Hoje, como ontem, Portugal continua a ser o paraíso dos inimigos da liberdade

A esquerda caviar, e a direita patusca, andam muito incomodadas com a recente campanha do Pingo Doce. Lê-se que os consumidores são “mortos-vivos”, que rastejam esfomeados atrás de uma promoção, como quem come as migalhas do capitalismo. Há ainda os que confundem “promoção” com “caridade”: o papão do Pingo Doce “não dá nada a ninguém”, “só pensa no seu interesse”. Ui, onde já se viu, um empresário que luta pelo seu interesse? “E esse povinho, que horror, a atacar as prateleiras”.

À esquerda e à direita, ouvimos e lemos frases de lamentação: “Ai, o povo, o povo, quem deixou o povo sair da gaiola? Onde já se viu, deixarem o povo à solta, em liberdade?”.

Eu, que percebo pouco dessas coisas de direita e esquerda, por mais que me esforce não consigo ver indignidade em alguém aproveitar umas horas do seu feriado para comprar produtos com 50% de desconto, pagando o preço com o fruto do seu trabalho, que isto de viver do trabalho custa bastante, e dá sempre jeito poupar uns trocos. Por mais voltas que dê, não percebo qual o problema das pessoas procurarem simplesmente poupar. Também não sei porque é que o Pingo Doce deve ser censurado, por servir o seu interesse, servindo os seus clientes. Dando-lhes uma opção. Cada um luta pelos seus interesses, diria, é assim que crescem as economias saudáveis: em liberdade, porque só foi ao Pingo Doce quem quis.

O grande problema é que há quem conviva mal com a liberdade dos outros, destes fazerem as suas escolhas. Que se saiba, ninguém foi ao Pingo Doce obrigado. Indigno é forçar as pessoas a condicionarem as suas escolhas e a organização das suas vidas, fechando administrativamente supermercados, limitando preços, regulando tudo e um par de botas.

Falou-se muito de dignidade. Os mesmos que enchem a boca com dignidade, são os mesmos que promovem a solidariedade, a dependência, e a limitação da liberdade, por mão do Estatismo. São os mesmos que com as suas ideias promovem a ineficiência económica, a dependência dos mais fracos, e uma sociedade sem direito à diferença e à escolha.

A esquerda gosta do “Povo”, sim, mas da ideia abstracta de uma massa que eles querem moldar à sua imagem, um “povo” insípido, ordeiro, que segue os ditames da elite cultural dominante. O “Homem Novo”, um ser reumático e com mais de cem anos, continua aí, de bengala, a impedir que a sociedade evolua. A esquerda adora um certo tipo de liberdade, a liberdade positiva, ironicamente uma liberdade condicionada, que tem como limites aqueles que eles próprios prescrevem, em leis que matam a escolha. O mesmo se passa com boa parte da direita, que gosta de um povo patusco, ordeiro, subserviente, da esmola e da migalha, que não luta por si e pelos seus interesses. Unidos numa aliança contra a liberdade, a direita patusca e conservadora e a esquerda dogmática continuam a projectar sociedades desenhadas a régua e esquadro, sonhando confortáveis, porque não deixam de se alimentar da sociedade em que vivem, que capturaram, e que ao mesmo tempo tanto criticam; estes inimigos da liberdade, à direita e à esquerda, são os responsáveis pelo atraso endémico do país.

Venham mais promoções, violações do 1.º de Maio, e possibilidades de escolha. Porque é na escolha que reside a liberdade. Não uma liberdade qualquer, mas a que interessa, porque serve directamente aqueles que a exercem.

17 pensamentos sobre “Hoje, como ontem, Portugal continua a ser o paraíso dos inimigos da liberdade

  1. Ema Neves

    O teu conceito de liberdade é muito restrito. Desde quando liberdade é fazer figuras tristes a consumir? E será que o povo português sabe fazer escolhas? Reconhece verdadeiras opções ? Ou vai atrás de uns rebuçados que lhe acenam ?

  2. Ontem, a SIC foi à Assembleia da República perguntar a deputados se tinham ido às compras no Pingo Doce. As respostas foram todas negativas. Alguns deram a justificação da “indignidade”, outros simplesmente não costumam ou não gostam de ir às compras. Nenhum dos abordados teve a humildade ou o simples bom senso de responder: ó minha senhora, com o meu rendimento não é necessário aproveitar promoções. Que cambada de arrogantes, com os pés fora da realidade e cheios de desprezo pelos cidadãos mais desfavorecidos.

  3. Miguel Noronha

    “será que o povo português sabe fazer escolhas?”
    Volta Salazar! Precisamos de um líder que escolha por nós, pobres crianças.

  4. Sugestão, porque não substituir a pontuação das 5 estrelas por um simples ícone “GOSTO”? É que cheira-me que a malta da extrema esquerda que aqui vem parar deve meter 1 estrela nos posts todos só para arreliar lol Por outro lado sempre que gosto MESMO de um post coloco sempre 5 estrelas, nos restantes simplesmente não coloco nada (apesar de gostar de quase todos, excepto os posts referentes ao futebol clube do porto :P)

  5. JP Ribeiro

    Uma correcção: a esquerda não só gosta como ADORA o povo.
    Não gosta é das pessoas.

  6. PedroS

    “o que é isso a malta “de esquerda” é algum clube de futebol?”

    Não é um clube de futebol: no futebol, quando as soluções propostas não funcionam, troca-se de treinador, táctica e/ou jogadores. Não se diz que está tudo perfeito nas soluções propostas mas que o estádio/público/regras do jogo é que estão mal.

  7. Francisco Colaço

    hf,
    .
    Considerando que a Esquerda não quer pagar dívidas, porta-se ruidosamente quando em grupo, faz distúrbios nas ruas, confrontando a polícia, acha que quem não é de Esquerda é para arrochar, resta apenas saber em que liga joga esse clube.

  8. tric

    “será que o povo português sabe fazer escolhas?”
    Volta Salazar! Precisamos de um líder que escolha por nós, pobres crianças.
    .
    se fosse possivel…mas uma coisa é certa, desde que a judearia nacional e internacional passou a fazer as escolhas por nós, o resultado está á vista..

  9. lucklucky

    Uma correcção: a esquerda não só gosta como ADORA o povo.
    Não gosta é das pessoas.
    Comentário por JP Ribeiro — Maio 3, 2012 @ 10:47

    Excelente.

  10. lucklucky

    “E será que o povo português sabe fazer escolhas? Reconhece verdadeiras opções ? Ou vai atrás de uns rebuçados que lhe acenam ?”

    Tipo saúde “grátis”, escola “grátis”, subsídios, aumentos de ordenados, 150000 novos empregos?

  11. gh

    lol @ “saber fazer escolhas”

    Que liberdade é essa onde só se pode fazer escolhas “bem” feitas?

  12. zbiri

    Acho que a promocao e um ataque ao dia do trabalhador e denota a falta de neutralidade politica/ideologica dos decisores do grupo. Dito isto, nao acho que venha dai mal ao mundo e nao e uma surpresa. Ninguem se questiona porque e que a promocao nao foi realizada num Sabado antes ou depois do 1 de Maio? Para alem disso, nao vejo problema nenhum com a promocao e nao acho que as pessoas tenham agido de forma muito diferenente das pessoas em outros paises onde esses “descontos” sao efectuados. O comportamento foi bastante previsivel. Nos EUA, por exemplo, existeo Black Friday e magotes de pessoas correm para as lojas para apanhar promocoes. Independentemente, do que diz a esquerda ou a direita ou do que se diz acerca das opinioes da esquerda ou da direita das massas populares, esta tem, de facto, um comportamento previsivel e manipulavel, havendo os incentivos certos. Este foi um teste positivo para o dpto de marketing da empresa. Esperamos que o efeito seja o de espicacar a concorrencia a fazer promocoes tambem. Isso e que era. Outra questao interessante e saber se a pratica e legal e se sao os fornecedores quem, em ultimo caso, suportam a medida. Mas isso, a concorrencia e que tem perguntar, do ponto de vista do consumidor e a curto prazo e insignificante.

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