hcl

    Os políticos portugueses gostam muito de falar em inovação / empreendedorismo / risco.

    Analisando as respectivas carreiras verificamos que:
    1-Não inovam.
    2-Não empreendem nada pessoalmente (sem o encosto do Estado/partido)
    3-Nunca correm riscos pessoais. O máximo que lhes acontece é uma daquelas travessias dos deserto na Administração de uma empresa ligada directa/indirectamente ao Estado.

    Alí, no boneco, é mais:
    else => dívidas fiscais => falência.

    Conversa de treta, aplicada ao Forum onde estava.

    Uma vez assisti a um discurso do ministro Mira Amaral . Era antes dos portáteis serem comuns.
    Assim, o Mira Amaral trazia uma pasta, com um dossier grande, de onde escolheu o discurso que se aplicava às circunstâncias. Leio-o, bateu-se palmas e pronto.

  10. Paulo Pereira

    Fernando S,

    Numa economia em recessão em geral todas as regiões estão em recessão, logo em perda liquida de empregos.

    Não há possibilidade de em agregado arranjar novos empregos.

    Vasco,

    Só os sectores transacionáveis podem gerar emprego duradouro em Portugal.

    Mas criar empresas de bens transacionáveis é dificil devido à concorrência global.

    Só que não faz ideia nenhuma de como funciona a economia pode dizer que constatar factos é comunismo !

  11. Paulo Pereira,
    “Numa economia em recessão em geral todas as regiões estão em recessão, logo em perda liquida de empregos.
    Não há possibilidade de em agregado arranjar novos empregos.”
    São 2 disparates. Não só há bolsas do país em que o desemprego é baixo como todos os meses são gerados milhares de empregos em Portugal.

  12. E mais:
    “Só os sectores transacionáveis podem gerar emprego duradouro em Portugal.
    Mas criar empresas de bens transacionáveis é dificil devido à concorrência global.
    Só que não faz ideia nenhuma de como funciona a economia pode dizer que constatar factos é comunismo !”

    Há empregos a serem criados no sector não transacionável todos os meses sem excepção. Eu conheço vários casos. Cuidado com essas afirmações generalistas.
    Também conheço sectores em áreas transacionáveis onde a concorrência ainda é baixa, embora obviamente seja mais difícil do que no outro sector.
    Ele não disse que “constatar factos é comunismo”…

  13. António Joaquim

    Um gajo perde a cabeça quando é encornado. Por vezes fica sem mãos a medir, outras a ver navios.

  14. Paulo Pereira

    RCM,

    Em agregado numa recessão é impossivel criar emprego em sectores não transacionáveis.

    É disparate afirmar o contrário.

  15. Fernando S

    Paulo Pereira 12. : “Numa economia em recessão em geral todas as regiões estão em recessão, logo em perda liquida de empregos.”

    O RCC ja respondeu.
    “Perda liquida” significa precisamente que os empregos destruidos superam os empregos criados.
    De qualquer modo, o que se trata aqui é do tipo de atitude mental e comportamental que pode ajudar a que alguns dos desempregados consigam contrariar a tendencia geral em fase recessiva.

  16. A. R

    Mas o Jerónimo, que passou de metalúrgico, para eterno deputado da República vivendo da política há várias décadas não vê as vantagens que tirou de mudar de emprego? Não tem vergonha na cara?

  17. Anselmo Damásio

    O Passos Coelho é um betinho ignorante, que nunca trabalhou na vida dele. Devia era ter vergonha na cara. Eu não sou comunista mas concordo com o Jerónimo de Sousa,

  18. Joaquim Carvalho

    Ó Ricardo Campelo de Magalhães, estou desempregado há um tempo, a procurar trabalho. Dê-me lá uma ajuda e diga-me onde é que vou procurar um desses milhares de empregos a que se refere. Como posso andar a procurar no sítio errado, agradecia que que fosse concreto. Fico-lhe agradecido.

  19. Joaquim Carvalho

    Região de Lisboa
    53 Anos
    Engenharia de telecomunicações. Gestão de Empresas.
    Manutenção. Direcção técnica e comercial, Gerência. Aconselhamento de gestão. Formação. Sector privado e social.

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