Esquerdas Coerentes: Aborto Pós-Natal

Na reputada revista científica Journal of Medical Ethicsespecialistas na área defendem o Aborto Pós-Natal, ou seja, após o nascimento do feto, como noticiado aqui no Telegraph.

Se bem que não é um assunto económico ou habitual para mim, deixo aqui algumas notas sobre o tema:
1. Discordo em absoluto do Aborto, Pré-Natal ou Pós-Natal.
Na verdade acho mesmo execrável a ideia. E não tenho como humanista quem a defenda…
2. Aceito que uma certa esquerda defenda também esta opção, em coerência com o que disse anteriormente.
Obviamente, a minha opinião sobre esta esquerda que concorde com esta medida não vai melhorar…
3. Aceito que alguns se comovam e achem isto demais, havendo uma cisão no movimento pró-infanticídio.
Neste caso, estarão a ser incoerentes, mas ao menos terão um mínimo de dignidade…
4. Como Minarquista, acho que uma das poucas atribuições do Estado é defender a vida dos cidadãos. Todos.
E sim, a vida começa na concepção pelo que, como Ron Paul, sou a favor da intervenção do Estado aqui!
5. Acho deplorável que “cientistas” escrevam o que aqui foi escrito. É de facto uma profissão em crise.
O relativismo instalado está a atingir um ponto que eu penso que terá consequências num futuro próximo.

Post Script: O Público noticiou este assunto aqui.

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63 thoughts on “Esquerdas Coerentes: Aborto Pós-Natal

  1. Luís Lavoura

    Aquilo que aqui é designado por “aborto depois do nascimento” é aquilo que se costuma chamar “infanticídio” e sempre foi praticado, como método contracetivo normal, na China (no Ocidente também foi praticado, mas de forma mais subtil). Os ocidentais sempre consideraram a prática eticamente inaceitável, para os chineses ela é perfeitamente banal.
    A ética é uma coisa muito relativista.

  2. Toino

    O sr. adora ser extremista radical e apelar ás divisões…até as que não existem.

    Não conheço ninguém que defenda “aborto pós natal”. Nem na esquerda nem na direita, nem nos liberais de ambos os lados.

    Aborto pós natal é assassinato, em todos os Estados, mesmo os modernos (os dos EUA, na GB, na França, a Alemanha, na Espanha, em Portugal..), porque o nascido é uma pessoa. Um feto não é uma pessoa, é um nascituro. Só passa a ser pessoa e a ter direitos de pessoa com o nascimento.

    Ninguém (quase…os empresários do aborto talvez gostem, porque ganham $ com isso) gosta de fazer abortos, e (quase) ninguém é favor de abortos. Nem sequer as mulheres que decidem abortar, muitas delas católicas, inclusivamente, católicas de “direita”.

    Os Estados simplesmente perceberam que não podia conter a vontade individual de milhares de mulheres, que faziam milhares de abortos todos os anos, em Portugal (milhões no mundo), mesmo que não gostem de o fazer, e mesmo que a Lei fosse proibicionista. Por isso, e para assegurar que o que aconteceria de qualquer forma fosse feito com um mínimo de higiene e saúde legalizaram.

    Proibicionismo estatal não resultou. Pura e simplesmente.

    Pode-se dizer que o Estado não deve obrigar médicos a executar abortos. Concordo, e não obriga.

    Pode-se discutir se o Estado deve disponibilizar $ para os fazer.

    Agora tentar impor ética-moral individual aos grupos, e ainda por cima, sem nenhuma eficácia, só conduz à marginalidade e ao desrespeito pelo Estado e pela Lei.

  3. João Azevedo

    Esses “cientistas” metem o maior dos nojos, e desde quando pode essa gentinha fazer afirmações de ordem moral?! Leram qualquer coisa nos artigos de Newton?

    O aborto é uma barbaridade.

  4. Ricardo Campelo de Magalhães

    E portanto o Luís Lavoura defende esta prática como normal?
    E portanto o Luís Lavoura defende esta prática como a autorizar em Portugal, o mais cedo possível?
    E portanto o Luís Lavoura defende esta prática como merecedora do mesmo apoio monetário que neste momento é dado ao Aborto?

    Só estou a perguntar para saber o que o Luís pensa sobre o assunto em mais detalhe…

  5. Ricardo Campelo de Magalhães

    Toino, repare:
    Eu obviamente não acho que a interferência estatal não resulta e nunca se acabará com um fenómeno destes, como aliás nunca se acabará com o assassinato de adultos.
    Agora, que o Estado deverá tentar minorar, isso para mim é claro.
    Como?
    Perseguindo as clínicas praticantes de tal acto, fechando-as e responsabilizando pessoalmente os médicos e respectivos auxiliares que sejam infanticidas.
    Se tal acabará com o fenómeno? Claro que não. Mas então deveremos também legalizar o roubo só porque não conseguimos parar todos os casos deste crime?!?

  6. Disclaimer
    Se bem que me pareça um pouco absurdo, aqui vai
    NÃO SOU A FAVOR DO “ABORTO PÒS-NATAL”. “ABORTO PÓS-NATAL È INFANTICÍDIO”.

    Na prática, tal como diz o Luís Lavoura, o infanticídio já se pratica há muitos anos, a lei de alguma forma benigna pois trata-se de um acto de loucura. Não é uma decisão que é tomada de uma forma racional. Normalmente a questão das atenuantes só se aplica à mulher. Mesmo não resultando em infanticidio, a gravidez provoca grandes alterações hormonais em muitas mulheres.

    Um estudo, normalmente, tem o valor que a sociedade lhe dá. E a mim parece-me que a direita é que está a validar este estudo dando-lhe atenção.

  7. Toino

    Ricardo,

    Comparar o assassinato de uma pessoa nascida com o aborto de um feto não tem sentido para mim. Mas comparar o aborto que uma mulher faz (milhares por ano, em Portugal, antes e depois de mudar a lei, nem sequer aumentaram…) com assassinatos de adultos, é simplesmente desonestidade intlectual.

    E digo-lhe mais: não gosto de abortos, e, felizmente, nunca houve um aborto para o qual eu tenha contribuído, passiva ou activamente. Mas conheço mulheres que fizeram abortos. Uma em Espanha, outra em Londres e em Espanha. A que fez esses 2, é de católica e direita ( e o rapaz que a engravidou também), e entre os 2 abortos, na altura do referendo, vi-a numa manifestação anti-aborto e a dizer alto que era uma “vergonha”, etc. E o segundo (em Londres) aborto que ela fez já foi feito depois de ser legalizado cá. Percebe as hipocrisias, contradições complexidades disto tudo? É por isso, quem me venha com posições radicais, que pretendem dividir, que são simplistas, ideológicas, teóricas etc merece-me pouca consideração.

    Respeito as suas “ideias” mas não gosto que tente impô-las aos outros. E não gosto que radicalize desonestamente as questões, procurando atiçar ódios, só para se sentir “vivo”.

  8. Joaquim Amado Lopes

    Luis,
    Os autores do texto reconhecem a contradição no termo mas justificam-na com “we call such a practice ‘after-birth abortion’ rather than ‘euthanasia’ because the best interest of the one who dies is not necessarily the primary criterion for the choice, contrary to what happens in the case of euthanasia”.

    Se conseguir ler o texto todo sem vomitar, recomendo-o vivamente.

  9. Ricardo Campelo de Magalhães

    Não sei porque continuam a focar nas mulheres (que eu até penso que é aceitável que não sejam criminalizadas em muitos casos), e não na classe “médica” que executa os assassinatos/infanticídios.

    Parece que o lobby médico detém mesmo poder sobre as mentes do Português comum…

  10. Toino

    Ricardo,

    Sei que para certa área do mundo Católico (sobretudo a Opus Dei) a mulher é diminuída, e não deveria ser responsável e responsabilizada entre iguais.

    Os responsáveis da ICAR até queriam que o Estado tivesse um subsidio para manter as mulheres em casa, fechadinhas….Mas o mundo moderno “ocidental” separou Igreja do Estado (nunca completamente, mas pelo menos…teóricamente) e a ICAR já não manda no que as pessoas deveriam fazer.

    Por isso deixe de querer meter o Estado, e a sua igreja, e os técnicos no centro da questão.

    Sim, as mulheres são o elemento principal desta questão. São as mulheres, o corpo das mulheres, as DECISÕES individuais e soberanas das mulheres, que são pessoas individuais de pelno direito, que decidem que hajam abortos.

    Mesmo quando elas mesmas não gostam de os fazer. Mesmo que nós achemos que o aborto é errado. Mesmo que o Estado queira proibir. E mesmo que os católicos radicais queiram impor a sua vontade na sociedade.

  11. Penso que qualquer pessoa que defende o direito ao aborto com base nestes argumentos expostos por Carl Sagan não poderá concordar com a tese exposta.

    Já agora, acho muito duvidoso o argumento de que bebés recem-nascidos não têm objectivos – comno duvido que alguém se lembre dos primeiros dias após nascer, como é que podem dizer que eles não têm (ou não) objectivos*? Essa tese parece-me seguir a mesma linha que diz que os animais não-humanos não têm direitos porque não têm isto ou aquilo (na maior parte dos casos, como é que podem saber o que se passa na cabeça de canguru?): simplesmente um preconceito a favor da comunicação e pensamento verbal em lugar do não-verbal.

    *na verdade, atendendo a que os mamíferos recem-nascidos estão geneticamente programados para querer mamar, podemos concluir que o recem-nascido tem o objectivo de mamar (pelo contrário, não se pode dizer o embrião não tem o instinto de absorver nutrientes do corpo da mãe, já que esse processo é largamente passivo).

  12. Fernando Merlo dos Santos

    “Pessoalmente seria capaz de eliminar essa gentalha da forma mais sumária e económica que me viesse à mente.”

    Eu não gosto de ratos de sacristia, quer dizer que também o posso eliminar?

  13. oscar maximo

    Considerar como morte o fim da actividade cerebral e não considerar o nascimento da pessoa com o começo dessa actividade, isso é que será incoerência,

  14. Pi-Erre

    Só pergunto: por que é que o estado é para aqui chamado? Será que sabe mais que outros grupos? É mais ético? Respeita mais e melhor as nomas morais estabelecidas pela sociedade humana ao longo de muitos milénios?

  15. Nós quem? Sente-se representado pelo Estado? Por este Estado? Tudo o que ele faça é automaticamente sancionado por si? O Estado Novo também era “nós”? Quando o Estado aprova leis que permitem comportamentos iníquos e imorais, estes passam a ser aceitáveis? Quando o Estado permitia a escravatura, esta tornava-se menos monstruosa?

  16. Alexandre
    Por aqui neste blog, o mafarrico é de esquerda.

    rxcorreia
    Tantas perguntas. E agora o que é que eu faço? Vou ter de arranjar respostas. Oh meu dEUS vou ter de pensar.

    Errata
    “Uma coisa que a direita nunca percebeu, E NUNCA PERCEBERÁ, o estado somos nós.”

  17. Luis

    O que isto tem a ver com esquerda? N A D A

    Mas mostra bem o tipo de mentes conservadoras e manipuladoras (a la Hitler) que fazem associações desonestas para criar ódios.

  18. Ricardo Campelo de Magalhães

    mau,

    Então você assume como seus todos os erros que o Estado comete?!?

    Eu não!

  19. Ricardo Campelo de Magalhães

    Ricardo,

    Quem promoveu o Aborto foi a Esquerda, não a direita.

    Assim, estes cientistas sociais só estão a expandir um conceito de esquerda, não estão a inovar.
    E certamente não estão a defender um conceito de direita.
    Admita que pertence ao lado que abriu a Caixa de Pandora…

  20. Luis

    Ricardo Campelo de M.,

    Gostava de me considerar em desacordo consigo, mas a questão é de honestidade: você é desonesto intelectualmente.

    Nem a esquerda nem a direita promovem abortos nenhuns. O Aborto é legal nos EUA, na GB, etc. Nas nossas sociedades os Estados não promovem abortos. Só tomam a posição de ele ser proibido (e logo marginal) ou legal. Mais nada.

    Quem promove o aborto é quem os faz, mulheres e abortadores, sejam de esquerda ou de direita.

  21. A. R

    Só há uma barreira: é entre a vida e a não vida. Quando alguém decide tomar o direito de com a sua vida acabar com outra vida por motivos fúteis então abre todas as possibilidades de o continuar a fazer por outros motivos.

    O infanticídio fazia-se no Império Romano mas isso já foi há dois mil anos. Onde está o progresso? No regresso ao passado?

  22. Cfe

    “Uma coisa que a direita nunca percebeu, o estado somos nós.”

    Se repetires muitas vezes até és capaz de acreditar nisso.

  23. Ricardo
    “Assim, estes cientistas sociais só estão a expandir um conceito de esquerda…”
    Este cientistas estão mais próximos da direita que da esquerda.
    Para a direita é que não existe diferença entre um óvulo fecundado e um ser humano.

    “Então você assume como seus todos os erros que o Estado comete?!?
    Eu não!”
    Não assumo os erros deste governo por exemplo.

    “Se repetires muitas vezes até és capaz de acreditar nisso.”
    Eu sei, é assim um ideia romantica da esquerda, até um bocado pirosa.
    O que importa mesmo é o capital, o dinheiro, ficar rico, trabalhar muito, não ter tempo para a família, para os amigos.
    Sociedade, que estupidez, não passa de mais uma cambada de gajos que podemos explorar. Porque isto é uma selva, ou comer ou ser comido.
    Porquê que me devo importar e pagar ambulâncias para esses velhotes do interior que sempre trabalharam no campo e nunca descontaram nada. Tivessem trabalhado mais. Eu não tenho culpa, o estado novo era tão desenvolvido, toda a gente era rica feliz e instruída.
    Isto sim é uma “sociedade”.

    Se o estado é uma merda, é por causa de fascistas como vocês. Vocês são estado, quer queiram quer não.

  24. Nuno B. M. Lumbrales

    Estou profundamente chocado com o facto de a comunidade científica da classe médica sequer ponderar o «aborto pós-natal».
    Em direito chama-se infanticídio, e (pelo menos enquanto não se lembrarem de fazer referendos sucessivos sobre tema, mas só até ao primeiro que ganharem) é crime.
    A ideia de que um ser humano só é pessoa a partir do momento em que tenha consciência da sua existência, pois só assim a cessação dessa existência constitua uma perda para ele é absurda, porque confunde a existência do direito à vida com a respectiva percepção pelo seu titular, o que não é de todo a mesma coisa.
    Além disso, é absolutamente errada a ideia de que o recém nascido não tenha consciência de si. O senso comum e a experiência de vida dizem-nos o contrário, e é bom lembrar que há uns 20 anos a esta parte se considerava que todos os animais não humanos eram irracionais, e que só mais recentemente se começou a admitir a evidência de que esses animais têm inteligência, ainda que em graus manifestamente diminutos por comparação com os padrões humanos.

    Apesar disso, este estudo e a sua divulgação têm como único aspecto positivo o de colocarem a discussão na perspectiva correcta: a razão pela qual o tema gera tão acesa e prolongada controvérsia não se prende só com esquerda ou direita, mas sobretudo com a questão de saber se o feto (quanto ao´bébé, para mim é indiscutível) é oou não uma pessoa.
    Quem, como eu, considera que sim, tende a considerar que o aborto deve ser proibido e criminalizado em regra, admitindo porém excepções (causas de justificação ou de exclusão da culpa, e assim de permissão) para determinados casos (malformações graves do feto, violação, perigo para a vida da mãe, etc.). E nesta perspectiva o argumento da livre decisão da mãe quanto a querer engravidar ou não não colhe, porque do outro lado da balança está o direito à vida de outra pessoa.
    Quem, por outro lado, não considera o feto uma pessoa, tende a considerar que a mãe tem todo o direito de decidir se quer ou não engravidar, e considera que a proibição e criminalização do aborto uma imposição de conceitos morais e/ou religiosos que não deve ser imposta a quem pensa dessa forma.
    A diferença, portanto, mais do que ideológica, é conceptual, quanto à questão de saber se o feto é ou não uma pessoa.
    Não acredito que haja muitas pessoas que, considerando o feto uma pessoa, defendam a possibilidade de realizar abortos de fetos saudáveis por livre decisão da mãe, sem necessidade de uma causa justificativa particularmente forte.

    Na minha perspectiva, o feto é um ser humano porque é (como comprova a genética) um ser vivo distinto da mãe, constituído por um indivíduo da mesma espécie, ainda que num estado muito inicial do seu desenvolvimento.
    Isto, porém, não lhe retira a qualidade de ser humano e, consequentemente, a dignidade inerente ao estatuto de pessoa.
    Muito pelo contrário, significa apenas que é particularmente indefeso e vulnerável, o que exige uma especial protecção, que em princípio caberá à fámília, sobretudo aos pais, mas que quando estes falham neste papel, caberá ao estado – precisamente como acontece com as crianças ou menores em risco.
    Quando é efectuado um aborto, um ser humano, na maior parte dos casos perfeitamente saudável, é propositadamente morto, razão pela qual se justifica perfeitamente a intervenção do Estado, para verificar se essa morte foi ou não justificada por um motivo atendível (preciamente como sucederia com qualquer criança ou adulto).

    Voltando à esquerda e à direita, é inegável que, pelo menos na história recente, a legalização do aborto tem sido uma bandeira poítica da esquerda libertária, baseada no argumento de que a mulher é soberana no que toca a decisões referentes ao seu corpo e que, portanto, tem todo o direito de se libertar de uma gravidez indesejada «sem dar cavaco a ninguém».
    A direita, pelo contrário, mesmo a liberal ou libertária, tem defendido a posição contrária.
    Isto sim já tem que ver com uma questão de ideologia, cultura e política, mais uma vez uma questão conceptual, mas agora respeitante ao conteúdo do conceito de liberdade.
    O conceito de liberdade defendido pela esquerda corresponde a uma liberdade construída a partir do reconhecimento da existência de uma série de direitos (pessoais, laborais, económicos, culturais, políticos, etc.) que todas as (cá está…) pessoas têm pelo simples facto de existirem, e que o Estado deve assegurar e respeitar. São vistos como direitos absolutos, inquestionáveis e imprescindíveis, e por isso virtualmente ilimitados.
    O conceito de liberdade defendido pela direita é um conceito que assenta muito na ideia de que a nossa liberdade individual existe e tem que ser respeitada pelo Estado e pelos restantes indivíduos, mas tem como contrapartida a ideia de responsabilidade. Cada indivíduo é (pelo menos moralmente, e muitas vezes também legalmente) responsável pela forma como exerce os seus direitos, e pelas consequências que daí advêem, para si e para terceiros.

    Neste caso, muito concretamente, para com os fetos e/ou bébés.
    Julgo que mesmo na direita (em geral, e em particular na direita liberal/libertária) as posições contrárias ao respeito pela liberdade sexual dos indivíduos, homens ou mulheres, e pelas suas decisões referentes a planeamento familiar, contracepção, etc. são já (e ainda bem) muito minoritárias.
    No entanto, o exercício dessa liberdade implica a responsabilização dos indivíduos em causa pelas consequências dos actos praticados.
    Em concreto, ao darem origem a uma nova vida humana, ou seja, a um filho seu, os indivíduos em causa tornaram-se (mesmo que inadvertidamente) pai e mãe, assumindo assim (pelo menos moral e eticamente) esse estatuto e as obrigações inerentes de proteger e zelar pelo seu filho.
    Porque um aborto implica eliminar uma vida humana, não pode ser visto como a simples correcção de um erro ou imprevisto – aquela pessoa já existe, quer isso nos agrade ou não.
    Não se trata aqui de defender uma ideia bacoca de que o sexo só deveria ser praticado com o único propósito da reprodução, mas sim de não aceitar a tese diametralmente oposta, segundo a qual o mesmo constituiu uma actividade única e exclusivamente lúdica, da qual não podem, em caso algum, resultar qualquer tipo de consequências.

    A principal razão pela qual os conceitos morais e religiosos do antigamente eram muito mais limitativos do que os actuais no que se refere à sexualidade (mesmo que depois não fossem na prática respeitados) não era que os nossos antepassados próximos (avôs, etc.) fossem intelectualmente tacanhos, e muito menos que não gostassem de sexo…
    Tinham porém uma noção bastante mais clara, convicta e apurada do que a nossa sobre o respeito a ter pelo acto de criação de uma nova vida humana, e pelas responsabilidades que esse acto implica para com a nova criança.

    Termino pedindo desculpa a todos pela excessiva extensão deste comentário, e voltando ao «estudo» «científico» em análise, para uma caricatura.
    Nos debates que antecederam o primeiro referendo sobre a legalização do aborto, ouvi um interveniente num debate televisivo dizer algo como «se legalizarmos o aborto, um dia vamos ter pais a abortar retroactivamente filhos de 14 anos a tiro de caçadeira.»
    Irónicas mas proféticas palavras: ainda não chegámos lá, mas com estudos como este a ser publicados em revistas médicas de referência, para lá caminhamos.

  25. bruno

    Há comentadores honestos aqui neste blog que inocentemente estão a fazer o que na internet se designa por alimentar o troll. Existem aqui vários troll que só provocam, quando argumentam é de uma pobreza intelectual que mete dó e quando aperta fogem às argumentações… Por favor não alimentem os troll.

  26. Luís Lavoura

    Ricardo Campelo de Magalhães,

    “E portanto o Luís Lavoura defende esta prática como normal?
    E portanto o Luís Lavoura defende esta prática como a autorizar em Portugal, o mais cedo possível?
    E portanto o Luís Lavoura defende esta prática como merecedora do mesmo apoio monetário que neste momento é dado ao Aborto?”

    A resposta a todas as três perguntas é “não”.

  27. Alexandre

    RCM, adorava viver no mundo simples e maniqueista em que você vive.
    É tão mais fácil fingir que se pensa do que pensar.

    Ah, e sempre que chover e não lhe der jeito, culpe a Esquerda também.

  28. H.R.

    Cuidado com a generalização “cientistas”. Um físico não tem nada a ver com um biólogo que não tem nada a ver com um psícologo social, etc. etc.
    Como muitas vezes sou incluído nesse caldeirão dos “cientistas”, sinto-me ofendido por alguns comentários dizerem “os cientistas dizem X”.

  29. Para começar, penso que os autores não são cientistas, são “eticistas” (seja lá o que isso for).

    35 – “Na minha perspectiva, o feto é um ser humano porque é (como comprova a genética) um ser vivo distinto da mãe, constituído por um indivíduo da mesma espécie, ainda que num estado muito inicial do seu desenvolvimento.”

    Você acha que dois gémeos univitelinos são a mesma pessoa? É que o argumento “o zigoto/embrião/feto é distinto da mãe porque tem um genética própria” implicaria que dois gemeos univitelinos não fossem pessoas distintas (já que têm os mesmos genes).

    Para mim dois gémeos univitelinos são pessoas distintas, porque têm pensamentos, emoções, sensações, etc. distintas um do outro; ora, antes do desenvolvimento do cérebro (penso que algures entre as 10 e as 20 semanas) o embrião não tem nada disso.

    Já agora, parece-me que, ao contrário do que o Nunbo Lumbrales diz, a direita liberal/libertária por vezes até é muito mais radical que a esquerda na defesa do aborto livre – é lá, p.ex., que por vezes se encontram os argumentos de que a mãe tem, não só apenas o direito de abortar, como o direito de deixar o filho morrer à fome após o nascimento [exemplo].

  30. Nuno B. M. Lumbrales

    Os gémeos univitelinos partilham os mesmos genes mas não são absolutamente idênticos, quer a nível físico (é muitas vezes possivel distingui-los) quer a nível psicológico, como bem refere.
    Estamos por isso obviamente de acordo em que são pessoas diferentes.
    O argumento genético foi usado apenas para distinguir o feto da mãe.
    Além disso, o facto de existirem pessoas diferentes com os mesmos genes não invalida que, quando têm genes diferentes (como é o caso da mãe e do feto) isso demonstre que são duas pessoas distintas.

    Quando falei na diferença entre as posições da direita/esquerda quanto a esta matéria referia-me sobretudo ao exemplo português.
    Além disso, é claro que radicalismos existem sempre de ambos os lados.
    A ideia de que os pais têm o direito de deixar um filho morrer à fome é obviamente aberrante, claramente minoritária, e já não a «via» defendida seriamente desde Esparta antiga, ou coisa que o valha.
    Desconhecimento meu, assumidamente, como bem demonstra o link que deixou para o lamentável exemplo (que só serve para nos lembrar que as aberrações podem de facto pensar-se, discutir-se, promover-se, e no limite chegar a ser levadas à prática).

  31. Toino

    Certa direita conservadora (católica, Opus Dei, não liberal) quer meter a sua ideologia à força na questão. Queria forçar o Estado a aceitar as suas ideologias, impondo proibições totais, que na pratica eram completamente ignoradas até pelas mulheres católicas de direita, que abortavam aos milhares todos os anos. Fanáticos adoram impor a ideologia à realidade, e provocar, dividir, manipular, alimentar ódios, etc.

    Mas a mudança da lei não tem a ver com ideologia (nem com esquerda x direita). Tem a ver com questões praticas, técnicas, de saúde publica.

    A questão foi pratica: mudar uma lei que era completamente desrespeitada e ignorada, afectando o respeito pelo Estado de Direito. Uma Lei fora da realidade.

    A questão foi pratica: permitir que as mulheres pobres ( as outras iam e vão ao estrangeiro) não tenham de ir para a marginalidade, para a falta de segurança e saúde, que lhes punha em risco a vida.

    Quando o aborto era totalmente proibido faziam-se na mesma dezenas de milhares de abortos todos os anos em Portugal, e muitos deles era feitos por mulheres católicas e de direita!

    Com a mudança da lei, além de menos mortes e problemas de saúde e sanitários, derivados da falta de condições que havia, o numero de abortos continua mais ou menos o mesmo, até tem diminuído ligeiramente. Diminui por causa do planeamento familiar, pelo uso da pílula e do preservativo, pelo melhor nível de educação, cultura e informação (a ICAR é contra tudo o que diminui DE FACTO os abortos)

    De resto, quase todas as pessoas, na direita como na esquerda, não gostam de abortos, e preferem não os fazer. (Quase) toda a gente é contra os abortos. Mas alguns LIBERAIS e com BOM SENSO são a favor de que, a haver, aconteçam em segurança e saúde. É só isso.

  32. O que deixa os abortófilos fora de si é ver um dos seus dizer aquilo que os opositores do aborto sempre disseram: não há qualquer diferença substancial entre matar um feto e um recém-nascido.

  33. Alexandre

    “Abortófilos!!!!!”

    Muito bom!

    “Querida, vamos ao cinema?”
    “Não! Apetece-me mais fazer um aborto!”
    “Vamos, vamos que a clinica até fica perto daquela pizzaria que gostamos e depois damos lá um salto!”
    “Ai que bom! Obrigado, amor!”

    – Conversa entre um casal abortofilo.

    😀

  34. Bruno

    “”Há comentadores honestos…”
    Para sí honestidade é acusar a esquerda de todos os males do mundo?

    “…quando argumentam é de uma pobreza intelectual que mete dó…”
    Por outro lado, a sua única contribuição para este forum é arrogar a sua superioridade intelectual.

    “…quando aperta fogem às argumentações…”
    Considera perguntas desonestas “apertar”? (“Quando o Estado permitia a escravatura, esta tornava-se menos monstruosa?”)

    Miguel Madeira
    Belo exemplo.

    Troll has left the building.

  35. Manuel

    Gostava de chamar a atenção para o facto deste artigo “cientifico”, poder ter o se reverso da medalha. Escrito pelo que me parecem ser dois “filósofos”, muito agarrados às suas premissas e silogismos, aplicando a lógica da batata a todos as questões com que são confrontados, podem ajudar aqueles que olham para a questão do aborto de forma simplista, como apenas mais uma escolha.
    Ora se as premissas em que se baseia o aborto legal e “LiVRE” são na realidade uma falácia porque por extensão do raciocínio podem ser usadas para justificar o infaticídio, é certamente um sinal de que não podem ser logicamente usadas para defender o aborto.
    Se depois disto os Progressistas (de esquerda ou de direita, pouco interessa), no sentido pejorativo do termo, não conseguem perceber a diferença entre os direitos de um recém nascido e de um feto/embrião, estamos tramados, e eu vou-me deslocar ao armeiro mais proximo comprar uma espingarda porque não tarda nada abre a caça ao desempregado e eu sinto-me na obrigação de me defender, enquanto ser vivo/animal/humano/pessoa/homem/portugês/pai

  36. Ricardo Campelo de Magalhães

    Luis,

    O Hitler era Estatista.
    Como o senhor, defendia a intervenção do Estado fortemente em todos os aspectos da vida de cada um.
    Admito que de forma diferente, mas isso é natural pois não há 2 Estatistas que concordem em todas as intervenções que pretendem.

    Eu e a malta deste blog somos Liberais. E isso significa menos Estado.
    Logo, quem é “a la Hitler” é o senhor.

  37. Ricardo Campelo de Magalhães

    mau,

    Não, ele era Estatista. Como todos os que defendem forte intervenção do Estado na Economia e na vida dos cidadãos.
    Duh.

  38. “Eu e a malta deste blog somos Liberais.”
    Citando aqui o “belzebu”: “Olhe que não.”
    “Como Minarquista…” está a retirar a liberdade ao cidadão comum da possibilidade de ser chefe de estado.
    “Como Minarquista…”, ao defender a sucessão dinástica, está a retirar a liberdade ao delfim, de ser o que bem entender.

  39. “Não, ele era Estatista.” Estou a ver, já estamos a reformular o conceito de conservadorismo.
    Salazar também não era conservador.

  40. Nalgumas passagens do Mein Kampf, o Adolf soa quase como um liberal (da sub-espécie consequencialista) – exemplo: “National Socialist workers and employers are both together the delegates and mandatories of the whole national community. The large measure of personal freedom which is accorded to them for their activities must be explained by the fact that experience has shown that the productive powers of the individual are more enhanced by being accorded a generous
    measure of freedom than by coercion from above. Moreover, by according this freedom we give free play to the natural process of selection which brings forward the ablest and most capable and most industrious.
    “; por outro lado, na frase a seguir a esta, ele põe-se a defender a concertação social obrigatória e a proibição das greves como forma de acabar com a luta de classes, o que já não será muito liberal…

  41. “Ah, e sempre que chover e não lhe der jeito, culpe a Esquerda também.”

    Culpar a esquerda? Toda a gente sabe que a culpa é sempre dos capitalistas…
    (Ou então do governo, certamente neoliberal, que não criou uma lei que proibisse a chuva quando não dá jeito ao povo.)

  42. PedroS

    ““Como Minarquista…” está a retirar a liberdade ao cidadão comum da possibilidade de ser chefe de estado.
    “Como Minarquista…”, ao defender a sucessão dinástica, está a retirar a liberdade ao delfim, de ser o que bem entender.”

    LOL!!!

    Caro mau, um Minarquista não é um monárquico! É alguém que defende que o Estado deve estar confinado aquelas funções que não podem ser feitas pelos indivíduos: Segurança, Defesa e Justiça.

    PS: Num estado minarquista, a identidade do chefe de estado é irrelevante, dado o seu pequeno poder. Por isso, parece-me que um minarquista pode (em teoria) ser monárquico, mas o Ricardo Campelo de Magalhães nada disse a esse respeito.

  43. joao carlos

    o que irrita os pró-aborto em qualquer circunstância é que lhes chamem assassinos ou infanticidas. Porque eles ainda tem alguma consciência que lhes deve pesar. Mas é a pura da verdade. Mais de 80.000 abortos nos hospitais portugueses desde 2007 e milhões em toda a europa são o quê ? isto é uma verdadeira politica infanticida. Já houve outra há mais de 60 anos que era de apuramento da raça. Os autores são diferentes, as vítimas são as mesmas.

  44. Pingback: Still born « O Insurgente

  45. A sério, um “thumbs down” por admitir que me enganei???
    Eu já estava habituado a ter “thumbs down” neste blog, quantos mais tinha mais assertivo eu considerava o meu comentário.
    Mas por admitir um erro?

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