Gostava imenso de saber onde estava esta gente enquanto nos endividávamos à bruta.

Estive a ver o discurso de Vasco Lourenço. Não tenho por hábito perder tempo com discursos ou com estes personagens mas este pareceu-me tão delirante que me apeteceu ouvi-lo na integra. Tenho pena de não o ter gravado para mais tarde enumerar as barbaridades.

ADENDA: Para os que dúvidam da trajectória do endividamento público português convido-os a ver esta página. (com agredicimentos ao Jorge Costa)

29 pensamentos sobre “Gostava imenso de saber onde estava esta gente enquanto nos endividávamos à bruta.

  1. rr

    A divida privada é muito maior e mais grave que a publica.E esta até 2008, estava na media da uniao europeia

  2. Miguel Noronha

    Bravo. E isso significa o quê?
    1. Que o nível de endividamento público era baixo?
    2. Que o nível de endividamento público não esteve sempre a crescer?
    3. Que o serviço da dívida pública é baixo e comportável?
    4. Que não vivemos acima das nossas possibilidades?

  3. lucklucky

    “A divida privada é muito maior e mais grave que a publica.”

    Mais grave porquê?

    “E esta até 2008, estava na media da uniao europeia”

    E? só foi possível de atingir com constantes aumentos de impostos. Mas nem assim. Ou seja no topo da bolha da expansão – o período mais favorável- a dívida já estava fora do limite do valor com que o Regime(chamo regime porque o PSD, PS e CDS estiveram de acordo) se tinha comprometido.

  4. Ouvi o discurso. E se dizer que a pobreza está a aumentar, que os sucessivos governos desbarataram dinheiro à grande e à franceza e que fazem agora os portugueses pagaram pelo que não gastaram e ainda por cima pagarem de forma desigual, onde os mais fragilizados são os que estão a pagar a factura, enquanto milhões da troika vêm para socorrer bancos (alguns dos quais nos meteram ainda mais nesta situação), que o desemprego sobe enquanto a protecção social desce, que o acesso à saúde é cada vez mais dificil, que o ter o pão na mesa está a caminho de ser um luxo de poucos, que vivemos numa falsa democracia onde o que se vende nas campanhas eleitorais NADA corresponde ao que realmente fazem, etc, etc. Se dizer que os ideais de Abril (os quais permitem que hoje se digam todo o tipo de barbaridades) estão em perigo e que os nossos governantes já nem a constituição respeitam, se dizer que temos que tentar salvar um estado social que nos proteja, termos direitos como a liberdade de expressão, saúde, educação e justiça para todos é dizer barbaridades, meu caro amigo, você não sabe nada do que significa esta data. Já nem falo na corrupção, nas PPPs, nos elefantes brancos… e na pouca vontade dos nossos governantes em acabar com isso. É mais facil bater no pequeno. E isso não é de um estado corajoso. É de um estado cobarde!!!

  5. Miguel Noronha

    “onde os mais fragilizados são os que estão a pagar a factura”
    Em que é que se baseia para afirmar isso?

    “o desemprego sobe enquanto a protecção social desce, que o acesso à saúde é cada vez mais dificil,
    Penso que já deve ter ouvido dizer que o estado está falido. Se não quer reduzir a despesa tem de aumentar os impostos. De forma considerável.

    “Se dizer que os ideais de Abril (os quais permitem que hoje se digam todo o tipo de barbaridades) estão em perigo ”
    Quais são os “ideiais de Abril” que estão em perigo?

    “você não sabe nada do que significa esta data.”
    O golpe de 1974 fez-se para dar a liberade de expressão e escolha aos portugueses ou para impor um estadp social?

  6. O endividamento público vai continuar a aumentar. As autarquias já deram a volta ao texto da LCPA, vão conseguir o resgate e daqui por 3 ou 4 anos vão dever o dobro do que devem hoje. Ninguém pára os autarcas!!!!

  7. Quando para se reduzir um deficit se recorre à redução de pensões, ao fim de comparticipações nos medicamentos, ao aumento brutal do IVA nos bens essenciais, ao aumento escandaloso dos transportes públicos, às taxas moderadoras incomportáveis por grande parte dos cidadãos, etc, etc, digam-me que mais sente na pele. Garantidamente não são os mais ricos.

    “Penso que já deve ter ouvido dizer que o estado está falido. Se não quer reduzir a despesa tem de aumentar os impostos. De forma considerável.” Disse muito bem, reduzir a despesa. Já leu o ultimo balanço da execução orçamental? É mandar gente para o desemprego que faz reduzir a despesa? Ou aumentar vergonhosamente os impostos que faz aumentar a receita? Os numeros dizem o contrário! Na verdade reduz-se a despesa apenas e só nos direitos de quem trabalha, nas migalhas dadas à maioria dos reformados. Aí sim, são muito rápidos a reduzir a despesa. Já renegociariam as PPPs? Claro que não.

    Ideiais de Abril além do direito à democracia é também o direito aos portugueses terem os mais elementares direitos sociais. Não esteve apenas em causa a democracia ou a guerra. O estado social foi uma conquista feita depois do 25 de Abril. Mas sem ele (a tal data que muitos abominam) essas conquistam nunca teriam acontecido. E isto parece-me claro, não?

  8. Miguel Noronha

    “Garantidamente não são os mais ricos.”
    Está portanto a dizer que “os ricos” no consomem produtos essenciais, não recorrem aos serviços públicos de saúde, não andam de transportes públicos, não compram medicamentos e não usufruem de pensões do sistem públicos? Se for esse o caso ou não vivem em Portugal ou não constituem parte do problems do agravamento da despesa pública.

    “leu o ultimo balanço da execução orçamental?”
    Existe uma certa inércia na redução da despesa mas concordo que se deve cortar muitissimo mais.

    “Ou aumentar vergonhosamente os impostos que faz aumentar a receita?”
    Está a falar nas empresas privadas ou na função pública. Se for o segundo caso, faz. Os salários dos funcionários públicos são despesa pública pura.

    “Ou aumentar vergonhosamente os impostos que faz aumentar a receita? ”
    Também é adepto da curva de Laffer? Parabéns. Também concordo que a solução não é aumentar mas sim reduzir os impostos. È claro que isto implica enormes cortes na despesa pública. Por mim, tudo bem.

    “Na verdade reduz-se a despesa apenas e só nos direitos de quem trabalha, nas migalhas dadas à maioria dos reformados.”
    Há muito mais a fazer mas a reforma do mercado laboral e do sistema de pensões é absolutamente necessária se queremos voltar a ter crescimento económico. E empregos!

  9. Miguel Noronha

    “…os mais elementares direitos sociais.”
    Quais são eles?

    “O estado social foi uma conquista feita depois do 25 de Abril.Mas sem ele (a tal data que muitos abominam) essas conquistam nunca teriam acontecido. ”
    Erradp. Muito foi feitó após 1974 mas quem o começa a construir foi Marcello Caetano. E no programa inicial do MFA não havia qualquer referência ao estado social.

    “E isto parece-me claro, não?”
    Como atrás ficou exposto, claro que não.

  10. Miguel Noronha

    E mais um pormenor. Mesmo que os ideias originais do 25 de Abril contivessem um programa económico nada garantia a sua exequibilidade ou sustentabilidade (como é o caso so ambicionado “estado social”). E ligar a democracia ao estado social é perigoso. Se o segundo falhar (como estamos a assistir por todo o lado) significa que a democracia falhou? Eu acho que não mas quem insiste na ligação umbilical deve tirar as suas ilações.

  11. No que diz respeito aos bens essenciais quero dizer que proporcionalmente fazem mais mossa àqueles que menos têm. Por isso, esse jogo de palavras não pega. E isso serve para os transportes publicos e medicamentos e o que mais desejar. Se bem que também têm a alternativa de usarem os seus bons carros, ou ir ao sistema privado de saúde ou ao estrangeiro como muitos fazem. Mas não sou contra que o possam fazer. Estão no seu direito. Preocupa-me são aqueles que nem ao publico podem ir, ou não têm outro remedio se não dar balurdios por um passe social.

    Reafirmo que no conserne à despesa há muito por fazer e que se corta demais onde nesta fase não se devia cortar tanto. Faz-se isso quando o país está em alta e o povo consegue suportar as reformas sejam elas quais forem.

    Em relação às reformas laborais só lamento que as ditas reformas apenas se tentem aproximar da média da europa nos aspectos negativos. Ou seja, compara-se o incomparável já que os aspectos positivos nem covém falar-se neles.

    O estado social como conhecemos é uma conquista de abril. Marcello deu passos importantes sim mas foram muito ténues como sabe.

  12. Miguel Noronha

    “No que diz respeito aos bens essenciais quero dizer que proporcionalmente fazem mais mossa àqueles que menos têm. Por isso, esse jogo de palavras não pega.”
    Mas “os ricos” também consumirão mais bens considerados de luxo e que já eram taxados à taxa máxima pelo que a sua contribuição já seria superior.

    “Mas não sou contra que o possam fazer. Estão no seu direito”
    Ainda bem. E estão no seu direito de pagar pelos outros.

    “Marcello deu passos importantes sim mas foram muito ténues como sabe.”
    Ele também não teve muito tempo para por em prática o seu progrma socialista e tinha a guerra no Ultramar que consumia metade do orçamento.

    “Reafirmo que no conserne à despesa há muito por fazer”
    Onde?

    “apenas se tentem aproximar da média da europa nos aspectos negativos”
    QUais são os positivos?

    ” estado social como conhecemos é uma conquista de abril”
    Errado. Foram dos governos após 1974. A democracia tem a ver com a possibilidade de escolha e não com uma escolha determinada.

  13. lucklucky

    “Quando para se reduzir um deficit se recorre à redução de pensões, ao fim de comparticipações nos medicamentos, ao aumento brutal do IVA nos bens essenciais, ao aumento escandaloso dos transportes públicos, às taxas moderadoras incomportáveis por grande parte dos cidadãos”

    Ou seja, Sócrates foi um grande PM( e já agora o PSD etc todos compraram votos com dinheiro da dívida), a Dívida, os Mercados, as Agências de Rating são essenciais ao bem estar dos portugueses uma vez que Portugal não pode viver sem pedir emprestado 10% do que gasta – como este Governo só está a cortar para 5%-6 de défice suponho que não esteja contente com esses valores e o défice para ficar ao seu gosto tem de ser bem maior.

    Uma nota, 10% de défice que dizer que quase 20% do ordenado e das pensões e o orçamento de cada ministério ou departamento do Estado é pedido emprestado.

  14. lucklucky

    ” estado social como conhecemos é uma conquista de abril”

    Ou seja Abril é uma Ditadura. Quem não quiser não tem liberdade.

  15. Luckylucky diz “Ou seja Abril é uma Ditadura. Quem não quiser não tem liberdade.” E eu respondi “16.Quem não quer não tem o direito de impor isso aos outros que querem.”

  16. Miguel Noronha

    isso significa que quem não concorda com o que você chama “as conquistas de Abril” não pode ser obrigado a pagar por elas?

  17. Da mesma forma que eu ando a pagar por muita irresponsabilidade de quem nos tem governado desde há vários anos a esta parte. E não estou a falar “das conquistas de Abril”.

  18. rr

    oh miguel, quem é que viveu acima das possibilidades? os reformados sem dinheiro, as familias de classe media cada vez mais aflitas com despesas em saude e educação, que começam a nao ter dinheuro para produtos basicos até? ou o estado que encomendou os estadios do euro2004 , os submarinos e as ppp? eu cá tenho a impressão de que não foi a despesa que aumentou, estando esta na média da uniao europeias , simplesmente as receitas é que baixaram

  19. Miguel Noronha

    “Da mesma forma que eu…”
    Óptimo. Podemos instituir que a pertir de agora cada um só paga a sua parte.

  20. Miguel Noronha

    “oh miguel, quem é que viveu acima das possibilidades?”
    È indesmentível pelas estatisticas do endividamento que quer a dívida pública quer a privada (e vocês até referiu esta como o problema mais grave) cresceu desmesuradamente. Viver acima das possibilidades significa gastar mais do que se ganha. O remanescente chama-se défice. Ou se arranja um terceiro que pague por nós ou nos endividamos.

  21. Miguel Noronha

    “…simplesmente as receitas é que baixaram”
    Para essa tese ter validade nas series de endividamento total apenas verificariamos o crescimento em alturas de recessão. Ora, o que se verifica é um crescimento consistente nos últimos 15 anos.

  22. Joaquim Amado Lopes

    Carlos Carvalho,
    A maior parte da despesa do Estado é com pessoal. Portanto, para reduzir a despesa do Estado de forma visível e sustentada (prolongar-se no tempo em vez de dar resultados apenas num determinado ano) é necessário:
    – reduzir significativamente o número de funcionários públicos (os partidos com um discurso semelhante ao seu não o aceitam) e/ou
    – reduzir significativamente os salários e benefícios dos funcionários públicos (está a ser iniciado, contra a vontade dos partidos com um discurso semelhante ao seu).

    Para ajudar, também se pode:
    – reduzir o investimento público (está a ser feito, contra a vontade dos partidos com um discurso semelhante ao seu);
    – reduzir as PPP’s criadas pelos Governos anteriores (se está a ser feito ainda não deu resultados) e/ou
    – reduzir as despesas sociais (está a ser iniciado, contra a vontade dos partidos com um discurso semelhante ao seu).

    Qual é a sua receita? Com detalhes, por favor.

  23. lucklucky

    Luckylucky diz “Ou seja Abril é uma Ditadura. Quem não quiser não tem liberdade.” E eu respondi “16.Quem não quer não tem o direito de impor isso aos outros que querem.”

    Você é que quer impor o seu Estado Social aos outros. Por mim quem quiser pode ter o Estado Social na geometria que quiser desde que com as contribuições dos que estão de acordo com os seus pressupostos. No extremo até fazer uma comuna e viver como na União Soviética – não obrigam é quem não concorda -. o exemplo do kibbutz é mais o sentido já que só entra para o kibbutz XYZ quem está de acordo.

    “oh miguel, quem é que viveu acima das possibilidades? os reformados sem dinheiro, as familias de classe media cada vez mais aflitas com despesas em saude e educação, que começam a nao ter dinheuro para produtos basicos até? ou o estado que encomendou os estadios do euro2004 , os submarinos e as ppp? eu cá tenho a impressão de que não foi a despesa que aumentou, estando esta na média da uniao europeias , simplesmente as receitas é que baixaram”

    Sim, são ordenados e as pensões que consomem a maior parte do orçamento. É só, ver os dados e fazer contas.. Não percebo o raciocínio sobre as receitas. Os gastos devem acompanhar as receitas. Se se produz menos então tem de gastar menos.

  24. tric

    “Gostava imenso de saber onde estava esta gente enquanto nos endividávamos à bruta.”
    .
    eu tambem gostava de saber aonde estavam os nossos banqueiros enquanto nos endividavam à bruta…

  25. lucklucky

    Os nosso banqueiros estavam todos contentes a fazer o negócio da dívida. Ainda não se apercebeu que o Estado Social com Dívida e os Bancos andam de mãos dadas?
    O Chile Ultra Neo Hiper Liberal com 10 ou 15% de Dívida Publica dá muito menos negócios aos Bancos que um país da direita ou esquerda sociallista que se endivida para comprar votos.

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