Lendas e narrativas

Há duas semanas, quando um dos processos nos quais o juiz Baltasar Garzón esteve envolvido foi arquivado por um detalhe técnico, o jornal Público nem piou. Hoje, poucos minutos depois dos principais meios de comunicação social espanhóis divulgarem a decisão do tribunal no chamado “caso dos crimes do franquismo”, já tínhamos notícia! Os jornalistas do Público parecem sofrer de atenção selectiva no acompanhamento da Via Crucis de Garzón. São distracções, com certeza, inocentes distracções. Mas deviam ter mais cuidado. Com tanto “esquecimento”, podemos pensar que são desonestos no seu trabalho, que apenas noticiam aquilo que serve na construção do mito Garzón, e que um processo que investigava negócios obscuros com o banco Santander não cabia nessa “narrativa” (como se diz agora em linguagem neo-palerma).

4 pensamentos sobre “Lendas e narrativas

  1. Para este blog o que importa é que os crimes da direita não sejam julgados.
    Quem assassinou na guerra civil continua alegremente a receber reformas, quem foi assassinado continua alegremente debaixo de 7 palmos de terras

    O que importa é que a corrupção continue tranquila, com a ajuda dos advogados que não podem ser investigados.
    Lição nº 1, tirar o curso de direito
    Lição nº 2 usar o canudo como protecção para qualquer investigação criminal.
    Sinceramente não sei porque não temos ainda mais criminosos inscritos na ordem dos advogados. É a protecção perfeita. Ao contrário da imunidade parlamentar, que acaba no fim do mandato, ser advogado é vitalício.

  2. A. R

    Garzon não era um Juiz: era um delinquente com toga. Até podia ter investigado como a frente popular, perdendo todas as eleições da república (que aliás pensam ser deles mas foi a direita que a defendeu), tomou o poder e lançou uma guerra cívil com um pogrom sobre a oposição, sobre a Igreja católica e sobre os grupelhos satélites da esquerda que não cabia no modelo estalinista. Podia ter investigado as sacas em Madrid, Paracuellos, os comboios da morte, o bombardeamento de Cabra (com bem mais mortos que guernica), a entrega do ouro da república a Estaline, as valas comuns de Cabezuelas, de Camuñas, de Alcalá, a terrível morte de Andreus Nin (esfolado vivo), os assaltos aos hospitais e decapitação de pessoas doentes com exibição da cabeça em cortejos por Madrid, etc.

    Mas talvez a sentença possa abrir a possibilidade de um juiz isento investigar os crimes da frente popular que passaram bastante inpunes.

    A sentença é uma cobardia dos juizes perante os manifestantes de esquerda radical e uma ofensa aos mortos da guerra do ódio estalinista. Não há vitimas inocentes e culpadas

  3. Gostei dessa da “linguagem neo-palerma”. Acho que se deveria mesmo escrever um “dicionário neo-palerma” para se perceber o que as gentes que o usam querem dizer.
    Sugiro desde já a inclusao das palavras “inverdade” e “neoliberalismo”

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