Da coerência intelectual dos socialistas

Aquele momento zen em que Mariano Gago diz que a pirataria acrescenta valor à obra do autor, que tem assim uma forma gratuita de distribuir a sua obra pelo mundo inteiro.

Ninguém diria que este senhor foi Ministro da Ciência e da Tecnologia (15 anos ao todo) durante os governos que mais contribuíram para a falsa assumpção de que a reprodução de obras prejudica os autores: durante os dois governos de António Guterres, em que nasceu a lei mãe do actual Projecto Lei 118, e durante os dois governos de Sócrates, em que Portugal negociou o ACTA.

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11 thoughts on “Da coerência intelectual dos socialistas

  1. Em princípio concordo com o que o Mariano disse.
    Quanto a cortarem-lhe o pio, é normal. Uma das características da sociedade pós-democrática em que vivemos é esta.
    Todos têm liberdade para dizer o que pensam desde que não se toque em nada essencial.

    Mas, pior, este tipo de atitude não está só nos grandes meios de comunicação social, está em todo o lado, até em blogs da autoria de sujeitinhos que quando forem grandes querem ser ditadores (ver, por exemplo, http://cabalas.blogspot.com/2012/02/sobre-o-fiel-inimigo.html)

  2. Joaquim Amado Lopes

    Devemos então depreender que, para a Elisabete Joaquim, um escritor cujos livros estejam (sem a sua autorização) disponíveis online para qualquer um copiar e sejam reproduzidos por uma qualquer editora que os distribua (gratuitamente ou não) por bibliotecas, escolas e particulares não tem razões para protestar contra esses actos de “pirataria”(?) porque a sua obra “ganha valor”?

  3. elisabetejoaquim

    Sim. Porque haveria de protestar se ele ganha mais com essa distribuição do que sem essa distribuição? Imagina o Homero a prostestar porque as pessoas recitam os poemas dele sem autorização em espaços públicos? Isso é uma mentalidade anti cultural. Quem não tem inteligência suficiente para perceber isso nem se devia considerar autor.

  4. Joaquim Amado Lopes

    Elisabete Joaquim (4),
    O escritor ganha mais se não receber nada pelos downloads nem pelas cópias dos seus livros?! Como?

  5. elisabetejoaquim

    Está a falar a sério? Não percebe como é que uma obra ser conhecida mundialmente significa promoção gratuita para o autor?

  6. Joaquim Amado Lopes

    Elisabete Joaquim (6),
    Pergunta se EU estou a falar a sério?!
    Quer-me parecer que nem sequer percebeu a pergunta que lhe foi colocada (o que até confere com a sua pretensão de achar que deve poder decidir pelos outros o que é melhor para eles e que, concordem ou não, nem sequer devem protestar senão são estúpidos).

    De que adianta ao escritor que a sua obra seja mundialmente conhecida se não ganha nenhum dinheiro com ela enquanto outros ganham?

    Se a Elisabete escrever um livro, o der a alguém para rever, essa pessoa o colocar online sem a sua autorização e uma qualquer editora o descarregar, publicar e vender sem lhe pagar um cêntimo, a Elisabete vai ficar agradecida?

  7. elisabetejoaquim

    Está a falar de plágio? Não é esse o assunto aqui nem nunca foi. O assunto é a promoção de dada obra servir para aumentar a quantidade de pessoas potencialmente interessadas em comprar a obra. Quando a obra de dado autor é distribuída através da pirataria, o seu nome está sempre anexo à mesma, não há usurpação da identidade ou plágio. Depois quem gosta irá comprar a obra física, ou pagar para ver o autor, ou outros, etc.

  8. Joaquim Amado Lopes

    Elisabete Joaquim (8),
    Não, não estou a falar de plágio. Estou a falar de a obra ser distribuida, em formato digital ou físico, sem a autorização do autor e sem que este receba quaisquer royalties. O autor ser reconhecido como tal é um aspecto lateral e irrelevante para esta discussão.

    A questão que lhe coloquei no meu último comentário é bem explícita e directa. Apenas posso concluir não a leu pelo que vou repeti-la:
    Se a Elisabete escrever um livro, o der a alguém para rever, essa pessoa o colocar online sem a sua autorização e uma qualquer editora o descarregar, publicar e vender sem lhe pagar um cêntimo, a Elisabete vai ficar agradecida?

    Quanto a “Depois quem gosta irá comprar a obra física, ou pagar para ver o autor, ou outros, etc.”, a Elisabete continua a pretender estabelecer como facto generalizado o que não passa de uma opinião e não é demonstrável para um único autor.

    Quantas pessoas conhece que, depois de lerem um livro, ouvirem uma música ou verem um filme vão comprar a “cópia física”? Pouquíssimas. E mesmo essas compram ordens de grandeza menos do que o que consomem, a menos que consumam muito poucas cópias pirata.
    Já nem sequer a novidade é motivo para comprar, alugar ou pagar para ver um “original”, quando cópias pirata estão disponíveis por vezes ainda antes de os originais chegarem às lojas.

    Quanto cada autor beneficia com a divulgação generalizada e gratuita de todas as suas obras, sem qualquer controlo por parte dele, é impossível de medir. A Elisabete pretender estabelecer como facto que todos beneficiam só demonstra uma confrangedora estreiteza de vistas, assim como torna irónico que se refira à suposta falta de inteligência de outros.

    Mas o pior da sua posição é pretender que a sua opinião sobre esta matéria se imponha à dos autores. É que a Elisabete não se limita a tentar convencer os autores do que acredita ser melhor para eles. A Elisabete defende que a vontade dos autores sobre se as suas obras podem ou não ser distribuidas gratuitamente seja completamente irrelevante. Ou estou enganado?

  9. Joaquim Amado Lopes

    Mais uma vez, perante uma questão clara e objectiva, a Elisabete faz-se de desentendida e abandona a discussão. Nem sei porque fico (um pouco) surpreendido.

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