Agora quero ouvir falar de Neo-colonialismo

 

A “empresária” angolana Isabel dos Santos assume liderança na Zon. A ter sido um empresário português a assumir a liderança na Sonangol, os gritos de neocolonialismo ecoariam pela literatura e pela televisão. Mas não. Isto acontece num país onde César e a Economia são a mesma pessoa. Onde os oligarcas – ex-políticos e militares – com destaque especial para a família do presidente, vão comprando o mundo com o dinheiro do povo angolano. Do comunismo assassino de Agostinho Neto à oligarquia, também ela repressora, de José Eduardo dos Santos o Estado – ou seja, o MPLA –  enriqueceu os poderosos num modelo neo-corporativista que ainda há-de ser objecto de estudo de umas quantas Universidades. Quando for escrita a história desta tragédia vão existir inúmeros culpados, entre eles o Capitalismo, o Neo-Liberais, o Colonialismo com os portugueses à cabeça, enfim, os suspeitos do costume. No meio da chuva de acusações a surgir, alguém se vai esquecer de culpar a anomalia que tem constituído a política económica do Estado Angolano desde a sua fundação, os angolanos – e os portugueses com o MFA, o PC e o PS – que a apoiaram e os que, volvidos tantos anos de miséria, ainda a apoiam, eleitoralmente, financeiramente e politicamente.

Entretanto, a mesma carneirada política que encheu a agenda política com slogans de “Timor livre”, continua silenciosa em relação a Cabinda. O que prova que na bolsa de Valores da classe política portuguesa – ou dos media e dos agentes culturais – o silêncio sempre teve uma baixa cotação.

11 pensamentos sobre “Agora quero ouvir falar de Neo-colonialismo

  1. Miguel Noronha

    É verdade. O PS, especialmente os soaristas, era pró-UNITA. ´De recordar o estranho acidente de João Soares quando regressava da Jamba.

  2. Ricardo Lima

    E não só. Mas foram os devaneios do Soares e do Almeida Santos, que de facto eram quem ocupava as posições de poder relativamente ao assunto colonial, que auxiliaram o MPLA no poder. Por isso merecem posição de destaque. Mas concordo consigo. Não é só o PS.

  3. tric

    “Entretanto, a mesma carneirada política que encheu a agenda política com slogans de “Timor livre”, continua silenciosa em relação a Cabinda. ”
    .
    existe tambem por ai uma carneirada que enche a agenda politica e mediatica com slogans ” Estado fora da Ecónomia ” mas continua silenciosa em relação às intervenções Estatais na Banca Privada…isto há carneiradas para todos os gostos…

  4. sdfsdf

    Os liberais favorecem tanto a lei da concorrência que nem se importam em saber a fonte da riqueza nem se há eleições em angola ou se deixa de haver, o que interessa é que a invistam em Portugal. De facto, se os Castros os kim-il-sungs fossem milionários e fossem investidores no ocidente, Cuba e a Coreia depressa deixavam de ser retratadas como uma ditadura pela imprensa.

  5. El Mariachi

    @tric,

    considero-me liberal. Ponto fulcral: não quero, porque detesto a manobra, que o Estado utilize o meu dinheiro para salvar qualquer entidade privada que seja, seja ela importante ou não (e a banca é!) para a economia. Quem não sobrevive no mercado não merece ser ajudado para lá permanecer. Fácil.

    A verdadeira história sobre o imediato pós 25 de Abril será conhecido dentro de algumas dezenas de anos. Por enquanto, e é a verdade histórica que sofre, teremos que levar com a versão higiénica, vermelha por todos os poros.

    Quando alguns ditos “democratas” forem dar entrevistas para o céu, a verdade vai saltar da campa onde agora está e sair cá para fora para “sentar-se” em lugar digno.

    Metam o 25 de Abril no recto. Quem hoje mais celebra esse dia, tento a pouca vergonha de querer clamar o dia apenas para si mesmo, tentou, durante anos e anos, virar o regime que até o dito dia vigorava, avermelhando-o.

    O comportamento da Esquerda (a verdadeira) já eu o conheço:

    a) O SNS é vosso; antes do 25 de Abril, não existiam hospitais; nem sequer um médico existia em Portugal – havia o hábito de, como o Rambo naquele filme em que ele regressa de combate e ninguém está vivo para o receber, as pessoas deste país se tratarem a elas mesmas;

    b) O sistema educativo público é todo “vosso” – antes os jovens estudavam em casa.

    E mais…

  6. Ricardo Lima

    Não deve ter reparado, mas isto é um blog liberal, eu sou um blogger liberal e o post é crítico à ditadura em Angola.

  7. tric

    “considero-me liberal. Ponto fulcral: não quero, porque detesto a manobra, que o Estado utilize o meu dinheiro para salvar qualquer entidade privada que seja, seja ela importante ou não (e a banca é!) para a economia. Quem não sobrevive no mercado não merece ser ajudado para lá permanecer. Fácil.”
    .
    então exija a falência da banca privada…a Banca Privada em Portugal só ainda não entrou em falência devido ao apoio do Estado! é consequente ou não ?

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