O último independente

Olhando para as empresas do PSI20 observa-se que quase todas são dependentes do estado. São as empresas de telecomunicações, energia, construção, banca e até as tecnológicas continuam a ter grande parte da sua facturação dependente do estado. Há uma honrosa excepção: as empresas de distribuição. Talvez exactamente por isso, estas empresas tendem a ser as principais vítimas dos ataques da esquerda: do imposto Cristas à permanente ameaça do encerrameno ao domingo, passando pelas investidas da ASAE. A Sonae cedeu às ameaças e ofereceu o Público aos cães, tornando-o numa cópia de má qualidade do Avante, mas comprando alguma boa-vontade que lhes vai permitindo seguir o seu caminho. A Jerónimo Martins, sob a batuta de Alexandre Soares dos Santos, não o fez, porventura porque, para além de não depender muito do estado português, já nem sequer depende do mercado português: a maior parte dos seus lucros já têm origem fora do país. Alexandre Soares dos Santos foi ainda mais longe, ao expôr a situação do estado social socialista através do PORDATA. Não só não depende do estado, como ainda colabora na exibição de números. E todos sabemos o quanto a esquerda se dá mal com números.
Não foi o facto de os funcionários do Pingo Doce trabalharem a um feriado que irritou a esquerda, afinal fizeram-no voluntariamente, receberam o triplo e ainda terão um dia de férias extra. As reacções da esquerda foram apenas o resultado disto: uma profunda aversão a uma empresa independente do poder político e que tem exercido essa independência. Se fosse a Ryanair, a Galp, a Apple ou outra empresa a lançar uma promoção semelhante, as reacções seriam nulas. As multidões no boxing day no Reino Unido ou na Black Friday dos EUA nunca suscitaram este tipo de críticas.
Alexandre Soares dos Santos está de parabéns pela coragem de ir irritando os poderes instalados. É um dos poucos faróis de esperança neste país.

30 pensamentos sobre “O último independente

  1. leopardo

    Somos dos poucos países que permitem a abertura ao domingo deste tipo de estabelecimentos. Se proibissem a sua abertura ao domingo os beneficiados seriam as pequenas empresas concorrentes, ou seja um cada vez mais estiolada classe média. A somar a estas empresas diretamente concorrentes seriam beheficiados os produtores nacionais. Em portugal a distribuição está praticamente nas mãos de apenas 2 empresas, Jeronimo Martins e Sonae. Não é de todo uma situação de livre concorrência.

  2. Ricardo Cerqueira

    A irritação da esquerda é com tudo o que é independente, do Soares dos Santos ao mais humilde trabalhador independente (talvez mais o segundo que o primeiro).

    Estranho, muito, é que o actual governo, de matriz claramente liberal, pareça pactuar com esta situação, como se houvesse um poder superior oculto, com mentalidade “socializóide” que não os deixasse alterar o “modus operandi” herdado do anterior consulado.

    É muito estranho – e muito grave – para as vítimas desta actuação contra a iniciativa e a independência.

  3. El Mariachi

    É vital ter em mente o seguinte: é o consumidor que valida e torna real o duopólio Pingo Doce e Continente/Modelo. Não venham com truques, subterfúgios, desculpas. Ontem, como se sabe, porque foi amplamente difundido, foi proposto um boicote a ambas as empresas. O que aconteceu? Não só as pessoas rejeitaram o dito boicote, como correram para ambas as lojas com todas as forças que tinham.

    Sim, para ambas, porque o Continente de Lourel estava repleto de gente, carros estacionados em locais ilegais, à beira da estrada, em zonas residenciais, etc.

    É a vida.

    E por aqui se percebe como alguns, a dita esquerda mais radical, gosta muito de Democracia. Pediu “democracia” ontem, pediu solidariedade aos trabalhadores, e estes responderam-lhe como sabemos.

  4. Ricciardi

    Bem, quer dizer, este assunto não me incomoda muito.
    .
    Ao contrário das promoções nos eua e na inglaterra, que são, diga-se, descontos previsiveis, com datas anunciadas para o efeito, em portugal faz-se a coisa de uma forma tipicamente ao jeito da america-latina. O objectivo é claramente político, enquanto que o objectivo nos eua e uk é empresarial. São coisas distintas. A prova disto é que o hipermercado nem estava preparado para a medida que tomou e teve de fechar mais cedo.
    .
    Mas é engraçado analisar estas iniciativas e a adesão que têm por parte das massas. Em Angola tive em tempos um armazem de venda ao público de mercadorias diversas e quando queria arrumar com a concorrencia que se ia instalando fazia exactamente isto, descontos massivos… E era uma festa. Os seguranças tinham que bater nos clientes para eles não entrarem, tal era a avalanche de gente a querer comprar. Mais tarde o governo provincial proibiu estas práticas e nunca mais as fiz.
    .
    As massas adoram estas coisas, porque pensam que poupam; na verdade, pagam bem caro.
    .
    Rb

  5. El Mariachi

    É político? Tenho sérias dúvidas (penso que se tratou apenas de uma conjugação de factores, mas tudo bem), mas qual é o problema? O consumidor validou-o. E não foi pouco.

  6. Ricciardi

    El Mariachi, em monopólio o consumidor também valida tudo, e não me parece que o que está implicito seja correcto.
    .
    Mas também lhe digo se o critério do mérito é a validação final da procura, a semelhança com a máxima de que os fins justificam os meios também será sempre válida.

    Digo-lhe isto porque assisti a uma coisa semelhante a esta em africa numa altura em que a ONU distribuia alimentos pela populaça. Mal o camião chegava, o povo em estado de necessidade, numa corrida louca, massacravam-se uns aos outros a ver quem chegava primeiro. Tudo era validado, todos os atropelos eram permitidos, até arrancar olhos, pelo fim ultimo de obter um pacote de arroz.
    .
    Rb

  7. Ricciardi

    Portanto, descontos massivos é coisa boa se estiver dentro de uma estratégia empresarial e perfeitamente antecipavel pelos agentes. Veja bem, se se tivesse feito como nos estados unidos ou na inglaterra, aonde esses descontos são antecipaveis e anunciados, provavelmente o Continente daria um desconto superior ao Pingo Doce. Talvez desse descontos de 60% nesse dia, ou acha que não?
    .
    Ou seja, se se quer beneficiar o consumidor é por os concorrentes a concorrer e não a monopolizar.
    .
    Rb

  8. Luís Lavoura

    A GALP depende muito do Estado? Não é para mim claro que assim seja.
    A maior parte dos lucros da GALP são obtidos fora do país (através das margens de refinação, uma vez que é uma empresa competitiva, e exporta montes de gasolina para os EUA).

  9. Ricciardi

    Mas, enfim, de certa forma já nos habituamos a práticas de chico-espertismo. Os hipermercados podem abrir aos domingos e feriados e o comercio normal não pode. As lojas dos chineses também podem, mas as que estão ao lado destas já não podem.
    .
    Ou comem todos ou há moralidade. Mas a coisa que mais me encanita nem é isto. Eu acho que os agentes precisam de estabilidade. De antecipar o futuro com tranquilidade e racionalidade. Em Portugal ninguém sabe bem o que vai acontecer. Se a reforma vai aquele, se os impostos vão ser estes, se amanha, afinal, um funcionario publico vai poder ser despedido ou não, se compra o carrinha hoje ou vai esperar por um IVA maior, se o próximo governo não irá realterar a lei dos despedimentos como prometem fazer… enfim, toda a gente está bloqueada. Ninguém pode agir, porque ninguem tem um quadro estavel para o horizonte.
    .
    E este caso de descontos massivos, ao contrario dos paises ciilizados, é feito também de forma não antecipavel. A ideia é simples, politica que baste, mas ao mesmo tempo efectuada em segredo a ver se a concorrencia não intervem a tempo de fazer descontos maiores, beneficiando o consumidor.
    .
    Rb

  10. JP Ribeiro

    Muito bom post. Excelente mesmo. Os que se insurgem contra o que chamam de “duopólio” da distribuição, que foi conquistado a pulso, contra centenas de competidores, já acham natural o monopólio dos transportes, da eletricidade, dos correios, e tantos outros monopólios que nos foram imposto pelo estado. Tanta estupidez mete nojo.

  11. p D s

    Foi com orgulho embevecido que ontem assiti a mais uma atitude EMPREENDEDORA, de um empresários portugues, em busca do AUMENTO DE PRODUTIVIDADE !

    É com empresários e atitudes destas que se vai AUMENTAR O PIB, e salvar o pais!

    SUGESTÂO: Era bom fazer algo igual, por exemplo, no dia em que veio cá o pápa ! ou por exemplo, num domingo de eleições! isso é que era !!!

  12. Ricardo Campelo de Magalhães

    “Muito bom post. Excelente mesmo. Os que se insurgem contra o que chamam de “duopólio” da distribuição, que foi conquistado a pulso, contra centenas de competidores, já acham natural o monopólio dos transportes, da eletricidade, dos correios, e tantos outros monopólios que nos foram imposto pelo estado. Tanta estupidez mete nojo.”

    Secundado.

  13. Miguel Noronha

    “SUGESTÂO: Era bom fazer algo igual, por exemplo, no dia em que veio cá o pápa ! ou por exemplo, num domingo de eleições! isso é que era !!!”
    E porque não?

  14. Luís Lavoura

    Não sei muito bem quem está no PSI 20, mas creio que também lá está a CIMPOR, que não depende muito do Estado, aliás fatura mais no estrangeiro do que em Portugal. E a SEMAPA (pasta de papel) também fatura em grande parte pela exportação e não deve depender muito do Estado.

    Quero dizer, a Jerónimo Martins não será provavelmente a única independente do Estado.

  15. Yeah! Oh, Yeah!

    a esquerda também diz que os direitos adquiridos foram conquistados a pulso. presumo que os valide, portanto. mas pronto, sempre ficamos a perceber que monopólios não faz mal desde que privados. se o cainesianismo tuga é hilariante, o liberalismo tuga providencia alternativa à altura.

  16. lucklucky

    “A Sonae cedeu às ameaças e ofereceu o Público aos cães, tornando-o numa cópia de má qualidade do Avante, mas comprando alguma boa-vontade que lhes vai permitindo seguir o seu caminho. ”

    Finalmente alguém que reconhece como boa parte da esquerda opera como uma Mafia.

    Para quando a promoção de 50% no IRS? Ganhaste mais, tens promoção!
    Para quando a promoção de 50% no IMI? Compra nova casa tem desconto!
    Para quando a promoção de 50% na Escola
    Para quando a promoção de 50% na EDP
    Para quando a promoção de 50% nas Portagens
    Para quando a promoção de 50% nos Impostos sobre Combustíveis?
    Para quando a promoção de 50% nos Imposto automóvel?

  17. JS

    CGP Excelente, e corajoso, post sobretudo no meio de tanta esquerda “absolutamente simples”.
    Mas mais. Como se sabe a regra da prosperidade económica não é nem só Produção, nem só Consumo. É Produção/Consumo. Somos todos produtores e consumidores de bens e serviços.

    Ora. Se esta empresa, privada, de Distribuição, for ostensivamente prejudicada, via impostos, taxas ou outros exercícios de hiper-sensibilidade pseudo-legal pode, simplesmente, fechar a sua actividade. Os accionistas o exigiríam.
    Restaría a Sonae Distribuição, que, ou sería protegida, em flagrante iniquidade legal, ou também encerraría a sua actividade.

    Teríamos, em substituição, cadeias de Distribuição geridas pelo Estado?. Além da já -arbitrariamente subsidiada pelo Estado- Produção?
    Já pensaram, bem, na maravilha que vai ser uma cadeia de Distribuição gerida pelo Estado? Alemanha de Leste anos 70?.
    Só mesmo a União Europeia nos pode salvar desta -entranhada- cultura de esquerda, absolutamente simplória.

  18. Fernando S

    Alguns teem falado aqui num hipotético “monopolio” ou “duopolio” das empresas da grande distribuição.
    Mas qual monopolio ?!..
    Na realidade, para além de as empresas citadas não serem as unicas na grande distribuição, existem milhares e milhares de outras empresas comerciais de retalho de pequena e média dimensão. Nada impede os consumidores de se dirigirem a elas. E é, de resto, o que fazem milhões de portugueses, incluindo aqueles que também recorrem à grande distribuição.
    Nenhuma disposição legal fundamental impede a constituição de novas empresas e a abertura de novos negocios na distribuição.
    Algumas das disposições que existem tendem até mais para condicionar a actividade da grande distribuição. Outras, que também afectam a média e pequena distribuição, são leis laborais e disposições camararias, supostamente destinadas a proteger (?!…) os trabalhadores e os cidadãos de uma abertura mais frequente dos estabelecimentos.
    Na verdade, as mais das vezes, quando a lei não o impede (e os sindicatos não exercem pressões contrarias abusivas sobre empregadores e trabalhadores), trabalhadores e consumidores veem com bons olhos a abertura dos estabelecimentos, porque tal significa mais trabalho para uns e mais comodidade para outros.
    Os consumidores em geral, e os trabalhadores actuais e potenciais na distribuição, teriam ainda muito a ganhar com o desaparecimento ou a flexibilização de muitas destas disposições iliberais.

  19. Monge Silésio

    Obiamente o PD é livre. Ponto. Mas o realizado pode ser entendido de outra forma: acicatar, desafiar. Nós vivemos também com os significados que os outros tiram….Não entender isto é não entender que a lógica poderá nao funcionar com massas…que obviamente sao estúpidas.

  20. Pingback: Alexandre Soares dos Santos, um exemplo de coragem e determinação « O Insurgente

  21. Concordo.

    Com mais de metade da riqueza nas mãos do estado por via dos impostos, e pelo menos mais 25% da riqueza controlada pelo estado por via das empresas públicas, empresas em que o estado determina o rumo e influência e afins, há muito tempo que já cumprimos o ideal inscrito na constituição (de caminharmos para um sociedade socialista).

    Com 75% da riqueza do país a passar, directa ou indirectamente, pelas mãos de meia dúzia de gatos pingados, já somos mais comunistas que socialistas. Não tenho nenhum preconceito contra estas ideologias (vá lá, tenho…), mas a mim o que me irrita é ouvir-se falar de economia de mercado, concorrência, capitalismo (qual capitalismo?) num país como o nosso. Somos uma farsa, e apenas continuamos como estamos por não sabermos fazer nada de melhor.

    Numa economia de mercado a sério, seria impossível a uma empresa que vende uma coisa tão básica, tão difícil de diferenciar como electricidade, ainda por cima num país que não tem onde cair morto, apresentar lucros fabulosos como apresentou (e ainda lhe devemos mais 4 fortunas por via do «défice tarifário»). Numa economia de mercado a sério, uma empresa como a EDP teria margens marginais. O capitalismo que temos é uma farsa. É, antes de mais, um socialismo a todo o gás.

  22. PT

    “A GALP depende muito do Estado? Não é para mim claro que assim seja.
    A maior parte dos lucros da GALP são obtidos fora do país (através das margens de refinação, uma vez que é uma empresa competitiva, e exporta montes de gasolina para os EUA).”. Claro! E a GALP nem tem o monopólio da refinação e armazenamento de produtos petrolíferos em Portugal!
    Bom exemplo esse…

  23. José Esteves

    Não entendo como é que num país que está falido, ainda há gente que critica o facto de uma empresa trabalhar mais.

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