Mais um perito

Perito do Comité Económico e Social Europeu para a área da publicidade infantil, Paulo Morais defende a proibição, quase total, das mensagens comerciais destinadas aos mais novos. O especialista considera que existe uma “autêntica lavagem ao cérebro”. 

Para este perito, a lei devia ser muito mais restritiva em Portugal. “Aliás, para que isso acontecesse, bastaria acompanhar os modelos dos países mais desenvolvidos da Europa, que claramente proíbem, quase totalmente, a publicidade dirigida a crianças”, defendeu Paulo Morais. 

Adoro a parte dos “países mais desenvolvidos da Europa”. Tenho gostado bastante das últimas posições do Paulo Morais, mas esta surpreende-me pela negativa.

14 pensamentos sobre “Mais um perito

  1. Crime é lutar contra a alienação desses pequenos enormes poços de desejos. A formação ideológica da criança enquanto consumidora é um imperativo para que o capitalismo continue de boa saúde. Abaixo os castradores da liberdade!

  2. FGCosta

    A julgar pelo comentário anterior, que é típico, a alienação a combater é muito mais vasta…e as maiores vitimas são adultos, não as crianças que têm muito mais bom senso, uma vez que ainda não passaram da fase de ver para crer para a fase de formatação ideologica em que se passa a crer para ver

  3. Luís Lavoura

    Portanto, o autor do post considera que não deve haver leis a proteger as crianças. Está tudo legal desde que não haja absolutamente nenhuma intervenção do Estado.

  4. H.R.

    A formatação do consumidor é para fazer desde o berço! Aliás, estou a trabalhar numa tecnologia que vai permitir transmitir publicidade intra-uterina dirigida ao feto.

  5. PedroS

    “Portanto, o autor do post considera que não deve haver leis a proteger as crianças.”

    Não necessariamente, Luís. A publicidade tem (também) uma função informativa (dizer o que existe disponível no mercado), que é útil.
    A “obrigação” de proteger as crianças da publicidade excessiva é dos pais.

    Disclaimer: tenho uma filha de 11 anos e não trabalho em publicidade

  6. neotonto

    “Disclaimer: tenho uma filha de 11 anos e não trabalho em publicidade”

    nao termino de entender que isso tem a ver com a sua opiniao, ter filhas de 11 anos ou trabalhar em publicidade. Há alguma causa-efeito por tais motivos?

  7. Luís Lavoura

    PedroS

    O Estado serve para servir a sociedade. Se alguma publicidade dirigida às crianças é considerada nociva pela generalidade dos pais, então o Estado tem o direito e o dever de a restringir ou eliminar, servindo dessa forma (isto é, ajudando) os pais.

    É claro que há publicidade de caráter informativo, e essa não deve ser eliminada.

    Para que fossem os pais a restringir a publicidade que os seus filhos consomem, seria necessário que os ditos pais estivessem permanentemente a ver o mesmo que os filhos vêem e a efetuar a triagem, o que é manifestamente impossível e constituiria, aliás, uma enorme perda de tempo para os pais.

  8. PedroS

    ““Disclaimer: tenho uma filha de 11 anos e não trabalho em publicidade”

    nao termino de entender que isso tem a ver com a sua opiniao, ter filhas de 11 anos ou trabalhar em publicidade. Há alguma causa-efeito por tais motivos?”

    neotonto, o disclaimer é apenas para dizer que q a minha opinião (“alguma publicidade é útil, e a responsabilidade é dos pais”) não é devida a eu ter algo a ganhar com a presença de publicidade para crianças, ou ser alheio à dificuldade que os pais sintam para proceder à triagem dos programas/publicidade que os filhos vêm

  9. PedroS

    “Para que fossem os pais a restringir a publicidade que os seus filhos consomem, seria necessário que os ditos pais estivessem permanentemente a ver o mesmo que os filhos vêem e a efetuar a triagem, o que é manifestamente impossível e constituiria, aliás, uma enorme perda de tempo para os pais.”

    Luís, isso não é impossível: eu faço-o com a minha filhota. Tem uma qtd máxima de televisão que pode ver diariamente sem supervisão, e sabe desde pequenina que não lhe compraremos praticamente nada que ela veja na publicidade.

  10. sdfsdf

    Aposto que os que estão a favor do “mercado” nesta situação são os primeiros a querer proibir violência e pornografia.

  11. Luís Lavoura

    (1) “tem uma qtd máxima de televisão que pode ver diariamente sem supervisão”

    Mas a televisão também dá coisas úteis, entretenimentos, ou educativas. Você proíbe a sua filha de ver televisão lá porque volta-e-meia aparece um anúncio?

    (2) “não lhe compraremos praticamente nada que ela veja na publicidade”

    Isso implica que você saiba tudo aquilo que ela vê na publicidade, isto é, que você veja televisão conjuntamente com ela. O que é uma enorme perda de tempo.

    Ademais, a publicidade anuncia algumas coisas úteis, como você mesmo disse acima, pelo que é estúpido não lhe comprar algo útil lá porque ela viu isso na publicidade.

  12. «O Estado serve para servir a sociedade. Se alguma publicidade dirigida às crianças é considerada nociva pela generalidade dos pais, então o Estado tem o direito e o dever de a restringir ou eliminar, servindo dessa forma (isto é, ajudando) os pais.»

    Dito de outra forma:

    O Estado serve para servir a sociedade. Se alguns produtos dirigidos às crianças são considerados nocivos pela generalidade dos pais, então o Estado tem o direito e o dever de os restringir ou eliminar, servindo dessa forma (isto é, ajudando) os pais.

    Ou ainda:

    O Estado serve para servir a sociedade. Se as ideias propagadas por fulano, que podem ser ouvidas por crianças, são consideradas nocivas pela generalidade dos pais, então o Estado tem o direito e o dever de restringir ou eliminar a sua propagação, servindo dessa forma (isto é, ajudando) os pais.

    Melhor ainda:

    O Estado serve para servir a sociedade. Se fulano não coloca grades na varanda usada pelas suas crianças, que tem um parapeito demasiado baixo, porque não está para se chatear, e isso é considerado nocivo pelo próprio, então o Estado tem o direito e o dever de obrigar toda a gente a colocar grades nas varandas, servindo dessa forma (isto é, ajudando) fulano.

  13. hcl

    Os canais de televisão vivem da publicidade.
    Quando eu era criança havia publicidade.
    OS meus sobrinhos (hoje universitários) viram publicidade.
    A minha filha (a entrar no secundário) vê publicidade.

    Porque é que de repente isto se tornou num problema?

    As companhias (más) querem vender os produtos a inocentes crianças?
    Usam imagens que as crianças gostam?
    Tentam seduzir as crianças com os seus produtos?

    Está tudo incapaz?
    Os pais demitem-se de ensinar espírito crítico e/ou limitações financeiras?

    Transferimos para o Papá Estado essa competência?

  14. PedroS

    “(1) “tem uma qtd máxima de televisão que pode ver diariamente sem supervisão”

    Mas a televisão também dá coisas úteis, entretenimentos, ou educativas. Você proíbe a sua filha de ver televisão lá porque volta-e-meia aparece um anúncio? ”

    Não a proíbo de ver anuncios, de maneira nenhuma.. Ela faz auto-regulação: sabe que pode ver uma máximo de uma hora sem supervisão, e escolhe. Qd passam anúncios, vai ler… Connosco, vê entretenimento, filmes, documentários, etc… O Luís Lavoura está a querer insinuar que é positivo as crianças verem diariamente uma quantidade ilimitada de televisão sem supervisão?

    ” (2) “não lhe compraremos praticamente nada que ela veja na publicidade”

    Isso implica que você saiba tudo aquilo que ela vê na publicidade, isto é, que você veja televisão conjuntamente com ela. O que é uma enorme perda de tempo. ”

    Não implica, não: como lhe compramos basicamente livros, filmes e jogos de tabuleiro o problema não se põe 🙂 Quando começar a haver publicidade a livros, vamos de facto ter um problema grande entre mãos 🙂 A única coisa que nos pediu por causa da publicidade foi uma boneca da “Barbie e o Pégaso Mágico” para o Natal no ano em que fez 5 ou 6 anos

    “Ademais, a publicidade anuncia algumas coisas úteis, como você mesmo disse acima, pelo que é estúpido não lhe comprar algo útil lá porque ela viu isso na publicidade.”

    Dito de outra forma: a criança pode ver o que lhe apetece na publicidade, mas sabe que não lhe compro nada se EU não achar conveniente. Se todos os pais fizerem isso, não há problemas com a publicidade excessiva.

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