A esquerda bem pensante e a cultura: entre a arrogância e a mariquice

O debate sobre a subsidiação da cultura (como o que se tem feito n’O Insurgente em posts e caixas comentários) é o melhor algodão para detectar a sujeira que são a soberba intelectual e a arrogância superior com que a esquerda bem pensante olha o resto do mundo. E que eles se achem proprietários de um gosto cultural mais avançado e requintado, nem me choca. Que eles temam que alguns agentes “morram” sem subsídios e que uma certa cultura seja impedida de nascer por falta de apoio estatal, também não. Mas a leviandade com que falam do dinheiro dos outros como se fosse seu e, sobretudo, a dificuldade de aceitar que aqueles que, queiram ou não, financiam o sistema à custa dos subsídios que os iluminados tanto defendem não têm o direito à indignação por verem o seu dinheiro gasto de uma forma que consideram incorrecta é absolutamente intolerável.

Já agora, a propósito dos subsídios como questão de vida ou de morte para a cultura em Portugal, deixo aqui as palavras de Miguel Guilherme, que considero um dos melhores actores portugueses:

“A cultura tem de deixar de ser tão mariquinhas. Eu não gosto de choramingões, e há trinta anos que vejo gajos a choramingar e a traírem-se uns aos outros, a andar de punho cerrado e por trás a lamber o cu ao ministro ou ao secretário de Estado. Por isso, sabes o que te digo, eu caguei. Podes mesmo escrever, eu caguei para isso, cago para a política cultural.”

“Há coisas que não deviam ser subsidiadas, pura e simplesmente, ponto. Estão a tirar o lugar a outros. Os critérios não existem: são do compadrio […] Cá temos pouco dinheiro e pouca atenção. Historicamente, o PSD sempre teve muito pouca sensibilidade cultural, o que é curioso porque o Durão Barroso sempre gostou das artes performativas. Vi-o muitas vezes, tal como ao Paulo Portas, em espectáculos, mas nunca vi gente de esquerda.”

5 pensamentos sobre “A esquerda bem pensante e a cultura: entre a arrogância e a mariquice

  1. A. R

    A esquerda defende ideias falidas e modelos economicamente insustentáveis e pouco produtivos. Logo o sítio mais provável de os encontrar é exactamente à frente deste tipo de instituições.

  2. Diga lá meu caro, a vossa extrema-direita que defende o “neoliberalismo” defende um modelo sustentável, não é? Nota-se, com um “cheirinho” de deregulação o sistema financeiro mundial está na penúria. Veja lá se tudo o que cheirasse a dinheiro fosse desregulado como seria? Claro, uma ideia falida e um modelo insustentável.

  3. tric

    nem mais um tostão do Estado para a cultura!!! mas protecionismo total para a cultura portuguesa…no cinema, na musica, nos livros…a estrangeirada só deve ter uma cota de “mercado” entre os 5% e os 20%…ao contrario do que tem hoje em Portugal que varia entre os 80% e os 95%…protecionismo total !!!

    P.S. a brasileirada, angolanada etc, etc fazem parte da estrangeirada ! excepto Timor-Leste…

  4. tric

    ” Tric e vai andar com um lápis azul a rasurar fibra óptica? ”
    .
    o lapis azul, está agora está nas mãos da estrangeirada e dos estrangeirados…e está e riscar por completo a cultura portuguesa…protecionismo total ! O Estado não deve praticamente financiar a cultura portuguesa, mas deve impor o protecionismo total e inequivoco da cultura portuguesa ! a estrangeirada só devem ter uma cota de 5 % a 20% ! e e …

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