Como Gerir um Estado – Edição para Totós

Com a elegância típica de quem se vê forçado a uma posição de condescendência, o Ministro holandês dos Assuntos Europeus esteve num encontro em Lisboa com as nossas “autoridades” para uma lição sobre como se gere um Estado, sempre frisando que a Holanda também comete erros e que melhores dias virão:

  1. É preciso recuperar confiança e isso significa mostrar à população, ao mundo, aos mercados e à União Europeia de que são capazes de gerir a vossa dívida.
  2. Se um país viveu acima das suas possibilidades durante décadas, tem agora de pagar o preço.
  3. A ideia de que não há um preço é tentadora para um político usar perante o eleitorado, em véspera de eleições, mas não é verdade.
  4. Se um país acumula défices grandes e não tem um crescimento económico forte, a certa altura isso vira-se contra ele.
  5. A sua vontade de emprestar depende muito de sentirem ou não que esse dinheiro está a ser bem gasto e essa confiança só se conquista com melhorias na governação da zona euro e se países como Portugal agirem de acordo com as regras que todos decidimos.

Não é que os holandeses não nos queiram emprestar, mas, como diz o senhor do Norte, temos de certificar-nos que o dinheiro que emprestamos não é consumido pelas chamas. Claro que aí ele devia estar a pensar na Grécia. O nosso estilo em Portugal é mais afogá-lo em poços sem fundo.

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11 pensamentos sobre “Como Gerir um Estado – Edição para Totós

  1. Paulo Pereira

    É impossivel refinanciar 200 mil milhões de divida nos mercados sem ter o PIB a crescer.

    Por isso o mais urgente é colocar o PIB a crescer.

    Não existe moralismo (pseudo) nos mercados financeiros, não querem saber disso para nada.

  2. Paulo Pereira

    A receita é aumentar as exportações e substituir importações, ao mesmo tempo que se eliminam pelo menos 30% das entidades publicas e respectivas chefias do Estado Não-Social, que ficam assim libertas para o sector privado.

    para aumentar exportações e substituir importações apoiar as empresas de bens e serviços transacionaveis com redução do IRC e TSU em 50% e concentração de todos os subsidios do QREN e do estado, nesses sectores.

  3. Pi-Erre

    ” … e concentração de todos os subsidios do QREN e do estado”…”
    .
    Eu logo vi que tinha de haver subsídios.

  4. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (1 e 3),
    E em quantos milhares de milhões deverá a dívida pública aumentar para apoiar essas empresas?

    Não será preferível o Estado simplesmente deixar os empresários decidirem sobre a melhor forma de investirem o seu dinheiro, em vez de penalizar quem dá lucro para “apoiar” quem dá prejuízo?
    Afinal, os empresários respondem pelas suas más decisões. Quem responde pelas más decisões tomadas pelo Estado?

  5. Paulo Pereira

    JAL,

    No mundo actual supercompetitivo o “laissez-faire” não funciona (nunca funcionou !)

    Muitos países têm politicas industriais que favorecem as suas empresas.

    Deixar andar a situação vai continuar a empobrecer o país e a aumentar o desemprego, onde 450 mil desempregados não beneficiam de subsidio.

    O FMI, as agencias de rating e o “mercado” já sinalizaram que austeridade sem crescimento do PIB não funciona, por mera aritmetica e pelo que se conhece da historia

    Insistir nessa tese é um suicidio colectivo.

  6. Álvaro Oliveira

    A teoria parece fácil, mas, exportamos o quê? O quê que produzimos além de alguns produtos conhecidos, que seja agora exportável e que anteriormente não era.

  7. ricardo saramago

    O que o ministro holandês disse, podia ter sido dito pelo meu avô, se ainda fosse vivo.
    O bom senso é intemporal.
    Alguns julgam que nasceram agora com os olhos mais abertos que os que já cá estavam e andam todos os dias a descobrir o que já está inventado.
    Têm sempre uma nova solução milagrosa para tudo.

  8. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira (4):
    “No mundo actual supercompetitivo o “laissez-faire” não funciona (nunca funcionou !)”
    Pois claro. Neste mundo supercompetitivo, o melhor é não deixar as decisões de investimento nas mãos dos empresários porque os assessores governamentais (que conseguiram os seus cargos pelas suas extensas e bem-sucedidas carreiras empresariais) sabem melhor o que as empresas que não são deles devem fazer.

    “Muitos países têm politicas industriais que favorecem as suas empresas.”
    Podia ter começado e ficado por este argumento. Afinal, se muitos países fazem (só “muitos”, não “todos”?), então tem mesmo que ser uma boa ideia. Naturalmente, quando as coisas não resultam, é por causa de quem não segue essa estratégia.
    Só por curiosidade, como é que se decide se é melhor “os outros também fazem” ou “devemos ser pioneiros”?

    “Deixar andar a situação vai continuar a empobrecer o país e a aumentar o desemprego, onde 450 mil desempregados não beneficiam de subsidio.”
    “É preciso fazer alguma coisa; isto é alguma coisa; portanto é preciso fazer isto”. Por vezes, também se diz “os gatos têm quatro patas; o meu cão tem quatro patas; portanto o meu cão é um gato”.
    Não lhe passa sequer pela cabeça que o empobrecimento e o desemprego se devem precisamente a essas “soluções universais e milagrosas” que têm vindo a ser aplicadas desde há décadas?

    “O FMI, as agencias de rating e o “mercado” já sinalizaram que austeridade sem crescimento do PIB não funciona, por mera aritmetica e pelo que se conhece da historia”
    Segundo a Wikipedia “em economia, a austeridade significa rigor no controle de gastos” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Austeridade). Por outras palavras, não gastar mais do que se ganha. Ora, se a redução dos gastos não é suficiente para acabar com o deficit, então é necessário ganhar mais. Lógico.
    O problema é que aumentar o PIB à custa de investimento público não é mais do que gastar muito mais para ganhar um pouco mais (uma parte do aumento da produção é consumida internamente), o que resulta num aumento do deficit e, consequentemente, da dívida.

    “Insistir nessa tese é um suicidio colectivo.”
    E, no entanto, o Paulo insiste.

  9. Paulo Pereira

    JAL,

    Pregar o “Laissez-Faire” não adianta de nada quando China, Japão, Coreia, Malásia, Indonésia, EUA, Alemanha, Brasil, etc. têm politicas industriais que ajudam e premeiam as suas empresas.

    É uma utopia infantil sem sentido , é uma desculpa para aceitar o empobrecimento, e é reveladora de preguiça, ainda para mais depois da tontice da adesão a esta pseudo-moeda única.

    O que é necessário não é aumentar a despesa pública, mas sim ter politicas fiscais e outro tipo de incentivos às empresas , para que estas possam ter um minimo de condições para competir internacionalmente e em Portugal.

    Manter o rumo actual por teimosia ou ignorância do que se passa no mundo é a aceitação de que o empobrecimento é inevitável, quando existem dezenas de exemplos de países que souberam e conseguiram ultrapassar o “seu destino”.

    Os “mercados” não vão em lengalengas utópicas, nem de estatismos nem de pseudo-liberalismos românticos.

  10. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Pereira,
    “infantil”, “preguiça”, “tontice”, “teimosia”, “ignorância”, “lengalengas utópicas”. Pois.

    Portugal tem bastantes empresas bem sucedidas em termos de exportações. Há até um blogue (não me recordo agora do nome) onde são publicados artigos sobre algumas dessas empresas. Não me recordo de algum desses artigos que li mencionar “apoios do Estado”.
    [ironia]
    Eventualmente não reparei ou é tão óbvio que esse sucesso só é possível com apoios estatais que o autor nem sequer achou relevante mencioná-lo.
    [/ironia]

    As condições para competir, internacionalmente ou em Portugal, são relação qualidade/preço e estratégia comercial superiores às das outras empresas.
    Quando a competitividade deriva de “políticas fiscais” e “incentivos” específicos para certas empresas ou para as empresas de uma determinada área, então está-se a fazer por competir no preço, financiando essa “competitividade” com os impostos cobrados às outras empresas ou, muito pior, com endividamento público. Isso não apenas não é sustentável como não é desejável.

    As “políticas fiscais” e os “incentivos” devem ser iguais para TODAS as empresas, na forma de impostos baixos e NENHUM dinheiro público a ser aplicado em empresas privadas. As empresas que, pela sua estratégia e qualidade de produtos, forem competitivas florescem e as que o não forem fecham e dão lugar a novas empresas.
    É dessa forma que se evolui e se passa de produzir probreza a produzir riqueza, com os ajustamentos naturais em termos de salários, consumidores-alvo e estratégias comerciais.

    O empobrecimento de que fala não é inevitável simplesmente porque não se trata de empobrecimento mas apenas de deixar de se fingir de rico com o dinheiro dos outros. Enquanto não aceitar esta evidência, não empregue termos como “teimosia” ou “ignorância” para se referir a alguém além de si próprio.

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