Quando culpamos a Sra Merkel…

“alemães, holandeses e finlandeses” de Pedro Pita Barros (Momento Económicos)

Ou seja, o debate é colocado em termos de as poupanças do norte da europa deverem ser usadas para salvar o sul da europa, sacrificando investimento produtivo a troco de consumo. Ou extremando, se as reformas futuras dos trabalhadores do norte devem ser transferidas para o consumo presente do sul. Não interessa se esta visão, adicionando ainda mais tiradas demagógicas, é inteiramente verdade ou não. Mesmo que os juros pagos nessas poupanças sejam pelo menos iguais ao que obteriam com outras aplicações. O relevante é que dificilmente os alemães, holandeses e finlandeses estarão dispostos a abdicar das suas poupanças. E os seus dirigentes políticos irão reflectir essa posição.

A nossa melhor defesa contra esta percepção é mostrar que não é apenas uma questão de transferências do norte para sul, que os dinheiros dessas poupanças aplicadas no sul também podem ser investimentos competitivos, e neste momento o único sinal que temos é cumprir o acordado com a troika. Não o fazer é dar razão a vozes com Hans-Werner Sinn. O interlocutor do Sul da Europa não é a senhora Merkel, é o conjunto dos aforradores do norte, incluindo os alemães que elegeram a senhora Merkel. Este “pequeno” aspecto parece andar esquecido, e deverá estar sempre presente.

5 pensamentos sobre “Quando culpamos a Sra Merkel…

  1. neotonto

    “O relevante é que dificilmente os alemães, holandeses e finlandeses estarão dispostos a abdicar das suas poupanças. E os seus dirigentes políticos irão reflectir essa posição”.

    Quais alemaes, holandeses e finlandeses sao os que nao estarao dispostos a abdicar das suas poupanças?

    Aqueis que tinham as suas poupanças nos bancos alemaes/ holandeses e finlandeses que tao bem souberam inverter nos mercados-porkitos do Sul?

  2. Hern

    Mais uma interessante história que nos chega da Grécia: a já chamada “Blind Island”

    “A ilha grega de Zakynthos regista um número de pessoas cegas 10 por cento superior à média europeia. O problema é que entre os 650 invisuais registados oficialmente, estima-se que cerca de 600 casos sejam fraudulentos. Os subsídios do Estado para pessoas cega são no mínimo 350 Euros.”

    Ver mais em: http://pt.euronews.com/2012/05/09/grecia-ilha-de-zakynkos-reve-subsidios-para-cegos/

  3. Paulo Pereira

    Não são precisas nenhumas transferências do Norte da Europa para Portugal.

    Basta que o Norte da Europa consuma um pouco mais , através de uma redução de impostos no Norte da Europa e que Portugal produza uma pouco mais para o Norte da Europa.

    É só isso, mais nada, e claro refinanciar a divida eternamente ao juros actuais, como é o normal.

  4. José

    Só é pena que os “aforradores” do Norte não se recordem de que os “deficits” do Sul são os “superavits” do Norte , e que se uma política de consolidação orçamental séria é precisa, tal não é necessariamente sinónimo de austeridade selvagem que faça recuar os níveis de vida no Sul para patamares próprios do princípio dos anos 60 (de resto, por que razão os AAA’s deste mundo nunca falam das PPP’s, dos BPN’s e doutras patifarias que nos trouxeram até ao estado em que estamos, no qual o sector dito PRIVADO tem pesadíssima responsabilidade?). A continuar este estado de coisas, a continuar a inflexibilidade monetarista tão do agrado dos AAA’s, não restará aos países do Sul outra alternativa que não:

    – corte de relações diplomáticas com países ridículos e sem história, que há cem anos ainda nem sequer existiam, como a Finlândia, e que encaram o Sul da Europa (berço da civilização ocidental) com mentalidade inconfessadamente racista e xenófoba, ainda quando disfarçada de ética protestante e outras parvoeiras tão ao gosto dos AAA’s;

    – moratória no pagamento da dívida pública, visando forçar o reescalonamento e a reestruturação do pagamento da dívida;

    – abandono do Euro e, no caso português, regresso imediato ao Escudo, com a reconquista da soberania monetária;

    – saída da União Europeia;

    – reintrodução das barreiras alfandegárias com vista a proteger o mercado interno, os trabalhadores portugueses e a impedir a importação de desemprego, para o efeito tributando-se as importações de bens não essenciais provenientes do Norte com taxas aduaneiras de 100% e mais por cento.

    E então, será curioso ver as “interessantes” consequências que tal acarretará para os sectores financeiro e industrial dos países do Norte? É isto que os AAA’s querem?.. Seja! Porque outro mundo é possível, de facto!

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