No Fio da Navalha

 

O meu artigo para o jornal i de sábado que, a partir deste fim de semana, passa a ser semanal.

Sopa de letras

Quem estuda a língua, estuda a sua evolução; não a muda. Se o português é uma língua viva, não precisa ser mudada por decreto

It’s a beautiful thing, the destruction of words.
1984, George Orwell

Vasco Graça Moura ordenou a não aplicação, no CCB, das regras do Acordo Ortográfico que desde do início do ano passaram a ser aplicadas nos documentos do Estado. De 2009, ano em que o acordo entrou em vigor, até 2015, foi-nos dado um tempo de adaptação às novas regras. Regras difíceis para quem sempre procurou não dar pontapés na gramática. Custosas de compreender para quem procura ler o que está escrito. Porque o problema do acordo é precisamente esse: mudar a nossa forma de escrever e, se lermos convenientemente, de falar. Uma das várias alterações será a eliminação das consoantes mudas, mesmo quando estas servem para abrir a vogal anterior. Veja-se a título de exemplo, as palavras como projecto, exacto, acção e directo, que lemos acentuando as vogais que antecedem a consoante muda. Com as novas regras, deveremos lê-las como projeto, exato, direto e ação, assim mesmo como lhe sai da primeira vez que as vê, que é a natural, sem acentuar as vogais ‘e’ e ‘a’. Muda a forma como fala, não muda? Ou não mudará se contornar as regras básicas do português para fingir que tudo está igual.

É este o grande senão do acordo ortográfico. Mudar ao mesmo tempo que faz de conta que fica na mesma. Ao contrário do que se passou com a eliminação do ‘ph’ que já se lia com o som da letra ‘f’, em que adequámos a forma de escrever ao modo de falar, vamos agora a mudar a forma de falar porque estamos a alterar o modo de escrever. Enquanto na reforma ortográfica de 1911, as alterações visaram adequar a escrita à fala, à rua, que, com o tempo e o uso, tinha simplificado a língua, o que se pretende hoje é forçar uma facilitação decidida por decreto. Por isso, em 1911, os dígrafos de origem grega foram substituídos por grafemas simples: ‘th’ e ‘ph’ passaram a ‘f’; ‘rh’, foi substituído por ‘r’, ou ‘rr’, conforme os casos. Não houve uma mudança, mas uma adaptação da teoria à prática. Ao que se falava na rua.

Precisamente o contrário do que se quer com o acordo ortográfico que é decretar a rua a seguir os gabinetes. Ora, que mais não é uma língua que muda por decreto, que uma língua morta?

Syme era um inteligente funcionário do Ministério da Verdade que, no célebre ‘1984’ de George Orwell,  trabalhava no aperfeiçoamento do dicionário da nova língua conhecida por Newspeak. Syme não compreendia porque existiam tantas palavras com significados semelhantes. Não percebia a razão de ser dos sinónimos. Para ele, estes serviam apenas para criar confusão, permitir, através de palavras de significado semelhante, dizer coisas diferentes. O que em qualquer língua é a sua riqueza, para ele não tinha razão de ser. Pelo contrário, era algo que impedia o entendimento entre os cidadãos. Podia criar dúvidas que, para alguém que via a língua como uma mera soma de palavras, era desnecessário e até perigoso. Por isso, deliciava-se em destruir palavras. Em reduzi-las ao ponto de para cada facto, objecto, sentimento, haver apenas uma possível. A eficiência na sua máxima expressão e Syme era eficiente.

Qual a razão de ser do acordo ortográfico? Dizem os seus defensores que é para facilitar o comércio com o Brasil, ou aproveitar a influência que este vai ter no mundo. Eficiência. A sempre velha eficiência, não ao ponto de eliminar palavras, mas as destruir, eliminado letras. Apagando as suas especificidades. Os seus vários significados que estão na posse de quem gosta da língua e a aprende e a usa em todo o seu potencial. O objectivo do acordo é esse: não tendo a língua segredos, não haja quem os descubra. Todos a falar e a escrever o mesmo. O gosto pelo poder que dá obrigar, em poucos anos, o que só se consegue em séculos: mudar o modo como os outros se expressam. Falam e escrevem. Comunicam. Um poder imenso na mão de técnicos que encaram a língua como um sopa de letras e não parte da nossa vida. Técnicos de uma língua morta, mas que não é a nossa.

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10 thoughts on “No Fio da Navalha

  1. “Veja-se a título de exemplo, as palavras como projecto, exacto, acção e directo, que lemos acentuando as vogais que antecedem a consoante muda. Com as novas regras, deveremos lê-las como projeto, exato, direto e ação, assim mesmo como lhe sai da primeira vez que as vê, que é a natural, sem acentuar as vogais ‘e’ e ‘a’. Muda a forma como fala, não muda?”

    Por essa ordem de ideias, antes leriamos “pro-je-cto” (em vez de “pro-jé-to”), que é também o que sai naturalmente quando se olha para a forma como a palavra está escrita (eu, até hoje, não fazia a menor ideia que a função do “c” antes do “t” era acentuar o “e”; ora, se eu não sabia, é de esperar que muitos dos outros leitores/falantes também não).

  2. Zé da esquina

    Não entendi em que medida o actual acordo ortográfico difere do exemplo “ph” –> “f” que referes. A grande maioria das alterações significativas e que mais chocam as pessoas (eu incluído) são precisamente alterações que ajustam a maneira de escrever à maneira de falar. Falo da supressão de um número significativo de consoantes mudas (p.ex. acção–>ação). Em que medida é que essa alteração difere do exemplo apresentado? Em que medida altera a maneira de falar? Não esqueçamos que nas situações em que as consoantes sejam pronunciadas, elas poderão continuar a ser escritas. Eu pronuncio “fakto” e não “fato”. Vou continuar a escrever facto. Mas não pronuncio “akção”.

    Há outras alterações neste acordo ortográfico claro, mas penso que estas são as que mais impacto têm no observador casual

  3. EMS

    Não emtemdo porque há tamta jemte harmada em rebelde a faser polemika con iço da aplicassão do akordo hortográffico.
    Se kerem ser conçervadores, ou modernistas, é lá komvosko. U inpurtamte é qe nimguen vai prezo pur esqrever da forma qe bem emtemde.

  4. “Uma das várias alterações será a eliminação das consoantes mudas, mesmo quando estas servem para abrir a vogal anterior.”

    Na verdade, as consoantes mudas que foram mantidas na reforma ortográfica unilateral portuguesa de 1911 nunca serviram para abrir uma vogal átona e continuam a não servir.

    Para comprovar, considerem-se as palavras seguintes escritas nos termos da ortografia vigente até 1911:
    Official, occorencia, occulto, occidente.
    Todas elas se escreviam com consoante muda que, supostamente, serviria para abrir a vogal anterior. A consoante muda foi eliminada em 1911 e, cem anos depois, continuamos a pronunciar a mesma silaba átona aberta.

    A falsidade do argumento “as consoantes mudas servam para para abrir vogais átonas anteriores” também se comprova pelo percurso inverso, isto é, palavras que têm consoantes mudas que não abrem a vogal átona anterior. Exemplos: actual, actuar, tactear, etc.

    Por fim, permanecem na pronúncia portuguesa inúmeras palavras com vogais átonas abertas sem que para tal seja necessária a existência de qualquer consoante muda para indicar a forma correta de pronunciar. Exemplos:
    Obrigado, bebé, invasão, república, retórica, padeiro, ortografia, etc, etc, etc.

    Pelo que se expõe acima, conclui-se:
    – o acordo de 1990, no que a Portugal respeita, vem pôr fim a uma incongruência da reforma ortográfica unilateral portuguesa de 1911;
    – a ignorância e a sua replicação são poderosas, mas a verdade acaba sempre por triunfar.

  5. Carlos

    Caríssimo PP,

    podia entrar aqui em mais uma discussão que inevitavelmente levaria a que você me chamasse (e aos que são contra o acordo) “antiquado,conservador,velho do Restelo”. Por minha experiência é o que fazem os acordistas quando se lhes acabam os argumentos.
    Como tal vou optar por algo muito mais simples – duas perguntas apenas!

    E são as seguintes:
    1) Precisamos mesmo de alterar a nossa escrita? Não sabemos todos escrever direito (num sentido generalista claro,obviamente que muito poucas pessoas saberão escrever 100% direito com ou sem acordo) e não entendemos perfeitamente até aqui? Por outras palavras, precisamos MESMO dum acordo?
    2) No que diz respeito à supressão das consoantes mudas (que curiosamente falam alto pra caraças…) que você fez a delicadeza de mencionar, EXPLIQUE-ME porque é que o Brasil (por exemplo,claro que há outros países que teriam casos similares…) não elimina também as suas consoantes MUDAS no final de alguns verbos no infinitvo (comer,vir,respeitar,ajudar,) ou mesmo palavras (Portugal,futebol,etc etc etc)? Lembre-se que isto é um acordo e como tal as regras DEVEM ser iguais para todos.

    O meu ponto: há dezenas de razões VÁLIDAS e CIENTÍFICAS para não aceitar o acordo. Razões que vão muito,mas muito mesmo, para além do tão falado “orgulho nacionalista” em que alguns acordistas continuam a bater tecla.
    No entanto eu acho que podemos começar por algo tão simples como estas duas: SE não há uma razão VÁLIDA para mudarmos a NOSSA escrita porque o deveríamos fazer (eu disse válida, se me aponta a razão de “alargar o prestígio da Língua” eu alago-me a rir – para isso adoptavamos o Inglês, Espanhol ou Mandarim e estavamos bem melhor servidos…)?
    E para além disso: SE as regras só funcionam para UM lado então NÃO É um acordo, é uma IMPOSIÇÃO e como tal, acho que não é preciso ser acordista ou defensor da língua para contrapôr isso com uma só palavra – INACEITÁVEL.

    PS: Achei que também deveria deixar uma palavrinha final.
    – A reforma de 1911 só foi Unilateral porque o Brasil não quis nada com ela e já na altura o seu propósito era aproximar a escrita à fala. A diferença foi que por não terem havido imposições UNILATERAIS era um assunto só nosso, com impacto apenas no nosso país. Mais importante que isso, impressionantemente, as pessoas que trataram dessa reforma eram bem mais inteligentes e razoáveis que as do AO90. Só substituíram consoantes e grafemas “mudos” quando NÃO INFLUIAM na pronúncia da vogal precedente (mesmo que essa influência fosse uma regra “não-escrita”) ou quando existia uma função específica para o duplo grafema em Português (por isso se foi o “ll” e não o “rr”).
    CLARO que há excepções, há sempre excepções. Agora, elas devem ser isso mesmo, excepções bem identificadas, NÃO induzidas ou pior que isso “generalizadas”.
    – Em relação à “ignorância e replicação” não tenho nada a acrescentar, apenas que responda às duas perguntas acima e explique-me em que medida é que isso é diferente da ignorância que proclama que há actualmente…

  6. Dervich

    Não sou muito adepto do acordo por 4 razões fundamentais:

    – Permite grafias diferentes para palavras iguais (que era precisamente algo que se queria evitar, “amnistia” e “anistia” não lembram ao céus!…);

    – Permite que palavras da mesma família percam a raíz comum, criando situações absurdas (egito, egipcio, etc);

    – Permite o surgimento de palavras algo aberrantes, por ex. “semienterrado”, “contraordenação”, etc;

    – Permite que palavras com origem latina percam a sua relação com as línguas espanhola, francesa, italiana, etc

    No entanto, há guerras que são perdidas e o mal, se está feito, está feito há muito tempo, por isso V.Graça Moura não vai conseguir nada cometendo uma ilegalidade, exceto (!) associar o seu início de mandato a um fait-diver (viva o travessão!).

  7. Joaquim Marques

    Eu sou frontalmente contra este Aborto Ortográfico!!! Por coerência pessoal continuarei na escrever português, ignorando esta barbaridade.
    Não sendo da minha autoria, deixo link alguns argumentos contra esta barbaridade que estamos a fazer contra o nosso maior património: a nossa Língua!! http://www.facebook.com/groups/198810016846901/

  8. Lidador

    Confesso que não gosto do Acordo e da nova grafia. Confesso que me dá uma vontade de resistir, de achar que estas gajos não têm mais nada que fazer, confesso que não gosto de ver os textos na nova grafia e que me baralho cada vez mais com os hifens.

    Mas por outro lado, tenho aqui no meu kindle obras de Eça, de Julio Dinis, de Ramalho Ortigão, etc, na grafia do séc XIX. E apercebo-me de que, para as pessoas dessa altura, a forma como eu escrevo lhe parecerá tão estranha como a mim me parece a deles.

    E fico a pensar se esta minha resistência, esta vontade de aplaudir Graça Moura, não se ficará a dever apenas à natural marretice de quem está habituado e pura e simplesmente não quer mudar.

    Ora leiam este trecho ” em todas as cathedraes…em cada capella rustica…os professores commemmoraram aquella carreira….pelas platafórmas…nas assembléas commerciais….” (Eça, Cartas de Inglaterra).

    Não vos parece que a nossa actual grafia é muito mais simples?

  9. SC

    1 – Quanto ao papel das consoantes ditas mudas é o próprio prof. Houaiss que explica – http://www.youtube.com/watch?v=DQUj4BvD9Gc

    2 – A «reforma» de 1911 correspondia à crença de que a ortografia etimológica «dificultava» a aprendizagem e era responsável por parte do analfabetismo. Claro que não é, ou Inglaterra não teria 0% de analfabetos e o Brasil não teria 75% de analfabetismo e iliteracia.

    3 – Quanto ao que escreve Lidador: o inglês e o francês não mudaram absolutamente nada desde o tempo em que Eça escreveu… Quanto mais cultos os países menos muda a ortografia…
    A ortografia é mais fácil? Mais simples escrever f em vez de ph? Ou “ciência” em vez de “sciencia” ou “science” e “philosphia”? Não creio. Nem parece que tenha dado qualquer resultado. Temos melhor e mais ciência do que os Estados Unidos? Ou filosofia?
    Para já temos 20% de analfabetos.

    4 – O acordo não está em vigor: o 2º protocolo modificativo do acordo não foi ratificado, pelo que se mantém a regra da entrada de vigor acordada de início que era a da ratificação por todos os estados intervenientes.
    Não se percebe como se pode argumentar o contrário.

    5 – o acordo não é nem útil nem necessário e foi rejeitado por 25 das 27 entidades oficiais consultadas. Nunca foi explicado porque não foram acatados 25 pareceres oficiais.

  10. Caro Carlos,

    Em primeiro lugar, vejo que não trouxe a questão das pseudo “consoantes mudas que servem para abrir vogais”. Portanto, já deu o primeiro de três passos no caminho que vai da ignorância tacanha ao conhecimento e largueza. Venceu a inércia, a partir daqui será mais simples continuar a mover-se.

    Vamos aas suas questões.
    “1) precisamos MESMO dum acordo?”
    Depende. Se entendermos a língua portuguesa como grande língua internacional, a par do espanhol, francês, árabe ou alemão, sim, precisamos. Se entendermos a língua escrita como propriedade “nossa”, do tipo do “Angola é nossa”, ou do “orgulhosamente sós”, ou como algo que deve ser equiparado ao catalão do ocidente da península, então não precisamos. É tudo uma questão de perceber que a nossa língua é tanto mais importante quanto tiver ortografia unificada com os outros países que a usam. Veja o caso do espanhol, do francês, do árabe que têm enormes diferenças (mt maiores do que o ptpt e o ptbr) mas em que todos cultivam a unidade ortográfica.

    2), EXPLIQUE-ME porque é que o Brasil (por exemplo,claro que há outros países que teriam casos similares…) não elimina também as suas consoantes MUDAS no final de alguns verbos no infinitvo (comer,vir,respeitar,ajudar,”
    Por uma questão muito simples: lá, como lá, ortografia não é apenas fonética. Levando este seu raciocínio mais longe, vc teria tb de perguntar porque é que os alentejanos e os algarvios não escrevem “sê” e os lisboetas não escrevem “sâi” em vez de “sei”.
    E aqui vc descobre outra coisa: a diferença entre ortografia e fonética é muito maior no Brasil do que em Portugal. Portanto, as regras são iguais para todos: a bem da unidade ortográfica, os países e as regiões não escrevem como falam.

    Adicionais:

    “A reforma de 1911 só foi Unilateral porque o Brasil não quis nada com ela e já na altura o seu propósito era aproximar a escrita à fala.”

    Está completamente equivocado além de estar a ser contraditório. A reforma ortográfica portuguesa foi lançada e executada em Portugal absolutamente à revelia do Brasil, No Brasil continuou aser usada a ortografia clássica portuguesa até aa década de 30, e é a isto que chama “propósito [brasileiro] de aproximar a escrita à fala…

    “ as pessoas que trataram dessa reforma eram bem mais inteligentes e razoáveis que as do AO90. Só substituíram consoantes e grafemas “mudos” quando NÃO INFLUIAM na pronúncia da vogal precedente (mesmo que essa influência fosse uma regra “não-escrita”) ou quando existia uma função específica para o duplo grafema em Português (por isso se foi o “ll” e não o “rr”).”

    Não teria sido grave se a reforma de 1911 tivesse sido apenas uma simplificação da etimologia. Mas não foi. A reforma de 1911 foi uma má peça de filologia destinada a aproximar o português do castelhano pontilhada de incongruências filológicas. Exemplos:
    – manteve-se o “c” mudo em “actuar” porque abria o “a”, mas deixou-se cair o “c” mudo em “oculto” apesar de, pelo mesmo raciocínio, também servir para abrir a átona precedente:
    – deixou de se escrever “logar”, “egreja”, numa cedência duvidosa aa fonética; o certo é que em castelhano se escrevia “lugar”, “iglesia”.
    – deixou de se escrever “portuguez” para escrever “português”; ficamos, portanto, junto do “portugués” e “portuguesa” espanhóis. Imagine o jeito que hoje dava não usar aquele circunflexo.
    – Brazil passou a escrever-se Brasil; em espanhol escrevia-se… Brasil.
    – O uso de “ss” que não tivesse origem latina passou a “ç”, numa analogia explícita à regra usada em castelhano. E assim “assúcar”, “Suíssa” ou “ Mossambique passaram a ser escritos com “ç”. E porquê? Para passar a ter uma correspondência direta com o “z” castelhano (azúcar, Suiza, Mozambique)
    Ainda acha que as pessoas que fizeram a reforma ortográfica de 1911 eram “inteligentes” e “razoáveis”? Já reparou que é esta ortografia aleijada e castelhanizada que vc o traz orgulhoso e que o faz defender como “nossa” e “correCta”

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