Parabéns F. A. Hayek

Hayek nasceu a 8 de Maio de 1899. Parabéns a um dos maiores Economistas de sempre.

Para o celebrar ficam alguns vídeos inspirados nele:

1. Apresentação

2. Debate

3. Pequena Prenda de Natal

E ficam com uma das minhas citações favoritas, em tradução livre:

“A curiosa tarefa do Economista é demonstrar aos homens o quão pouco eles realmente sabem sobre o que eles imaginam que conseguem desenhar”.

24 pensamentos sobre “Parabéns F. A. Hayek

  1. Paulo Pereira

    Este pelo menos sabia que a moeda-fiat existe e que o crédito também.

    Gostaria de saber como é possivel ensinar economia sem estudar bem a moeda-fiat e o crédito bancário,

  2. Ricardo Campelo de Magalhães

    Mais um elogio do Paulo Pereira e tenho de começar a reavaliar algumas preferências… 🙂

  3. Paulo Pereira

    Ricardo , leia Keynes , só lhe faz bem para ver se abandona algumas das suas ideias erradas sobre como funciona o capitalismo actual.

    E Abba Lerner e Kaldor já agora.

  4. CN

    Na verdade, o seu trabalho em economia pura é muito pouco conhecido infelizmente (e pelo qual recebeu o o Nobel), é mais conhecido mesmo pelos hayekianos pela teoria política, não pela economia.

    Keynes é uma fraude intelectual embaraçosa. Os clássicos como Adam Smith e Ricardo cometeram muitos erros próprios de ciência a nascer e desenvolver-se, no caso de Keynes e Keynesianos não há desculpa. Um dia, ninguém quererá estar associado a tal coisa..

    Schumpeter parece interessante pela escrita e estilo, não tanto por avanços em economia pura. Aí, só os “austríacos” (ou quase) é que valem a pena. 🙂

  5. Paulo Pereira

    “Keynes é uma fraude intelectual embaraçosa”

    Com esta frase parece que o CN anda num outro mundo, talvez afinal o sistema económico comunista seja o seu ideal.

    Então diga lá onde é que o Keynes está errado no que respeita ao funcionamento global de um sistema económico capitalista industrial ?

  6. Como pobre gestor as minhas leituras vão mais para figuras como Drucker ou Mintzberg (ossos do ofício…), mas “O Caminho para a Servidão” foi dos livros que mais me marcou.

  7. “Então diga lá onde é que o Keynes está errado no que respeita ao funcionamento global de um sistema económico capitalista industrial ?”, ora aqui está um bom mote para uma debate sério. Tenho acompanhado os comentários feitos neste blogue e quer-me parecer que não seria má ideia o Paulo Pereira e o CN encetarem uma discussão a sério sobre este tema, até porque me parece que ambos mostram ter opiniões bastante consistentes e boa capacidade de síntese. Não sei se a arena ideal seria a caixa de comentários do Insurgente ou outra, mas que seria interessante para esclarecer as diferenças entre a tese Austríaca e a Keynesiana não duvido. Fica a proposta.

  8. Paulo Pereira

    DavC , a tese central de Keynes na Teoria Geral é muito simples :

    – Num sistema económico capitalista industrial o investimento privado é fortemente pro-ciclico e o consumo privado moderadamente pro-ciclico.

    Assim , o sector privado por si só não pode atingir um equilibrio de baixo desemprego.

  9. PedroS

    Paulo pereira,

    A tese “Assim , o sector privado por si só não pode atingir um equilibrio de baixo desemprego.” não depende necessariamente da premissa “Num sistema económico capitalista industrial o investimento privado é fortemente pro-ciclico e o consumo privado moderadamente pro-ciclico.”. Tem de haver premissas adicionais, que não explicitou.

  10. Paulo Pereira

    PedroS,

    Quais premissas que não citei ? E já agora concorda com as duas premissas ?

  11. “– Num sistema económico capitalista industrial o investimento privado é fortemente pro-ciclico e o consumo privado moderadamente pro-ciclico.”, isso não pode implicar precisamente o contrário do que concluiu? Isto é: Se a economia estiver em crescimento, não deverá ocorrer uma expansão pró-cíclica do consumo e do investimento, levando ao pleno-emprego, ou até sobre-emprego?

  12. Paulo Pereira

    Davc,

    Sim concordo que numa economia em expansão o sector privado é pro-ciclico e pode atingir o pleno emprego, mas em todo o percurso fica sujeito a choques externos ou a choques especulativos internos ou a uma aceleração interna da inflação, que param o crescimento e a partir daí o sector privado não consegue voltar ao crescimento entrando em recessão, especialmente devido à queda abrupta do investimento.

    É por isso muito mais provável que uma economia capitalista totalmente privada esteja num equilíbrio de alto desemprego do que de baixo desemprego. O sistema tende para o desemprego alto.

  13. PedroS

    “Quais premissas que não citei ? E já agora concorda com as duas premissas ?”

    Não se percebe a relação de causalidade entre as premissas

    A1: “Num sistema económico capitalista industrial o investimento privado é fortemente pro-ciclico”
    A2: ” e o consumo privado moderadamente pro-ciclico.””

    e a tese

    B: “Assim , o sector privado por si só não pode atingir um equilibrio de baixo desemprego.”

    Por que é que A1/A2 implica B?
    Existem motivos para supôr que o consumo privado é “moderadamente” pró-cíclico (A2), em vez de “fortemente” pró-cíclico (A3) ou “anti-cíclico” (A4)?

    B depende igualmente de A1 e A2? A substituição de A1 por A3 ou A4 afecta B de que maneira? Sem premissas adicionias, e/ou mais mecanismos explicativos, nãop me parece que tenha de forma alguma provado B.

  14. Paulo Pereira

    PedroS, os mecanismos essenciais são :

    A1 – O investimento privado é fortemente pro-ciclico porque as empresas só investem quando estimam que as vendas aumentem, quando verificam que as vendas diminuiram param o investimento rapidamente

    A2 – Os consumidores são assalariados de empresas do tipo A1 e A2.
    O consumo privado é moderadamente pro-ciclico porque uma grande parte do consumo é de bens essenciais, e porque quando o rendimento desce os consumidores tendem a usar as suas poupanças para manter um parte do consumo anterior e quando o rendimento sobe tendem a incrementar as suas poupanças.

    B – O emprego desce ou sobe inicialmente nas empresas do tipo A1, diminuindo ou aumentando o consumo nas empresas do tipo A2 que a seguir reduzem ou aumentam o emprego, criando um ciclo recessivo ou expansivo.

    Como a redução do Investimento é muito rápida face a uma diminuição das vendas , o sistema tende mais facilmente para o desemprego.

  15. tiago

    O Paulo Pereira é daqueles que pensa que sabe mais coisas do que aquelas que desconhece. Por essa razão é um Keynesiano.

    Creio que o mais interessante em Hayek (pelo menos para mim que não sou economista) é a sua teoria sobre o uso de conhecimento em sociedade, aplicável não só à economia como à própria vida humana. A vida em sociedade é uma ordem espontânea e creio que o erro de Hayek foi não assumir que TODO o tipo de planeamento centralizado é destruidor da complexidade que as ordens espontâneas são capazes de produzir.

  16. Ricardo Campelo de Magalhães

    Tiago, Boa Análise.

    Paulo Pereira, Obrigado. O meu mundo voltou a fazer sentido.

    DavC, E Mises?

    André Miguel, Há livros de Mises muito bons. Já leu “A Mentalidade Anti-capitalista”? 😉

    CN, Obrigado.

    Pedro S, Obrigado pelo esforço.

  17. Ricardo, não referi Mises porque a única coisa que li dele foi precisamente o “Anti-Capitalistic Menthality” que não serve para ter uma ideia dele como economista, apesar disso tenho o “Human Action” e o “Theory on Money and Credit” na minha reading list.

  18. Rod Silva

    Tiago, ajude-me; porque é que sustenta a ideia que “…o erro de Hayek foi não assumir que TODO o tipo de planeamento centralizado é destruidor da complexidade que as ordens espontâneas são capazes de produzir” ? Da leitura do The Use of Knowledge in Society deduzo exatamente o contrário. obgd

  19. Rod Silva, penso que o Tiago se estará a referir ao facto de Hayek não ser anarco-capitalista, logo defender a existência de um Estado, nem que seja mínimo. logo alguma forma de planeamento centralizado…

  20. “numa economia em expansão o sector privado é pro-ciclico e pode atingir o pleno emprego, mas em todo o percurso fica sujeito a choques externos ou a choques especulativos internos ou a uma aceleração interna da inflação, que param o crescimento “, isto parece-me ser aquilo a que os Austríacos chamariam a expansão de crédito a provocar o ciclo económico.

  21. PedroS

    “as empresas só investem quando estimam que as vendas aumentem, quando verificam que as vendas diminuiram param o investimento rapidamente”

    Isto não me parece verdade: desde que possam, as empresas aumentam o investimento quando têm concorrência. Tenho a certeza que se não houvesse Continente, o Pingo Doce investiria menos no design e higiene das suas lojas (e vice-versa).
    Também tenho a certeza que quando a quota de mercado da ZON diminui, os seus gestores não cruzam os braços a dizer “perdemos quota, estamos lixados, vamos diminuir o número de vendedores e deixar de abrir lojas novas da ZON ”

    “O consumo privado é moderadamente pro-ciclico porque uma grande parte do consumo é de bens essenciais, e porque quando o rendimento desce os consumidores tendem a usar as suas poupanças para manter um parte do consumo anterior e quando o rendimento sobe tendem a incrementar as suas poupanças. ”

    Isto só é verdade numa situação em que o crédito ao consumo é limitado, e a oferta de produtos é relativamente pouco diversificada. Aliás, o rendimento médio dos portugueses aumentou imenso de 1950 a 2000, mas as taxas de poupança diminuíram atrozmente.

    PS: Não sou economista, admito que haja imensos pormenores que me escapam. Exactamente por isso é que acho que o raciocínio deve ser bem explicado…

  22. Paulo Pereira

    DavC ,

    Sim, a variação do crédito é responsável por grande parte dos ciclos económicos, e também é mais um factor pro-ciclico, porque os bancos cortam no crédito muito depressa mal a economia entra em recessão, acelerando-a.

    É mais um factor que prova que o sector privado por si só não consegue estabilizar numa situação de desemprego baixo.

    Pedro S,

    Numa recessão o consumo total desce por definição, isso quer dizer que as vendas somadas em todas as empresas descem.
    Não provavel por isso que a soma do investimento das empresas cresça, muito pelo contrário, e há medida que vai sendo cortado vai criando desemprego no sector A1 o que reduz o consumo.

    Isto não acontece em todo o tipo de empresas ao mesmo tempo, começa nas empresas que produzem mais a montante do ciclo económico, como equipamentos para industrias e depois propaga-se em cerca de 12 a 18 meses a todas as empresas.

    Esta premissa está comprovada em todas as recessões nos EUA e também em muitos outros países e tem uma lógica empresarial simples.

    Poder verificar isso em 2011 em Portugal e noutros países que entraram em recessão.

    “Isto só é verdade numa situação em que o crédito ao consumo é limitado, e a oferta de produtos é relativamente pouco diversificada. Aliás, o rendimento médio dos portugueses aumentou imenso de 1950 a 2000, mas as taxas de poupança diminuíram atrozmente.

    Os desempregados do sector A1 consomem menos porque têm menos rendimento, isso provoca desemprego no sector A2.
    Os bancos reduzem o crédito ao consumo numa recessão reforçando a recessão.

    Só não há uma redução mais rápida do consumo porque os consumidores desempregados mobilizam as suas poupanças que acumularam na expansão. Mas pode chegar a um momento em que o desemprego fica muito alto e provoca uma onda de “medo” nos empregados que podem reduzir o consumo mais rapidamente, com medo de perderem o emprego.

    A taxa de poupança numa economia em expansão é muito determinado por factores culturais e normalmente desce quando parte de uma base muito alta.

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