Da omnipresença do Estado

O cardeal D. Manuel Monteiro de Castro veio dizer que o grande problema de Portugal está no facto de o Estado não praticar em pleno o dom da ubiquidade. O mal está no Estado se substituir à mãe na educação dos filhos, diz o cardeal, e a solução está no Estado ter ainda mais políticas que se imiscuem na família, nomeadamente um certo tipo de apoio que permite à mãe ficar em casa ou trabalhar pouco.

Acreditar que o Estado pode ter um papel activo na família sem perturbar a função essencial da mãe na educação dos seus filhos é acreditar que o Estado pode ser encarado como um prolongamento natural das organizações sociais. Ou o senhor cardeal está a confundir o papel do Estado – coercivo – com o da Igreja, ou quando disse que o Estado não se devia substituir à mãe-educadora foi apenas para afirmar que o Estado se devia substituir ao pai-providenciador.

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2 pensamentos sobre “Da omnipresença do Estado

  1. Toino

    Nada disto admira…

    O Estado actual é herdeiro directo do Estado Católico, que era tão “omnipresente” como os Estados democraticos, socialistas e keynesianos, fascistas e comunistas deste mundo…Há um saudosismo do poder católico no ar…

  2. “Acreditar que o Estado pode ter um papel activo na família sem perturbar a função essencial da mãe na educação dos seus filhos é acreditar que o Estado pode ser encarado como um prolongamento natural das organizações sociais.”

    1º o Estado já tem um papel – demasiado – activo na família e, de facto, perturba a função essencial da mãe na educação dos filhos.

    2º o Cardel não defende em nenhum momento que o estado deva ter um papel ACTIVO na educação dos filhos. Defende que deve “dar apoio”. Tal como o estado dá apoio às empresas ao fornecer – idealmente… – um quadro legislativo estável para o funcionamento das empresas, não implica que desempenhe um “papel activo” na gestão das empresas, o mesmo raciocínio se aplica às declarações em questão.

    3º O que o Cardel defende é precisamente o contrário da conclusão que a Elisabete tira, quando diz que “A mulher deve PODER ficar em casa (…) de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos”. Ou seja, “tira” essa responsabilidade do estado e atribui-a às mães.

    4º Quando o Cardeal se queixa do pouco apoio dado pelo Estado às famílias refere-se (não leio pensamentos, muito menos através de notícias, mas imagino que o seu raciocínio vá um pouco por aqui…) , por um lado a leis injustas que penalizam as famílias numerosas e, por outro, à lei laboral que pode favorecer o conciliar da vida profissional com a de educação dos filhos que quiser – e se quiser – ter.

    5ª Em resumo, o estado tem todo o interesse em garantir a sua própria sobrevivência; esta sobrevivência só é possível com seres humanos (sem seres humanos, não há estado 🙂 ); tem todo o interesse em promover mais crianças e que estas possuam as condições para serem educados do melhor modo possível; pode fazer isso se, ter um papel ACTIVO na educação dos filhos.
    Parece-me que esta ideia é relativamente pacífica e que as palavras do Cardeal em nada a contrariam.

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