Da subserviência de Portugal

Como é que se explica que uma semana depois de Portugal ter assinado o ACTA, os portugueses continuam a achar que o assunto não é com eles quando o resto do mundo o discute activamente? Só encontro uma resposta: subserviência à autoridade da UE.

Na Polónia, os protestos, onde a bandeira da UE foi inclusive queimada na rua, já levaram o primeiro ministro a dizer que o país errou ao subscrever o ACTA.

Na Eslovénia, a opinião pública pressionou de tal forma os seus representantes que a embaixadora que assinou o ACTA escreveu uma carta a explicar-se e desculpar-se.

Na Alemanha, o assunto é de tal forma discutido que deputados do governo escrevem artigos sobre o assunto (e sofrem as consequências).

Em França, o assunto é analisado nas TVs por figuras proeminentes da política.

Em Inglaterra, o partido popular do UKIP já criticou o salto por cima dos parlamentos nacionais que o ACTA permite.

Enquanto isso, em Portugal, a meia dúzia de gatos pingados que lá vai contestando o ACTA não parece ter problema no facto do país ter vendido os seus cidadãos à UE, não fazendo disso assunto e aceitando facilmente que a acção política devida a ter é a que cai na categoria da cidadania europeia.

Enquanto isso, em Portugal, não se sabe quem assinou por nós o ACTA, a mando de quem e com que base de discussão a nível nacional, nem há preocupação dos media em descobrir ou, sequer, parece-me, a consciência de que essa é uma questão importante.

Enquanto isso, em Portugal, confirmando a cultura subserviente à UE do país, os políticos portugueses continuam calados, não falando do assunto nem nos jornais nem nas TVs, nem a favor nem contra. A possibilidade de um acordo internacional da envergadura do ACTA não passar pelo parlamento não tira o sono aos nossos políticos.

O assunto é, para Portugal, evidentemente menor. O que somos nós para participar naquilo que o nosso Senhor decide?

7 pensamentos sobre “Da subserviência de Portugal

  1. mas se eles no Parlamento nem discutem a tomada de controlo do Partido Comunista Chinês em activos estratégicos do estado português… ou melhor, ex-activos estratégicos…agora são activos do Partido Comunista Chinês…

  2. Dionisio

    Devo dizer que encontro-me mal informado sobre o assunto, mas tive o cuidado de ler os seus post’s sobre o assunto e ainda passar os olhos pelo documento…

    Devo deduzir que o facto de se querer sancionar as infracções às cópias ilegais de forma mais eficaz é o fim do mundo? ou da liberdade de expressão se preferir?

    Continua a caber a cada Autor permitir ou não as transferências gratuitas online de acordo com a sua estratégia comercial… mas ultrapassar as barreiras do bom senso e continuar a proteger streams, downloads directos ou por torrent’s, etc é tapar o sol com a peneira…

    Ou quer dizer-me que ainda acredita ter liberdade de expressão? Leia a Constituição e toda a legislação relacionada com… isso é coisa do tempo de Salazar… (com o devido respeito)

  3. elisabetejoaquim

    Dionisio,

    Este post não é sobre ser ou não a favor de que direitos de autor sejam de facto aplicados (claro que sou contra que sejam aplicados porque sou contra a sua existência, como pode ver nos meus posts sobre pirataria), é sobre aceitarmos passivamente a nossa condição de subalternos da UE.

    Neste post incluí casos em que políticos se mostram a favor do ACTA: falo aqui da necessidade da discussão em si, que em Portugal simplesmente não existe, nem nos medias nem nos nossos representantes, e nós não nos importamos.

  4. João Almeida

    Simples! Verifique se em Espanha, Grécia ou Itália estão preocupados com a ACTA. Algo em comum? Por um punhado de pão ou um emprego os portugueses estão dispostas a deixar passar 100kg de ACTA’s, compreensivelmente!

  5. SC

    Nem o acordo ortográfico foi ou é discutido! A Assembleia da República está transformada num armazem de máquinas de votar.
    Ou mudamos a lei eleitoral ou não podemos esperar melhor do que temos.

  6. Afonso T

    ACTA foi assinado pelo Embaixador de Portugal no Japão, Freitas Ferraz, devidamente mandatado pelo nosso MENE, Paulo Portas

  7. H.R.

    Em Portugal a iliteracia já é grande, a iliteracia tecnológica nem se fala. Quando se mistura isso com leis redigidas a priori para parecerem uma coisa mas serem outra, e o já típico desinteresse da sociedade civil, o resultado só pode ser a total indiferença, ou seja, um rebanho pronto a ser controlado.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.