Misturar alhos com bugalhos

É curiosa a insistência de alguns denominados “historiadores” em comparar a dívida alemã nos pós-guerras – imposta pelos vencedores como reparações – à a dívida contraída pelos gregos para financiar um Estado Social moribundo e um vasto exército cuja raison d’être é defender o país de uma guerra em grande escola com a Turquia que nunca se materializou – e que ninguém com cabeça acredita que se materialize num futuro próximo.

Mas aproveito a questão levantada para expôr a posição do historiador Niall Ferguson sobre a I Guerra Mundial e a culpabilidade da mesma:

9 pensamentos sobre “Misturar alhos com bugalhos

  1. EMS

    …No entanto a Alemanha invadiu a Grecia, matou gente, destruiu propriedade. Chegou ao ponto de “pedir” um emprestimo que até agora não pagou,
    E ao contrario da Bulgaria e da Italia que pagaram embora tivessem tido condutas de ocupação bem menos severas. A Alemanha, quando se lhe pedem ou pediram contas , esta assobia para o lado. pede que se adie para depois da reunificação, ou chega ao ponto de dizer que nunca fez um acordo de paz com a Grecia.

  2. E, se na I Guerra Mundial a Alemanha foi tratada injustamente, não há grande dúvida que, no caso especifico da invasão alemã da Grécia na II Guerra, não tinham razão nenhuma – a Grécia estava calma no seu cantinho (com um governo mais ou menos fascista e pró-alemão); a Itália invadiu a Grécia; a Grécia resistiu e pediu ajudas aos ingleses; a Itália pediu ajuda aos alemães (que penso que nem de acordo com os termos da aliança do Eixo teriam obrigação de ajudar a Itália nisso), que derrotaram as tropas gregas e inglesas. Ou seja, a Alemanha meteu-se, de sua vontade, numa guerra em que a Grécia era a parte agredida.

  3. Ricardo Lima

    E não foi tratada na 2ª ? Foi atacada pelas potências aliadas e acartou com as culpas. Já ouvi falar das brutais reparações que os Russos tiveram que pagar ? Não. Agora adivinhe porquê ?

  4. JS

    A propósito de alhos e bugalhos e do “Grito do Ipiranga”, versão Portuguesa, (bem) proferido por Graça Moura, um pouco de “food for thoughts”.

    A propósito do Livro: “Wired for Culture” by Mark Pagel.
    Comentário: Why Our Culture Is in Our Genes by Matt Ridley no WSJ

    “… We use it to operate the cooperative but competitive system of social exchange that is a society: to charm, forgive, manipulate, bewitch, embroider, exaggerate, diminish, disparage—to choose just some of the verbs from the key paragraph of Dr. Pagel’s (beautifully written) book.

    Languages evolve, just as genes do,changing gradually over time. But 7,000 different human tongues nevertheless seems excessive. Dr. Pagel’s explanation is that, since language serves the interests of the group, when a new tribe splits off from the rest of a society, the people in the new tribe deliberately differentiate themselves the better to unite.

    Even Americans did this, when Noah Webster deliberately altered the spelling of some English words (color, center, etc.) because “as an independent nation, our honor requires us to have a system of our own, in language as well as government.””

    A version of this article appeared Mar. 3, 2012, on page C4 in some U.S. editions of The Wall Street Journal,

  5. Por acaso a Rússia/URSS é um mau exemplo, porque dos “quatro grandes” é aquele que podemos sem grande dúvida dizer que foi atacado (quase “à traição”, porque eram mais ou menos aliados) pela Alemanha.

  6. Ricardo Lima

    Atacaram os países bálticos, a Finlândia, assaltaram a Roménia e, quase ao mesmo tempo que a Alemanha, invadiram a Polónia. E isto só a contar a partir de 39. Quer a lista dos países invadidos no pós-grande guerra ? É que o que começou por ser a Federação Russa acabou por integrar a URSS.

  7. CN

    Ferguson fez deste seu livro uma espécie de vejam-como-eu-sou-brilhante-até-vou-contra-o-consenso, quando na verdade a análise objectiva das condições da Grande Guerra já estava mais do que feita por historiadores até aí forma do maistream porque críticos da apologia dos intervenientes e aparelhos de estado envolvidos. Ferguson apenas o dispõe de uma forma respeitável e por uma única razão: são de tal forma evidentes as falhas da versão direitinha que era uma questão de tempo até a um apologista do Império de apontar o evento como sendo contra até aos interesses de longo prazo desse Império. Claro que o Império cai é na guerra seguinte e quem a ganha (quer no esforço quer no resultado final) são mesmo os Soviéticos, cuja ascensão ao poder só foi possível devido à Grande Guerra.

  8. 6 – Ricardo Lima, o meu comentário foi em resposta ao seu em que dizia que a Alemanha havia sido atacada pelos aliados; ora, é verdade que a França e o RU declararam guerra à Alemanha em 1939; também é verdade que, antes de Pearl Harbor, os EUA tiveram uma política hostil ao Japão e à Alemanha; mas a URSS nunca atacou ou foi hostil à Alemanha – pelo contrário, eram quase aliados!

  9. 7 – por acaso, quando comecei a ver o vídeo fiquei um bocado confuso (“parte do post parece ser pró-alemã, mas se dizem que o Ferguson vai contra o consenso, isso quer dizer que ele vai atacar a ideia dominante que a I Guerra Mundial foi uma matança sem sentido e provavelmente defender as razões do Império Britânico, logo atacar a Alemanha; isto não faz grande sentido”); à medida que via o video é que percebi que estavam a falar do consenso de 1919.

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