Ide estimular para a estrada

Lemos, ouvimos, e não acreditamos. Continua o berreiro do keynesianismo do século XXI. Mais intervenção do Estado, mais “estímulos” à economia, mais investimento público. Mais aeroportos de Beja, supomos. Ou seja, mais daquilo que levou Portugal – e meia Europa – a um buraco do qual vai demorar muito tempo a sair. Os rapazitos do punho cerrado continuam a gritar por mais! Como se fôssemos todos idiotas. Como se fôssemos uma fonte de dinheiro inesgotável para as suas fantasias. Temos uma notícia de última hora: não somos. Nem idiotas, nem uma fonte de dinheiro para as aventuras socialistas. Por isso sugiro que solicitem uma contribuição voluntária aos militantes do partido. Para estimular a economia. Para fazer obras, necessárias ou desnecessárias, nas sedes, pagar anúncios de meia hora em todos os canais de televisão (pode até ser para defender o neo-keynesianismo, afinal a liberdade de expressão é um conceito lato, abrange todos os disparates e até a defesa do roubo institucionalizado), construir um heliporto no Rato, comprar um carregamento de canetas e blocos de notas para os próximos congressos, ou um cabaz de Natal para cada português, ou um carro para cada português, ou o raio que os parta. O que quiserem. É à vontade do freguês, desde que ponham o dinheiro onde põem a boca. Não há contribuições voluntárias? Cobrem á força: o dízimo, ou a expulsão do partido. Se sabem fazê-lo a todos os portugueses, com certeza que não se vão atrapalhar a cobrar o imposto keynesiano aos seguidores de tão solidária ideologia. E ficamos todos mais felizes. Claro que não deixarão de ser uns bandoleiros de estrada que, no fundo, só buscam, no fim do arco-íris, o seu pote de ouro (uma ponte ou um aeroporto costumam garantir boas carreiras pós-política). Quem nasce leitão morre marrano. Mas assim, os krugmanzinhos da metrópole, na falta de uma guerra nuclear ou de uma invasão de extraterrestres, já podem brincar aos “estímulos” sem meter a mão no bolso do próximo.

30 pensamentos sobre “Ide estimular para a estrada

  1. Paulo Pereira

    Em Portugal e na Zona Euro o que é necessário é baixar impostos, principalmente o IRC e a TSU de forma a aumentar o emprego .

  2. jp

    É extraordinário o número de pessoas que chegam a comentadeiros de TV e que pensam que se criam empregos para suprimir o problema de procura da economia, não o contrário.
    Portugal parece uma associação de atrasados mentais onde os “normais” passam por loucos.

  3. Toino

    Só para saber, já que sou relativamente recente neste ambiente “liberal”…

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor da liberalização (não da legalização, claro) da produção, comercialização e consumo de todo tipo de drogas, certo?

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor da liberalização (não da legalização, claro) das uniões, casamentos e adopção de quem quer que seja por quem quer que seja, certo?

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor do fim da agricultura da UE e dos EUA, tal existe nos últimos 25 anos, que é total e absolutamente Estado-subsidio dependente, certo?

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor da liberalização da produção, comercialização e consumo de petróleo, sem intervenções militares que no fundo protegem (roubam) o acesso ás fontes, e sem apoios directos e indirectos ás industrias de armamento e do petróleo, certo?

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor da globalização, uma globalização desregulada, em que cada Estado e empresa, e pessoa podem lutar livremente conforme as suas forças e sabedoria, certo? Inclusivamente são a favor dos paraísos fiscais todos que apareçam, e que os Estados enquanto forças soberanas simplesmente desapareçam, sob a ideologia e tendência do “free flow”, certo?

    São mesmo liberais a sério, em tudo, ou é só uma questão…emocional, estética?

  4. Toino

    Confesso que o fervor deste “liberais” muitas vezes parece quer ser “libertário”. Estou confundido.

    ó André, explique lá isso, sff.

    Já agora utilizando os casos concretos que assinalei. O liberalismo-libertarismo contempla o quê afinal?

  5. tiago

    Que eu saiba liberal e libertário não são propriamente diferentes. Libertário nasceu mais por causa da apropriação do conceito de liberalismo pela esquerda nos EUA. Mas posso estar errado.

  6. hcl

    Gastar o dinheiro dos outros (sendo pago para o fazer) é um prazer, que, infelizmente, não me assiste, mas a esperança é a última a morrer. Se calhar devia-me filiar num partido.

  7. Guillaume Tell

    Caro Toino, antes de lhe dar a minha opinião, que considerou liberal, gostaria que me explicasse a distinção que faz entre liberalização e legalização. Não a compreendo totalemente.

  8. Toino

    Legalização: tornar legal, por sob jugo da lei…tanto pode ser para restringir e até proibir, como para permitir e até incentivar. Mas é sempre via Estado, que é quem faz as Leis.

    Liberalização: não regulamentar, desregulamentar, deixar ao livre jogo das forças vivas da sociedade (as privadas, não os Estados).

    Caso concreto: drogas. Agora estaria sob o jugo da Lei, proibitiva, e o Estado faz de conta que quer impedir o comércio e o consumo…Na pratica está nas mãos dos traficantes e consumidores. Pode ser legalizado no sentido de permitir a produção, comercio e consumo, com mais ou menos regulamentação e controlo do Estado…E pode ser liberalizado, no sentido do Estado assumir que não quer ter papel nenhum no caso, e fica entregue ao “livre” jogo dos privados, produtores, comerciantes e consumidores…

    O mesmo vale para o aborto, para as uniões emotivas-familiares, adopção, etc, etc, etc…

  9. Paulo Pereira

    Até o FMI já abandonou a ideia Neotonta de que com Austeridade em toda a Europa se resolveriam os problemas do EURO.

    Só com estimulos fiscais e alguns investimentos publicos direcionados para a poupança de petroleo pode a Europa voltar a crescer e reduzir o desemprego.

  10. Toino

    André,

    Compreendo que recomende Hayek, já que você parece ser incapaz de explicar e esclarecer seja lá o que for.

    as perguntas foram directas e claras, as respostas…zero.

    Típico!

  11. Sair do Euro…e seguir o espirito do modelo económico de Salazar…qual haykes ou mais tretas judaicas…não ha tempo para andar com mais exprimentalismos judaicos…ainda não bastou os 30 e tal anos de exprimentalismos economico que se iniciou com o 25 de abril…

  12. António Joaquim

    A mim o que mais me incomoda é que com este aumento do desemprego tenho que enfrentar mais concorrência para o meu trabalho e concorrência nos preços e não na competência. O que mais me lixa é que esses gajos que não trabalham sabem dar graxa. O que mais me lixa é que não vou ter poupanças para a minha venhice nem tenho cacau para o seguro de vida. Se é para andar aos tiros aí não me meto mas que me dá vontade de ir ás fuças de uns quantos lá isso dá. E este gajo, o Manel, quer-me parecer que merece uns quantos estalos para não se armar em parvo. Só um labrego é que pode vir com estas teorias. Venha para o campo competir mano a mano com a matilha e depois diga-me como é.

  13. Pedro

    Casos que levam Carlos M Fernandes a escrever o que escreveu, ele encontra-os em não-socialistas. Assim o Carlos se disponha a ter uma atitude analítica metódica livre de preconceitos profundamente irreflectidos. Caso o consiga fazer começará a estar mais longe da primária caça ás bruxas e mais perto de um entendimento racional. (para que se saiba nao sou socialista,não me interessa defender os socialistas portugueses. não sou filiado nem “simpatizante” de nenhum partido)

  14. Guillaume Tell

    A distinção é bastante fina e penso ver qual é. Eu até poderia-lhe responder nesse caso que estou contra a legalização, porque subentende que o Estado vai continuar a controlar essas matérias, ora a questão está na liberalização, por isso no afastamento do Estado da esfera privada. Mas bom estou a complicar desnecessariamente vamos então ao essencial :

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor da liberalização (não da legalização, claro) da produção, comercialização e consumo de todo tipo de drogas, certo?
    Eu diria-lhe num primeiro tempo que não deve haver restrição nenhuma. As pessoas são livres de fazerem o que querem e a elas de assumirem as consequências dos seus actos. No entanto podemos contrapor a isso que a droga mete a mal a liberdade de cada um, visto que ao a consumi-la já não somos autónomos e podemos mesmo nos alienar. Pessoalemente sou a favor da liberalização do consumo das drogas leves, visto que elas não provocam directamente a dependência.
    Esta questão, como tantas outras, não pode originar só respostas afirmativas ou negativas. Quando se permite aos indivíduos de consumirem livremente droga, algo que pode afectar a saúde e o julgamento (e por isso prejudica a liberdade individual), temos também de iniciar uma discussão sobre a responsabilização. Por exemplo se alguém fizer uma overdose num estado de liberdade deve necessariamente pagar sozinho todos os custos da hospitalização.

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor da liberalização (não da legalização, claro) das uniões, casamentos e adopção de quem quer que seja por quem quer que seja, certo?
    Uniões e casamentos não me causam grande transtorno, a questão é só de saber quem pode celebrar uma união matrimonial, e se deve haver algum tipo de direito, regalia para quem estiver considerado como casado. Quanto à adopção eu serei a favor de mais restrição, porque considero que a voz da criança não é suficientemente ouvida nesses processos (por uma questão óbvia é certo, mas nada isso permite que andemos a impor-lhes determindadas situações).

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor do fim da agricultura da UE e dos EUA, tal existe nos últimos 25 anos, que é total e absolutamente Estado-subsidio dependente, certo?
    Sim. Não há motivo nenhum para terem um regime de favor à custa dos outros.

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor da liberalização da produção, comercialização e consumo de petróleo, sem intervenções militares que no fundo protegem (roubam) o acesso ás fontes, e sem apoios directos e indirectos ás industrias de armamento e do petróleo, certo?
    Claro. Estou até contra o facto de algumas empresas terem um acesso exclusivo à matéria-prima.

    Os senhores “liberais” são totalmente a favor da globalização, uma globalização desregulada, em que cada Estado e empresa, e pessoa podem lutar livremente conforme as suas forças e sabedoria, certo? Inclusivamente são a favor dos paraísos fiscais todos que apareçam, e que os Estados enquanto forças soberanas simplesmente desapareçam, sob a ideologia e tendência do “free flow”, certo?
    A favor, e sem protecção particular. Quanto à última pergunta, se o mercado fosse realemente livre não haveria problema com os « paraísos fiscais » visto que não haveria regulamações inúteis, mas nada disso implique o desaparecimento dos Estados como forças soberanas, visto que toda a maneira a cultura de cada povo acaba por influir sobre a forma como o país é gerido, por isso como o Estado é organizado.
    São mesmo liberais a sério, em tudo, ou é só uma questão…emocional, estética?
    Acho que sim. Tento garantir da melhor forma possível a liberdade individual, sem desresponsabilizar o indivíduo e tentado manter a coesão social. Apesar de todas as contradicções que estas questões podem levantar.

  15. tiago

    “No entanto podemos contrapor a isso que a droga mete a mal a liberdade de cada um, visto que ao a consumi-la já não somos autónomos e podemos mesmo nos alienar.”

    álcool?

  16. Guillaume Tell

    Também o alcóol, mas é por isso que eu prefiro legalizar as drogas leves, é que com elas só se torna dependente “quem quer”, com as drogas duras não há hipotese.

  17. Toino

    Caro Guillaume Tell,

    Desde já agradeço a resposta, foi o único que o fez, sem fugir, e de forma bastante clara.

    Não obstante pequenas contradições e preconceitos que assumiu puderem surgir (sobre as drogas, as adopções, etc), e que não vale a pena apegar-nos a elas sob pena de desviar do cerne da questão, parece ser realmente alguém que tenta ser coerentemente liberal, liberal “total”, e não um “liberal só para algumas coisas, como a maioria.

    É, portanto, a favor da liberalização das drogas (produção, comércio e consumo), das formas de uniões familiares, do fim das guerras militares-comerciais feitas pelos Estados, do fim da agricultura dos EUA e da UE tal como a conhecemos, etc. Muito bem. Pressuponho que também é contra o que o Bush fez (bailout de bancos e seguradoras que sustinham o sistema financeiro) e do que o Bush-Obama fizeram para salvar a industria automóvel americana, por exemplo.

    Reparo apenas nisto: “mas nada disso implique o desaparecimento dos Estados como forças soberanas, visto que toda a maneira a cultura de cada povo acaba por influir sobre a forma como o país é gerido”

    Não consigo ver como a globalização, os paraísos fiscais e a liberalização em geral podem senão conduzir ao fim dos Estados soberanos, se é que ainda existem Estados soberanos.

    E não resisto a perguntar: existe, alguma vez existiu, algum país onde este “liberalismo” alguma vez tenha sido posto em pratica, ou é uma ideologia libertária utópica ao estilo de sonhos comunismos?

  18. António Costa Amaral (AA)

    No tempo da escravatura havia uns malucos que defendiam o fim desse sistema, e perguntavam-lhes: “alguma vez existiu algum país onde essa “emancipação” alguma vez tenha sido posta em pratica, ou é uma ideologia utópica?”

  19. Toino

    Caro António Costa Amaral,

    Então confirma-se: os “liberais” admitem que o liberalismo é uma ideologia utópica, de “emancipação”…

    Grato pelo esclarecimento.

  20. Toino

    Caro António,

    Não leve a mal, sou recente nisto, não sei quem é o quê.

    Pensei que você fosse um liberal a falar do liberalismo.

  21. Carlos

    “nada disso implique o desaparecimento dos Estados como forças soberanas, visto que toda a maneira a cultura de cada povo acaba por influir sobre a forma como o país é gerido, por isso como o Estado é organizado.”

    Portugal não tem nem nunca teve nenhuma tradição liberal. Logo, seguindo o seu raciocínio, a cultura portuguesa tende e tenderá a formar e exigir um forte centralismos Estatal. mesmo em democracia, como se vê é isso que acontece.

  22. Guillaume Tell

    Caro Toino,
    Nada de mais normal, se uma pessoa acredita nalgo e tem o sentimento e as provas que no que acredita é o melhor par o seu país tem de explicar aos outros em quê temos razão. Como de os convencer 😉

    O Bush é o tipo de pessoas que eu qualifico de liberais de meia tinta, ou seja que são liberais e intervencionistas quando lhes dá jeito e favorece melhor os seus interesses, e os interesses do seu grupo. Por mim eu teria deixado cair as industrias automóveis e financeiras, se não são rentáveis não é ao contribuinte de pagar por uns. Ao limite nos casos dos bancos aceitaria que se garantisse as poupanças até um certo limite, mas pouco mais.

    Quanto à globalização e o liberalismo e os seus efeitos sobre a existência do Estado é complicado de explicar, mas diria que as liberalizações mais fortes e abrangentes vão de par com o renforço do Estado, ou se quiser, o poder dele aumenta. Porque ao liberalizar a sociedade deixamos de proteger certas categórias e assim os governantes tornam-se mais independentes dos seus interesses. Além disso, se a sociedade se torna mais independente e livre ao cabo de um certo tempo acaba por nem precisar das protecções do Estado, o que rende inútil a sua presença em várias matérias mas que o renforçam em outras (nomeadamente na Justiça, Segurança e Exército). Assim, o Estado suiço acaba por ser mais poderoso que o Estado português, porque não é tão condicionado por certos grupos e como a sociedade é mais dinâmica acaba por ter mais recursos ao final. Sabia por exemplo que no século XIII, quando se iniciou uma grande liberalização da economia, foi o Estado central que « apoiou » o desenvolvimento dos mercados para se livrar da influência dos nobres.

    Há que distinguir libertarianismo de liberalismo. Para resumir o liberalismo é a defesa da liberdade negativa, ou seja da falta de coerção contra o indíviduo, e o libertarianismo é a fim total do Estado. No primeiro o Estado pode por exemplo pôr em prática políticas de Saúde, pretextendo que um indivíduo doente não pode ser livre (agora claro não é necessário que a Saúde seja inteiramente, ou maioritariamente, dirigida pelo Estado). No segundo estima-se que é ao indivíduo de se desenrascar sozinho e que toda à maneira num mundo totalemente livre a Saúde acabará por ser acessível a todos devido ao equilíbrio natural da sociedade.
    Sabendo isso, nunca houve países que realemente viverem num libertarianismo total (houve comunidades é certo, e já houve várias experiências por parte de libertários nos últimos anos), mas também nunca houve comunismo total (cujas consequências finais ao fundo são as mesmas que o libertarianismo, ou seja uma harmonia total). Agora é certo que a História mostrou que quanto maior for dada liberdade aos indivíduos, melhor eles viverão. Logo em teoria é mais facilemente possível melhorar o mundo atráves do libertarianismo do que com o comunismo, « basta » criar condições para que ninguém seja esmagado por outro. E isso não é possível graças a um Estado todo poderoso, refém de interesses particulares.

  23. Guillaume Tell

    Caro Carlos,
    Não é bem verdade que Portugal nunca teve tradição liberal, visto que já houve vários períodos de liberalização importante (isto bem com « importante », visto que em nenhum lado houve liberalização « total »), tipo os primeiros anos do consulado cavaquista, o período entre 1961 e 1974, o pombalismo, o reindado de D. João II. Agora é certo que o liberalismo português sempre conviveu com um Estado altamente centralizado, mas se este Estado centralizado não andar a criar regulamentos excessivos e a proteger minorias parasitas. Como foi, mais ou menos, o caso nesses períoodos que venho de citar.

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