Privado de mercado

O presidente da Comissão executiva do BPI defende que se deve “privatizar parte da Caixa Geral de Depósitos”. Para quê? Desde há três ou quatro anos que percebemos que os bancos não podem falir. Ao primeiro estremeção, multiplicam-se as garantias e os apoios públicos: ainda hoje, são eles os beneficiários directos dos programas de liquidez do BCE. Valeria a pena privatizar a caixa se todo o sector bancário (incluindo a Caixa) se sujeitasse a uma efectiva disciplina de mercado. Senão, é mais ou menos indiferente.

Mas repare-se que a sugestão não é privatizar todo o capital da Caixa, apenas “uma parte”. Assim percebe-se melhor: uma vez cotada, a Caixa poderia adquirir bancos, fundir-se ou ser adquirida. E como seria excelente para qualquer banco dito “privado” colocar-se sob a sombra protectora da montanha de depósitos da Caixa e da garantia estatal que a protege e não precisa de ser accionada nem tem custos de comissão. Tinha a vantagem de ser mais explícito do que a ficção actual.

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Um pensamento sobre “Privado de mercado

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