Dura Praxis Sed Praxis

É curioso que o partido político português mais empenhado em apelidar as praxes de fascistas, é precisamente aquele que mais se enquadra no que é o campo do pensamento e da acção fascista – um dia destes desdobro-me sobre isto. Além disso, demonstra mais uma vez os tiques da Esquerda no que toca a interferir na vida dos outros. Goste-se ou não, a Praxe é voluntária. E goste-se ou não, todos os anos continuam a ser milhares os que a ela aderem. É retirar a responsabilidade individual e passar um atestado de imbecilidade a estes jovens, considerar sequer que são forçados a integrar a praxe. Existem sim, vários casos de abuso, que no entanto são apenas trágicos espasmos de mentes frustradas e nada têm a ver com a expressão desta bela tradição. A Praxe é dura, mas é a Praxe e a única atitude fascista vem, não dos praxistas,  mas de quem os tenta “regular”.

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25 pensamentos sobre “Dura Praxis Sed Praxis

  1. Luís Lavoura

    Não entendo. Então há casos de abuso numa coisa a que se adere livremente? Isto não é a modos que uma contradição?

  2. “Goste-se ou não, a Praxe é voluntária”

    Não é não – pelo menos no meu tempo, os praxadores entravam nas salas de aulas, diziam ao professor para acabar a aula e faziam um corredor humano para levar os caloiros para o campo de basquete – é fisicamente impossivel não ser praxado num sistema desses (a única maneira de furar a muralha de “veteranos” seria ao murro e ao pontapé).

    Da mesma forma, os futuros alunos eram praxados quando estavam na fila para as matrículas sem ninguém lhes perguntar se queriam ser praxados (se se reagissem mal ainda mais praxados eram).

    Dizer que a praxe é voluntária porque os caloiros podem sempre dizer aos praxadores “deixem-me em paz ou levam nas trombas” é como dizer que ser assaltado no metro é voluntário, porque a vítima pode sempre sacar duma ponta-e-mola para afugentar os assaltantes.

  3. 1 – O ponto do LL também faz sentido: se a praxa fosse voluntária, como era possivel haver abusos? Afinal, se alguém se sentisse “abusado” abandonaria a praxe, não?

  4. Dervich

    Há tradições de facto muito belas e que nos proporcionam imagens tão comoventes e edificantes como as do trailer, só comparáveis à emoção de ouvir jovens vozes a cantar em unísono “Bacalhau quer alho” ou ao exemplo máximo de responsabilidade que consiste em andar aos tombos em coma alcoólico pelas esquinas do Bairro Alto…

  5. 5 – A menos que o argumento do Ricardo Lima seja que a praxe é voluntária porque a ida para a universidade (e nomeadamente para uma universidade com praxe) é voluntária, e portanto os alunos são praxados voluntariamente, da mesma forma que pagam propinas voluntariamente, assistem às aulas voluntariamente, etc. Ou seja, ser praxado faz parte do “pacote” que os alunos aceitam voluntariamente quando se matriculam numa dada universidade. É isso? É que me parece ser a única forma do raciocinio do RL fazer algum sentido.

  6. Ricardo Lima

    1 – Você pode levar uma carga de porrada por andar na rua, o que não quer dizer que não ande voluntariamente. Há abusos em todo o lado, violência policial, violência nos lares de idosos, professores a agredir alunos (e vice-versa).

    3 – Acredito que no seu tempo isso pudesse ter acontecido. Actualmente só vai para lá quer quer. E sai de lá quem quer.

    6 – Mais uma vez, o seu argumento não faz sentido. Baseia-se em pressupostos errados que, podem ou não (como referi no anterior comentário) já ter sido verdadeiros num passado distante ou numa qualquer instituíção mais atrevida.

  7. Vasco

    Também não gramo o BE mas não concordo. Há uma situação psicológica nas praxas que é explorada pelos “maiores”. As praxes não são voluntárias: são submissão forçada. Reproduz perfeitamente o espírito chantagista que mais tarde se encontra nas empresas: e se nas universidades é-se apenas posto de fora nas empresas dá mesmo para ser corrido. As praxes são um fenómeno boçal de humilhação e submissão pública que não faz falta nenhuma.

  8. IV

    Vamos lá ver, praxe não são só caloiros !É uma hierarquia constituída por caloiros, doutores e Veteranos, em que se vai subindo na hierarquia, ou seja, a praxe não é só submissão, muita mais existe no trabalho, em que te limitas as ordens do patrão, na praxe não se é obrigado a entrar, muito menos a fazer algo que nos não queremos. Embora ache que esta deveria ser menos dura e em que se vive-se um espírito mais descontraído que por vezes em algumas universidades não se vive, mas acho que é uma excelente porta de entrada na universidade, onde se conhecemos muitas pessoas, e onde acabamos por crescer. Não é a toa que alguma empresas em entrevistas perguntam se andamos na praxe. Nada contra, Nada a favor, cada um tem que tomar as suas decisões.

  9. Falando do ISEG – anos 90: lá “praxe” é (ou era) sinónimo de “recepção ao caloiro” (e, aliás, a partir do momento em que a “recepção ao caloiro” – cerca de uma semana – terminava, quase tudo o que tivesse a ver com praxe também terminava; mesmo o traje académico que alguns usavam era copiado de outro sitio qualquer).

  10. Ricardo Lima,
    pode estar a extrapolar a partir do conhecimento de um número reduzido de casos. Se for à procura, encontra muitos casos, que até terminaram em tribunal, em que pessoas reportam que entraram no processo de praxe voluntariamente, mas que quando quiseram sair não lhes foi possível. E isto inclui casos célebres como os de «mergulho na bosta» e outros em que tenho dúvidas que alguém participe livremente, mesmo com muita pressão de grupo. Nem toda a coacção é estatal, sabe?

    Já agora: classificar o BE como «o mais fascista» dos partidos portugueses pode ser arriscado quando ainda existe o PNR. Porque este último partido até inclui várias pessoas que se consideram a si próprias como fascistas.

  11. Ricardo Lima

    Ricardo Alves. Eu referi que existiam abusos. Agora se reparar, esses casos que referiu é que são pequenos na dimensão da praxe e da quantidade de pessoas que a ela aderem.

    E ao PNR falta-lhe uma vertente bastante importante do Fascismo que é a ideia da Acção. O PNR tem tagarelas, já o Bloco deve ser o partido português com mais campanhas e iniciativas, aliás, algumas, ideologia à parte, bastante criativas. (nesse ponto tiro-lhes o chapéu)

  12. 14 – Esse “forçadas a ir” refere-se ao quê? Se era a recepção ao caloiro do ISEG, ver ponto 3; por outro lado, também é verdade que as pessoas podiam perfeitamente não ir à faculdade nessa semana (nem em nenhuma, já que não havia faltas).

  13. Pingback: Praxe, coerção e barbárie « O Insurgente

  14. Pingback: Sobre o documentário “Praxis” « O Centro Social

  15. “Ricardo Alves. Eu referi que existiam abusos. ”

    Ricardo Lima, até podes ter referido, mas continuas sem responder ao argumento do Luís Lavoura. Como é que pode haver abusos se a praxe é voluntária? Se é voluntária então e como se fosse uma relação sado-masoquista voluntária, quando o masoq estiver a sofrer muito, grita a palavra de segurança e vem-se embora.

  16. Ricardo Lima

    LA-C , porque no meio de milhares de praxistas, por vezes há um ou outro que vai para a praxe com outras intenções. Isso não é desculpa para afirmarem que a praxe não é voluntária. Se numa relação sado-masoquista um dos agentes pegar num taco de baseball e rebentar a cabeça do outro não significa que o primeiro não entrou no acto voluntariamente, significa simplesmente que o segundo fugiu ao acordado e muito menos, se acontecerem alguns casos mais, vai significar que as relações sado-masoqistas não são voluntárias. E depois também há os aldrabões, pessoas que foram uma ou outra vez à praxe, compram uma capa e andam por aí a enganar os caloiros. Normalmente esses incidentes acontecem nas mãos dessas pessoas. Mais uma vez, são burlões.

  17. Eu não sei a que incidentes te referes. Quando está um grupo de 40 ou 50 caloiros aos berros pelo campus universitário a gritar caralhadas, que as gajas são para foder, quando vês dezenas de estudantes no chão, com uma garrafa entre as pernas, enquanto outros têm um lápis e em cima delas simulam que estão a fazer sexo enfiando o lápis na garrafa, enquanto uns quantos estão aos berros com gritos de ordem de incitamento obscenos…, é a isto que chamas incidentes? É que se sim, então estás enganado, isto é o pão nosso de cada dia.

  18. Ricardo Lima

    Exactamente. Isso não são incidentes. São coisas normais. E se perguntares à malta que participa: adoram.

  19. Pois, se isto é normal, mais não resta do que proibir esta normalidade. Se este tipo de manifestações já seria de legalidade duvidosa num espaço público, então uma universidade, que não é um espaço público mesmo que seja pública, tem toda a legitimidade para a proibir.

  20. Ricardo Lima

    Pode proíbir dentro da Unversidade, isso já é uma opção das Reitorias, pelo menos no contexto das privadas. Mas mesmo proíbindo no espaço das Universidades, ninguém pode proíbir a praxe fora deste. E aliás, salvo excepções as praxes são quase sempre realizadas fora deste espaço.

  21. O que acho mais indignante não é o fato de ser recompensado “todo o esforço” destes alunos que participam na praxe, mas sim todos estes casos de “punição” por não se participar. Em primeiro lugar a praxe deve ser livre e não apenas em teoria, mas na prática. Não há problema que dentro desse contexto social os caloiros possam ter os tais privilégios e que os restantes não usufruam, mas que aqueles que não desejam participar sejam punidos ou de alguma forma prejudicados fisica/psicologicamente ou a nível de educação é estar a cultivar valores e uma sociedade em que o respeito pela diferença, liberdade de escolha e de ser não existe.
    Não levando o assunto ao extremo, simplesmente há muitas formas de diversão e o que se passa nas praxes muitas vezes é completamente de mau gosto e de uma perda total da verdadeira tradição. Não tenho nada contra a praxe e acredito que deveria ser utilizada para criar laços e recordações memoráveis, mas para isso não é necessário utilizar métodos exagerados nem pouco criativos que o que fazem é cultivar ainda mais a agressividade e a vontade de serem assim ou piores no ano seguinte quando poderem praxar… Infelizmente ainda há muitas Universidades com muitos alunos que passam por isto em que se (com algum grau de exigência) soubessem tornar agradável e divertido ou até mesmo minimamente instrutivo (trabalhar em equipa, respeitar cada um como é, os tais valores que se vão esquecendo…) seria uma mais valia.
    No final são alunos que muitas vezes perdem mais tempo com estas brincadeiras e que nas aulas se sentem incentivados por este tipo de comportamentos que acabam também por se prejudicar a si próprios. É pena que isto aconteça, mas negar que acontece ou remeter para uma minoria é estar-lhe a retirar importância, que mais ou menos visível, está lá. O que vejo é que seria um ótimo momento para doutores, mais maduros e com supostamente mais sabedoria demonstrarem exatamente isso, porque matricular-se ainda não é sinónimo de alistamento militar.

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