Target: China!

“O tema da concorrência está a dominar a campanha eleitoral francesa. E o presidente Sarkozy tem feito um esforço intenso no sentido de captar a (significativa) parte do eleitorado francês descontente com a abertura da sua economia à concorrência desigual (…) Enfim, existem hoje na União Europeia mais de quarenta investigações em curso, por parte da Comissão Europeia, tendo em vista o apuramento de concorrência desleal ou desigual – conforme lhe quiserem chamar. Dessas mais de quarenta investigações em curso, cerca de trinta têm como alvo a China. E a Índia surge em segundo lugar.”, esta semana no meu artigo da “Vida Económica”.

Off-topic: a jogada do Sarkozy, atracando-se ao Hollande neste tema do proteccionismo, foi de mestre. Não apreciando a figura, não deixo de lhe reconhecer uma enorme sagacidade política.

17 pensamentos sobre “Target: China!

  1. vivendipt

    A França é um país chauvinista! E é de lá que vai surgir a maior onda protecionista europeia. Sarkozy está também entalado à direita pela FN.

    Esta onda protecionista vais ser abraçada pelos países do Med, a Alemanha vai olhar de lado, mas depois percebe que vai produzir novamente para a Europa e pode sempre investir mundo à fora. Já a Inglaterra vai-se por a jeito e enfiar-se de mansinho no jogo, claro que, com a concordância americana.

    Europa na fome e no desemprego? A quanto o obrigas…

    Em conclusão, a melhor forma de resolver os problemas da desindustrialização, é entender a UE como um bloco económico, em que quem quer vender neste mercado de forma expansionista, tem de colocar aqui a sua indústria, nas regras europeias vigentes. Assim as indústrias exportadoras, chinesas, americas, brasileiras, russas, e demais locais…, se quisessem ter acesso ao mercado europeu teriam de colocar na UE as suas indústrias e da mesma forma deveria acontecer com a indústria europeia em outros mercados.

    Seria uma globalização mais equilibrada, respeitando as regras locais (salários, condições ambientais, realidade económica, etc…)

    A economia de mercado deve ser o mais livre possível mas como existe várias discrepâncias a nível global, é imperativo agrupar os mercados em blocos económicos, mas com interligações justas e prósperas para todos.

    vivendi-pt.blogspot.com

  2. António

    “Já a Inglaterra vai-se por a jeito e enfiar-se de mansinho no jogo, claro que, com a concordância americana.”

    A GB, a City, é o “porta aviões” chinês no ocidente. E cada vez mais, para os ingleses, isso não é uma oportunidade que dão aos chineses, é uma aliança à qual não podem escapar, da qual são reféns, a qual não dominam.

    Concordo com a sua visão sobre a atitude francesa…mas isso , a acontecer, é sinal que o mundo está mesmo mal.

    Quem puxa pela Europa agora é a Alemanha, e da forma como a Alemanha (da qual nós vivemos directamente) está a viciar-se nas vendas à China, é melhor que a China não entre em colapso, senão estamos mesmo feitos…

    De resto, as empresas asiáticas, nomeadamente japonesas e coreanas, já cá se implantaram para produzir e vender localmente, e evitar problemas de moeda. Da mesma forma que as empresas europeias e americanas foram para a Ásia. Entretanto está tudo a produzir, comprar e vender em todo lado…

    Para o capitalismo (sem negativismos quanto à palavras) não há preconceitos e a globalização não é um empecilho. Só ideólogos e proteccionistas nacionalistas é que andam muito preocupados…

  3. vivendipt

    Caro Ricardo,

    Este é o melhor caminho para se voltar rapidamente ao equilíbrio económico…

    Poderá haver outros caminhos? Concerteza que sim. Mas em outras teorias económicas para corrigir os desequilíbrios, irá-se demorar bastante tempo, gerar convulsões sociais e até novas bolhas e crises.

    Tenho o melhor apreço pelos seus pensamentos e teorias económicas.

    Cumprimentos.

  4. Paulo Pereira

    Engraçado como a França só agora se apercebe dos custos da desindustrialização resultantes de um franco e depois de um euro sobrevalorizado, situação que vem desde os anos 90.

    Muito mais simples do que esquemas proteccionistas é reduzir os impostos sobre as empresas dos sectores transacionáveis, um pouco na linha dos subsídios directos e indirectos à exportação que a China e outros países têm.

  5. S15

    E fazem muito bem… nós por cá é que andamos a vender empresas a chineses e angolanos..

    U.S. government investigators, using a fictitious company, were able to easily find electronic parts for weapons from China on the Internet and every single item they bought was counterfeit, despite China’s pledge to crack down on fake products.
    A new report by the congressional Government Accountability Office showed that 334 of 396 vendors who offered to sell parts to the fictitious company were from China.
    It said all 16 parts eventually purchased by the fake company came from 13 China-based vendors and all were determined by an independent testing laboratory to be counterfeit.
    “These findings should outrage every American,” said Senator Carl Levin, the Michigan Democrat who heads the Senate Armed Services Committee, calling the new report “deeply troubling.”
    http://www.reuters.com/article/2012/03/26/usa-china-weapons-idUSL2E8EQBM020120326

  6. vivendipt

    Caro António,

    A economia da GB não tem ponta por onde se lhe pegue. A criatividade da City é que vai ainda disfarçando muita coisa.

    Qual o problema de comprar um I-phone produzido na Europa? Qual o problema de colocar uma fábrica no mercado onde espera obter consumidores e proveitos.

    ideologia / nacionalismo = Cultura,

    E a cultura é o respeito pela identidade de cada um, seja em Portugal seja na China e não fazer uma miscelânea qualquer e todos sermos obrigados a absorver do mesmo.

    Ex: o único restaurante verdadeiramente bom de frequentar seria o Mac Donald`s, porque é global.

  7. António

    Vivendipt,

    Depois do seu comentário, quando o vir a defender o “liberalismo” só me posso rir.

    Qual o problema de comprar um I-phone produzido na Europa? Por mim nenhum. Nem sei porque é que você não compra antes Nokia, que provavelmente também produz grande parte na China, mas pelo menos é marca Europeia…

    O problema nem é o comprar europeu. Neste momento é mais o produzir Europeu. Cá temos milhões de trabalhadores com nível de educação e especialização altos, dispostos a trabalhar 60 horas por semana, 11 meses e meio por ano, por 500 euros (e já isso já nem seria mau, por padrões asiáticos)? é que se tivéssemos podíamos vender de cá para todo mundo. Porque agora vendemos alguns produtos de luxo, serviços financeiros, projectos intlectuais e turismo… Até as melhores fabricas de automóveis da Europa são as que os japoneses e coreanos cá vieram instalar…

  8. Ricciardi

    Bem, eu nem lhe chamo concorrência desleal. Desleal eh quando uma das partes reconhece certos valores mas faz o contrário. Ora, a China, através dos seus lideres, nao se propôs atingir certos valores que no ocidente temos vindo a considerar essenciais. A dignidade humana consubstanciada nas leis do trabalho, leis ambientais e de proteção na velhice, nao fazem parte das preocupacoes dos lideres orientais. A escravatura, trabalho infantil, poluição desregrada, e abandono dos velhos, são praticas cuja resolução nao merece qualquer atenção do poder chinês.
    .
    E nao pretendem comprometer-se, de livre vontade, a executar políticas tendentes a minorar aqueles problemas. Eles sabem que a única vantagem que teem face ah concorrência ocidental eh precisamente a possibilidade de produzir utilizando a degradação das condições laborais, a troca de comida por trabalho, despejar detritos nos rios sem necessidade de investimento em etars, e nao se preocuparem em usar parte do rendimento dos trabalhadores para proteção na velhice e doença. São custos em que os chineses nao incorrem para concorrer na aldeia global… a nao ser que sejam obrigados.

    A concorrência eh salutar, claro. O comércio ético em oposição ao comércio livre. A ética tem subjacente valores. E os valores são construções que uma sociedade elaborou na sua tradição e história ao longo dos temos. O que se passa eh que pretendem uniformizar os valores e o termo de comparação são os valores dos lideres chineses. Ora, eu nao partilho os valores chineses actuais. Nao aprecio que se tenha de prescindir das pensões dos velhos para competir em produtividade com os chineses. E se na minha casa só entram pessoas que eu convido e aceito, exijo que o meu pais apenas permita vender produtos estrangeiros que respeitem os meus valores, as regras da minha casa.
    .
    Eh simples, se o estado português nao aceita que eu fabrique pilhas sem que para o efeito invista em estações de tratamento de resíduos, se o meu pais exige que por cada arvore cortada a Portucel tenha que replantar o equivalente, se o meu pais exige que os brinquedos sejam fabricados sem químicos tóxicos, se exige que os pesticidas nao contenham determinados químicos, etc… se me exige tudo isto porque raios deixo que se vendam produtos neste espaço cujo fabrico nao teve em boa conta todos os critérios atras referidos?
    .
    Porque carga de água importo papel de fotocopia da Indonésia que desvasta ilhas inteiras sem cuidar da reflorestacao?
    .
    Os defensores ideológicos do livre comércio cofundem liberdade com libertinagem. A liberdade eh essencial para o comércio, mas a liberdade sem a responsabilidade eh preversa.
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    Dai que, com diz o Vivendi, um certo protecionismo que obrigue a quem quer vender neste espaço tenha que produzir inboard e com as nossas leis, valores e regras, eh essencial. E mesmo que nao queiram produzir neste espaço tem que se comprometer a implementar regras nos seus próprios países. E caso nao logrem implementa-las cabe ao nosso pais descriminar os seus produtos na alfândega ou mesmo proibir a importaao de todos aqueles que cumpram a nossas leis e valores.
    .
    Agora, o protecionismo nao eh um valor. Eh apenas uma arma contra a incivilidade. Nao pode uma economia empresarial viver com proteção do estado em produtos oriundos de países civilizados. Isso só se justifica numa fase em que eh essencial desenvolver certas indústrias que, sem protecionismo, nunca se desenvolveriam. O mesmo quer dizer que nao eh admissível haver proteção de Espanha com Portugal ou do canada com a franca, ou dos EUA com a Alemanha. Todos partilham a mesmíssima ética dos valores.
    .
    Rb

  9. vivendipt

    Caro António,

    Apenas me interessa defender a produção na Europa como já o tinha escrito. Já basta a dificuldade no acesso a matérias-primas e energia.

    Quanto a conversas disto e daquilo o que conta é a balança comercial.

    Como consegue de forma mais rápida, criar emprego e tirar as pessoas da fome?

  10. António

    “Quanto a conversas disto e daquilo o que conta é a balança comercial.”

    Pois. É por isso que “empresarios-génios-hippies” como Steve Jobs preferem produzir na China, onde têm mão-de-obra especializada, muito trabalhadora, relativamente barata, servil, não exigente, sem segurança social, sem dto a greves, cagando em problemas ambientais, para produzir os adorados I-merdas, e depois revender tudo por cá com altos lucros.

    Isto não tem nada de ideologia a não ser a busca de lucros. O capitalismo é realista. O liberalismo-que-afinal-é-protecionista-e -nacionalista é uma ideologia esquizofrénica, que nem dá para entender, quanto mais aplicar…

  11. lucklucky

    É uma jogada de mestre para empobrecer a França. Não têm a noção alguma da complexidade dos produtos.

    As partes mais ricas da China é onde há fábricas que fazem ipads. Não é no interior agricola e pobre.

    Shangai é já mais rica que Lisboa.

    Mas nas mentes socializantes, salazaristas que escrevem aqui a China estará para sempre nas fábricas a $1/hora.

    Ou seja não reconhecem sequer o poder do mercado.

  12. Paulo Pereira

    Concordo com o Ricciardi.

    Aliás uma politica de reciprocidade em relação à China só favoreceria a sua propria população, que é mantida com salários e condições de vida e ambientais muito abaixo das capacidades da economia chinesa.

  13. Nuno B. M. Lumbrales

    Também concordo com o Vivendipt e o Ricciardi.

    A ideia de criar regras exigentes ao nível da concorrência, condições de trabalho, ambiente, fiscalidade, etc. para quem queira produzir num determinado território/mercado/jurisdição pressupõe a necessidade de impor as mesmas exigências (ou então medidas aduaneiras correctivas do preço final) para quem pretenda exportar para esse território/mercado/jurisdição.
    O mesmo se diga quanto às questões respeitantes à origem dos capitais e respectiva fiscalização – o princípio é o mesmo.

    Em suma: os vários «players» de um determinado mercado devem estar em igualdade de circunstências e sujeitos às mesmas «regras do jogo».

    Caso contrário, estar-se-á a prejudicar injustificadamente os «players» que «jogam em casa».

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