Leitura dominical

É proibido permitir, por Alberto Gonçalves.

Nos 30 anos decorridos sobre a guerra nas ilhas Falkland, a senhora que preside à Argentina aproveitou para insistir no “absurdo” da soberania britânica e voltar a reivindicar o território. A pretensão da sra. Kirchner não merece comentários. Já perceber que espécie de gente apoia, hoje como ontem, semelhante pretensão é perceber aquilo que fascina num arquipélago escasso no tamanho e na demografia.

Desde o início do conflito que, oficial ou oficiosamente, o comunismo internacional se perfilou ao lado dos argentinos, uma naturalidade se tivermos em conta que o invasor de 1982 era uma ditadura, mas uma curiosidade se recordarmos que a referida ditadura roçava o fascismo em teoria tão repugnante à extrema-esquerda. A cartilha da época, que nesta matéria permanece imutável, invertia os factos com o típico atabalhoamento da seita: no que por lá chamam Malvinas, a Argentina apenas procurava garantir o direito de um povo à livre determinação e a Grã-Bretanha não passava de uma malvada potência colonial, para cúmulo sob as ordens de uma afamada nazi chamada Margaret Thatcher.

No mundo real, não vale a pena notar que o povo em causa preferia (e prefere) a nacionalidade britânica, que a sra. Thatcher liderava o Governo eleito de um regime livre e que na trincheira oposta estava, aí sim, um regime autoritário responsável por dezenas de milhares de dissidentes políticos desaparecidos. O pormenor de os dissidentes se identificarem com a esquerda não veio a propósito neste caso (viria noutros).

Uma ocasião, Churchill prometeu elogiar o diabo se Hitler invadisse o inferno. Os comunistas elogiam Hitler ou o sucedâneo mais à mão se isso os ajudar a combater o seu inferno particular: a democracia

15 pensamentos sobre “Leitura dominical

  1. jota

    os comunistas começaram a II Guerra Mundial lado a lado com os nazis e assim ficaram até à invasão da URSS pelos nazis. No entanto terminaram a II Guerra Mundial do lado dos vencedores para desgraça dos polacos, checos, hungaros e milhões de cidadãos do leste europeu que tiveram que levar com a ditadura comunista durante mais de 40 anos. A imprensa europeia e os politicos de esquerda conseguiram branquear isto durante décadas e achavam as ditaduras comunistas como um facto imutável e garante da paz mundial.
    Quanto à Argentina só tem uma solução, agarrar em armas de novo. Pode ser que desta vez tenha mais sorte. Apoiantes, sabemos que não faltam, a começar pelo Sean Penn e a esquerda caviar internacional.

  2. Aladin

    O Alberto Gonçalves é um mimo. Escreve com uma ironia fina que escalpela desapiedadamente as carecas da esquerda.
    É um gosto lê-lo.

    Quanto à pretensão argentina, de que as Falkland devem ser deles, surge de vez em quando, quando os líderes em exercício precisam de um “inimigo externo” para polarizar as raivas internas.
    É dos livros.

    Não passa de conversa.
    Quando os generais anteriores quiserem levar a converseta a sério, levaram uma carga de porrada de proporções épicas, Ainda tenho ali o livro que narra a operação.
    Se eu fosse argentino, evitaria falar deste assunto, tão vergonhosa foi a derrota.

    Tb tem alguma piada os argentinos reclamarem que os habitantes das Falkland não devem ter direito de autodeterminação, porque são oriundos da Grâ-Bretanha.

    Como se estes argentinos não fossem, tb eles, oriundos da Espanha, Itália, etc.

  3. António

    “os comunistas começaram a II Guerra Mundial lado a lado com os nazis ”

    Jota, se para ter as suas convicções você precisa de ser tão cego e sectário é triste…

    Nos pós muro de Berlim também se gerou , e continua a haver, muita lavagem ao cérebro com historicismo que pouco mais é do que propaganda ideológica…Essa pseudo aliança Nazi comunista é uma faceta disso.

    Os Nazis e comunistas na Alemanha eram bandos opositores, enfrentavam-se nas ruas. Sim, até eram parecidos, mas era concorrentes e inimigos. Muitos comunistas foram enviados para campos de morte juntamente com judeus (e muitos judeus eram comunistas), ciganos, etc.

    Mesmo o Estaline (que mais do que comunista era Estalinista) nunca foi aliado de Hitler, nem o Hitler de Estaline. Odiavam-se toleraram-se, fingiram que se toleraram, durante algum pouco tempo, foi só, enquanto ambos consolidaram o seu próprio poder. Até o Hitler não resistir a mandar a ferroada, que no caso dele foi um grande tiro no próprio pé.

  4. Aladin

    Portanto, segundo a história que o António anda a tresler, o Pacto Molotov-Ribentrop não existiu e a Polónia não foi invadida em simultâneo e em coordenação, pela Alemanha e pela URSS.

    Sim, os nazis e comunistas eram opositores internos, na Alemanha, e então?
    Eram dois galos para o mesmo poleiro. E galos muito parecidos, sublinhe-se.

    Ah o Estaline agora já não era comunista…era estalinista.

    Assim se lava mais branco que o Omo.
    Se corre mal, ah e tal aquilo não era bem comunismo.

    Se corresse bem ( nunca correu), então sim, seria o “verdadeiro” comunismo.

    Tá bem abelha.

  5. António

    Aladin, esse tipo de argumentação a mim não me diz nada porque não sou comunista.

    Não defendo, não acredito. Nunca houve nem vai haver comunismo-anarquismo, isso é um ideal utópico de liberdade, como aliás também o é o liberalismo…

    O que existe são projectos pessoais de poder que resgatam nomes e ideais para envolver as vontades milhões de pessoas. Tal como muitos líderes e partidos usam o chavão “nacionalismo”, desde logo o Hitler, e lá por isso o nacionalismo não fica agarrado ao Hitler como uma doença peganhenta que não se possa sequer pensar… Da mesma forma que socialismo, ou até cristianismo, em nome do qual já se fizeram tantos disparates, e lá por isso a ICAR de hoje não tem de se reportar e ser julgada e rejeitada liminarmente pelo tempo em que a Inquisição matava os dissidentes nas fogueiras, nem pelo facto de alguns dos seus padres dignatários se aproveitarem do poder instituicional para violar crianças… A vida real suja todos os nomes e idealismos deste mundo. Mas lá por causa disso não vamos anular liminarmente todas as instituições idealistas e libertárias, e acusa-las de tudo e mais alguma coisa, e e recusar ver o que elas também fazem de bom.

  6. António

    Quanto ao pacto Estaline-Hitler…que durou pouquíssimo…

    Repare que negócios há muitos. Os Suiços fizeram negócios com todos os lados da guerra, e lá por isso não são aliados do Hitler, certo? O Papa, da ICAR, nada se opôs ao Mussolini e ao Hitler, e lá por isso não o andamos a acusar de aliado do Hitler. A GB lutou explicitamente ao lado dos árabes contra a incipiente nação Israelita e lá por isso não consideramosos os ingleses (ou os ocidentais, ou os capitalistas, ou os trabalhistas/conservadores, etc) perigosíssimos anti-semitas pró-islâmicos. Os EUA praticamente ajudaram a formar a Alcaeda (para lutar contra os soviéticos no Afeganistão) e não os vamos acusar de pró-islamistas radicais, e dizer que por isso são terroristas islâmicos…

    Nas ultimas décadas tornou-se uma certa moda agarrar-se ao pacto Hitler -Estaline (um acordo para não se matarem, que é o instinto principal entre Russos e germânicos), para associar Comunistas e Nazistas. E comunismo e nazismo até tem muita coisa parecida, mas não é por aí.

    Aliás, se quiser agarrar-se a factos isolados e parcelares, até pode dizer que quem começou a guerra (como se os impérios não estivessem já em guerras pelo mundo fora antes) foram os ingleses, que declararam guerra à Alemanha, sem que a Alemanha os tivesse atacado ou lhes tivesse declarado guerra…

    É típico que quem ganha escreve a história. E a 2ª GM ainda está muito presente para a maioria de nós a escrevermos sem “alinharmos”.

  7. Aladin

    António, a confusão que vai nessa cabeça é tanta …. infelizmente não tenho tempo, agora, para ajudar a desfazer esse novelo.

    Então a Al Qaeda foi formada com a ajuda dos EUA. Notável!
    Que livros anda a ler?

    E o Pacto Molotov-Ribentrop não foi nada de especial, diz você. A invasão conjunta da Polónia tb deve ser uma coisa despicienda, na história da 2ª Guerra Mundial.

    O liberalismo é um “ideal utópico de liberdade”, pagagueia. Provavelmente nunca lhe passou pela cabeça ler Adam Smith e as suas constatações práticas sobre a razão pelas quais algumas nações eram pobres e outras ricas.
    Idealismo, chama você a listagens objectivas de factos ocorridos.

    Está muito bem visto, sim senhor.
    Recomendo-lhe vivamente a via profissionalizante de escritor de ficção, já que a realidade parece não o afectar de forma significativa.

  8. António

    Pois é Aladin, tudo o que eu disse são alucinações.

    Os Hitler e o Estaline eram melhores amigos, aliadíssimos, maus e culpados de tudo, sozinhos. Comunismo e nazismo são maus, ocidente-capitalista-liberal é bom. Preto e branco.

    “fixe pá”.

    (confesso que tenho uma certa inveja de não conseguir alinhar tão facilmente com um lado. Para mim é tudo complexo…)

  9. António Joaquim

    Ter-se-á esquecido de Chamberlain e Daladier? Do pacto Anti-komitern? Da guerra civil espanhola? Ora aqui temos mais uma crónica do social pelo magnifico.

  10. TLD

    O Aladin deve estar a ver mal as coisas. Os Argentinos fartaram-se de dar porrada aos Ingleses tendo em conta o equipamento que tinham. E os míssieis Exocet deram cabo de praticamente toda a esquadrada do R.U.

  11. neotonto

    Quanto à pretensão argentina, de que as Falkland devem ser deles, surge de vez em quando, quando os líderes em exercício precisam de um “inimigo externo” para polarizar as raivas internas.
    É dos livros.”

    Engraçado este elemento (o Aladin). Nunca dize Malvinas sempre…Falkland. Para ele está tudo tao claro…

  12. neotonto

    A Tatcher sim que foi lista neste assunto quando explodiu. Dalguma forma deveu ser ajudada pelo Pinochet a quem sempre guardou fidelidade amistossima até o final. Como devem ser os velhos socios aliados de guerras ganhadas ou perdidas…

  13. Aladin

    “Os Argentinos fartaram-se de dar porrada aos Ingleses tendo em conta o equipamento que tinham”

    Isto só pode ser o produto da educação inclusiva que temos tido….

    Faz lembrar um sujeito que entra pelo café dentro, com um olho à belenenses, gabando-se de ter dado uma valente pancada com o olho no punho de outro caramelo.

    “Comunismo e nazismo são maus, ocidente-capitalista-liberal é bom.”

    As duas primeiras, plenamente de acordo. A história conhecida fala por si e contra factos não há argumentos. A 2ª parte da afirmação, eu não diria tanto, mas reformularia. Na política, como na vida as escolhas raramente são entre mal e bem, mas entre mal e um mal menor.

    Perfeição, só na Ilha da Utopia. Mas, se a escolha tem de ser entre essas duas opções, qualquer Sancho Pança ( o paradigma do homem sensato) escolherá a 2ª.
    Os D. Quijotes desta vida, escolherão a 1ª e baterão, como sempre batem, com os cornos no moinho.

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