Ditadura fiscal

Alguns portugueses residentes nos EAU têm recebido cartas do Ministério das Finanças exigindo um pagamento de IMI relativo a 2011 10 vezes superior ao valor habitual (correspondendo a uma taxa de 5%). A carta também avisa que para o ano de 2012 o valor será 15 vezes superior, o que corresponde a 7.5% do valor do imóvel. Ou seja, quem for emigrante nos EAU e tiver uma casa em Portugal no valor de 200 mil euros, terá que pagar 15 mil euros por ano de impostos, vender a casa ou entregá-la ao estado. Quem se recusar entregar a casa ao estado, arrisca pena de prisão. Arrisca pena de prisão pelo simples facto de ter optado por trabalhar num país com um “regime fiscal claramente mais favorável” e julgar que poderia manter uma casa no país de origem sem ser roubado de 7.5% do seu valor todos os anos.
Já se sabia que este país não é para os que ficam, mas agora fica claro que também não é para os que emigram. Próximo passo para evitar o caminho para a servidão é abdicar da nacionalidade.

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51 thoughts on “Ditadura fiscal

  1. lucklucky

    http://www.ionline.pt/orcamento-estado-2012/oe-2012-proprietarios-passam-pagar-mais-imi

    “Quando os detentores dos imóveis tenham sede fiscal em jurisdições com regime fiscal “claramente mais favorável, constantes de lista aprovada por portaria do ministro das Finanças”, a taxa do imposto é de 7,5 por cento, acrescenta.”

    É esta a vergonha. Depois votem PSD ou CDS…com alguns supostos “liberais” Insurgentes.

    http://www.doutrina.net/adm/Revista_de_Doutrina_Tributaria/rdt_08/capa.htm

    “Uma vez afastada a explicação da evasão fiscal, resta apenas uma: a discriminação negativa tem exclusivos fins sancionatórios relativamente à escolha da localização territorial do proprietário do imóvel e é isto que entendo como inaceitável.”

  2. Rui Rodrigues

    Não conheço este caso particular mas sei que esta actuação é regulamentada por circulares internas da DGCI, elabordas por gente com pouco conhecimento e menor bom senso.
    Os tribunais tributários estão a arrastar processos durante dezenas de anos, entupidos por arbitrariedades destas, o Estado perde grande parte, o contribuinte gasta uma fortuna em garantias bancárias. Quando sai a decisão favorável, já o funcionário responsável goza a sua reforma bonificada pelo prémio da liquidação do IMI desse grande malandro que emigrou para as arábias.
    Mudar lgovernos ou leis é irrelevante.

  3. Luis Rodrigues

    Estou admiradíssimo com a vossa admiração, em 2000 vendi um apartamento por 17.000 contos e tinha um empréstimo para a compra do mesmo no BES de 15.000 contos, para vender o apartamento tive de pagar ao BES os 15.000 que me emitiu o recibo (distrate) com o valor pago, fiquei com 2000 contos de lucro, passado 5 anos fui chamado ás finanças (ferreira leite ministra director geral, o actual carrasco da saúde) mostrei o recibo do BES, não quiseram saber tive de pagar mais valias sobre os 17.000€, e assim o homem apareceu como grande gestor das finanças, a espoliar dentro da lei claro como é conveniete a todos os bons ladrões, e agora grandes resultados na saúde, à custa de não se sabe quantos que vão ficar sem ela, e eu sou um deles.

  4. Rui Marques

    Portugal dos políticos de MERDA não tem empregos para os seus jovens. Se eles forem para UAE (onde a Emirates e muitas outras empresas reconhecem as qualidades dos jovens portugueses), Qatar, Andorra, Bolívia, Uruguai… e eles quiserem comprar uma casa no seu país, os filhos da puta querem comer 7,5% do valor da casa todos os anos!

    7,5%??? Começaram com 1%, depois 5%… e agora 7,5%.

    Se quiserem cobrar a casas compradas por empresas off-shore, tudo bem. Agora a pessoas que trabalham fora??? Que culpa têm elas dos políticos de merda que têm?

  5. Caro CGP

    Não leve a mal aquilo que eu lhe vou dizer, mas parece-me não está a contar a história toda, como deve ser.
    Eu não sou fiscalista, os meus conhecimentos são apenas fruto de experiências pessoais ou de testemunho de outras experiências reais.
    Já há mais de 10 anos executei duas Moradias de luxo.
    Em relação à primeira, só descobri que o seu “real” dono era uma empresa, com sede num Offshore, quando tratei do assunto das telas finais, licença de utilização, etc.
    Em relação à segunda, assisti à mudança de propriedade, da dona com morada fiscal em Portugal, para uma empresa sedeada também numa offshore (essa era numa ilha que eu nem sabia que existia).
    Quando manifestei a minha curiosidade, sobre o interesse dessa “deslocalização”, explicaram as diversas vantagens:
    Menos impostos, recuperação de IVA, do gás, da água, da eletricidade, etc.
    Mas a mais importante, era a possibilidade de venderem a casa com óbvias vantagens para os comprador e o vendedor.
    Porque limitavam-se a vender a empresa sedeada na Offshore e pronto.
    Nada de IMT, licenças, etc.
    A quantidade de “tias” e “queques” que utilizam este método deve ter feito acender uma luz vermelha em qualquer lado no Ministério das Finanças.
    Mas quem criou esse aumento de IMI não foi este Governo.
    Ou foi a MFL, ou antes ainda, foi o SF no tempo de Guterres.
    Meu caro CGP, eu tenho pelo menos uma dúzia de familiares emigrantes, com casa cá.
    Nenhum deles se está a queixar, porque todas as casas estão registadas cá, por isso pagam o mesmo IMI de quem cá está, paga.
    Estou enganado?
    Pode ser.
    Mas acho que o CGP é que foi enganado.
    .

  6. Caro Luís Rodrigues

    Também não se está a explicar bem, ou não lhe souberam explicar, como se fazia.
    Você podia integrar o próprio banco onde tinha o empréstimo, na escritura de venda.
    O seu comprador pagava os 15000 c ao banco e os 2000c a si.
    Quanto muito, poderia ter de pagar mais-valias sobre os 2000c.
    Mas nem isso pagaria, se no prazo dum ano adquirisse outra casa, registando que o valor recebido na anterior venda estava a ser gasto na nova aquisição.
    Ou não lhe explicaram como se fazia, ou os valores que indica não são bem reais.
    Eu tive um assunto parecido e não tive consultar nenhum especialista fiscal.
    No banco explicaram-me a questão da escritura e um empregado das finanças explicou-se o resto, cálculo da sisa por permuta, assunto das mais-valias, etc.
    .

  7. Carlos Guimarães Pinto

    Mentat, você está correcto em relação à origem da lei mas não em relação à sua aplicação.

    Em primeiro lugar, a lei não se aplica a todos os emigrantes, mas apenas àqueles que residam em paraísos fiscais (uma lista extensa que inclui “paraísos” como o Iraque). Emigrantes em França com casas em Portugal não têm o mesmo problema. Em segundo lugar, os imóveis sujeitos a IMI estão, por definição, todos registados em Portugal. É a residência do sujeito passivo proprietário do imóvel que determina a taxa acrescida de IMI e IMT. Ou seja, qualquer português a nível individual com residência num “paraíso fiscal” tem de pagar esta taxa adicional. E não, não beneficia de qualquer redução de IVA ou impostos sobre mais valia, antes pelo contrário. Em terceiro, não que importe muito, eu não sou prejudicado directamente com este caso, apenas me afecta no sentido em que não irei ponderar a possibilidade de comprar casa em Portugal.

  8. “Em terceiro, não que importe muito, eu não sou prejudicado directamente com este caso, apenas me afecta no sentido em que não irei ponderar a possibilidade de comprar casa em Portugal.

    Caro CGP

    Está a ponderar mal, desculpe que lhe diga.
    Depois da história da aplicação de taxas mais elevadas a empresas sedeadas em Offshores, já soube que a “moda” continua, mas com empresas sedeadas em Portugal.
    Se quiser comprar casa cá, cria uma empresa cá (é barato), a empresa compra a casa que quer e pronto!
    Faz umas “facturitas” de vez em quando, recupera o IVA, paga às viagens aqui à “terrinha” através da empresa.

    Se calhar até pode receber uma parte dos seus vencimentos através dumas facturas ao seu patrão no Dubai, etc.

    Eu sou apenas Engenheiro Civil (mas não daqueles que dão para 1º ministro), mas acho a “Engenharia Fiscal” uma Arte, que qualquer Português, que não quiser dar em doido, deve estudar e aplicar.
    Não tivesse eu 53 anos e dois filhos para criar, e até eu estava aí no Dubai ou num sitio parecido.
    .

  9. Luis Rodrigues

    Resposta a mentat. Meu amigo pode crer que é a mais pura verdade, dirigi-me ao banco e disse que pretendia vender o meu apartamento ao sr. X que era financiado pelo BPI o BES sim sr. emitiu um distrate, e na data sentei-me eu a mesa do notário juntamente com o comprador e representantes dos bancos, o BPI passou um cheque ao BES pelo que se levantou a hipoteca, eu asinei a venda pelo estipulado , e fez-se nova hipoteca em favor do BPI e emprestimo em nome do comprador, e sim senhora eu comprei novo apartamento e pretendia abater os 10.000€ mas não me consideraram o abatimento porque como fiz novo emprestimo de valor inferior ao que dizem que fiquei 17.000 contos não só não podia abater como tive de pagar mais valias sobre dinheiro que nunca tive, não concordando dirigi-me a Direção Geral por carta e a Direcção Regional pessoalmente onde me disseram que se não concorda-se que fosse para tribunal, mas que perderia visto que se considerava tributável o valor total da venda e não a diferença , situação que creio foi alterada em 2001 ou 2002.

  10. Rui Marques

    Caro Menat,

    Vc confunde o trigo com o joio. Que se queira apanhar empresas fictícias é uma coisa. Outra coisa é prejudicar pessoas que vivem em Andorra ou Dubai (só para citar exemplos de 2 locais para onde muitos portugueses tiveram que emigrar por não conseguirem ter trabalho decente em Portugal e terem que pagar as suas contas ao final do mês).

    Quem aumentou este imposto de 1% (como era há uns anos atrás) para 5% e agora para 7,5% deve pensar que somos todos Duartes Limas, Vales e Azevedos ou outros iguais.

    Somos gente que trabalha e dá o duro, que gostaria de estar em Portugal se existissem trabalhos decentes, que não comprou vilas de 5 milhões mas apartamentos normais entre 100-200 mil euros, que tem salários bons para o nível RIDÍCULO de Portugal mas que não permitem enriquecer onde quer que seja (mesmo que os impostos sejam mais baixos).

    Ora esse país cheio de cabeças pensantes, encontrou mais uma bela maneira de se financiarem. Ah… e tal os ricos do Dubai, de Andorra, etc… que nós paguem agora o que nós queremos. Não estamos a falar de uma subida de uns 5 ou 6%. Quem comprou um apartamento em 2008 que tenha um valor de 150 mil euros, passou de 1500 euros para 7500 (são 500% de aumento) e no próximo ano pagará 11250€ (nem me vou dar ao trabalho de calcular a percentagem pornográfica do aumento). E isto em menos de 4 anos.

  11. Ricardo Arroja

    “Vc confunde o trigo com o joio. Que se queira apanhar empresas fictícias é uma coisa. Outra coisa é prejudicar pessoas que vivem em Andorra ou Dubai (só para citar exemplos de 2 locais para onde muitos portugueses tiveram que emigrar por não conseguirem ter trabalho decente em Portugal e terem que pagar as suas contas ao final do mês). ”

    Exactamente.

  12. lucklucky

    Porque raio alguém paga imposto por vender uma casa? É isso que o Mentat deveria perguntar…

  13. António Ferreira

    O IMI é o imposto mais rídiculo que existe! Eu compro uma casa, pago o valor de mercado por ela e depois todos os anos tenho que pagar um imposto por ter um pedaço de terreno meu? O que eu não consigo perceber é: mas afinal a casa é minha ou estou só a alugar o terreno, visto que pago uma renda anual por ele? Cheira-me a feudalismo e isto claramente faz lembrar os tempos quando a plebe pagava o dízimo… E estes otários (desculpem-me a expressão, mas estou completamente saturado de roubalheiras) ainda falam de crescimento económico…

  14. “…mas que perderia visto que se considerava tributável o valor total da venda e não a diferença , situação que creio foi alterada em 2001 ou 2002.”

    Caro Luís Rodrigues

    Continuo a achar que foi tramado ou mal acompanhado.
    O assunto da diferença entre valores no calculo da sisa e das mais-valias já é do tempo em que Cadilhe foi Ministro das Finanças e se aproveitou disso, sem explicar ao resto do povo o que poderia fazer.
    .

  15. “Porque raio alguém paga imposto por vender uma casa? É isso que o Mentat deveria perguntar…”

    Não sei porque é que tenho de ser eu a perguntar alguma coisa sobre isso.
    Eu só comentei para chamar a atenção que o terrorismo fiscal não foi inventado por este Governo, já existe há dezenas de anos.
    Aliás, quem compra casa, é que paga de certeza imposto (IMT).
    Quem a vende, só paga imposto, se tiver lucro sobre essa venda, e se a aquisição da propriedade em questão tiver sido feita depois de 1980.
    .

  16. “O IMI é o imposto mais ridículo que existe!”
    Caro António Ferreira

    Deve ser um bocado distraído.
    Não achará mais ridículo?
    »»Na factura da Electricidade: – Taxa de exploração DGGE; – Imposto sobre consumo de electricidade; – Contribuição Audio-Visual
    »»Na factura do Gás : -Taxa de ocupação do subsolo
    »»Na factura da Água: -RSU Fixo; -RSU variável; -TRH Água; -TRH Saneamento ; -Taxa de Controlo de Qualidade Água.
    »»Ecotaxas na compra de eletrodomésticos, computadores, lâmpadas incandescentes, etc.
    »»Ocupação do “espaço aéreo” quando se monta uma grua torre.
    »»Certificado energéticos quando aluga ou vende nem que seja uma “capoeira”.
    »» Taxas autónomas de IRC
    »»IRC especial por conta em função da facturação do ano anterior, mesmo que tenha tido prejuízo.
    Etc.
    Chega ou quer mais exemplos?

    O IMI até poderia ter uma certa lógica.
    Uma propriedade só é mesmo sua, se existir um Estado de Direito que lhe assegure isso, defendendo o seu direito de propriedade.
    O IMI poderia ser considerado o custo desse serviço, como a portagem numa autoestrada.

    Uma coisa curiosa, que muita gente não sabe, é que nos EUA, em certas Cidades não se compra propriedades, aluga-se por prazos elevados tipo 90 anos.
    .

  17. “Outra coisa é prejudicar pessoas que vivem em Andorra ou Dubai (só para citar exemplos de 2 locais para onde muitos portugueses tiveram que emigrar por não conseguirem ter trabalho decente em Portugal e terem que pagar as suas contas ao final do mês).”

    Esta lengalenga dos sacrificados dos emigrantes também já me enjoa.
    Quem, com mais de 40 anos fica desempregado, e dois filhos para criar, e em vez de emigrar cria o seu próprio emprego, e colateralmente para mais alguém, é o quê?
    Um parvalhão, obviamente.
    Queixam-se duma taxa, para a qual até já sugeri um método de amortecimento.
    Ainda não vi aqui, de tanto sábio que por aqui passa, sugestões de como posso eu e os restantes Portugueses, que não “abandonaram o barco”, sobreviver ao actual saque fiscal.
    .

  18. CN_

    O IMI até seria um imposto aceitável se não existissem outros, e adicionalmente :

    – desse capacidade exclusiva de voto para juntas de freguesia, elegendo administração por assembleia
    – as freguesias tivessem autonomia para gerir conservação, rentabilização, segurança, veto ou aprovação de projectos, negócios nocturnos e outros

  19. lucklucky

    “Ainda não vi aqui, de tanto sábio que por aqui passa, sugestões de como posso eu e os restantes Portugueses, que não “abandonaram o barco”, sobreviver ao actual saque fiscal.”

    E por isso você não tem problemas que outros que nem sequer cá vivem pagem 7.5% Saque Fiscal, muito mais do que aqueles que vivem cá.

  20. António Ferreira

    Caro Mentat,

    O direito à propriedade privada é O DIREITO FUNDAMENTAL.Todos os outros são insignificantes se este não for respeitado.

  21. Caro António Ferreira

    O 1º Direito Fundamental do Homem é o DIREITO À VIDA.
    Todos os outros Direitos, que não são insignificantes e que devem ser defendidos, onde se inclui como um dos mais importantes, o direito à Propriedade Privada, não nos servem de nada, se o 1º Direito não nos for garantido.
    .

  22. “E por isso você não tem problemas que outros que nem sequer cá vivem pagem 7.5% Saque Fiscal, muito mais do que aqueles que vivem cá.”

    lucklucky

    Onde é que eu disse isso?

    Até dei sugestões para minorar isso.

    Mas parece-me lógico e natural, que um náufrago do Titanic, sem lugar num salva-vidas, não se preocupasse muito, se as Damas que seguiam nos salva-vidas, tinham de partilhar as suas echarpes de renda, com as outras passageiras.
    .

  23. Mas resumindo e concluindo!

    Foi este Governo que criou o Terrorismo Fiscal, ou a Ditadura Fiscal?

    Ou está apenas a aproveitar-se do que existe para tapar os buracos que encontrou?
    .

  24. António Ferreira

    Quando se fala de propriedade privada pode-se englobar o próprio corpo, visto que ele é parte integrante da propriedade privada de alguém.Assegurando o direito à propriedade privada, assegura-se o direito à vida, à morte, ao suícidio, à eutanásia, etc.

  25. “Foi este Governo que criou o Terrorismo Fiscal, ou a Ditadura Fiscal?

    Ou está apenas a aproveitar-se do que existe para tapar os buracos que encontrou?”

    Não criou, mas também não se limita só a aproveitar-se. Já vai acrescentando as suas próprias iniciativas. Lembro-me, por exemplo, da iniciativa originada pela ministra da Justiça e concretizada no parlamento pela maioria que sustenta o governo em torno da criminalização do “enriquecimento ilícito”.

  26. »»»Lembro-me, por exemplo, da iniciativa originada pela ministra da Justiça e concretizada no parlamento pela maioria que sustenta o governo em torno da criminalização do “enriquecimento ilícito”.«««

    Caro JLP
    Você sabe de certeza, mas se não sabe, tem perto de si quem lhe garantirá, que essa iniciativa é puro folclore.
    Não dará em nada, não apanhará nenhum dos muitos criminosos que devia apanhar.
    E se apanhar alguém, deve ser do tipo do sucateiro de Aveiro ou do pedófilo Bibi.

    E depois não percebo a indignação que essa “iniciativa justiceira” provocou, até por aqui nos meios “Liberais”.
    Há dezenas de anos, pouco depois da transformação dos Impostos Profissionais e Complementar no IRS, passou a ser passível de investigação os “sinais exteriores de riqueza”.
    E até na Declaração de IRS se tinha que declarar a propriedade de barcos de recreio, viaturas de custo elevado, etc.

    Por isso, em que é que essa “iniciativa” vem alterar o que já existe?
    Nada!
    É só Circo para entreter o Povo.

    E depois aqui vou deixar um lema que vai ser de certeza profundamente odiado pelos mais puros “Liberais”:
    – “Quem não deve não teme”.
    .

  27. Caro Mentat,

    “Você sabe de certeza, mas se não sabe, tem perto de si quem lhe garantirá, que essa iniciativa é puro folclore.”

    Porque diz que é folclore? Porque acha que não vai passar no TC, ou porque não vai apanhar nenhum “corrupto”?

    É que estas formas de “folclore perigoso” estão lá para desbravar caminho e com intenções bem diferentes dos puros fins que se apresentam como sendo o motor da legislação, que acabam comidos por muitas almas mais ou menos bem intencionadas.

    Uma coisa praticamente lhe posso garantir: se a lei passar e for colocada em prática, a sua mais que provável primeira “vitima” não vai ser nenhum “corrupto” ou nenhum “tubarão”. Vai ser um desgraçado qualquer que vai ficar de más relações com o fisco e que vai ser trucidado pela máquina fiscal utilizando este expediente. Isto para já não falar com os que vão ser colocados a grelhar na praça pública com inquéritos e investigações com as habituais fugas de informação estratégicas.

    “Há dezenas de anos, pouco depois da transformação dos Impostos Profissionais e Complementar no IRS, passou a ser passível de investigação os “sinais exteriores de riqueza”.”

    Exactamente. Só que a jurisprudência e a maneira como os tribunais trataram essas questões (naturalmente sempre à revelia da interpretação do fisco) foi muito clara: o uso dos métodos indiciários, exactamente pela sua natureza unilateral e inversora do ónus da prova, estava restrito às questões meramente tributárias, nomeadamente na fixação do valor a pagar de imposto. Estava completamente excluída a validade das conclusões da aplicação desses métodos a qualquer consideração criminal (incluindo ilícitos criminais fiscais). E estava muito bem.

    O caminho que se está em parte a caminhar com esta iniciativa é exactamente o de tornar válidos esses métodos para questões criminais, o que é de todo inaceitável.

    “Por isso, em que é que essa “iniciativa” vem alterar o que já existe?
    Nada!”

    Como referi, está errado.

    “E depois aqui vou deixar um lema que vai ser de certeza profundamente odiado pelos mais puros “Liberais”:
    – “Quem não deve não teme”.”

    Bem, em relação a essa, é melhor eu nem começar. 🙂

    Afinal, o Mentat não deve dever nada que o faça temer ter uma câmara no quarto apontada para a cama para salvaguardar a prática de diversos crimes, pois não? 😉

  28. lucklucky

    “Lucklucky, foi algum comentário seu censurado?”

    Sim. Tinham sido bloqueados o meu comentário no post ENVC e um teste nesse post. E outro aqui para saber se era só num dos membros do blogue. Parece que é generalizado.

    Ontem nenhum dos meus posts tinha sido bloqueado. Como explicar isto?

  29. Caro lucklucky,

    Fui eu que os desbloqueie, depois de terem sido incorrectamente marcados pelo WordPress como “spam”. Também não tenho explicação, a menos dos falsos positivos que são inevitáveis (e que tento detectar) em algoritmos do género.

    Mas, quando muito, será censura do WordPress, não d’O Insurgente. 🙂

  30. »»»“Porque acha que não vai passar no TC, ou porque não vai apanhar nenhum “corrupto”?«««

    Caro JLP

    Que não vai apanhar nenhum corrupto (daqueles que mereciam mesmo), tenho eu a certeza.
    Com as eventuais excepções que nós dois mencionámos.

    Se passa ou não no TC, obviamente que não sei.
    Mas sei uma coisa há muitos anos, por observação própria e por interrogatório a quem o João Luís sabe.
    Quando “eles” querem mesmo aplicar uma “iniciativa” qualquer, escrevem a mesma na forma de decreto-lei a partir duma autorização legislativa.
    Quando não querem, deixam que a AR faça a Lei, que depois esperará longo tempo, pelos diversos decretos-leis regulamentadores, portarias, pareceres e tudo o mais que for preciso, para que, ou nunca entre em vigor, ou esteja bastante bem armadilhada, para que nenhum dos “tubarões”, possa ser apanhado.

    Quanto à câmara no meu quarto, eu não fazia ideia, que a tal lei é assim tão “Orwerliana”.
    Mas ainda bem que me avisa.
    Eu não devo, mesmo nada, mas como nunca se deve dizer que “desta água não beberei”, caso me saia um “totoloto” injustificado, vou passar a ser mais “artístico” no meu quarto, para não enfadar os valorosos agentes policiais que me vão perseguir.
    🙂
    .

  31. “Quando não querem, deixam que a AR faça a Lei, que depois esperará longo tempo, pelos diversos decretos-leis regulamentadores, portarias, pareceres e tudo o mais que for preciso, para que, ou nunca entre em vigor, ou esteja bastante bem armadilhada, para que nenhum dos “tubarões”, possa ser apanhado.”

    Bem, neste caso concreto a lei, na prática, é um conjunto de alterações e de adendas ao código penal, portanto sendo promulgada não precisa de nenhuma regulamentação e entra imediatamente em vigor.

    Se poderá ter havido reserva mental de alguns que a aprovarem no sentido de que esta não entrará em vigor por vir a ser chumbada/vetada, não me parece que essa reserva existirá do lado de quem propôs e congeminou a lei.

    Esta lei existe para o estado, nas suas variadas vertentes (no caso o ministério público, a administração tributária) terem mais uma arma discricionária na mão para quem lhes tentar “dificultar a vida” ou não estiver “cheio de graça”. Tão simples quanto isso.

    Quanto à câmara no quarto, por enquanto acho que nesses domínios ainda não faz parte das competências do senhor ministro da administração Interna, mas continuando o argumento de “quem não deve não teme” a ser sistematicamente suportado, não há-de faltar muito. 🙂

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