necessário, mas não suficiente

“Trying to coerce a group of sovereign states to follow common rules is ultimately doomed. Leagues and confederacies are like feudal baronies: breaches lead to anarchy, tyranny and war. That was Alexander Hamilton’s case for a strong American federal government. After the adoption of America’s constitution, Hamilton became treasury secretary. The federal government assumed the war debts of the ex-colonies, issued new national bonds backed by direct taxes and minted its own currency. Hamilton’s new financial system helped transform the young republic from a basket-case into an economic powerhouse.

Does Europe, in its chronic financial crisis, need such a “Hamiltonian moment”? The European elite is looking across the Atlantic for ideas. There is little danger, as Hamilton put it in the Federalist papers, of returning to “bloody wars in which one half of the confederacy has displayed its banners against the other half”. But there is a surging resentment in creditor and debtor countries, and the risk of collapse. As a type of confederation, the euro zone struggles to take decisions, and to impose austerity and reforms on recalcitrant members like Greece.”, rubrica “Charlemagne” (na Economist de 11/02).

Na gestão da crise europeia tem existido falta de sentido democrático e falta de realismo. Primeiro, porque sendo a UE uma confederação de países soberanos, como a Economist muito bem concretizou, as grandes decisões (os bailouts e em última instância a centralização orçamental num Tesouro europeu) precisam de ser ratificadas pelo eleitorado e não apenas por meia dúzia de senhores parlamentares que obviamente têm interesse na manutenção do statu quo. Segundo, porque tem faltado realismo na análise dos problemas macro económicos dos países em aflição. Neste sentido, os défices públicos de países como a Grécia ou Portugal são apenas a pontinha do iceberg que, por sua vez, é a manifesta falta de produtividade destes países face aos seus concorrentes no espaço europeu. O resultado é a dependência da periferia face ao centro, cuja principal manifestação – o desemprego – representa um barril de pólvora prestes a explodir (hoje na Grécia, amanhã em Portugal). Assim, por maior que seja a redução do Estado (que eu defendo, mas que quase não vejo), por maior que seja a consolidação orçamental (que eu defendo, mas que vejo temporária), por maior que seja a liberalização da economia interna (que eu também defendo, mas que pouco vejo), a divergência entre a periferia e o centro, nomeadamente a divergência comercial, permanecerá até que os diferenciais de produtividade se anulem, se é que algum dia se anularão.

É, por isso, que tenho vindo a desenvolver uma tese liberal (concorrencial) em conjugação com uma tese interna (proteccionista). Agora, como é que isto se faz – se pela via de um IVA especial sobre bens e serviços produzidos fora de Portugal, se pela revogação temporária da ideia do mercado único ou se pela saída temporária do euro -, confesso, ainda não tenho uma ideia definida. Trata-se de um tema polémico que, a avaliar por algumas reacções aos meus textos (que me fazem lembrar as reacções de quando em 2009 eu comecei a escrever e a defender que a) os gregos acabariam com um perdão de dívida e b) que o Estado português acabaria a reduzir salários e pensões), não está ainda na agenda mediática, mas que, acredito, acabará por singrar na opinião pública mais cedo ou mais tarde. Deste modo, apesar das minhas dúvidas quanto à forma de proteccionismo a adoptar, tenho como muito firme a convicção de que a avenida seguida por este Governo, que eu genericamente aprovo sem prejuízo de existirem áreas onde eu o reprovo (por exemplo, no monopólio privado da EDP na energia ou na Justiça onde nada, rigorosamente nada, mudou), sendo um caminho necessário, infelizmente, não é um caminho suficiente. Quanto ao momento “Hamiltoniano” da União Europeia, dado o legado histórico dos países da confederação, não vislumbro alternativa que não passe pelo recurso aos referendos. Tudo o que envolver perda efectiva de soberania nacional e não for referendado, será não democrático. Enfim, o método diletante e difuso de Jean Monnet era possível a 6, mas não me parece possível a 17 nem, menos ainda, a 27.

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29 pensamentos sobre “necessário, mas não suficiente

  1. Carlos Novais

    “Trying to coerce a group of sovereign states to follow common rules is ultimately doomed. Leagues and confederacies are like feudal baronies: breaches lead to anarchy, tyranny and war.”

    Já se conhece que esse era o argumento de Hamilton contra a visão de Jefferson. Hamilton venceu e os EUA tiveram uma guerra para impedir a secessão passadas umas décadas. Esse argumento serve para defender uma Ordem Mundial.

    Quanto à questão de uma moeda e um Banco Central versus vários orçamentos(várias dívidas públicas passíveis de monetização pelo BCE), sim isso é um problema: sem disciplina individual, o que conduz às propostas dos federalistas salvadores de concentração de poder do orçamento e federalismo.

    Não precisamos de restrição ao comércio, a descida de salários público e pensões e mesmo salários privados sim é necessário e é o que deve ser feito em crises, isso e resistir a programas de estímulos que retiram recursos e capacidades à economia privada.

  2. Toino

    Se o Federalismo Europeu é tão impossível e asqueroso, porque é que o Federalismo estado-unidense (e supra..EUA + Canadá+ México) é tão possível e bonito?

    Se o Federalismo Europeu é tão impossivel e asqueroso, porque é que o Federalismo Chinês (e supra, pois está a formar-se lentamente uma UE Asiática, sob liderança da China) é tão possivel e bonito?

    Se o Federalismo Europeu é tão impossivel e asqueroso, porque é que o Federalismo Indiano (no qual convivem muito mais línguas, etnias, religiões, geografias, indivíduos, etc) é tão possivel e bonito?

    R: porque os “liberais” europeus, e portugueses em particular, são liberais estéticos, que cresceram a odiar o (pseudo) comuninismo sovietico e adorar o Reagan e a M.T., e filmes do Rambo, etc…São mais Republicanos do que liberais. E são mais americanizados que Europeus. E por isso odeiam a Europa. Odeiam-se a si mesmo enquanto portugueses.

  3. Paulo Pereira

    É fundamental discutir os problemas económicos sem tabus. O caminho actual não leva a lado nenhum.

    A solução para Portugal passa por uma redução agressiva no IRC e TSU nos sectores transacionáveis que permita um muito maior crescimento das exportações e criação de emprego, e por emissão de divida publica especial (M-Bonds) que permitam o seu uso para pagamento de impostos e taxas, criando assim uma quase-moeda , com risco baixo de incumprimento, o que criará um ciclo positivo de baixa de juros.

    Como é óbvio a situação actual é insustentável com 200 mil milhões de divida publica crescente e um PIB nominal estagnado.

  4. ricardo saramago

    Aqueles que sonham com uma federação europeia não querem ver que esta seria uma federação dirigida por um directório sendo assim inviàvel.
    Roma, Carlos Magno,Carlos V, Napoleão, Hitler, tentaram cada um à sua maneira, mas inevitávelmente acabou tudo em opressão, violência e guerra.
    Em qualquer caso, e fosse qual fosse a fórmula, teríamos que escolher entre federação ou democracia.

  5. Luís Lavoura

    Caro Ricardo,
    a sua tese de que Portugal tem um défice de competitividade está cada vez mais a perder validade.
    Por referência ao seu artigo lincado, você verá que o défice português no comércio de bens foi ainda bastante grande no total de 2011, mas
    (1) Nos dois últimos trimestres de 2011, especialmente no último, esse défice foi muito menor do que na totalidade do ano.
    (2) O défice de 2011 foi grande (6% do PIB), mas mesmo assim muito menor do que em anos anteriores (em que chegou a atingir 10% do PIB).
    (3) A balança de comércio de serviços é superavitária para Portugal, compensando em parte o défice no comércio de bens.
    Portanto, a sua tese do défice de competitividade está em cada vez pior estado face aos dados experimentais, e arrisca-se a perder de todo em todo a validade em 2012.
    E, se a sua tese do défice de competitividade perde a validade, as medidas que você propõe para o combater tornam-se supérfluas.
    Já agora, e ainda referindo-me ao seu artigo lincado, não é surpreendente que Portugal seja deficitário em produtos alimentares – sempre o foi! Portugal sempre comeu mais do que a comida que produz. Nem isso é especialmente grave, há muitos países nessa mesma condição.

  6. Toino

    Ricardo,

    Talvez tenha razão. Talvez a democracia não seja eterna, e é óbvio que terá de haver directorio…

    Mas isto é apenas uma tendência mundial. Globalização de grandes blocos. Não se deve remar contra a maré.

    Eu prefiro ser membro voluntário de uma UE, do que um fragmento “independente” a deriva, miserável, que acaba por ser dependente de Brasil, China, Angola ou EUA, conforme sopre mais forte no momento, para nos oferecer salvação…

  7. ricardo saramago

    Caro Toino
    Com a federação, viria a supressão da liberdade, a gestão centralizada da sociedade e da economia, a repressão da iniciativa e da diferença – teríamos um bloco autoritário europeu acossado pela estagnação económica em disputa pelos recursos escassos do mundo.
    Como a História demonstra, a guerra mundial que se seguiria seria (será?) devastadora.

  8. Ricardo Arroja

    Caro Luís Lavoura,

    1) Eu tenho-me referido preferencialmente ao défice de produtividade, que é um conceito ligeiramente distinto de competitividade.
    2) Quanto ao défice comercial e ao facto de ser menor que no passado recente, de acordo. Porém, tendo em conta 75% das nossas exportações de bens vão para o espaço intra comunitário (que este ano estará em recessão, sobretudo Espanha o nosso principal mercado de exportação) e tendo em conta o carácter inelástico das nossas importações (diminuindo a redução potencial das nossas importações), estou muito céptico em relação a melhorias significativas na balança comercial. Pelo contrário, vejo espaço para uma deterioração.
    3) Quanto à balança de serviços, é verdade que é positiva. Porém, depende largamente do Turismo, onde o País tem perdido competitividade (a relação entre custos e produtividade aumentou nos últimos anos), e em menor escala da Construção (em crise, sobretudo se o mundo, de um modo geral, mergulhar em recessão também), que são as únicas grandes categorias de serviços onde registamos superávites comerciais.
    4) Por fim, quanto à nossa dependência alimentar, o exemplo do pescado e a dependência alimentar de outros países. Parece-me inaceitável que Portugal com os recursos de mar que possui tenha de importar pescado. É que este deveria ser um dos nossos maiores trunfos no comércio internacional!! E seria uma forma de revitalizar outros sectores, como a construção naval onde temos tradição, permitindo que até os Estaleiros de Viana pudessem ser reabilitados!! No que diz respeito ào défice comercial na alimentação, pois bem, para além do aproveitamento dos recursos naturais de cada país, tudo depende de como se financia esse défice. Se for com recurso a reservas acumuladas, tudo bem. Mas se for com recurso a endividamento, ao qual acresce a inexistência de crescimento, então, o melhor é mesmo voltar à terra e a cavar batatas…

  9. Toino

    Caro Ricardo Saramago,

    Tem uma análise completamente eurocentrica…

    Então os Federalismos da América do norte, do sul, da China e da Índia, alguns bastante mais musculados e coercivos do que a UE, não fazem isto entrar numa GM, mas uma UE mais federalista já faria???

    Se a federação de Estados estudo-unidense existe e funciona bem, e o mesmo a China e a Índia, e em breve o Mercosul, e outras Federalismos e Confederalismos supra Estatais de todo o globo, porquê a embirração só com a UE? É a globalização, e a globalização é favorecida pelo liberalismo…

    Será que esta embirração só com a UE é porque alguns “liberais” são tão americanizados que gostariam de ver a UE cair e Portugal ser uma versão mais pequena e fraca da GB, uma espécie de Estado do Hawai deste lado, parte do (“bloco”)federalismo estado unidense?

    Se é esse o sonho, além de incoerente, é triste, e irreal.

  10. Ricardo Arroja

    “Eu prefiro ser membro voluntário de uma UE, do que um fragmento “independente” a deriva, miserável”

    Pois, caro Toino, está no seu direito. E como você há-de ver muitos outros que pensam assim. Daí eu defender um referendo em Portugal (e nos outros países também) acerca da nossa putativa integração política numa eventual federação europeia. Seria uma forma de deixarmos de estar, agora sim, à deriva. E, oxalá, o façamos antes de, se tudo correr mal, chegarmos a um estado miserável…

  11. Toino

    Ricardo Arroja,

    Já alguém disse: “um homem não é uma ilha”. Um país, como Portugal, também não.

    Somos pequeníssimos, nunca fomos auto suficientes, nem o poderiamos ser. A nossa economia é aberta, necessariamente. Queiramos ou não vivemos em comunidade, e se somos relativamente pouco produtivos, seremos relativamente pobres, independentemente de UE, EUA, Chinas e quaisquer blocos que nos abracem…

    Ser contra e culpar o “sistema” de tudo é fácil. A esquerda radical faz isso sempre…

    Se a “aldeia global” caminha em direcção a globalização e concorrência de grandes blocos, em que bloco prefere estar? Se não conseguimos viver em comunidade com Espanhóis, Alemães , etc, prefere ser lacaio de chineses, Brasileiros ou Angolanos? Se é contra a integração no federalismo Europeu, é a favor de quê?

  12. Luís Lavoura

    Ricardo Arroja,
    rebato alguns dos seus pontos um a um:
    1) As nossas importações não são inelásticas. Você é muito novo e não se lembra mas, há quarenta anos, comia-se um terço da carne que agora se come, o consumo de energia era muitíssimo menor (as pessoas andavamd e bicicleta, etc), e assim por diante.
    2) O turismo em Portugal está em alta, todos os anos aumenta o número de dormidas de estrangeiros. Inclusivé em 2011.
    3) Portugal come imenso peixe mas nunca produziu assim tanto. Por que pensa que em 1940 Portugal foi pescar bacalhau para as águas do Norte? Porque cá não havia peixe que chegasse! Por que pensa que as nossas peixarias estão cheias de pescada do Chile e da África do Sul? Porque nos nossos mares não há pescada da mesma qualidade! Por que pensa que os pescadores portugueses vão para Marrocos? Porque lá há mais peixe do que cá! A nossa costa não é especialemente favorável para os peixes, com exceção da sardinha, devido à inexistência de correntes frias, que é onde geralmente há mais peixe (por exemplo, no Peru, na África do Sul, no Saara Ocidental, todos eles banhados por correntes marítimas frias).

  13. Ricardo Arroja

    “Se é contra a integração no federalismo Europeu, é a favor de quê?”

    Sou a favor da soberania portuguesa. Quanto à UE, a ideia do mercado único teria sido muito apelativa se não se tivesse cometido o erro histórico da criação do euro. Um mercado único em que cada país pudesse ter a sua própria moeda, ajustando pela via cambial os diferenciais de produtividade, é que teria sido o bom caminho. Pelo contrário, não tendo seguido o bom caminho, estamos agora, os países mais pobres, amarrados nesta camisa de sete forças que é o euro e a ter de pensar em soluções “out of the box” que longe de serem as ideais começam a afigurar-se inevitáveis.

  14. Toino

    “Sou a favor da soberania portuguesa.”

    Nem com o Salazar éramos soberanos, apesar de ele se ter esforçado tanto, tendo como resultado a miséria, a emigração, as guerras coloniais perdidas á partida…

    Num mundo cada vez mais globalizado e de grandes blocos sonhar com independencia e soberania num país como o nosso ainda é muito mais louco do que achar que a UE é só maravilhas e facilidades…

    Para mim a UE não é perfeita, não é o caminho em direcção a uma salvação idílica. Tem problemas que é preciso ir resolvendo e ultrapassando.

    Mas a alternativa é por-nos sob a alçada dos EUA, Brasil, Angola ou China, ou a todos…E não me parece que os chineses ou brasileiros vão ser mais amigos nossos que a Alemanha ou a França.

  15. ricardo saramago

    Caro Toino
    Os europeus são o que são – dezenas de estados-nação – consolidados por séculos de guerra e disputas e constituídos por nações diferentes. As diferentes nações confrontadas com a centralização tornam-se nacionalistas e rejeitam os ditames do centro.
    Tal como Napoleão descobriu, os povos são nacionalistas e uniram-se às velhas classes aristocráticas e aos antigos regimes para rejeitar o “Grande Império”
    Os movimentos comunistas também tiveram o mesmo sonho no Inicio do sec. XX, mas rápidamente descobriram que mesmo na “Internacional dos trabalhadores” primeiro havia Russos, alemães, franceses, espanhóis, ingleses,…

  16. Toino

    Ricardo Saramago,

    “Os europeus são o que são – dezenas de estados-nação – consolidados por séculos de guerra e disputas e constituídos por nações diferentes.”

    Os chineses e indianos também.

    “As diferentes nações confrontadas com a centralização tornam-se nacionalistas e rejeitam os ditames do centro.”

    Na China e Índia não (não muito, a riqueza e força da união sobrepõe-se aos impetos secessórios regionalistas, até agora).

    A ONU, as organizações supra federalistas da américa do norte, do sul, da ásia, a umma islamica, etc, tudo indicam um mundo globalizado e competitivo em blocos.

    Não vejo a UE como um projecto perfeito, idilico. É apenas um mal menor, uma tendência, uma “maré”. Claro que haverá diferenças, como agora há entre Lisboa, Alentejo e Algarve…E claro que haverá Directórios, dos mais fortes e produtivos sobre os menos…e claro que no geral muita coisa ficará na mesma, como ao longo dos séculos. E daí? Você acha que sermos independentes e soberanos é possível neste mundo cada vez mais apertado e globalizado? Preferia estar sob a influencia de outro bloco?

  17. Ricciardi

    Bem, caro Ricardo Arroja, envio-lhe os meus parabens por ser dos poucos (na verdade mesmo muito poucos) que pensa sem estar constragido por ideologias e dogmas.
    .
    Isto de seguir dogmas é a razão que está por trás do fracasso daquilo que em tese se defende. Quer dizer, as ideias que defendemos, os principios económicos em que acreditamos, não podem ser válidos independentemente de tudo. Tem uma aplicação no tempo e das circunstancias. Por exemplo, a liberdade em tempo de guerra não pode ser a mesma que em tempos de paz. Da mesma forma que, a livre circulação de mercadorias é uma ideia boa se e só se os factores de produção forem obtidos de forma licita. Sou radicalmente a favor do livre comercio internacional desde que os players tenham contextos semelhantes ao nivel de leis: humanas e sociais e economicas.
    .
    Assim, a indecisão que sente quanto à melhor estratégia desemboca sempre no mesmo sitio. O comercio internacional é um jogo de soma nula. Quer dizer, a nível planetário, aquilo que se exporta é igual ao que se importa. Neste planetas há paises-estados. Uns podem produzir melhor umas coisas do que outros e vice-versa, fruto do engenho, da geolocalização e recursos. Há quem compre e há quem venda e, em principio, se tivessemos uma moeda própria, não poderiamos importar excessivamente de um país sem que este nos comprasse tambem o equivalente (com excepção dos paises fornecedores de materias primas). E não podiamos por razões de ordem prática. Os paises que nos vendem obtem as nossas divisas e tem de as escoar, mais cedo ou mais tarde. E portanto passarão a importar usando o excesso de divisas. E mesmo que as troquem no mercado, a coisa vai dar ao mesmo.
    .
    Ora, o euro veio alterar esta lógica. Sendo uma moeda universal e de referencia os paises que exportam para cá não precisam de importar para escoar divisas. A divisa é ela própria uma segurança para esses paises. A alemanha por exemplo não tem que nos comprar nada. Não precisa porque a moeda de Portugal e Alemanha é a mesma. Mas se fosse o escudo, o comercio entre os dois paises teria de tender para o equilibrio.

    Rb
    .

  18. Luís Lavoura

    A tese do Ricardo Arroja – liberalismo no mercado interno, protecionismo em relação ao exterior – foi defendida para os EUA no princípio dos anos 90 por um economista chamado, salvo erro, Ravi Batra. O Ricardo Arroja pode procurar os livros dele na internet e procurar neles algum alento.

  19. ricardo saramago

    Caro Toino
    Eu não tenho a sua fé.
    Penso sobretudo nas guerras civis e nas terríveis destruições que essa aparente(ou temporária) estabilidade da India e da China custaram aos seus povos.

  20. Boa tarde,

    Hoje o fórum está com um nível de comentários elevado e interessante.

    No meu entendimento Portugal poderá ter como solução para o seu equílibrio aplicando uma das 3 seguintes estratégias:

    Moeda:
    – Aplicar 2 moedas: € para exportações e importações (controlando melhor a balança comercial) / escudo para dinamizar o mercado e o consumo interno)

    Protecionismo:
    – O sucesso do Brasil é baseado na exportação de commodities, essencialmente para a China.
    Existe um boom imobiliário especulativo e de crédito farto, filme já conhecido pela Europa e EUA, existe ainda uma inflação alta e outros mais problemas, mas o Brasil tem uma balança de excedentes comerciais.
    A sua indústria exportadora, tirando os commodities, os poucos exemplos de sucesso, são na área dos calçados, aviação e pouco mais há a registar de significante.
    Quanto a importações, qualquer produto de origem importada no Brasil atinge valores absurdos. Desde uma simples lata de conserva ou garrafa de azeite (onde é bastante difícil a criação deste produto em terras brasileiras por razões climáticas), até um qualquer material de incorporação tecnológica.
    O que acontece então a nível industrial? É que qualquer produto para singrar em vendas, tem de colocar a sua base industrial no Brasil. A maior concentração de indústrias alemãs fora da Alemanha, está no estado de São Paulo, e observemos também a quantidade de multinacionais que existem na zona franca de Manaus.
    A própria China pensa em criar uma fábrica automóvel para poder ser competitiva em vendas no imenso mercado Brasileiro.
    O que levanta a seguinte questão? Valerá a pena a União Europeia taxar fortemente os produtos importados, seguindo a título de exemplo o Brasil?
    Com a concordância necessária da Alemanha, seguindo esta política de industrialização, a UE poderia recuperar empregos e o imenso mercado de consumo interno europeu. A própria França já acredita no protecionismo, pois também tem desequilíbrios comerciais.
    É assim pertinente olhar para a política de intervenção e o exemplo industrial brasileiro. A forma como eles quase que obrigam a colocação da indústria no Brasil para quem quer aceder com relevância a este apetitoso mercado.
    Em conclusão, a melhor forma de resolver os problemas da desindustrialização, seria entender a UE como um bloco económico, em que quem quer vender neste mercado de forma expansionista, tem de colocar aqui a sua indústria, nas regras europeias vigentes. Assim as indústrias exportadoras, chinesas, americas, brasileiras, russas, e demais locais…, se quisessem ter acesso ao mercado europeu teriam de colocar na UE as suas indústrias e da mesma forma deveria acontecer com a indústria europeia em outros mercados.
    Seria uma globalização mais equilibrada, respeitando as regras locais (salários, condições ambientais, realidade económica, etc…)
    A economia de mercado deve ser o mais livre possível mas como existe várias discrepâncias a nível global, é imperativo agrupar os mercados em blocos económicos, mas com interligações justas e prósperas para todos.

    Emigração:

    Portugal 10,760,305 População
    Portugal 247 PIB em dólares

    Finlândia 5,363 População
    Finlândia 238 PIB em dólares

  21. Lidador

    O proteccionismo é irracional.

    Se alguém nos consegue vender um bem mais barato, temos todo o interesse em fazer negócio com ele.

    Na verdade sobra-nos mais dinheiro para outras compras.

    Se o país que nos vende, ajuda os seus exportadores, e vende-nos a preço inferior ao do custo, numa estratégia de demolir os concorrentes, então o meu consumo está a ser subsidiado por esse país, o que é óptimo.
    Se empresas por cá forem à falência, é chato para elas, mas a nível macro não há qualquer problema, uma vez que mais recursos ficam disponíveis para investir em outros bens s seviços.

    Há alguma falácia no que acabo de escrever?

  22. Paulo Pereira

    Lidador,

    Isso é verdade se ao mesmo tempo que compramos barato vendermos para fora o equivalente em Euros.

    Como teremos um deficit corrente da ordem dos 12 mil milhões de euros em 2011, precisamos de aumentar as exportações nesse valor.

    Além de que temos 700 mil desempregados, dos quais mais de 50% não têm subsidio de desemprego.

    Continuar neste caminho é suicidio colectivo. Insistir no caminho trilhado desde há 20 anos e esperar resultados diferentes é ilógico.

    Precisamos de baixar IRC e TSU nos sectores transacionáveis e criar uma quase moeda paralela ao Euro, ou em alternativa empobrecer continuadamente.

  23. Lidador

    Sim, mas isso não se resolve com proteccionismo. Resolve-se, como muito bem sugeriu, vendendo bens s serviços que outros nos comprem.

    Mutatis mutandis, é como em nossas casas. Poderíamos fazer nós mesmos a limpeza, o pão, a roupa, etc, em vez de comprar. Mas isso retirava-nos tempo para actividades que entendemos mais produtivas.
    Um especialista em, digamos, traduções, que ganhe, por exemplo, em média, 50 euros por hora, não tem qq interesse em gastar essa hora a fazer a limpeza da casa, se pode pagar a uma empregada, 6 ou 7 euros. Mesmo que ele seja mais eficiente que a empregada, na própria limpeza, será um idiota se a fizer. Perde 43 euros.

    O conceito de”autarchia”, a ideia de autosuficiência de um país, era uma das bandeiras da Alemanha nacional-socialista. Deu mal….

    A História demonstra cabalmente que quando o comércio diminuiu, a pobreza aumentou.

  24. Paulo Pereira

    Pois, mas como é uma “heresia” para os fundamentalistas dos mercados livres ter politicas fiscais que incentivem as exportações e/ou a substituição de importações , vamos continuar alegremente a empobrecer e a perguntar “COMO SAIR DA CRISE ” durante mais uns anos !!

    Se 700 mil desempregados e uma divida de 200 mil milhões a crescer, não é ainda suficiente para mudar de rumo, não sei o que será !

  25. Lidador

    “ter politicas fiscais que incentivem as exportações e/ou a substituição de importações”

    Isso é, desculpe lá, a habitual cantilena do planeamento central. As “políticas” necessárias são simplesmente o Estado não se meter a “incentivar” ou a “desincentivar”. Menos impostos, menos taxas, e cada um trata de ganhar o seu e todos ganhamos.

  26. “Um especialista em, digamos, traduções, que ganhe, por exemplo, em média, 50 euros por hora, não tem qq interesse em gastar essa hora a fazer a limpeza da casa, se pode pagar a uma empregada, 6 ou 7 euros. Mesmo que ele seja mais eficiente que a empregada, na própria limpeza, será um idiota se a fizer. Perde 43 euros.”

    Isso é válido se o “especialista” tiver (ou tiver expectativa de vir a ter) trabalho que não lhe deixe tempo livre para limpezas, caso contrário é capaz de pensar duas vezes antes de contratar uma empregada para fazer o que ele podia fazer quando não tem trabalho.
    Penso que o problema de Portugal será semelhante, há muita mão de obra livre.

    Também não sou grande adepto de medidas proteccionistas, e também me inclinava mais para redução do IRC e TSU. Apesar de tudo, admito que o proteccionismo também possa ser uma solução.

  27. Paulo Pereira

    Lidador,

    Baixar significativamente o IRC e a TSU a todas as empresas em Portugal é inviável.

    Por isso essa baixa deve ser concentrada nas empresas de transacionaveis, incluindo o sector agricola, de forma a fomentar as exportações e a substituição de importações.

    Isto não tem nada da ver com planeamento central, a não ser para os fundamentalistas.

    Deixar tudo na mesma vai continuar a empobrecer o país, como acontece desde há 20 anos.

  28. Lidador

    “Isso é válido se o “especialista” tiver (ou tiver expectativa de vir a ter) trabalho que não lhe deixe tempo livre para limpezas”

    Claro. Mas repare que fazer ele as lmpezas é uma contingência, não uma solução. Quem advoga este tipo de “produção autosuficiente” está, na prática, a dizer que a solução é a subsistência. O que o especialista deve fazer é qq outra coisa em que ganhe mais do que aquilo que pouparia nas limpezas.

    “Baixar significativamente o IRC e a TSU a todas as empresas em Portugal é inviável.”

    É inviável porque o estado se endividou a “incentivar” coisas. O estado resolve , por exemplo, “incentivar” mercado automóvel. Dá, digamos, 2000 euros pelos carros antigos. E como precisa de dinheiro para esses “incentivos”, vai buscá-lo aos impostos sobre os automóveis. Vai buscar 4000 e dá-lhe 2000. 200o perderem-se nas fundas fauces da burocracia.
    Não seria mais racional que, em vez de “incentivar”, o estado he cobrasse menos impostos? Aí você teria mais dinheiro para comprar o carro novo. E ganharia você e o vendedor, e o fabricante, e o concessionário, etc.

    Quem perderia?

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