“You can’t always get what you want”

É extraordinário como ainda há quem seja capaz de ter entusiasmos destes. Um político francês ganha umas eleições (alguém tinha de as ganhar), e por esse mundo fora não falta quem pareça acreditar que chegámos a uma espécie de Terra Prometida. No domingo, essa totémica figura intelectual que dá pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa dizia que a partir de agora, “a Europa vai ter de olhar para o crescimento”. E nas páginas do New York Times, Paul Krugman anunciou que a chegada de Hollande ao poder aumenta as hipóteses de sobrevivência do Euro e do “projecto europeu”. Já com Obama abundaram arrebatamentos deste género, mas o homem era dado a proclamações salvíficas e possuía uma retórica suficientemente vaga para que ninguém pensasse muito sobre o que ele dizia. Hollande, no entanto, não consegue dizer três palavras sem se adormecer a si próprio, e faz promessas que deixam bem claro que ou não tem consciência da realidade ou mente de forma descarada. Nenhuma delas uma característica particularmente redentora.

Hollande ecoa o discurso muito em voga de que é preciso deixar a “aposta” na “austeridade” e “virarmo-nos” para o “crescimento”. Como se houvesse uma opção. Como se a “austeridade” fosse uma escolha. Como se bastasse querer “crescer” para o conseguir. Mas ao contrário do que muitas pessoas parecem pensar, não há ninguém que defenda “políticas de empobrecimento”. A “austeridade” que de facto nos empobrece não é uma escolha, algo a que se possa “pôr fim” por decreto e voluntarismo.

É estranho como as pessoas parecem crer na capacidade de um governo (nenhum em particular, mas a entidade abstracta) para resolver problemas. Na realidade, os governos são um animal dos mais impotentes que existem à face da Terra. Estão limitados pelas acções de outros governos, pelas acções de simples indivíduos cujos resultados não controlam, e acima de tudo pelas circunstâncias. Nenhum governo escreve numa folha em branco. E nas circunstâncias actuais, é impossível acabar com a “austeridade”. Com cortes de impostos ou cortes da despesa, com aumentos de impostos ou aumento do “investimento público”, os europeus em geral e os portugueses em particular vão continuar a empobrecer. Qualquer “aposta” no “crescimento” dificilmente será bem sucedida.

O que Hollande propõe, e que tanta esperança alimenta nos que excitadamente acolheram a sua eleição, é atirar dinheiro para a economia. O problema é que o dinheiro custa dinheiro. Para “investir”, o Estado precisa ou de cobrar mais impostos, que dificultarão a vida à classe média e que mais depressa farão fugir os ricos do que fazê-los pagar mais, ou se endividar. E quem é que emprestará dinheiro a Estados já excessivamente endividados, numa conjuntura como a actual, a não ser com juros quase proibitivos? Basicamente, estar-se-ia a repetir o erro das últimas décadas, alimentando uma falsa prosperidade hipotecando o futuro cada vez mais.

É claro que há um outro sítio ao qual os Estados podiam ir buscar dinheiro. Ao contrário do que a sabedoria popular nos ensina, o dinheiro até cresce nas árvores. Apenas quanto mais se colhe, menos valor ele tem. Se os governos quiserem (e querem sempre) “injectar” dinheiro na economia, basta pedirem aos Bancos Centrais para o imprimirem. É o que Hollande tenciona fazer, e certamente que o BCE terá ouvidos receptivos para o Eliseu. E como que por milagre, haverá mais dinheiro a circular. Mas esse dinheiro valerá menos. O pouco que as pessoas comuns conseguiram poupar valerá menos. Os que ainda vão recebendo um salário irão ver esse salário representar menos poder de compra. Haverá mais dinheiro, mas o empobrecimento será maior.

O melhor que os governos têm a fazer, nestas circunstâncias, é garantir que a “austeridade” não se venha a repetir no futuro. É garantir que políticas como as que nos conduziram até aqui são definitivamente abandonadas. É garantir que no futuro as pessoas não tenham que abdicar de metade do que ganham para alimentar um Estado que nem assim paga tudo o que deve, e que a única coisa que lhes dá em troca é um aumento de impostos de seis em seis meses. Mas para isso, será preciso reformar profundamente os sistemas públicos de Segurança Social, os sistemas públicos de Saúde, os sistemas públicos de Educação. Na prática, isso traduzir-se-á em fazer com que um número significativo de pessoas paguem mais por eles. A longo prazo, será a melhor opção para todos. Mas a curto prazo, significará também o empobrecimento dessas pessoas. É triste, mas é verdade.

Ninguém mais do que eu gostaria que as políticas dos governos, fossem as de Obama, as de Passos Coelho, as de Hollande, as de Merkel ou as de qualquer um outro, fizessem com que eu pudesse olhar para o futuro e ver outra coisa que não a desgraça que todos tememos estar aí à porta. O problema está em que a “austeridade” não foi uma escolha feita em detrimento do “crescimento”, por perfídia de uns senhores de índole duvidosa que ocupam o poder. “Crescimento” todos queremos. Mas infelizmente, como sabiamente dizia o filósofo Jagger, “you can’t always get what you want”.

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43 pensamentos sobre ““You can’t always get what you want”

  1. António Joaquim

    O Jagger referia-se à Marion e separaram-se. Não se estará a referir à Merkel?

  2. Mas então “atirar dinheiro para a economia” não é uma novidade teórica que Hollande, em boa hora, foi descobrir no seu “laboratório de ideias” para resolver o problema do crescimento na Europa?

  3. Ricardo Monteiro

    O seu post é um bocado extemporâneo. A Alemanha adiou a rectificação do Tratado Orçamental. Mas nós não. “Good boy Passos. Here´s a cookie.”

  4. Guilherme

    Excelente texto mas comparar a politica economica de Portugal com os EUA, França ou outro pais qualquer não faz, neste momento, qualquer sentido. Nós estamos falidos (pormenor para muita gente) e nao conseguimos financiar défices mesmo que seja considerada essa a melhor opçao. A França ainda pode e os EUA ainda mais. Pelo menos até ver…

  5. Paulo Pereira

    O BCE pode intervir no mercado e limitar os juros da divida publica , conforme os outros bancos centrais normais fazem.

    Não tem custos , nem gera inflação , conforme os casos do EUA, Japão e R.Unido comprovam.

  6. Filipe Silva

    “Não tem custos , nem gera inflação , conforme os casos do EUA, Japão e R.Unido comprovam.”

    Dude you crazy?

    O CPI da forma que era calculado nos anos 80, já hoje esta acima dos 10% nos USA.
    É facil não haver inflação, quando o valor se tornar incomodativo, altera-se a forma de calculo de forma a dar um numero que interesse melhor aos políticos.
    Bem como a forma de calculo do desemprego.

    Os bancos centrais estão a empurrar com a barriga, a economia americana já esta viciada em quantative easing, como ficam os drogados em crack cocaine.

    Por isso a Fed depois da operação twist (qe3 desfarçado) vai fazer o QE 4 certamente até ao verão, tem de se eleger o Obama.

    Interessante a esquerda querer resolver o problema utilizando a forma que causou o problema, mais divida.

    Insanity: doing the same thing over and over again and expecting different results.

    Only two things are infinite, the universe and human stupidity, and I’m not sure about the former.

    Estas duas citações de Einstein aplicam-se aos keynesianos que nem uma luva

  7. Joaquim Amado Lopes

    Excelente artigo, Bruno. Infelizmente, ainda há demasiados “casos clínicos” que acreditam que imprimir dinheiro para fingir que há crescimento “não tem custos nem gera inflação”.

  8. ricardo saramago

    A inflacção tem estado “sob controlo” porque as economias estão em proceso de desendividamento.
    A contracção do crédito tem feito com que o efeito multiplicador do crédito funcione ao contrário, contraindo a massa monetária à medida que o BCE injecta liquidez.
    Assim que o sistema bancário esteja recapitalizado e os ratios de transformação dentro de valores aceitáveis, a menos que o BCE volte a retirar liquidez teremos a inflacção de volta.

  9. Paulo Pereira

    Filipe Silva Dude , teorias das conspiração sobre o cálculo da inflação ?

    Isso é de fanáticos ou lunáticos.

    Os bancos centrais inventaram-se para manter os juros em niveis apropriados.

    São uma função do estado como outra qualquer.

    Factos nos EUA – Triliões de QE, inflação baixa, juros baixos, desemprego a descer, dolar estável

    E esta Dude !

  10. Paulo Pereira

    Joaquim Amado Lopes,

    Explique à gente porque é que uma intervenção no BCE para normalizar juros da divida traria um grande aumento da inflação ?

    Um dos casos clínicos que fala serão aqueles que pensam que o dinheiro cai de helicópteros para os bolsos das pessoas ?

  11. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (10),
    A única forma de o BCE “normalizar juros da dívida” é emprestando dinheiro a juros baixos, uma vez que não tem poder directo sobre os investidores e não pode dizer-lhes a que taxas de juros emprestarem dinheiro.
    Para poder emprestar dinheiro aos Estados cronicamente deficitários, o BCE tem que ir buscá-lo aos outros países (não faria sentido “taxar” os países deficitários para lhes emprestar esse mesmo dinheiro, pois não?) ou imprimi-lo.
    Os países com capacidade para “contribuir” não querem continuar a arriscar as suas poupanças para sustentar a “flexibilidade orçamental” dos outros (veja-se os casos da Alemanha e da Noruega).
    Resta a “sua” solução: imprimir dinheiro. (afinal, são só bits num computador, certo?)
    O aumento da massa monetária sem correspondente aumento dos bens produzidos leva ao aumento dos preços.
    A isto chama-se inflação.

    Explique “à gente” que parte desta explicação está errada.

  12. Guilherme

    E a soluçao nao poderá estar precisamente na inflação?
    Diminui-se o peso da dívida e o ajustamento dos salários é bem mais fácil para paises como Portugal. Já que não podemos cortar nos salários nem despedir funcionários publicos, comemos com 6 ou 7% em inflaçao durante 3 ou 4 anos e recuperamos alguma competitividade. Em cima disto o Euro perde valor tornando as nossas exportaçoes mais baratas.
    Assim podemos fugir ao inevitavel mais uns anitos e empobrecemos devagarinho em vez de encararmos o problema a sério. No fundo é isto que acontece se a Alemanha começar a ceder-

  13. “O CPI da forma que era calculado nos anos 80, já hoje esta acima dos 10% nos USA.”

    Onde foi buscar esta informação? Mas, só para ter uma ideia da inflação, nos anos 80 quanto custava um iPad? E um iPhone? E telemóveis, quanto custava cada minuto de chamadas?

  14. lucklucky

    E as casas LA-C? E a educação LA-C? E a Saúde LA-C?

    Sabe o que é coincidente com estas áreas? O Estado E a Nobreza.

    Aqui está o próximo passo da fraude no valor da inflação com editorial apoiante e com todas as letras.

    http://www.bloomberg.com/news/2012-04-25/chained-cpi-switch-is-a-slam-dunk-even-in-election-year.html

    É mais que altura para tirar as estatísticas das mãos dos políticos e que inúmeros institutos e organisações independentes do Estado comecem a providenciar os seus cálculos sobre os diversos números.

  15. «O aumento da massa monetária sem correspondente aumento dos bens produzidos leva ao aumento dos preços.
    A isto chama-se inflação.

    Explique “à gente” que parte desta explicação está errada.»

    Duas dessas partes estão erradas (ou melhor, não estão necessariamente certas).

    Em primeiro lugar, não é forçoso que “o aumento da massa monetária sem correspondente aumento dos bens produzidos leva ao aumento dos preços”, por uma razão: uma redução da taxa de juro em principio leva também a uma redução da velocidade de circulação da moeda / um aumento da procura por moeda (já que diminui o custo de oportunidade de ter dinheiro “parado”, num envelope no armário da sala ou num depósito à ordem); logo, se o BCE fizer aumentar a massa monetária e, ao mesmo tempo, baixar os juros (logo, fizer subir a procura por moeda), o segundo efeito pode anular largamente o primeiro (se à mais moeda em circulação, mas os agentes também querem deter mais saldos monetários do que tinham antes, não há razão para tal originar um aumento de preços).

    Em segundo, note o “sem correspondente aumento dos bens produzidos”; mas a teoria de grande partes dos defensores da expansão monetária é que tal iria fazer aumentar a procura, e pôr a produzir empresas e trabalhadores que fecharam/reduziram a actividade/foram para o desemprego por não haver clientes para os produtos que eles produziam. Mas, se acontecer assim, então teríamos realmente um “aumento dos bens produzidos”, logo já não teríamos forçosamente inflação.

  16. Paulo Pereira

    Joaquim Amado Lopes,

    Ainda bem que concorda que os Euros são apenas bits nos computadores, e falta de bits é que não há !

    Ainda não explicou à gente como é que a compra de titulos pelo BCE no mercado de forma a provocar uma baixa de juros provoca inflação.

    Nos EUA , Japão, UK, e na Suécia não provocou inflação, apesar de em 3 deles o deficit publico ser de mais de 8%.

    Mas como você não explicou vou tentar explicar porque não provoca:

    a) estamos numa recessão com desemprego elevado e capacidada produtiva muito subutilizada, por isso um eventual aumento da procura é facilmente resolvido com aumento de oferta

    b ) os investidores/ especuladores que venderiam os titulos ao BCE , na maioria dos casos, iriam aplicar os euros noutros titulos de perfil semelhante, para manter o seu portfólio tipico e não iriam consumir os fundos obtidos com a venda.

    c) os países seriam obrigados a manter um deficit máximo, que deveria ser no momento por volta dos 6% , mas também obrigados a reduzir alguns impostos como o IRC e a TSU de forma a estimularem o sector privado e a criação de emprego.

  17. Filipe Silva

    No actual modelo de calculo do CPI o preço da energia e a alimentação não entra no calculo da inflação.

    Podemos todos concordar que o ser humano sem comida e sem energia dificilmente sobrevive.

    Vi no Zerohedge mais que um artigo a focar este mesmo facto, e em que apresentam os gráficos a demonstrar o que digo.

    Interessante que as teorias que o Paulo Pereira descreve, o main stream economico, nunca conseguem antecipar as crises, basta ver que os que ele diz serem tão bons, como o Bernanke, não terem previsto a crise em 2008, basta ir ao youtube e não faltam lá videos dos campeões a dizer que não havia qualquer problema com o housing market, e o preço das casas nunca iria baixar.

    Keynesianismo não funciona, e enquanto não se permitir as economias ajustarem-se e continuarem se a insistir no keynesianismo, o estoiro vai ser monamental, 2008 vai ser considerado bons tempos

  18. «É claro que há um outro sítio ao qual os Estados podiam ir buscar dinheiro. Ao contrário do que a sabedoria popular nos ensina, o dinheiro até cresce nas árvores. Apenas quanto mais se colhe, menos valor ele tem.»

    Tchiii! Como é possível que o Paul Krugman não saiba isto?! Que ignorantão!

  19. Paulo Pereira

    Filipe Silva,

    1 –
    O calculo da inflação nos EUA é um falso problema . Já foi falado milhares de vezes na comunicação social, mais décima menos décima são contas derivadas.

    Mas o PIB em PPP’s depois é calculado e se houvesse aldrabice grossa seria detectado. Isso é conversa para entreter.

    “For some reason I seem to be seeing a resurgence of inflation scare stories, despite the fact that — gas prices aside — inflation remains quiescent. And along with the scare stories come assertions that the inflation numbers are faked, that the government is hiding the true rate.!

    http://krugman.blogs.nytimes.com/2012/04/01/billion-price-update-2/

    2 – O que eu descrevo não é nada Mainstream .

    Contrariamente aos mitos urbanos , Keynes já antecipou as crises por via da especulação e Minsky demonstrou que eram quase inevitáveis num sistema capitalista com crédito.

    Para mim diferença básica entre Keynes e Hayek é moral e não económica :

    – Keynes considera a pobreza e o desemprego elevado um mal a evitar , usando o investimento publico e os bancos centrais para o evitar ou reverter rapidamente
    – Hayek considera a pobreza e o desemprego elevado um mal necessário para purificar o sistema capitalista.

  20. Joaquim Amado Lopes

    miguelmadeira (15),
    “Duas dessas partes estão erradas” é quase o completo oposto de “não estão necessariamente certas”.

    “uma redução da taxa de juro em principio leva também a uma redução da velocidade de circulação da moeda / um aumento da procura por moeda (já que diminui o custo de oportunidade de ter dinheiro “parado”, num envelope no armário da sala ou num depósito à ordem);”
    Eu julgava que era precisamente ao contrário: a redução da taxa de juro levava ao aumento da velocidade de circulação da moeda, precisamente por a poupança compensar menos (motivando o consumo das famílias) e por o crédito ser mais barato (motivando o investimento das empresas).

    “mas a teoria de grande partes dos defensores da expansão monetária é que tal iria fazer aumentar a procura, e pôr a produzir empresas e trabalhadores que fecharam/reduziram a actividade/foram para o desemprego por não haver clientes para os produtos que eles produziam. Mas, se acontecer assim, então teríamos realmente um “aumento dos bens produzidos”, logo já não teríamos forçosamente inflação.”
    Mas o aumento da produção seria motivado por uma maior “disponibilidade” de dinheiro, com a correspondente disponibilidade para pagar preços mais elevados. Seriam os preços mais elevados a fazer valer a pena o aumento da produção. E isso é inflação.

    “não teríamos forçosamente inflação”
    A palavra chave nesta frase é “forçosamente”, no sentido em que o significado da frase é de que “provavelmente teriamos inflação mas não é certo”.

    A questão é que, em Economia, não há certezas sobre o resultado da alteração de um único factor. A evolução da economia de um país depende de uma multiplicidade de factores e intervir num deles não garante um determinado resultado porque a maior parte dos outros (quase nenhum controlável “administrativamente”) evolui de forma independente do primeiro, podendo cada um deles reforçar ou anular o efeito deste.

    A “criação” massiva de dinheiro levará necessariamente a um aumento da inflação? Não. Mas criará uma maior pressão inflaccionista (que poderá ou não ser compensada/anulada por outros factores)? Sem dúvida.

  21. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (16),
    “Ainda bem que concorda que os Euros são apenas bits nos computadores, e falta de bits é que não há!”
    Ou está a ser irónico ou não percebe quando os outros o estão a ser. Inclino-me para a segunda.

  22. Paulo Pereira

    Joaquim Amado Lopes,

    Pronto , vamos continuar a fingir que o dinheiro vem das minas e não dos computadores, não devemos ser hereges !

  23. Filipe Silva

    Basta compreender como funciona o sistema bancário hoje para perceber que de facto o dinheiro não são mais que bits num computador.

    Mas não convêm aos bancos que as pessoas percebam que de facto como o sistema funciona, porque ai os depósitos desapareciam de um dia para o outro e o sistema implodia.
    Basta falar com as pessoas no dia a dia para perceber que existe uma ideia muito errada do que é um banco e como este funciona. Mas isso é outra história.

    Ninguém diz que as crises são evitáveis, dizem sim que estas crises que temos experienciado foram criadas pela instituição que o argumento da sua formação era evitar crises deste tipo.

    O que a Fed tem feito não é mais que acelerar o processo de definhar da economia americana.
    Ainda há uns dias no Bloomberg chanel um gestor de hedge funds em resposta à pergunta, “os fundamentais da economia ou as acções dos bancos centrais, qual é que interessa?” Resposta “o que o banco central vai fazer”

    O sistema precisa destas medidas, basta ver que já andam todos a querer o QE4, estão viciados, like crackheads.

    Vivemos hoje numa economia de planeamento central, e os planners são os Bancos Centrais, quando estoirar a bolha das dividas publicas vai ser o estoiro de todos os estoiros.

    Não poder fazer nada para evitar é libertador, é so esperar que o estoiro aconteça.

  24. PedroS

    “O calculo da inflação nos EUA é um falso problema . Já foi falado milhares de vezes na comunicação social, mais décima menos décima são contas derivadas.

    Mas o PIB em PPP’s depois é calculado e se houvesse aldrabice grossa seria detectado. Isso é conversa para entreter.”

    Se a fórmula de cálculo da inflação está tão correcta, por que é que a bolha do mercado imobiliário norte-americano não se reflectiu no CPI?

  25. Paulo Pereira

    Pedro S,

    O preço das casas foi reflectido em parte na subida e em parte na descida.
    Como é um bem duradouro não existe grande consenso na formula a usar.

    http://www.bls.gov/cpi/cpit01test1111.pdf

    Neste momento a grande descida do preço das casas também não estará totalmente reflectida.

    Filipe Silva,

    Num sistema de moeda-fiat normal a divida publica é apenas um registo contabilistico da despesa publica que não foi retornada em impostos.

    Só existe por vontade dos estados e é um activo de sector privado. O estado gasta e ao mesmo tempo emite titulos que são comprados pelo sector privado com o dinheiro gasto. É completamente circular e os bancos centrais intervêm para manter os juros no valor predeterminado.

    No caso do Euro, o BCE não intervem da mesma forma e os euros são externos a cada país.
    Através do deficit corrente os euros saem do país e o sector privado , o mercado, acaba por não queres titulos dos paises que têm deficit de euros.

  26. “O CPI da forma que era calculado nos anos 80, já hoje esta acima dos 10% nos USA”. Pergunta LA-C: “Onde foi buscar esta informação?”

    Presumo que a fonte tenha sido a de Shadow Stats, de John Williams. Os malabarismos que o Bureau of Labor Statistics tem levado a cabo, com quebras de série em 1980 e 1990 e a introdução da “análise” hedónica (a história dos iPads versus Zx Spectrum, por exemplo) fazem do cálculo do CPI americano o que alguns designam por um hoax. Penso que com razão.

  27. Paulo Pereira

    Se a inflação estivesse muito mal calculada o PIB em PPP’s reflectiria isso .

    Porque é que a inflação nos EUA deveria ser muito diferente da U.E. ?

  28. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira,
    Insiste que o dinheiro são bits e que basta vontade política para “ir ao computador” e “mudar os bits”, passando-se a ter quanto dinheiro se quiser. (pelos vistos, já nem é necessária a impressora)
    Também diz que “o deficit e a divida publica não podem em geral ser evitados.”

    Mas, se é como diz, o deficit e a dívida pública são facilmente evitados. Basta “imprimir” o dinheiro para pagar a dívida pública existente e ir “imprimindo” o equivalente ao deficit. Ou não?

  29. Paulo Pereira

    Joaquim Amado Lopes,

    Um sistema monetário com moeda-fiat é assim mesmo, o estado é o monopolista do dinheiro. O ciclo é o seguinte :

    a) Estado gasta e recebe impostos continuamente.

    b) O saldo diário é contabilizado e é emitida divida pública no valor do saldo com vários prazos, tudo isto são operações feitas informáticamente

    c) Os privados também querem ter notas , o que exige que vendam divida publica ao Banco Central que lhes credita na sua conta bancária moeda. Os bancos entregam as notas as privados, são agentes do Banco Central.

    d) A estrutura de taxas de juro depende da preferencia do sector privado pelos prazos de divida e das expectativas de inflação dos vários prazos.

    e) Os bancos centrais determinam a taxa de juro de curto prazo comprando ou vendendo titulos aos privados de forma a manter o juro desses titulos para o valor que pre-determinaram. As outras taxas usam a taxa de juro de curto prazo como indicador .

    f) Em casos extremos os bancos centrais compram divida em grande quantidades, 20 a 25% do PIB , o chamado QE.
    O QE tenta baixar todos os juros de divida pública, de forma a estimular o investimento e o consumo.

    g) Conclusão : o dinheiro que o sector privado tem para comprar divida publica tem origem no estado.
    Toda a operação é circular e destina-se a permitir que o sector privado possa aplicar as suas poupanças em titulos de grande liquidez e de baixo risco.

    Não percebo porque é que os tais candidatos a liberais querem esconder esta realidade.

  30. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (31),
    O Paulo confunde “dinheiro” com a forma como é representado.
    O dinheiro (na forma de notas ou “bits no computador”) não tem valor inerente, apenas representa uma reserva de valor (créditos) a quem o detém. Acreditar que imprimir notas ou alterar os “bits no computador” criam valor é o mesmo que acreditar que fazer cópias da escritura de uma casa significa que passaram a existir mais casas.
    E “imprimir” dinheiro para “compensar” uma economia deficitária não faz qualquer sentido. Cria a ilusão de riqueza ao mesmo tempo que aumenta a pobreza e os problemas, que terão que ser encarados mais tarde ou mais cedo.
    Mas como o Paulo tem um… “fetiche” (para usar um termo seu) pela forma e é insensível à substância, não vale a pena insistir.

    Apenas peço que responda ao que lhe perguntei. Por que razão afirma que o deficit e a dívida são inevitáveis se o Estado pode simplesmente imprimir dinheiro para os pagar?

  31. Paulo Pereira

    Joaquim Amado Lopes,

    As crenças à priori não ajudam nada á compreensão da realidade. Por isso se inventou o método cientifico .

    As pessoas têm esta mania chata de quererem ganhar dinheiro em moeda , é uma chatice na verdade.

    Assim certas ideias fantasiosas não batem certo. Mas quem está errado são os consumidores e os capitalistas por insistirem em quererem ter moeda ou divida pública (moeda que paga juros !) nos bolsos em vez de só quererem ter outros activos.
    A realidade é o que existe, não ideias de um mundo utópico !

    Bem, quanto à pergunta porque são inevitáveis os deficits e que podem ser pagos com moeda ou divida vou responder novamente :

    a) os consumidores poupam uma parte do seu rendimento , logo para manter o PIB o estado tem de injectar moeda ou divida (deficit no ano) no valor da diferença entre a poupança e o investimento privado.

    b) numa recessão o investimento privado cai muito e a poupança aumenta , logo o deficit tem de aumentar para que o PIB se mantenha

    c) um estado que opte por manter um deficit zero terá de aumentar os impostos ou reduzir a despesa , o que agravará a recessão (ver Passos & Gaspar )

    Volto a insistir : Num sistema capitalista a malta quer é ganhar dinheiro , não quer filosofias baratas !

  32. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (33),
    “As crenças à priori não ajudam nada á compreensão da realidade.”
    O diagnóstico está correcto. O problema é a “doença” o impedir de ver que o “doente” é o precisamente o Paulo.

    Quanto ao… “fetiche” do aumento do PIB, isso demonstra bem o quanto se têm complicado os conceitos para disfarçar as análises cada vez mais superficiais.

    O PIB da China tem aumentado muito. Como? Construção civil financiada pelo Estado.
    Construíram cidades inteiras que estão às moscas porque os próprios chineses não podem comprar os imóveis e pouquíssimos estrangeiros estão dispostos a investir em imóveis em cidades desertas. A decisão de os construir não foi económica mas meramente política, com a intenção de mostrar uma economia “pujante” através de um PIB a crescer consistentemente.
    Só que isso não é sustentável. Não apenas esses “investimentos” não são reprodutivos (só continuam a contribuir para o PIB se se continuar a injectar dinheiro em mais “investimentos” iguais) como exigem manutenção para não se deteriorarem. Não há muito tempo vi um documentário sobre a construção civil na China em que mostraram um imenso centro comercial construído não há muito tempo, que estava quase completamente vazio de lojas e de consumidores e já mostrava sinais de falta de manutenção.

    É a receita de Krugman: pôr os desempregados a abrir valas e a fechá-las, para “estimular a economia”. Ou, num exemplo mais simples, é o padeiro pôr a família toda a comer muito mais pão para dizer que a vida lhe corre bem porque cada vez produz mais (e cada vez está mais endividado).

    O PIB a crescer só é positivo se fôr à custa das exportações, não da dívida. E o investimento público com o objectivo de “manter o PIB” é um erro infantil por sacrificar o futuro para manter uma ilusão no curto prazo.

    Quanto a o deficit zero “agravar a recessão”, é o repetir do disparate por quem, como o Paulo, reduz a análise económica a frases deliberadamente complicadas (para disfarçar a incapacidade de entender o que o próprio diz), se recusa a (mais certo é ser incapaz de) entender o que os indicadores realmente significam e, por isso, só “analisa” um de cada vez

    “quanto à pergunta porque são inevitáveis os deficits e que podem ser pagos com moeda ou divida vou responder novamente”
    Eu contentava-me que respondesse ao menos uma vez. Por que razão não se pode simplesmente imprimir o dinheiro para pagar a dívida e o deficit?

  33. Paulo Pereira

    Joaquim Amado Lopes,

    Metodo cientifico foi inventado para distinguir crenças / mitos / ideias soltas / fetiches de teorias plausiveis, formalmente e internamente lógicas e com poder explicativo e preditivo e que resistem ao tempo e à critica.

    a) Uma economia capitalista industrial move-se com dinheiro e pelo dinheiro e não por troca directa de bens e serviços
    Quem não gostar pode mudar para um país comunista sem dinheiro.

    b) O dinheiro não se gasta, circula. Quem não entende isto não entende nada de economia

    c) o dinheiro actual é fiat. É uma entidade/estrutura/coisa juridica que serve inicialmente para pagar impostos e depois usa-se no sector privado.
    tem origem no estado que emite o dinheiro

    d) num sistema capitalista os capitalistas e os consumidores têm esta tendência esquisita para querer ganhar e gastar cada vez mais dinheiro, e têm muito medo de perder o dinheiro que ganham, por isso acumulam dinheiro e consumem menos e investem pouco numa recessão.

    e) A divida publica é dinheiro que não foi retornado em impostos, só isso. serve para os aforradores terem um juro que compense a inflação, é uma prenda do estado aos aforradores. o dinheiro vem primeiro que a divida. a divida é facultativa.

    f) como dizia o famoso progressista Dick Cheney : Reagan showed that deficits don’t matter

    g) Os EUA em vez de abrirem valas e fecharem-nas, disparam balas, bombas, fabricam aviões, porta-aviões, tanques, misseis , satélites, etc. e mais de 4 milhões de pessoas trabalham no Dep. Defesa, Segurança Interna e Informações.

    h) O deficit dos EUA andam pelos 8% desde 2008 e os dolares ainda não se acabaram nos computadores.

  34. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (35),
    “Uma economia capitalista industrial move-se com dinheiro e pelo dinheiro e não por troca directa de bens e serviços”
    Não é o dinheiro que move a economia, é a troca de bens e serviços. O dinheiro facilita essa troca de bens e serviços ao funcionar como reserva de valor e existe precisamente para ultrapassar as limitações da troca directa, que impedem a concretização de uma “economia capitalista industrial”.

    A complexidade da economia levou à criação de mecanismos financeiros (formas diferentes de representar e gerir créditos) cada vez mais complexos e que podem ser usados para criar ficções mas mentiras em cima de mentiras não criam uma nova realidade, apenas uma fantasia. A crise recente é o exemplo acabado do resultado dessas ficções.
    O facto de insistir no exemplo dos EUA (sem ter em conta que “os dolares ainda não se acabaram” devido ao poderio económico, diplomático e militar desse país, que não hesita em os usar quando os seus interesses estão em jogo) mostra que é incapaz de apreender o contexto.

    O seu fetiche no dinheiro como um fim em si próprio só demonstra que não entende realmente o que o dinheiro é. Limitou-se a ler uns livros, reduziu-os a uns clichés disparatados e não consegue ver mais do que isso. E continua sem responder a uma resposta simples que deriva de duas afirmações inequivocas (e contraditórias) que o Paulo fez.
    Não vale a pena conntinuar a colocar-lhe a pergunta porque não vai responder. A contradição entre esses dois clichés deve-lhe ter provocado um curto-circuito e já não consegue mais do que ir repetindo clichés que leu em algum lado e sobre os quais não consegue exercer qualquer sentido crítico.

  35. Paulo Pereira

    Joaquim Amado Lopes,

    Afinal a nossa divergência está mesmo no inicio , tal como seria de esperar . Você analisa o capitalismo de forma moralista.

    Uma economia capitalista industrial move-se pelo dinheiro e para o dinheiro. Um capitalista quer é ganhar dinheiro e um consumidor quer é ganhar dinheiro para o gastar a seguir.

    Só depois vem o resto da causalidade : para ganhar dinheiro o que fazer ?

    Enquanto não entender isto não vai entender a dinâmica de uma economia capitalista e vai continuar a fantasiar com um mundo utópico, com algumas semelhanças com o que existia no século XVI.

    Se você ainda não entendeu o que é moeda-fiat após tantas repetições, deve ser um caso perdido:
    – a divida publica é opcional ; o dinheiro para comprar divida do estado vem do estado !

    O melhor é mesmo você continuar a pensar que o dinheiro vem das minas, vai ser melhor para continuar com o seu mundo utópico onde o capitalismo é puro !!!

  36. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (37),
    O seu problema é julgar que capital e dinheiro são a mesma coisa e que distinguir um do outro tem a ver com moral (o que nem chega a ser patético).

    Em cima disso, tomou um modelo teórico usado apenas para ensinar conceitos básicos de Economia como se fosse a descrição da realidade e julga que existe apenas um Estado, com uma economia estanque. Sem perceber a contradição, apresenta exemplos de outros países para sustentar a sua fantasia mas sem qualquer tentativa de perceber o contexto (AKA “big picture”) porque isso invalidaria o “argumento” (ou, mais provável, não consegue sequer apreender o contexto).

    No comentário 18 ao artigo “O buraco que a “direita” cavou para si “, escreveu “O deficit e a divida publica não podem em geral ser evitados. É contabilidade elementar e não tem nada de mal.” (https://oinsurgente.org/2012/05/08/o-buraco-que-a-direita-cavou-para-si/#comment-115597)
    Agora “a divida publica (já) é opcional”.

  37. Paulo Pereira

    Joaquim Amado Lopes,

    As suas ideias à priori e moralistas sobre o funcionamento da economia capitalista industrial, são totalmente desmentidas pela realidade década após década.

    O método cientifico inventou-se para eliminar naturalmente ideias soltas e crenças que tentam parecer explicar os factos.

    A economia é feita de pessoas e instituições que transacionam no dia a dia de hoje , não é uma abstracção utópica romantizada e idealizada.

    Eu imagino o choque mental que é descobrir que as lengalengas que se escrevem por aí sobre o que é o dinheiro são maioritariamente falsas.
    Principalmente para quem tem uma visão moralista da economia.

    Mas olhe que os austriacos do inicio do sec. XX sabiam tudo isto que parece ser uma novidade para muitos nos tempos actuais.

    O capitalismo tem muito pouco de teórico, rege-se por principios bastante simples : ganhar dinheiro para gastar dinheiro e poupar dinheiro.

    Se ainda não entendeu o que é moeda-fiat e o que é a divida publica , ou é muito teimoso ou é um caso perdido !

    O melhor é você continuar a pensar que o dinheiro vem das minas, ficará mais tranquilo e as suas crenças serão menos ilógicas.

  38. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira,
    “O deficit e a divida publica não podem em geral ser evitados.”
    “a divida publica é opcional”

    Estas suas duas afirmações demonstram a consistência do que tenta fazer passar por argumentos. Não admira que insista em repetir disparates cretinos (o mais recente é o da “visão moralista da economia”) para evitar responder às perguntas que lhe são colocadas.

  39. Paulo Pereira

    Joaquim Amado Lopes,

    Cretinice é a sua em insistir em teses ilógicas , só porque são contrárias às crendices aprendidas anteriormente.

    Lá vão as respostas :

    a) Numa economia capitalista industrial os deficits são inevitáveis dado que os consumidores poupam parte do seu rendimento.

    b) A divida publica é a soma dos deficits inevitáveis .

    c) A emissão de divida publica é uma operação habitual para estabelecer uma escala de taxas de juro para que os aforradores possam aplicar as suas poupanças com baixo risco de forma a que a inflação não reduza o valor das poupanças.

    d) Um estado poderá não emitir divida publica, o que não é habitual, ou um estado poderá recomprar parte da divida publica, o que começa a ser habitual

    e) Se não emitir divida publica, o sector privado fica privado dos juros respectivos o que poderá ter efeito contrário ao esperado pois reduzirá o deficit. Por outro lado poderá levar ao aumento do consumo.

    f) É quase indiferente emitir ou não divida publica. Na minha opinião deveria estar limitada ao prazo de 1 ano de forma a não servir de veiculo especulativo.

  40. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (41),
    “a) Numa economia capitalista industrial os deficits são inevitáveis dado que os consumidores poupam parte do seu rendimento.”
    Só se essa “economia capitalista industrial” fôr completamente estanque. Conhece alguma?
    Também seria necessário que a poupança dos consumidores fosse sempre crescente, o que não é um imperativo.

    As muitas economias que existem no planeta transaccionam bens e serviços entre elas. Uma economia que tenha um saldo comercial positivo pode perfeitamente ter uma poupança crescente e um superavit público.
    O que não é possível é a economia de um país ser “impulsionada” pelo “investimento” público e não ter deficit público porque o “investimento” público é pago com dívida ou com cobrança de (mais) impostos e uma parte do que é “investido” sai do país. Ou seja, há sempre dinheiro a sair do país.

    “c) A emissão de divida publica é uma operação habitual para estabelecer uma escala de taxas de juro para que os aforradores possam aplicar as suas poupanças com baixo risco de forma a que a inflação não reduza o valor das poupanças.”
    A emissão de dívida pública não viza “estabelecer uma escala de taxas de juro (…)”. Viza obter o dinheiro para pagar o deficit público.
    A taxa de juro é o que se paga para convencer os investidores/aforradores a emprestar o dinheiro de que se necessita.

    “d) Um estado poderá não emitir divida publica, o que não é habitual, ou um estado poderá recomprar parte da divida publica, o que começa a ser habitual”
    Quando o Estado não tem dinheiro disponível para recomprar (pagar) parte da sua dívida, não existe essa opção.
    Quando tem deficit, recomprar (pagar) parte da dívida implica criar mais dívida ou imprimir dinheiro.
    Trocar dívida por dívida pode valer a pena dependendo da diferença entre a taxa de juro da “dívida velha” e a da “dívida nova”.

    “e) Se não emitir divida publica, o sector privado fica privado dos juros respectivos o que poderá ter efeito contrário ao esperado pois reduzirá o deficit. Por outro lado poderá levar ao aumento do consumo.”
    Não (necessitar de) emitir dívida pública é o resultado da redução do deficit, não o contrário. Ou julga que a despeza do Estado (além da “opção” de entrar em default) é flexível ao ponto de o Estado poder decidir a cada momento quanto gasta?

    “f) É quase indiferente emitir ou não divida publica.”
    LOL

    .
    Paulo Pereira (42),
    “Já entendeu que o dinheiro não se gasta, apenas circula?”
    O Paulo não consegue entender que, quando o dinheiro circula, o faz de um lado para o outro e que não é indiferente o “bolso” em que acaba?
    E que a mera circulação de dinheiro não cria qualquer valor acrescentado?

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