Impossível

Numa altura em que se ensaiava uma tímida redução no défice público e que as contas nacionais já se encontavam na SCUT para o precipício, o antecessor de Cavaco Silva queixava-se da obsessão com o controlo do défice e que “t[inha] de haver dinheiro” para os projectos sociais. Agora é Cavaco Silva que avisa que “É impossível impor mais austeridade aos novos pobres“. Pois. Mas não há dinheiro e fraca obessão com o défice dos políticos do passado (incluindo o actual PR) não nos deixam grandes alternativas. Pode ser extremamente desagradável para alguns mas não havendo dinheiro é preciso cortar despesa. Agora não há escolha. Em finais do ano 2000, Cavaco Silva garantia [*] que “o problema orçamental português e[ra] muito grave” e que “Já não e[ra] possível dominar o monstro sem dor“. Dez anos passados de despesismo passados a dor vai ser muitissimo superior.

[*] Agradeço ao Luís Aguiar-Conraria por me ter recordado estas declarações

9 pensamentos sobre “Impossível

  1. tric

    “Agora é Cavaco Silva que avisa que “É impossível impor mais austeridade aos novos pobres“. Pois. Mas não há dinheiro e fraca obessão com o défice dos políticos do passado (incluindo o actual PR) não nos deixam grandes alternativas. ”
    .
    que vos deixaram sem alternativas!!?? que tal começarem pelas parcerias publico-privadas…

  2. tiago

    Exactamente tric, fico incomodado com este discurso de não existir alternativas… Há muito por onde cortar sem ser no dinheiro dos que criam riqueza… Talvez se devesse a começar a tratar o monstro pelas suas causas…

    E já agora, reduzir “serviços sociais” estatais não é o mesmo que liberalizar, se não existir uma passagem intencional do público para a sociedade privada.

  3. ricardo saramago

    A conversa dos “serviçps sociais” é a conversa de quem não quer reduzir a estrutura do Estado.
    Como não querem cortar na dimensão gigantesca da burocracia e das multiplas entidades que reinam sobre tudo e todos, ficam-se por cortar vencimentos, aumentar impostos e cobrar taxas, sobre os serviços que já todos pagámos(e bem caro) com os nossos impostos.
    Chamam-lhe com descaramento austeridade.

  4. Alexandre

    A dimensão do estado não está a ser reduzida mas sim transferida para areas mais do gosto liberal: forças armadas, forças para-militares, forças de segurança e agencias de informação. Nada de novo, portanto. Mas Estatistas são sempre, sempre os outros.

  5. Paulo Pereira

    O Cavaco é a prova mais que provada da aliança clara entre Estatistas e Neotontos, ele que é simultaneamente o pai do Neotontismo português e do “monstro” burocrático.

    PPP’s, Agencias, Institutos, EPE’s, IP’s, Gabinetes, Unidades de Missão, etc. , é tudo Estado Anti-Social que o Cavaco e o Passos querem manter á custa dos pobres e da classe média .

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