A sorte

Dois bloggers apanharam sete anos de prisão porque colocaram nas suas páginas do facebook  caricaturas de Maomé. Graças a Deus, são de um país primaveril, com um governo moderadamente islâmico.

Adenda: A Autoridade Palestiniana continua a prender pessoas que a critiquem politicamente  ou que denunciem casos de corrupção. Em ambos os casos, aplicam-se as  palavras de Thomas Jefferson: our liberty depends on the freedom of the press, and that cannot be limited without being lost.

7 pensamentos sobre “A sorte

  1. ruicarmo

    A Primavera tunisina, um ano depois, não terá passado muito além de um desejo mediatizado. A palestiniana nunca existiu sequer.

  2. jtcb

    Caríssimo,
    Subscrevo inteiramente as palavras de Jefferson, bem como a denúncia expressa no teu post. Que é o mesmo que dizer que condeno a condenação do tribunal tunisino. Mas o artigo da BBC termina com uma referência ao outro lado da moeda que convém ter presente:

    “There have been tensions between the government and hardline Muslims who think religion should play a bigger role in the country, while secular groups say freedom of expression and the rights of women are under threat.

    Dozens of Islamists were arrested in November last year during demonstrations outside a television station that showed an Iranian film which they said contained blasphemous scenes.”

    A Tunísia vive ainda uma situação de PREC. E o mais provável é que não seja já nesta Primavera que a situação estabilize. Saber para que lado da balança é que o regime vai pender é do domínio da incerteza e já não do das probabilidades. Pela minha parte, aproveito o período Pascal para fazer votos para que penda para o lado da liberdade. Até porque a nossa liberdade depende em larga medida da deles — começando na dois dois bloggers condenados!…

  3. Aladin

    Nada que não fosse de esperar, atendendo ao que dizem os líderes primaveris. O problema é que nós por cá, geralmente não ouvimos, interpretamos. Falamos por cima, adaptando o seu discurso àquilo que nós esperamos que seja.

    O comentário do jtcb é típico desta mentalidade.

    Os islamistas “moderados” são a Irmandade Muçulmana que de moderadas tem apenas algumas tácticas, já que o objectivo é o mesmo dos menos “moderados”.

    Uns acham que se deve atacar de frente, outros acham que se deve fazer um envolvimento. Mas o ponto onde querem chegar é exactamente o mesmo e não custa nada ler as suas cartas fundadoras e o que dizem os seus líderes principais.
    Mas, lá está, a gente por cá prefere pensar que aquilo não é literal .
    Infelizmente ( para eles), é.

    Para nós, o problema é que temos de lidar com esta gente já no seio das nossas sociedades…

  4. ruicarmo

    Caro JCTB,
    a “mensagem” final que a notícia da BBC deixa – a prisão de dezenas de islamitas em Novembro -, não altera, do meu ponto de vista, em nada o cenário da falta de liberdade. Não vi o filme (nem sei qual é) mas não me admiraria que o movimento contestatário desse episódio fosse o resultado da divisão entre sunitas e xiitas. De qualquer modo e mesmo nesse episódio, a contestação acabou por ser reprimida.Ou seja: não creio que por se prenderem islamitas, essa medida se assemelhe a um outro lado da moeda.
    As escolhas foram feitas livremente pelos tunisinos e a perseguição à liberdade é uma factura pesada que os tunisinos estão a pagar. Não é o que desejo. Lamento não ser tão optimista ou não ter fé na mudança..

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