Da preguiça intelectual

Se o Filipe Castro não fosse tão preguiçoso ao ponto de achar que não vale a pena ler e ouvir aqueles que critica, não cairia no ridículo de dizer que os “randianos” gastam mais do que os socialistas quando se apanham no governo. Nem assumiria que lá por ter sido um admirador de Ayn Rand há mais de meio século, que Alan Greenspan de algum modo represente a filosofia “randiana”. Bastaria ler o que Greenspan escreveu nos anos 60 para perceber o contraste diamétrico com as suas decisões à frente da Federal Reserve.

O termo “neoliberal” é um homem-de-palha inventado pela falta de argumentos. Já o tinha ouvido aplicado a Milton Friedman e a F.A. Hayek, o que em si mesmo é uma demonstração da preguiça intelectual de quem usa o termo. Hayek, especialmente, detestava qualquer conotação com o termo “liberal”, dada a crescente (na altura) associação do termo à esquerda americana; algo que o próprio Filipe Castro deveria enteder bem, se vive no Texas há 14 anos. Mas para isso era preciso ler coisas que ele a priori considera «possidónia[s], lambida[s], infanti[is], pomposa[s] e dramática[s]».

73 pensamentos sobre “Da preguiça intelectual

  1. Nunca entendi bem porque é que os neoliberais detestam que se lhes chame neoliberais. Afinal, “What’s in a name? A rose by any other name would smell as sweet.” E algum nome se há-de dar à fraude intelectual perpetrada por Friedman, Hayek et al. para combater o “New Deal” e dar um verniz de legitimidade académica ao projecto político de redistribuir a riqueza de baixo para cima. Mas acabei por entender ao0 ler isto: é um reflexo condicionado que lhes vem directamente do cérebro reptiliano.

  2. Paulo Pereira

    O que é normal nos EUA é que os Republicanos quando têm maioria no congresso tenham politicas fiscais que favorecem o deficit pelo lado da redução de impostos e pelo aumento da despesa militar.

    No caso dos Democratas o aumento da despesa nunca é tão grande.

    Mas isso não importa para nada porque “Reagan showed that deficits don’t matter” !

    A discussão deve ser centrada em qual a melhor forma de aplicar o deficits e não se ele deve ou não existir.

  3. tric

    o que é que o Liberalismo defende na relação Estado Bancos Privados!!?? só abrem excepções ideologocas para o Estado subsidiar a Banca Privada ? Num Estado Liberal o Estado é subserviente da Banca Privada? actualmente é, sem sombra de dúvidas…e os liberais judeus portugueses apoiam tal estratégia bancária…

  4. Miguel Noronha

    “E algum nome se há-de dar à fraude intelectual perpetrada por Friedman, Hayek et al. para combater o “New Deal” e dar um verniz de legitimidade académica ao projecto político de redistribuir a riqueza de baixo para cima. ”

    Vejo que o Sr. José Luiz Sarmento percebe bastante de Friedman e Hayek. Ao ponto de misturar os dois.
    E veja lá que o Hayek até consegue a proeza de, “para combater o New Deal”, constestar os princípios deste algumas décadas antes da sua implementação. E o mesmo pode ser dito de outros como Mises ou Menger que ainda conseguem antecipar-se mais.

  5. Preguiçosos intelectuais (pois todos eles usam, ou usaram o termo “neoliberal” em muitas das suas argumentações, obras, prédicas e aulas): Michel Foucault, David Harvey, Peter Sloterdijk, Gilles Lipovetsky, Ignácio Ramonet, etc., etc., etc.

    Tudo preguiçosos intelectuais, portanto.

    Mas se têm mesmo muitas dúvidas em relação ao que distingue liberalismo de neoliberalismo, sugiro a leitura da obra de Michel Foucault, “O Nascimento da Biopolítica”. Edições 70. 2010.

    Aí, a coisa é dissecada em profundidade. E garanto-vos: a análise nem sequer depreciativa é. É imparcial pois não faz juízos de valor.

    Mas como é que o homem pôde dedicar tantos meses e aulas a leccionar sobre tal coisa que afinal, não existe? Ou terá falado disso, como quem fala de unicórnios?

    Aproveitem, que a Feira do Livro ainda está aberta.

  6. Eumeswil

    O Filipe Castro demonstra ignorância e, pelos vistos, falta de vontade em deixar de o ser mas tenho de dizer que não fiquei muito mais impressionado pela tua intervenção. Dizer que “o termo “neoliberal” é um homem-de-palha inventado pela falta de argumentos” é tb de uma falta de honestidade intelectual estranha para quem se sentiu atingido ao ponto de escrever um texto em resposta.
    O termo “neoliberal” tem historia e é um termo que tem mudado de significado desde que foi, pela primeira vez, usado, em 1938.
    Assim, eu que li os dois posts, fiquei com a impressão que nenhum de vós parece saber do que está a escrever.

  7. ricardo saramago

    Eles não sujam as suas mentes lendo e ouvindo o que os outros têm para dizer.
    São contra simplesmente.
    Contra o quê? Não sabem dizer. Não querem saber.
    Eles são detentores da verdade, sabem tudo o que há para saber.
    A quem não os aplaude e venera atiram pedras e odeiam a discussão e o estudo.
    Auto intulam-se democratas e tolerantes.
    “Não se enxergam”.

  8. APC

    Caro José Luiz,

    O Social-nacionalismo e a social-democracia são formas do socialismo, mas tá a ver a diferença? Um liberal democrata americano é fundamental e absolutamente distinto, na sua ideologia, de um libertário.

    Sei que para a esquerda é mais fácil meter tudo no mesmo saco, até porque caso contrario podia ser muita coisa para processar…

    É como os telemóveis para os velhinhos, também só têm meia dúzia de teclas para facilitar…

  9. “projecto político de redistribuir a riqueza de baixo para cima” ?!?

    Deixo-lhe uma passagem de Hayek para lhe fazer um pouco de luz:

    “Numa sociedade planificada saberemos que estamos melhores que os outros, não por causa das circunstâncias que ninguém controla, e impossíveis de prever com certeza, mas porque determinada autoridade assim o quer. E todos os esforços feitos para melhorar a nossa situação terão por objectivo, não prever ou preparar o melhor possível para as circunstâncias para as quais não temos qualquer controlo, antes influenciar, a nosso favor, a autoridade que detém todo o poder.”

    Em Cuba ou na Coreia do Norte a riqueza é distribuída de cima para baixo, não é?

  10. Paulo Pereira

    Só quem anda muitissimo distraido é que ainda não reparou que um país capitalista como os EUA ou o Japão têm deficits publicos há décadas, porque o sistema capitalista moderno só funciona com deficits que mantêm a procura num nivel elevado.

    Aliás toda a OCDE tem sempre deficits há décadas !!!!

  11. Num passado distante, li alguns livros escritos nos anos 60/70 em que usavam o termo “neoliberal”; a definição era mais ou menos um sistema em que (como no liberalismo clássico) a propriedade continua a ser maioritiariamente privada, os preços a serem estabelecidos pelo mercado, etc., mas em que (e é ai que entrava o “neo”) o Estado intervinha para estabilizar as crises económicas, para assegurar sectores que não eram rentáveis por si mas que eram socialmente úteis, etc. (no fundo algo até não muito diferente da social-democracia, mas sem a herança de “luta de classes” presente mesmo na social-democracia)

    Entretanto, a definição de “neo-liberal” mudou um bocado…

  12. Miguel Noronha

    “o Estado intervinha para estabilizar as crises económicas, para assegurar sectores que não eram rentáveis por si mas que eram socialmente úteis”
    Com esforço posso ver alguma coisa (mas pouca) do Friedman mas nada do Hayek.

  13. Miguel Noronha

    “Deixo-lhe uma passagem de Hayek para lhe fazer um pouco de luz:”
    Caro André, certmente o Sr. José Luiz Sarmento como profundo conhecedor de Friedman e Hayek (de outra forma não concebo que teça aquela senteça) saberá dar as citações necessárias para validar a sua opinião.

  14. António Machado

    A ignorância económica da esquerda coloca bem em evidência a preversidade do modelo democrático que temos, onde todos, independentemente dos conhecimentos que têm ou não têm, podem decidir de igual modo sobre as políticas mais fundamentais. Como resultado, temos uma maioria ignorante a impôr aos outros uma moral pretensamente solidária, limitando-lhes a liberdade individual de usufruirem os rendimentos do seu trabalho em favor da preguiça e da ingratidão. Como defendia John Osgood, a solução passaria por dois níveis de democracia, um deles apenas acessível a uma classe de homens e mulheres com o objectivo de garantir o cumprimento de algumas regras mínimas de concorrência numa economia liberta da teia de interesses do estado.

  15. Guillaume Tell

    “Só quem anda muitissimo distraido é que ainda não reparou que um país capitalista como os EUA ou o Japão têm deficits publicos há décadas, porque o sistema capitalista moderno só funciona com deficits que mantêm a procura num nivel elevado.”
    O que tem a ver a ligação entre “capitalismo” e défice? Quem é capitalista tem de ter necessariamente défices? Então como foi possível haver excedentes orçamentais nos anos 1950 e 1960? Como é possível que a Suiça, a Estónia ou a Finlândia tenham excedentes orçamentais desde 2000?

  16. #4. Hayek morreu com 93 anos. Escreveu o grosso da sua obra depois do New Deal. Sobreviveu a Keynes o tempo suficiente para, não sendo capaz de o refutar, colaborar activamente no seu saneamento político das universidades americanas e depois, mais eficientemente, das alemãs. Convidado por um dos irmãos Koch para colaborar num think tank, só aceitou (esta é impagável) depois de lhe ter sido garantido que beneficiaria da Segurança Social norte-americana. Recebeu em 1974 o Prémio da Economia em Memória de Nobel e ainda chegou a ser agraciado por Margaret Thatcher e George H. W. Bush.

    Sobre Mises ou Menger não escrevi nada e não percebo o que é que eles vêm aqui fazer.

  17. Miguel Noronha

    “Sobreviveu a Keynes o tempo suficiente para, não sendo capaz de o refutar, ”
    Presumo que já tenha lido os seus livros sobre o Austriam Bussiness Cycle Theory. Sabe quando foram escritos?

  18. Miguel Noronha

    “colaborar activamente no seu saneamento político das universidades americanas e depois”
    Desculpe? É capaz de elaborar um pouco mais sobre esse aspecto?

    “alemãs. Convidado por um dos irmãos Koch para colaborar num think tank, só aceitou (esta é impagável) depois de lhe ter sido garantido que beneficiaria da Segurança Social norte-americana.”
    Solicito notas bibliograficas sobre este pormenror.

  19. #20. Monetaristas, minarquistas, anarco-capitalistas… a inevitável e interminável proliferação de seitas em que se divide qualquer visão do mundo que não se fundamente em dados empíricos. Mas se ignorarmos, como merecem, as subtis diferenças teológicas que o dividem, o neoliberalismo define-se por um projecto que é claramente e exclusivamente político: redistribuir a riqueza de baixo para cima.

  20. Ricardo Campelo de Magalhães

    LOOOL
    No seu mundo ao contrário talvez.
    Para o resto das pessoas, SOCIALISMO redistribui, LIBERALISMO respeita quem justamente detém a propriedade.

  21. Ah… E quem é que decide que quem detém a propriedade a detém justamente? Os próprios detentores da propriedade, não é? Em causa própria, não é? Se tiverem esse poder, não é?

    A riqueza compra poder, que compra riqueza, que compra poder, e assim sucessivamente até ao infinito. O liberalismo não respeita nada, nem sequer a propriedade de quem não pertencer à tribo. Apenas dá poder a quem já o tem demasiado.

  22. Ricardo Campelo de Magalhães

    Quem trabalha fica com o resultado do seu trabalho.
    Que outro sistema é justo?!?

    Com que superioridade o José Luís determina cidadãos de 2ª (que trabalham para serem roubados e a verem a sua propriedade redistribuída pelos outros) e de 1ª (que não precisam de trabalhar para terem o que pretendem).
    O José Luís tem esse poder porquê?!?

  23. Miguel Noronha

    ” Monetaristas, minarquistas, anarco-capitalistas… ”
    Estou a ver que o Sr. José Luiz Sarmento continua sem produzir uma única fonte que comprova aquilo que afirma- Experimente ler as fontes originais e depois logo falamos. A ignorância não é desculpa para opinar sobre assuntos que não dominamos.

  24. Aladin

    Um dos eficazes recursos da retórica socialista é a invenção de termos que, por si só, definem de forma indiscutível o valor moral de questões complexas.
    Um desses termos é “neoliberal” que alcançou o estatuto supremo de Belzebu, responsável óbvio por todos os males do mundo.
    É pois com a maior naturalidade que todo e qualquer bicho careta, completamente ignorante do significado dos conceitos, veja em tudo o que de negativo se passa do mundo, a mão maligna do “neoliberalismo”.
    Desde Evo Morales ao Dr. Soares, passando por génios como Hugo Chavez, Zapatero, Amadinejad, Lula, Francisco Louçã ou Ana Gomes, o diagnóstico é unânime: a culpa (do que quer que seja) é do “neoliberalismo”.
    Para lá da escatologia, aquilo que esta gentuça prequiçosa chama de “neoliberalismo” são basicamente as prescrições do Consenso de Washington e estou em crer que, se as forem ler ( estão disponíveis na internet), só por casmurrice as rejeitarão.

    Bem, mas na novilíngua da esquerda, tudo isto é irrelevante. Os gatos convém que sejam pardos e os “neoliberais” dão um jeito do caraças para fazer o papel de bode expiatório da estupidez da esquerda, que necessita sempre de algo ou alguém a quem atribuir culpas cósmicas.
    E na dúvida aí vai disto.

  25. Paulo Pereira

    A definição mais simples para o neoliberalismo actual :

    – conjunto de ideias incoerentes sobre economia que em conjunto destroem o capitalismo moderno, porque promovem o desemprego elevado e a redução do consumo.

    – conclusão : o neoliberalismo não é liberal, é uma espécie de ideologia/crença pré-revolucionária

  26. Caro José Luis,

    Muito obrigado pelos seus comentários. São melhores argumentos do que eu poderia escrever para demonstrar a preguiça intelectual e teorias mirabolantes daqueles que usam o chavão “neoliberal” e tentam associa-lo a’O Insurgente.

    Bem haja!

  27. Paulo Pereira

    #16 “O que tem a ver a ligação entre “capitalismo” e défice? Quem é capitalista tem de ter necessariamente défices? Então como foi possível haver excedentes orçamentais nos anos 1950 e 1960? Como é possível que a Suiça, a Estónia ou a Finlândia tenham excedentes orçamentais desde 2000?”

    a) A ligação entre capitalismo e o deficit publico advém da necessidade do sistema capitalista moderno em ter crescimento do PIB continuo.
    Como a taxa de poupança é positiva , é necessário injectar continuamente procura adicional na economia.
    Como o investimento privado tem um peso cada vez menor no PIB só o deficit publico mantem o crescimento da procura.

    b) Sem deficits e com a produtividade elevadissima actual, a procura diminui, o desemprego aumenta e inicia-se um ciclo recessivo, amplificado pela contração do crédito.

    c) Nunca existiu nenhum periodo alongado no tempo de excedentes orçamentais na OCDE em geral, por exemplo nos EUA a divida publica é crescente desde 1947. Na OCDE a divida pública total é sempre crescente a partir de 1965.
    Não confundir o valor absoluta da divida com o racio divida / PIB.

    d) Há medida que o desemprego sobe o deficit sobe e há medida que o deficit comercial sobe o deficit sobe, por isso nos anos 50 e 60 o deficit era mais reduzido em geral ou mesmo excedentário em alguns casos.

    e) Podem existir países com excedentes publicos desde que outros tenham deficits suficientemente altos.

  28. – conjunto de ideias incoerentes sobre economia que em conjunto destroem o capitalismo moderno, porque promovem o desemprego elevado e a redução do consumo.

    1) Parece que então que Portugal é governado por neoliberais desde pelo menos 1910, mas especialmente desde 1974 😉
    2) Creio que o problema nesta afirmação está na definição de “capitalismo moderno”. A sua fixação com os défices como motor da economia como característica essencial desse “capitalismo moderno” é problemática pois encerra em si mesma uma incoerência…

  29. #24. “Quem trabalha fica com o resultaddo do seu trabalho.” Pois é precisamente isso que eu quero. E é precisamente isso que eu entendo que os neoliberais não querem. “Quem trabalha fica com o resultado do seu trabalho” significa que TODOS os que trabalham ficam com o resultado do seu trabalho. Significa que a distribuição dos resultados do trabalho deve ser equilibrada, sendo que a determinação do ponto de equilíbrio exige um consenso democrático e não pode ser imposta por nenhum poder privado. Significa que SÓ quem trabalha merece enriquecer, e que quem é rico tem consequentemente que justificar a sua riqueza: não basta dizer “sou rico porque trabalhei” e ficar muito ofendido se alguém duvidar. E significa que o imposto NÃO é um esbulho, mas sim o pagamento devido à sociedade pelas externalidades que ela proporciona, sem as quais o trabalho não seria sequer possível, e muito menos produtivo.

  30. E mais uma coisa: não acredito nem um bocadinho que os neoliberais defendam a propriedade privada. Invocam-na muito, mas esta invocação é uma das razões por que considero o neoliberalismo uma fraude intelectual. O que o neoliberalismo defende é a propriedade corporativa, que é uma coisa completamente diferente.

  31. Ricardo Campelo de Magalhães

    Liberais = cada um fica com o que produz
    Socialistas = cada um pede ao Estado o que quer (o Estado que vá extorquir a outros)

    Só para clarificar.

    PS: Hoje publiquei 2 posts bons para o José Luiz:
    – Filosofia da Liberdade
    – Stephan e 4 dos seus discursos
    Por favor veja os vídeos.

  32. Miguel Noronha

    Estou a ver que a noções de liberalismo do Sr. José Luiz Sarmento se limnitam a um livro que ele próprio escreveu.

  33. O problema do termo “neoliberal” é que se aplica a tudo, e consequentemente a nada. Para além disso, para que faça sentido existir um neo devem haver diferenças entre o neo e o clássico. Ora, não há praticamente diferenças políticas (e destaco o “políticas”) entre Hayek ou Friedman e Say, Bastiat, Locke ou Smith. Se, a meu ver, o termo neoliberal se poderia colar a alguém seria aos chamados “Liberal Democrats” ou ao New Labour, a chamada terceira via defendida por Giddens teoricamente e por Blair (ou Guterres!) politicamente. Aquilo a que gosto de chamar de Liberalismo da Liberdade Positiva,

  34. António Machado

    “Significa que a distribuição dos resultados do trabalho deve ser equilibrada, sendo que a determinação do ponto de equilíbrio exige um consenso democrático e não pode ser imposta por nenhum poder privado.”

    A distribuição dos resultados só pode ser decidida por quem detem os meios produtivos. Quem não acha a distribuição justa, tem a liberdade de ela própria empreender os seus meios produtivos e não aceitar trabalhar sob determinadas condições. Por isso os sindicatos, com as suas exigências acabaram por contribuir para fomentar gerações de gente amorfa, inculta e ociosa, bem como foram um dos principais culpados pela crise económica que hoje vivemos, juntamente com as políticas socialistas da esquerdalha que nos governou durante anos. No tempo de Salazar ninguem morria à fome e as finanças do estado estavam plenamente controladas. Porquê? Porque a distribuição era decidida por quem detinha a riqueza.

  35. # 34 Não escrevi livro nenhum sobre o assunto, mas li vários. A título de exemplo: Decline of the Public de David Marquand; The Great Transformation de Karl Polanyi, provavelmente “o” grande clássico da História Económica escrito no século XX; Debt: The Last 5,000 Years de David Graeber; The Terror of Neoliberalism de Henry A. Giroux; A Brief History of Neoliberalism de David Harvey; ou Freefall de Joseph Stiglitz. Mas além destes gostaria de mencionar dois que influenciaram muito particularmente o meu modo de pensar as relações entre a política, a economia, a propriedade privada e a propriedade corporativa: Leviathan de Thomas Hobbes, especialmente o Capítulo 13 da Parte 1; e The Wealth of Nations de Adam Smith, particularmente o Capítulo 1 do Livro V.

  36. # 36 Vê-se que não viveu no tempo de Salazar. Permita-me deixar de parte o grosso do seu comentário e apenas corrigir um erro factual: no tempo de Salazar a distribuição não era decidida por quem detinha a riqueza, mas sim por quem detinha o poder. Como sempre aconteceu em todas as sociedades humanas, sem excepção conhecida; e como julgo que sempre acontecerá.

  37. Miguel Noronha

    “# 34 Não escrevi livro nenhum sobre o assunto,”´
    Estou a ver que não leu nada de Hayek ou Friedman. É natural que faça esse tipo de confusões. Mas isso resolve-se desde que haja vontade.

  38. Miguel Noronha

    “no tempo de Salazar a distribuição não era decidida por quem detinha a riqueza, mas sim por quem detinha o poder. ”
    Eu que estudei esses temas posso até acrescentar que a condicionamento industrial tem os seus seguidores na actualidade. Nomeadamente em todos aqueles que pretendem limitar a concorrância por via administrativa procurando regulamentar tudo aquilo que se move e impodondo mil e um licenciamento, taxas e autorizações. Nada mais iliberal.

  39. # 35 É claro que há uma diferença fundamental entre o Liberalismo do século XIX e o neoliberalismo do século XX. O primeiro era o “estado da arte”: representava o melhor do que os seus autores, muitos deles brilhantes, eram capazes com base nos dados empíricos de que dispunham ou, na falta destes, nas conjecturas mais plausíveis que podiam propor. O segundo foi e é uma fraude, uma “teoria” fabricada por encomenda para fazer regressar a Economia Política a um estádio anterior ao “estado da arte” (que era e ainda é a teoria keynesiana) de modo a fundamentar ideologicamente opções políticas previamente decididas em benefício de interesses particulares.

  40. Miguel Noronha

    E já que fala na concunbinato entre política e negócios, verifica-se empiracamente que quanto maior p poder discricionário e a dimensão do estado maior é o tráfego de políticos mais ou menos reformados para os conselhos de administração. Quem é que se vai esforçar para ser competitivo quando basta contratar alguém com uma boa agenda de contactos? É muitissimo mais fácil. O estranho é que os que rasgam as vestes contra estas vergonhas pretendem qua solução é aumentar o poder discricionário do estado. Sí vai ajudar à perpetuação do status quo. Mas já desisti de procurar encontar coerência nas propostas dessa gente.

  41. # 39 De facto, não li nada de Hayek ou Friedman. De Hayek talvez ainda venha a ler alguma coisa: encoraja-me a isso o facto de a insistência de alguns neoliberais me ter levado a ler Adam Smith e de ter dado esse tempo por bem empregue. De Friedman, é pouco provável: acho quer nada do que ele escreveu pode falar mais alto que os seus actos.

  42. Miguel Noronha

    “regressar a Economia Política a um estádio anterior ao “estado da arte” (que era e ainda é a teoria keynesiana)”
    O Sr. José Luiz Sarmento anda um bocadito desactualizado. Não é verdade? Keynes já foi refutado n vezes e estudo sobre o que se pensava ser o grande sucesso das suas teses (o “new deal”) revelaram o desastre das impementação das políticas keynesianas.

  43. Miguel Noronha

    “# 39 De facto, não li nada de Hayek ou Friedman.”
    Eu também estava a estranhar a demora em produzir pelo menos uma citação que validasse as suas curiosas teses

  44. # 42 Eu não rasgo as vestes contra o concubinato entre política e negócios. Estou convencido que ele é inerente à natureza humana. Pode ser reduzido, mas nunca eliminado; e o melhor regime para o reduzir é a democracia.

    Quem adquire riqueza tenta inevitavelmente tentar trocá-la por poder político, que vai utilizar para condicionar os mercados. E quem adquire poder político vai inevitavelmente tentar trocá-lo por riqueza, que vai utilizar para condicionar a política. Basta isto para concluir que os mercados totalmente livres, ou predominantemente livres, são uma utopia das elites académicas cuja realização nunca será permitida, nem pelas massas, nem pelas elites políticas e económicas.

  45. “para que faça sentido existir um neo devem haver diferenças entre o neo e o clássico”

    Não necessariamente – acho que em politica o sufixo “neo” é muitas vezes usado simplesmente para indicar que estamos a falar dos “novos” defensores de uma ideologia “velha” (e que teve o seu auge no passado); p.ex., palavras como “neofascista” não têm o significado de defensores de um fascismo diferente do “antigo”, mas apenas de defensores de um “novo fascismo” num sentido puramente cronológico (a ser posto em prática no século XXI em vez de nos anos 20-30 do século XX); o mesmo para “neonazi”, “neoestalinista”, talvez “neogaullista”, etc. (mudando da politica para a religião, “neopaganismo” tem por vezes um uso parecido; quando se diz que alguma seita é neopagã, penso que a ideia não é dizer que a sua doutrina é diferente da dos antigos gregos/romanos/celtas/germanos/fineses/etc., mas sim apenas dizer que pretendem ressuscitar religiões antigas)

    De qualquer forma, temos aqui um exemplo de “anti-neoliberais” explicitando o que acham ser as diferenças entre o “neoliberalismo” e o “liberalismo”, embora eu acho que o uso que eles dão ao termo “neoliberal” corre o risco de o tornar vazio de sentido (e duvido que Hayek, Ayn Rand ou até Friedman tenham algo a ver com isso):

    http://ventosueste.blogspot.pt/2008/07/problema-de-terminologia.html

  46. Miguel Noronha

    Mas pode ser minorado eliminando as oportunidades para esse “concubinato” ocorrer. Criticá-lo e querer aumentar o poder e a dimensão do estado é que não faz sentido nenhum. Quem advoga essas políticas é que está a suportar o corporativismo. Não é por acaso que as empresas menos competitivas, aquelas que se diz beneficarem das tristemente famosas “rendas” e que têm mais políticos nos seus orgãos sociais são precisamenete as que funcionam nos sectores mais regulados e/ou cujo principal cliente é o estado.

  47. # 44. Keynes não é deus, e virá certamente o dia em que será refutado. Mas a ideia de que já o foi, e ainda por cima n vezes, é puro wishful thinking. E um grande atrevimento da parte de quem anunciou tê-lo feito. As oligarquias que o odeiam vão acabar por chamar por ele quando virem que não têm outra forma de sair do sarilho em que se meteram e nos meteram.

  48. Miguel Noronha

    “# 44. Keynes não é deus, e virá certamente o dia em que será refutado. ”
    Oh Sr. José Luiz Sarmento. Não vá mais longe. Veja aqui.

    Mas vejo que os seus conhecimentos de economia são superiores aos meus.

    ADENDA: Em versão resumida e menos técnica aqui.

  49. Miguel Noronha

    ” E um grande atrevimento da parte de quem anunciou tê-lo feito. ”
    Há verdades que não podem ser reveladas.

    “As oligarquias que o odeiam vão acabar por chamar por ele quando virem que não têm outra forma de sair do sarilho em que se meteram e nos meteram.”
    Ou então chamam o Sr. José Luiz Sarmento.

  50. #48. Não me parece que haja muita gente à esquerda que queira necessariamente aumentar o poder e a dimensão do Estado. Nem que queira necessariamente o contrário. Basicamente, a questão é irrelevante. Um Estado ao serviço da res publica até talvez pudesse ser mais pequeno que um Estado ao serviço da oligarquia. O Estado tem aumentado em poder e dimensão por duas razões, uma de ordem política e outra de ordem material. A de ordem política é a vontade das elites (com excepção de alguns sectores académicos). A de ordem material é a crescente complexidade da vida em sociedade: construir um aeroporto no século XXI é muito mais caro, e muito mais impactante do ponto de vista das externalidades, do que construir uma estação de muda para as diligências do século XVIII.

  51. Miguel Noronha

    “Não me parece que haja muita gente à esquerda que queira necessariamente aumentar o poder e a dimensão do Estado.”
    É verdade. O “slogan” da esquerda é “menos estado”. Basta ver os programas e as propostas de todos os partidos. Do BE ao PNR.

  52. # 50. Fui aos seus links. Encontrei o bullshit típico de quem sabe muito de economia e nada de mais nada. Gostei particularmente desta resposta:

    “The argument that the New Deal’s efforts ‘perhaps had prolonged the Depression,’ is likewise a canard. One would be very hard-pressed to find a serious professional historian–I mean a serious historian, not a think-tank wanker, not an economist, not a journalist–who believes that the New Deal prolonged the Depression.

  53. Li um bocado por alto o primeiro link, mas à primeira vista não me parece que refute o que eu penso que seja o keynesianismo (na verdade, a teoria dada para a Grande Depressão – causada por uma contração da oferta de moeda – não sendo especificamente keynesiana – afinal, é a teoria do Friedman – parece bastante compatível com o modelo económico keynesiano, até porque me parece difícil concebermos uma maneira de economia funcionar em que estímulos monetários funcionem mas estímulos fiscais não).

    A impressão que me dá (repetindo que li o link por alto) é que o que autor responsabiliza no New Deal pela continuação da crise não é propriamente a parte keynesiana (o recurso aos deficits para estimular a procura), mas a parte “corporativista” da cartelização forçada.

    Agora, um ponto – nunca li Keynes nem Milton Friedman (neste vi um pouco da série); li um pouco de Hayek e de David Friedman. Desta forma, quando falo em “keynesianismo” refiro-me, fundamentalmente, ao modelo macro-económico que vem no livro do Samulson, não ao que Keynes exactamente defendeu (porque não o conheço em primeira mão). Assim, embora ali em cima eu escreva «o que autor responsabiliza no New Deal pela continuação da crise não é propriamente a parte keynesiana (o recurso aos deficits para estimular a procura), mas a parte “corporativista” da cartelização forçada», é verdade que não faço ideia qual a posição de Keynes sobre tais cartelizações forçadas (tenho a ideia que, na micro-economia, ele era essencialmente um liberal, mas posso estar enganado).

  54. Miguel Noronha

    É curioso esse comentário. Especialmente porque se refer a um estudo académico. É a típica refutação de quem não consegue refutar os dados apresentados. Puramente baseada na retórica.

  55. # 53. Tem razão numa coisa: “menos estado” é um slogan da direita. Claro que entre um slogan e um programa político há todo um mundo de diferença. E porque é que deveria ser um slogan da esquerda se para ela a questão é, como escrevi acima, basicamente indiferente?

  56. «É verdade. O “slogan” da esquerda é “menos estado”»

    Mas também não é “mais”.

    Aliás, duvido que haja alguém que defenda “mais Estado” por uma questão de principio – há pessoas que querem reduzir o Estado por principio, e pessoas que querem usar o Estado para atingir certos objectivos (e que defenderão o aumento do Estado se isso levar a esses objectivos), mas duvido muito que haja defensores do Estado por principio (quem defende mais Estado para atingir um certo objectivo – p.ex., para limitar a imigração ou promover leis anti-discriminação – provavelmente até prefirirá “menos Estado” do que mais Estado a promover o objectivo contrário)

  57. Não precisamos de “mais Estado” nem de “menos Estado”. Precisamos dum Estado dimensionado pragmatica e politicamente, isto é: de acordo, por um lado, com a complexidade da sociedade actual, e por outro lado com a vontade do Soberano. Só isto, e já não é fácil, dado que os dois critérios nem sempre podem ser conciliados. O que é facto é que não vejo ninguém a clamar directamente por “mais Estado”, mas sim indirectamente por acções do Estado que resultariam, segundo a direita, no seu crescimento. Já no plano inverso não posso dizer o mesmo: vejo a direita clamar por “menos Estado” (a académica sinceramente, a oligárquica com reserva mental), como se a dimensão do Estado fosse um problema e a sua redução um fim em si mesma.

  58. Miguel Noronha

    “E porque é que deveria ser um slogan da esquerda ”
    Pois é. O coroporativismo está à esquerda, QED.

  59. # 60 O corporativismo está à esquerda? Que corporativismo? O das grandes corporações económicas de responsabilidade limitada, que Adam Smith queria ver autorizadas só em casos raros, e mesmo assim controladas muito de perto pela autoridade pública, porque as considerava uma ameaça à liberdade económica das pessoas naturais?

  60. Paulo Pereira

    #30 ” 1) Parece que então que Portugal é governado por neoliberais desde pelo menos 1910, mas especialmente desde 1974
    2) Creio que o problema nesta afirmação está na definição de “capitalismo moderno”. A sua fixação com os défices como motor da economia como característica essencial desse “capitalismo moderno” é problemática pois encerra em si mesma uma incoerência…

    a) Como se pode verificar Portugal pelo sindicadores de crescimento económico tem sido mal governado desde antes de 1910. Em termos económicos talvez as épocas de 1955 a 1974 e de 1983 a 1990 tenham sido as poucas com alguma inteligência de governação.

    b) O capitalismo moderno depende de um crescimento do PIB continuo, senão colapsa rapidamente.
    Para isso precisa de deficits continuos que mantenham a procura agregada elevada.

    c) Como se comprova pelas ultimas decadas , deficits continuos não induzem uma inflação elevada.

  61. António Machado

    O principal problema de Portugal é a gigantesca dimensão do Estado, que asfixia a economia e a sociedade, fruto do despesismo incontrolado, da ausência de uma estratégia lógica, racional e coerente em relação à Função Pública e de um Sistema Fiscal inconsequente, que apenas combate os efeitos, agredindo os cidadãos, e não consegue erradicar as causas da fraude e evasão.

  62. Paulo Pereira

    Sobre a ideia de que Keynes , ou mais precisamente a sua Teoria Geral macroeconómica, foi desmentida inumeras vezes, é uma afirmação falsa.

    Todas as recessões confirmam que o investimento privado tem uma queda brusca e o consumo reduz mais do que o derivado ao desemprego inicial. Numa economia com crédito este ciclo inicial reforça-se e entra-se numa recessão mais profunda.

    Aliás Hayek chega a admitir que o estado pode intervir para minimizar ou evitar a recessão secundária, já que o sector privado por si só não consegue parar uma recessão secundária.

    A Hipotese das Expectativas Racionais falha sempre nas recessões , mas apesar disso é o dogma central do actual neoliberalismo, e grande parte da comunidade austriaca rejeita essa hipotese. Isto sem ter em conta a parvoice que trata a moeda-fiat como se não existisse.

    A ideia difundida que Keynes e a TG não foram capazes de prever a inflação dos anos 70 é uma ideia falsa, pois Keynes já tinha alertado que num regime de baixo desemprego a tendência natural seria para o acelerar da inflação, pelo que se deveriam ter mecanismos para evitar o descontrolo.

    Mas a TG , nunca falsificada, apenas quer provar que num sistema capitalista o estádio natural sem intervenção do estado é de desemprego elevado, dado que o sector privado é naturalmente e logicamente pro-ciclico.

  63. Miguel Noronha

    “60 O corporativismo está à esquerda? Que corporativismo? ”
    Os que cresceram graças aaos favores do estado. Os que beneficiaram dos negócios dos governos de esquerda.

  64. Miguel Noronha

    “mas não há quem o queira aumentar por princípio”
    Então quando reindivicam mais poder para o estado, maior intervenção estatal, nacionalizações estão a pedir o quê? Para reduzir o estado? Quem diria.

  65. Nunca vi ninguém pedir mais poder em geral para o Estado; o que já vi pedir foi mais poderes específicos. Nunca ouvi pedir mais intervenção estatal em geral; o que ouvi pedir foi mais intervenção em condições particulares. Há muito tempo que não ouço ninguém pedir nacionalizações como norma geral e abstracta; o que tenho ouvido pedir são nacionalizações concretas com justificações concretas. A guerra dos neoliberais pode ser anti-estatista, mas que eu saiba não existem no mundo estatistas contra quem a possam fazer. No entanto, se sabe de algum intelectual público que seja estatista por princípio, faça favor de mo indicar. Será por certo uma leitura interessante.

  66. Miguel Noronha

    Fatrtei.me de rir com o seu comentário. Portanto admite que pedem mais poderes, intervenções e nacionalizações. Mas como são “especóficos” não conta. Quanto a polítios estatistas, têm-nos às carradas na extrema-esquerda (BE e PCP ou outros grupelos menores), PS, PNR. E mesmo no PSD e CDS-

  67. Miguel Noronha

    “Miguel, qual é a palavra que você não entende na expressão “por princípio”?”
    O Sr. José Luiz Sarmento é que se está a fazer de desentendido. Isso não lhe fica nada bem

  68. Vou tentar explicar outra vez. Não conheço ninguém, à direita ou à esquerda, que defenda o crescimento do Estado por princípio. Conheço, sim, quem defenda políticas que podem levar (ou não) ao crescimento do Estado; e isto é decisivamente diferente, como até você compreenderá se quiser, de querer o crescimento do Estado por si mesmo.

    Mas do outro lado conheço quem defenda por princípio a diminuição do Estado. E “por princípio” quer dizer, neste caso, “sejam quais forem as consequências”. A este tipo de atitude chama-se, em bom rigor, fundamentalismo.

    A maior ou menor dimensão do Estado interessa pouco às pessoas sãs e normais: tudo o que querem é que essa dimensão seja adequada. Adequada ao estádio actual do desenvolvimento tecnológico, e adequada sobretudo à vontade actual do Soberano. Se desta adequação resultar um Estado maior, tudo bem. Se resultar um Estado mais pequeno, tudo bem na mesma. As pessoas sãs e normais não têm desses fetiches.

    É natural e humano que você, que tem o fetiche do Estado mínimo, acredite que os outros têm o fetiche do estado máximo. Natural e humano, mas errado. O problema com os fetiches é ficarem eternamente insatisfeitos. Se a dimensão do Estado, tal como resulta da natureza das coisas e/ou da vontade do Soberano, é superior à das suas fantasias, tough shit. O que é, é, e o que tem de ser tem muita força.

  69. Fernando S

    José Luiz Sarmento Ferreira : “Não conheço ninguém, à direita ou à esquerda, que defenda o crescimento do Estado por princípio. … conheço quem defenda por princípio a diminuição do Estado. E “por princípio” quer dizer, neste caso, “sejam quais forem as consequências”.

    “Por principio” … no sentido de “sejam quais forem as consequências”… não conheço ninguém que diga explicitamente que é favor do crescimento ou da diminuição do Estado. Seria uma provocação absurda !
    Claro que estamos a falar da dimensão global do Estado e não de sectores especificos em que pontualmente cada um até pode aceitar ajustes em sentido contrario.

    Claro conheço quem acha que a dimensão actual do Estado é adequada (não deve ser reduzida) ou até que deveria ser aumentada (mais nacionalizações, mais serviços publicos, mais impostos, mais despesas, mais Estado Social, mais subsidios, etc), naturalmente por considerar que as consequencias seriam positivas.
    Apesar do discurso pretensamente neutro e pragamatico (e eventualmente algo hipocrita), fico com a ideia de que o José Luis Sarmento Ferreira é provavelmente uma destas pessoas.
    Posso estar enganado, naturalmente. Mas então não percebo o sectarismo unilateralmente anti-liberal que manifestou nos comentarios.

    Como também conheço quem defenda a diminuição da dimensão do Estado por achar que globalmente ela não é actualmente adequada resultando dai consequencias negativas. Em termos da eficiencia economica e da liberdade individual.
    Tenho também esta perspectiva !
    Mas claro que existem diferenças quanto à importancia, ao ritmo, às modalidades, e às areas, em que essa diminuição deve e pode acontecer.
    Estranho que o José Luis Sarmento Ferreira desconheça a existencia desta dimensão do liberalismo.

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