O Fomento do Plano

Saudações Insurgentes

The more the state “plans” the more difficult planning becomes for the individual.” – Hayek

Não poderia deixar passar a mais recente pérola do “padrinho político” do nosso PM. Ouvir Ângelo Correira, Grande Cavaleiro da Ordem Equestre do Papa S. Silvestre Magno, é sentir-se português. É tremer com o provincianismo dum povo que olha para Ângelo Correia como se de alguém se tratasse e não como de alguém que de si trata. E é escutá-lo, pavoneando-se por toda a sala, auditório ou pavilhão que se faça equipar de um microfone, desfazendo-se em ditos que só não o tornam mais pateta porque até em Portugal a patetice tem limites.

O Ângelo, se é que o próprio me dispensa da formalidade, é um dos muitos sobreviventes duma geração que conviveu de perto com o plano. Que aprendeu, nas Universidades, que o plano era vital, que o plano era correcto, que tudo passa pelo plano. Que assistiu, na juventude, aos últimos anos do Estado Novo e a uma economia que desatrofiava dos seus planos de condicionamento industrial, dos seus planos de fomento ou dos seus planos de povoamento colonial. Que lutou, na sua infância política contra os totalitários, os do plano quinquenal, do lado dos (social) democratas, os do plano de coordenação. No fundo, como era consenso no resto da Europa fora da Cortina de Ferro, seria penoso que se planeasse tudo, mas se-lo-ia ainda mais se nada se planeasse. Foi Ministro de um Governo. Governo esse que planeou o pleno emprego, empregando milhares na função pública. Que planeou o crescimento económico, investindo tudo que era dinheiro nacional ou europeu em autoestradas e outras infra-estruturas com as quais algumas potências ainda sonham. E planeou, planeou, planeou… Entretanto o partido de Ângelo saiu do Governo e deu lugar a outros, que por sua vez a outros deram lugar e que no seu conjunto tanto planearam o dinheiro alheio e a iniciativa dos outros que deixaram o país na berma na bancarrota. Não era esse o plano!

Hoje o país em tem novo governo, mas tem o mesmo Ângelo. O Ângelo de sempre. Que durante décadas, ao longo de várias governações, se insurgiu contra os que planeavam mal, fazendo questão de, na sua sabedoria, nos apontar como planear correctamente. Sem que alguém dissesse ao Ângelo que a efeméride europeo-americana – e brevemente a chinesa e a brasileira – não está na qualidade do plano, mas na existência do mesmo. Está numa concepção do papel do Estado na economia que limita a iniciativa privada e distorce o mercado. E está, acima de tudo, neste grupo no qual o Ângelo se inclui, que utilizou um instrumento ele próprio já nefasto – o planeamento estatal – para fins duvidosos, em detrimento, principalmente, dos contribuíntes.

PS: Aproveito para anunciar que, como já devem ter reparado, não irei escrever ao abrigo do Acordo Ortográfico em vigor.

6 pensamentos sobre “O Fomento do Plano

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