Não há cravos no Mississipi, a crónica de Alberto Gonçalves.
Em Nova Iorque, não vi sinal das multidões que há tempos ocupavam Wall Street. Em compensação, vi pequenas manifestações avulsas, focadas em questões específicas e mais reveladoras daquilo que as multidões de facto pretendem. Uma das manifestações, à porta de um hotel próximo da Avenida Lexington, contestava a “cobiça empresarial” das companhias estrangeiras que vêm para os EUA e apenas empregam imigrantes. Não falha: devidamente esmiuçadas, as turbulências em prol da fraternidade universal depressa descobrem a verdadeira face. Em Portugal, o lindo movimento da Fontinha, vulgo Es.Col.A, destinava-se a ensinar matemática às criancinhas. Num instante, resvalou para sessões de hip-hop e evangelização ideológica e hoje, a propósito da evacuação decretada pela autarquia, caiu no fatal combate à liberdade. No Facebook, um entusiasta do movimento clamava pela necessidade de se reabilitar “Che” Guevara e abolir a democracia. É escusado limitarmo-nos aos proverbiais anos 1930: a História está repleta de brincadeiras que começaram assim. E não terminaram bem.
Nunca perdem os tiques totalitários. E em tanto apoiante não aprece um que ofereça uma garagem, um apartamento um armazém para satisfazer esta turba de ignorantes.