Donos de Portugal

Acabo de assitir ao documentário “Donos de Portugal”. Faço questão de deixar umas breves notas.

1 – Visão tendenciosa acompanhada pelos dois únicos entrevistados: um historiador do Bloco e um economista da CGTP.

2 – Apesar do comentário tendencioso, a evolução do grande capital e das suas relações com o Estado é bem acompanhada pelo documentário, o que o chega a tornar interessante e informativo.

3 – Ironicamente demonstra as consequências nefastas da intervenção do Estado na Economia.

4- Nos últimos 5 minutos acaba o documentário e começa um manifesto político.

9 pensamentos sobre “Donos de Portugal

  1. Andre

    Obrigado pelo Post. Estou actualmente em exílio nos EUA, onde procuro obter o estatuto de refugiado (até agora sem sucesso) com o argumento de que se regressar a Portugal vou ser vítima de perseguição fiscal.
    Isto tudo para dizer que não tive oportunidade de ver este documentário na televisão e por isso o link foi bastante útil.
    Parece-me que está bem feito, assente em factos ainda que alguns destes estejam desactualizados (Amorim vendeu a Amorin imobiliária, pelo que ele já não é o maior senhorio de Lisboa, como se diz no documentário). Como sempre neste tipo de “documentário” associa ideias ao apresentá-las sequencialmente, sem que no entanto estas estejam ligadas por nexos de causalidade: O Elias da Costa, o Santos Ferreira, Paulo Teixeira Pinto e outros da mesma categoria dificilmente podem ser considerados donos do que quer que seja…
    Critica a intervenção do Estado na economia, mas depois lamentam a perda de receitas de empresas públicas.
    Não subscrevendo minimamente a ideologia dos autores, penso que a iniciativa é louvável porque ilustra um problema sério, talvez até o maior problema, de Portugal: a captura do orçamento de Estado por grupos de interesse. O documentário falou de um tipo de grupo, o familiar, mas seria interessante fazer uma análise semelhante usando partidos.

    Quanto a pormenores:
    1. Algumas injustiças pelo caminho, ao nomear figuras menores na narrativa e dar-lhes importnância que não têem (como Paulo Teixeira Pinto).
    2. A certa altura, diz que a placa rotativa entre política e empresas afecta sobretudo o PSD. Acredito que em número de políticos que passam para o sector privado, possa ser verdade, mas em valor dos negócios duvido. No CV do PS está: aeroporto de Macau, SCUTS, privatização da PT, EDP, GALP (incluindo os negócios com a Petrocontrol e ENI) e vários outros de que me esqueço.
    3. Curiosamente, não refere uma única vez negócios como o monopólio do jogo e aposta da Estoril Sol, o monopólio da SDM em Macau.
    4. Não contrasta a compra das participações estrangeiras na BRISA, TLP, e outras empresas minoritárias na CUF e outros grupos nacionalizados, e sobretudo o o preço pago aos estrangeiros nessa ocasião com o preço pago às famílias expropriadas. Talvez assim se perceba que os “favores” nas indemnizações pagas 20 anos depois e privatizações não foram mais do que uma forma pouco transparente de rectificar um abuso da abrilada.
    6. Finalmente, ignoram o peso relativo das empresas referidas no documentário no PIB protuguês. Seria interessante estudar o peso destes grupos em percentagem do PIB entre 1950-60 ou até 60-70 e na década 2000-2010.

  2. Miguel C.

    Afinal de que se queixam? “para quem contrata a influencia politica é o activo mais desejado”
    Não, num pode.

  3. Pingback: A “solução” esquerdista para a captura do estado « O Insurgente

  4. O disparate é generalizado.

    A história é reescrita. Exemplifica-se desta forma:

    Salazar nada permitia que fosse feito sem passar pelo sei crivo. Avesso ao desenvolvimento industrial, não confiava nos industriais ou investidores e nada se fazia sem a sua aprovação.

    No videograma é dito o que afirmei mas depois conclui o contrário do óbvio: os industriais gozavam da protecção do estado.

    Repare-se, os industriais e investidores têm que aturar Salazar que os atrapalha constantemente para, exactamente, poder puxar todos os cordelinhos. Os cordelinhos que o estado mantém sobre as empresas são o pecado delas porque mantêm uma ligação ao estado. Pura desonestidade intelectual.

    Muitos anos depois Sócrates volta tentar implementar o mais possível os mesmos intentos de Salazar estendendo os tentáculos do estado às empresas (não consegue legalmente aprovar ou não a sua existência mas controla os negócios criando concorrência desleal via apoios do Estado – as chamadas empresas de regime) resultando nas encrencas em que nos afogamos hoje.

    Conheço bastante bem o caso de dos exemplos dados no vídeo.

    António Champalimaud queria instalar uma siderurgia e, para esse efeito, tinha incontornavelmente que passar por Salazar.

    Salazar obstaculizou a torto e direito inclusivamente tentando que a siderurgia fosse construída em locais que não lembrava nem ao diabo. Salazar estava convencido que a siderurgia podia trabalhar a partir de matéria prima portuguesa (diziam-lhe que havia minério algures) mas Champalimaud sabia que não e precisava que ela ficasse instalada junto ao mar (onde acabou por ficar, no Seixal).

    O vídeo conclui que Chapalimaud procurou o estado para efeitos de monopólio!

    … assim se faz propaganda, generalizada, pegando na história e reescrevendo-a para diabolizar o capital. O que se pretende neste filme é dizer que os capitalistas de hoje procuram o estado, subvertem o estado sem que a responsabilidade não seja do estado e dos governantes que elegemos.

    O que se pretende é fazer crer que a responsabilidade deve ser reclamada junto do capital e não em quem votamos e nos represente.

    O vídeo é uma forma de menorização da democracia que a esquerdalha em geral tolera mas a que chama de burguesa (o ódio à burguesia) apenas enquanto a não conseguir abocanhar e digerir.

  5. Pingback: Os Donos da Propaganda | Aventar

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