Entretanto, na América…

Isto está a acontecer muitas vezes. Será que alguém vai levar uma tampa em Tampa?

8 pensamentos sobre “Entretanto, na América…

  1. El Mariachi

    Numa rua qualquer de Lisboa (escolham outro local se vos apetecer), dois tipos conversam um com o outro. Não ciente das opções ideológicas de cada um, conversam amigavelmente sobre tudo o que lhes vem à cabeça. Um, chamemos-lhe Carlos Marxiano, grande apoiante das “massas”, opta por não falar do tempo, preferindo antes falar do dia 1 de Maio, o dia do trabalhador. O outro, não sabendo o que aí vem, ouve-o. Marxiano, vestido de vermelho, opção de indumentária consciente, diz:
    – Mas, amigo, este é o nosso dia!
    O seu amigo de conversa, de nome desconhecido, responde:
    – Os meus tempos de trabalhador já lá vão, sabe? Eu quero é descansar, receber a minha reforma, não chatear ninguém.
    – Camarada, estes não são temos de descanso. São tempos de luta. O poder é das massas! – quase que grita.
    – Deixe lá a luta para quem a pode fazer. A maioria trabalha, tem de o fazer, não pode andar por aí de cartaz na mão a atacar a classe política.
    – Cobardes, nada mais!
    O telefone de Carlos Marxiano toca. Um Nokia 3310, outrora o telemóvel de eleição dos jovens que recebiam dos seus pais o seu primeiro aparelho.
    – Estou? Ah, como está o meu amigo? Ainda bem, ainda bem. O quê…a sério? 50%? Acima dos 100€. Não é preciso, não é preciso vir-me buscar, eu chamo um táxi.
    – Já se vai embora, é? – a emoção do Carlos Marxiano a falar ao telefone não passou despercebia ao seu colega de conversa.
    – Sim, amigo, vou ao Pingo Doce. Os tipos estão a fazer uma promoção fantástica.
    E lá chamou o táxi. E lá se foi o Carlos Marxiano.

    Abraços liberais

  2. H.

    Decida-se. Há um par de meses, o Ron Paul era – no seu entendimento, de resto escasso – o candidato das massas cujo verdadeiro apoio popular era sabotado por tenebrosas conspirações do aparelho; e você indignava-se. Agora, é o que utiliza manobras aparelhisticas para subverter a vontade popular expressa nas primárias – e nem um pingo de constrangimento?

    Quanto à tampa em Tampa, acho que é um cenário plausível entre quem consome os delírios da Rachel Maddow.

  3. Ricardo Campelo de Magalhães

    H.,
    Eu decidi: o Ron Paul é o meu candidato de eleição pelos temas que aborda e pela forma que os aborda.

    Ron Paul ainda hoje é o candidato das massas. O candidato dos insiders é, obviamente, Mitt Romney.
    Que o Ron Paul, alavancado pelas massas esteja a conquistar algumas posições de insiders, eu vejo com esperança, mas obviamente já não acredito que sirva para Tampa.

    Eu não me indigno. A sério, não é esse o meu estilo.

    Agora que dispensava expressões como “no seu entendimento, de resto escasso”, isso dispensava.
    Sobretudo quando tudo o que fiz foi colocar um vídeo.
    O senhor é que, ao assumir demasiado sobre as minhas opiniões, acabou por errar.
    Tinha-o em mais alta consideração…

  4. H.

    Se o Ron Paul é o candidato das massas, esqueceram-se de as avisar. Às massas. Isso parece conversa de sindicalista.

    O Ron Paul tem resultados paupérrimos em eleições massificadas – naquelas que votam milhares, centenas de milhares, de republicanos. Por outro lado, consegue fazer gracinhas quando umas dúzias de insiders se reúnem durante horas em salas pouco confortáveis.

    O Ron Paul é como os Grateful Dead (esta analogia não é minha, ouvi-a há uns tempos). Uma banda de música – música, enfim, Euterpe perdoar-nos-á; faziam música na mesma medida em que Ron Paul é um arauto do conservadorismo ou do liberalismo clássico – cujos concertos esgotavam a lotação em meia dúzia de horas e vendiam imensas t-shirts e merchandising. Mas que muito raramente tinham um disco no top-20. Não eram uma banda de massas; eram de nicho, com poucos fans – mas os que tinham eram extremamente decidados: não se importavam de viajar horas para estar em múltiplos concertos. As massas? Essas, placidamente, ignoravam-os. Ou seja, é como o Ron Paul: não tem os favores do auditório, surdo e ingrato. Mas nas jam sessions para o grupelho de admiradores nos bastidores bate-se com os melhores.

    O meu comentário sobre o seu entendimento foi pateta, desnecessário e mesquinho. Erro meu ao formular frase. Não pretendia infligir um ataque à sua “forma mentis”, que tenho em boa conta; o julgamento restringia-se aos seus juízos quanto a este particular tópico. Quanto a isso, não seja tão sensível.

  5. H.

    Os Grateful Dead também arrastavam multidões.

    Da Wikipedia: The 1998 edition of the Guinness Book of World Records recognized them with a listing under the heading, “most rock concerts performed” (182 concerts).[44] They played to an estimated total of 25 million people, more than any other band, with audiences of up to 80,000 attending a single show

    Não era suposto o PCP vencer as eleições para a Constituinte porque metia muita gente nas manifestações de rua?

    Uma minoria fanática e dedicada enche muitos comícios, mas continua a ser uma minoria. No caso, uma ínfima minoria. Até ao momento votaram no Ron Paul cerca de d10% dos eleitores: 1,186,874 de pessoas – e faltam os de estados que ainda não votaram (para lá dos que não estão elegíveis para votar mas não são impedidos de assistir a comícios). É um número respeitável – enchem-se muitos auditórios e salões de festas mesmo que apenas uma fracção dessas pessoas se importe o suficiente para ir ver o candidato. O Ron Paul arrasta multidões porque uma percentagem anormalmente alta dos seus apoiantes é especialmente dedicada.

    Mas a extrema dedicação de uma minúscula minoria não faz dele o candidato das massas. Apenas o candidato de uma minúscula mas extremamente dedicada minoria.

    Repare nos números. Percentagem de voto do Ron Paul por estado para “registered republicans”, “registered voters”, “voting-eligible population”, “population”:

    State;VRRs;RVs;VEP;Pop
    Alabama;na;1.39%;0.89%;0.65%
    Alaska;2.48%;1,00%;0.64%;0.45%
    Arizona;3.39%;1.32%;0.92%;0.61%
    Colorado;0.72%;0.34%;0.22%;0.15%
    Connecticut;1.83%;0.37%;0.32%;0.22%
    DC ;2.05%;0.21%;0.14%;0.1%
    Delaware;1.74%;0.72%;0.46%;0.33%
    Florida;2.89%;1.47%;0.91%;0.62%
    Georgia;na;1.45%;0.92%;0.61%
    Hawai;na;0.42%;0.21%;0.15%
    Idaho;na;1.21%;0.75%;0.52%
    Illinois;na;1.49%;0.99%;0.68%
    Iowa;4.07%;1.68%;1.17%;0.85%
    Kansas;0.51%;0.28%;0.19%;0.13%
    Luoisiana;1.53%;0.47%;0.35%;0.25%
    Maine ;0.73%;0.26%;0.2%;0.15%
    Maryland;2.47%;0.9%;0.57%;0.39%
    Massachussets;7.55%;0.86%;0.75%;0.53%
    Michigan ;na;2.26%;1.6%;1.77%
    Minnesota ;na;0.48%;0.35%;0.25%
    Mississippi ;na;0.85%;0.61%;0.44%
    Missouri ;na;1.02%;0.7%;0.51%
    Nevada ;1.54%;0.62%;0.35%;0.23%
    New Hampshire;24.6%;7.41%;5.69%;4.31%
    New York;0.88%;0.3%;0.19%;0.13%
    North Dakota;na;0.88%;0.62%;0.47%
    Ohio ;na;1.99%;1.3%;0.96%
    Oklahoma ;3.25%;1.72%;1.03%;0.74%
    Pennsylvania;3.48%;1.75%;1.1%;0.83%
    Puerto Rico ;na;0.06%;0.06%;0.04%
    Rhode Island;4.88%;0.68%;0.45%;0.03%
    South Carolina ;na;3.4%;2.28%;1.69%
    Tennesse;na;1.76%;1.09%;0.79%
    Vermont ;na;4.32%;3.16%;2.46%
    Virginia;na;2.12%;1.9%;1.34%
    Washington;na;0.37%;0.27%;0.19%
    Wisconsin ;na;3.02%;2.1%;1.54%

    Auditórios apinhados.
    10% dos votantes.

    3,5% dos eleitores recenseados como republicanos. Mais de 5% em dois estados e menos de 1% em 5 estados

    1.34% dos eleitores recenseados. Mais de 5% em 1 de 38. Menos de 1% em 18.

    0,94% da população elegível para votar (VEP = Voting-age population – non citizens – inelegible felons + overseas elegible). 12 estados em que mais de 1% da população que poderia votar decidiu votar pelo Ron Paul.

    0.69% da população. Isto é algum movimento de massas?

    Extrapolando para Portugal, é mais ou menos o equivalente ao MRPP ou ao PAN – Partido pelos Animais e pela Natureza.

    Algumas vez lhe ocorreu adjectivar esses movimentos políticos como “de massas”?

  6. Carlos Novais

    H. creio que está a não querer ver o óbvio. Ron Paul representa a entrada dos libertarians no cenário político empurrando um novo tipo de activismo, um mais esclarecido e informado mas sem medo de por em causa o status quo. E um que irrita especialmente Bill Kristoll e David Frum. Só ganhos. As sondagens contra Obama não lhe dizem nada?

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