Teixeira dos Santos vai ser recompensado – e bem recompensado – por ter arruinado o país

E não, o título não é ironia. Teixeira dos Santos foi, quase desde o início dos governo de José Sócrates, o responsável pelas finanças públicas. Teixeira dos Santos concretizou uma política financeira assente em crescimentos reais da despesa pública em todos os anos, num aumento absurdo da extorsão fiscal para pagar o despesismo do governo de que fazia parte, promoveu um crescimento insustentável da dívida externa (andava abaixo dos 70% do PIB quando Teixeira dos Santos chegou ao governo e chegava a perto de 100% quando de lá saiu), durante o ano de 2009 e até à realização de eleições mentiu deliberadamente aos portugueses sobre a realidade das contas públicas relativas a esse ano, cujo défice garantia ser de 5,9% e chegaria, afinal, a mais de 9%, pelo meio de tudo isto fez orçamentos (o de 2009, desde logo) que toda a gente percebia serem irrealizáveis, inventou a expressão ‘orçamento suplementar’ e ‘orçamento redistributivo’ para os orçamentos rectificativos que foi obrigado pela já dura realidade a elaborar, e muito, muito mais. Em suma, Teixeira dos Santos foi, juntamente com José Sócrates, o responsável pela falência do país.

E o que vai suceder agora a um senhor que tão relevantes serviços prestou ao país? Pois vai ser recomendado pelo banco público, cuja administração segue as indicações do actual governo, para ser o administrador da CGD na PT.

O que se pode dizer de um país e de um governo que recompensam assim quem arruinou o país? Será que o actual governo não percebe que com esta vergonha está a validar a política do recomendado e aquilo que ele fez ao país? Lamento, mas o facto de Teixeira dos Santos ter, no fim, traído Sócrates e precipitado a intervenção do FMI não o absolve de ter provocado a necessidade dessa intervenção do FMI. Esperemos que o governo dê ordens imediatas à CGD para escolher alguém para a PT que não tenha no curriculum a falência de um país.

30 pensamentos sobre “Teixeira dos Santos vai ser recompensado – e bem recompensado – por ter arruinado o país

  1. Pingback: DesGoverno « O Insurgente

  2. Luís Lavoura

    Esperemos que o governo dê ordens imediatas à CGD

    A Maria João é, portanto, favorável a que a CGD ande às ordens do governo.

    A Maria João é favorável a que a CGD não seja gerida como um banco normal, de acordo com critérios de rendibilidade e lucro, mas sim que seja um local onde o governo coloca as pessoas de quem gosta e deixa de colocar aquelas de quem não gosta.

    A Maria João acha que as emrpesas públicas, enfim, são para o governo mandar nelas e dizer quem deve e quem não deve estar aos seus serviços.

  3. Ramone

    Quem está a arruinar o país é o seu governo PSD/CDS. Como se vê o país não tinha chegado ao fundo com Sócrates, Passos e Portas estão a encontrar novos fundos.

  4. Manuel Costa Guimarães

    Caro Luís,

    Do momento em que é o Governo que “sugere”, ao menos que “sugira” um tipo, sei lá, melhorzinho!
    Obviamente que o Governo não deveria poder meter um dedo que seja, mas isso já é outra conversa.

  5. ricardo saramago

    O currículo demonstra que é “um tecnico competente” e vai para junto das outras competências gozar das sinecuras que lhe são devidas pelos serviços prestados ao partido e às empresas do regime.
    A malga da comida é recompensa da fidelidade.
    Força.
    Portugal merece.

  6. jp

    Com Durão Barrosos na CE, Constâncio no BCE, Teixeira dos Santos no Governo com Sócrates ou na CGD, mais Vara e aquele Ministro que assinou os contratos do TGV, Portugal até pode sonhar ter uma papel muito maior na desgraça da europa.
    Só falta meter o António Costa a PM ou Presidente e é garantido.

  7. Maria João Marques

    João, diz-me por favor que os estudantes se vestiram de luto para ouvir pessoa tão competente…

    «A Maria João é, portanto, favorável a que a CGD ande às ordens do governo.
    A Maria João é favorável a que a CGD não seja gerida como um banco normal«
    Luís Lavoura, não venha alucinar para os meus posts. O que eu defendo para a CGD é que seja privatizada o mais rapidamente possível. Como está, é um banco a mando do governo, que é o seu único accionista e tem, portanto, todo o direito de intervir na gestão do banco e nos administradores que este nomeia. Em que alucinação é que achou que a CGD é ou alguma vez foi «um banco normal»?

  8. Maria João Marques

    ‘Quem está a arruinar o país é o seu governo PSD/CDS’
    É verdade, nós nem necessitámos de uma intervenção do FMI e do BCE/UE graças à política do PS ainda no tempo do desgoverno PS.

  9. Cara Maria João Marques

    Recuso-me a acreditar nessa noticia!
    Só pode ser falsa!
    Nem no dia, em que esse títere, cujo nome não posso pronunciar, tomar posse desse cargo, que diz no seu post, eu vou acreditar.
    Decididamente devo ter caído num Wormhole e fui parar a uma realidade paralela.
    Ou então, os reptilianos infiltraram-se n’O Insurgente e colocam estes posts só para desmoralizar os facistas.
    Só pode ser!
    Essa noticia tem de ser falsa!!!!!!!!!!!!
    😦
    .

  10. Caro jp

    Esqueceu-se de Guterres e Sampaio na ONU…
    Isto não é só para a Europa, já exportamos tinhosos para o Planeta inteiro…
    .

  11. Ramone

    O Passos na oposição dizia que não devíamos diabolizar o FMI, para mim isto chega para perceber que para ele o pote estava acima de tudo. É preciso não esquecer a sequência final:

    Chumbo do PEC IV = Entrada do FMI

    Vocês podem dizer que o PEC IV não ia conseguir manter o FMI fora de Portugal mas isso não se sabe, talvez sim, talvez não – como não se sabe as vossas certezas são propaganda e desculpas.

  12. Luís Lavoura

    Maria João Marques,

    eu não estou a alucinar. Estou a dizer que, já que a CGD não é privatizada, então pelo menos deve-se exigir, como opção second best, que ela seja gerida como um banco comercial normal, isto é, que o governo não se imiscua nela, não designe nomes, não determine políticas, etc.

    E é isto que está em jogo. Eu defendo que seja assim. A Maria João, pelos vistos, acha que, não sendo a CGD privatizada, o governo pode e deve imiscuir-se nela, nomear gente para ela, etc.

  13. Ramone

    É preciso não esquecer ainda que o PSD/CDS assnaram o memorando da troika, que tinham negociadores designados para representar o que é agora o actual governo. Ninguém vos obrigou a assinar o memorando. Fizeram-no livremente. Portanto andar a querer sacudir a água do capote apenas indica que querm uma “free ride” no governo, ou seja, permissão tácita para fazer todas as asneiras que quiserem sob o pressuposto de tudo remeter para o governo anterior.

  14. “eu não estou a alucinar. Estou a dizer que, já que a CGD não é privatizada, então pelo menos deve-se exigir, como opção second best, que ela seja gerida como um banco comercial normal, isto é, que o governo não se imiscua nela, não designe nomes, não determine políticas, etc.”

    Ó Luís Lavoura, até parece que a haver nomeação do Teixeira dos santos que esta não é o resultado de uma ordem directa do governo.

  15. João

    Este país não está só falido como vai continuar falido, ainda mais ao nível das ideias…

    Lamento a má sorte de Portugal com esta pseudo elite portuguesa (cerca de 3 mil pessoas que pululam entre a política e negócios).

  16. Ramone

    Em resposta ao comentário nº 15 do post: https://oinsurgente.org/2012/03/23/desgoverno/#comments

    (os comentários parecem estar bloqueados no post em questão)

    “Bem vindos ao liberal socialismo ou capitalismo de estado! É o sistema em vigor.”

    O sistema actual é o que o capitalismo sempre sonhou, ou seja, socialismo para o Capital, capitalismo para o povo. A conversa do capital gostar de risco é conversa da treta, o capital tenta diminuir o risco o mais possível e a organização socialista do capital permite a socialização do risco, ou seja, tira fora da equação o mais possível os riscos que podem vir da mão-de-obra para manter o seu controlo exclusivamente entre eles, enfim é um clube privado de jogos económicos, onde se aceita que um capitalista possa perder em favor de outro mas não se aceita que o capital como um todo ceda terreno à mão-de-obra. Se por acaso houver uma escassez no socialismo capitalista, o capital apenas pressiona os governos para retirarem à mão-de-obra o necessário para repor a sustentabilidade do seu mundozinho.

    Portanto a mão-de-obra, sim, está entregue ao capitalismo selvagem, lutam desesperadamente entre si para aceder a uma fonte de rendimento. Então não é tanto capitalismo de Estado, como é comunismo capitalista. A direita-caviar que agora governa é o expoente máximo na história da nossa democracia desta deriva de comunismo capitalista. Por isso os defendem tanto aqui com as excepções dos casos onde o governo possa não ser tão eficiente na transferência de poder para o capital.

    Em resumo:

    Capital = Apropriação colectiva (por uma elite) dos meios de produção = Comunismo de capitalistas.

    Mão-de-obra = luta de todos contra todos pelo acesso a rendimento = Liberalismo selvagem.

  17. lucklucky

    “Vocês podem dizer que o PEC IV não ia conseguir manter o FMI fora de Portugal mas isso não se sabe”

    Eu sei. O PEC IV aumentaria a Dívida ainda mais que estes idiotas estão a fazer hoje, Logo onde iria buscar o dinheiro para mais endividamento?

    Mas você é inculto com todas as letras e quer continuar a ser por isso “não sabe”. E vai continuar inculto porque é mais confortável “não saber”. É sempre mais fácil o populismo da emoção.

  18. Maria João Marques

    Ramone, não reescreva a história. O próprio Teixeira dos Santos já tinha tentado precipitar uma intervenção do FMI quando os nossos juros da dívida soberana superaram os 7%. Uma intervenção do FMI, com a política socialista, era inevitavel.
    Mas mesmo que não se concorde com isto, nunca deixa de caber a um governo minoritário a obrigação de negociar com os outros partidos de forma a governar o país. O PS, graças à obstinação doentia de Sócrates, nunca o tentou, prejudicando o país pelo caminho. Por mais que se tente, esta intervenção do FMI não é culpa de quem esteve na oposição.

  19. Ramone

    Maria João, a história é sempre e só a sua escritura e reescritura.
    Não esqueçamos que Sócrates e Passos reuniram antes de Sócrates ir à reunião de apresentar o PEC IV à UE.
    Depois eu não disse e não digo que o país não precisaria do resgate digo que não se pode saber se precisaria ou não uma vez que o PEC IV não foi aprovado. Nesta ambiguidade cada partido escreve a hiatória da sua justificação. Como o PSD está no governo tem mais meios de reescrever a história para que seja a história da justificação de todas as suas acções, inclusive a história da contradição entre o que disse a propósito do chumbo do PEC IV – não aceitava mais aumentos de impostos e cortes de salários – e o que faz no governo – aumento de impostos e corte de salários.

    Por isso, para mim, porque não se pode saber, o PSD tem de assumir que o chumbo do PEC IV foi uma jogada de risco e tem de aceitar partilhar o risco com o PS. Uma vez que agora é o PSD que está no governo, a meu ver, assume completamente o risco que tomou, ou seja, arriscou chumbar o PEC IV, arriscou com isso a ida a eleições e a sua vitória. Venceu. Portanto, a partir daí passa a vestir a camisola. Se a camisola lhe pesa e não consegue deixar de remeter tudo ao governo passado, desde o aumento do desemprego no seu mandato ao aumento da percepção de risco de banca rota, então devemos levar o governo a sério e tomá-lo como inimputável.

    Resumindo e concluindo, para mim, o governo quer laborar sem ser apontado. Não quer ser responsável pela própria iniciativa de arriscar eleições, quer colocar-se como se estando apenas a fazer um favor ao país, quer que estejamos agradecidos ao PSD/CDS não importa o que façam.

    Bom, isto eu deixo para vocês. Vocês que agradeçam. Vocês que sejam defensores em primeira ou última instância.

  20. lucklucky

    “…digo que não se pode saber se precisaria ou não uma vez que o PEC IV não foi aprovado…”

    E você continua a vigarizar pois não acredito que seja tão burro.

    O PEC cortava menos logo onde vai buscar o dinheiro?

  21. Ramone

    Luckyluck,

    outros países seguiram ou estão a tentar seguir a via dos PEC para tentar evitar a intervenção do FMI – a Itália, a Bélgica, a Espanha até agora conseguiram evitar o resgate embora a dada altura estivessem sob ameaça – a Espanha, por exemplo, e até a Itália julgo, chegaram a ter juros a 7%.

  22. ricardo saramago

    Os credores só nos encostaram à parede depois do PECI, do PECII e do PECIII.
    O engº é que julgou que podia continuar a “dar baile” à UE com os PECs.
    O PECIV era mais um papel para europeu ver que seria seguido pelo PECV depois das eleições.
    Agora a diferença chama-se troika.
    Ou se cumpre ou não há dinheiro.

  23. Ramone

    É bom que as coisas se clarifiquem. Para mim a direita quis o FMI em Portugal. O comentário do Ricardo Saramago apenas confirma isso mesmo. Foram muitos anos a virar frangos, foi muita sede do pote…é compeensível, acho.

  24. lucklucky

    “…outros países seguiram ou estão a tentar seguir a via dos PEC para tentar evitar a intervenção do FMI – a Itália, a Bélgica, a Espanha até agora conseguiram evitar o resgate embora a dada altura estivessem sob ameaça – a Espanha, por exemplo, e até a Itália julgo, chegaram a ter juros a 7%….”

    A Italia está num acordo com a Troika, por isso é que Berlusconi foi corrido. Mesmo com Berlusconi, e a maior parte das pessoas não sabe que já há muito que a Italia não tem grandes defices estruturais – isto é sem contar com a dívida- a Espanha tem um dívida publica baixa comparada com a Portuguesa. A Bélgica é bem mais rica logo mais onde cortar. Qualquer destes países tem mais reputação que Portugal.

    Logo a pergunta para si simplesmente baseada na lógica:

    A-PEC IV :menor auto-exigência, menor credibilidade – os outros PECs não tinham sido cumpridos, para lá da própria desgraçada historia economica de Portugal-,, dívida continuará a subir mas supostamente menos ou seja não se espera que a lógica do endividamento pare.

    Onde vai buscar o dinheiro? Não é sustentável com juros a 7-8% ou ainda maiores.

    B-Troika :maior auto-exigência , divida continuará a subir mas menos menos, juros políticos.

    Diga.se que a única coisa que segura a Troika é um acto de fé, eles acreditam que vem aí crescimento para pagar as dívidas.

    A troika não é suficiente. E quer a Italia,Espanha ou Bélgica ou cortam ou destroem a economia com impostos.

    E não são só esses, ainda temos os Franceses e Alemães. estão todos na corda bamba e quanto aos Sócrates de Washington e Londres, vão deixar os respectivos países tão doentes que todo o mundo vai ficar constipado.

  25. Ramone

    Sim, Luckyluck, mas a partir daqui você segue para um lado e eu sigo para outro. Você acha que o problema é que não há capitalismo suficiente hoje em dia, eu acho que o problema é o capitalismo – a forma a que ele chegou que de um lado está a devorar os rendimentos das populações e por outro não aceita perder o domínio.

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