ACTA: Revolução Francesa, round 2

Enquanto este o congressista republicano Darrell Issa alerta publicamente que o ACTA só foi camuflado de «acordo comercial» para não ter de passar pelos parlamentos nacionais (Nigel Farage já disse também que votará contra o ACTA, apesar do seu país ter assinado o acordo, precisamente por isso), outros parecem acreditar genuinamente na filosofia de mercado subjacente ao ACTA. Um deputado alemão do partido da Merkel teve todas as suas contas de internet assaltadas depois de publicar um artigo em que compara os que protestam contra o ACTA a uma minoria de reis totalitaristas que a Revolução Francesa – a iluminada maioria (e a sua invenção dos Direitos de Autor) – veio destronar.

‘Dear Netsociety:’ you will lose the fight. And that is not a revelation from a lonely politician, it is the perspective of a politician who is cognizant of history.

He then goes on to cite the French Revolution, which is when he says the idea of intellectual property was born in 1789. Supporters of the net movement, he writes, just want “digital totalitarianism,” and are involved in an unholy alliance of “digital Maoists” and “monopolists with an accumulation of capital.”

O dogmatismo com que a afirmação de que indústria do entretenimento é prejudicada devido à pirataria tem sido repetida lembra de facto os períodos mais negros do terror revolucionário francês, tempo de execuções sumárias sem julgamento (que o ACTA aliás prevê no conceito de “medidas provisórias” a serem aplicadas antes de qualquer processo).

Momento Zen na Aljazeera quando, em resposta a uma porta-voz do ACTA que explica que o acordo é meramente comercial pois temos de proteger a propriedade intelectual contra os prejuízos económicos, um jornalista lê alto os lucros crescentes de um dos lobistas do ACTA, a Motion Picture Association, e põe a senhora a gaguejar que afinal é tudo uma questão de direitos.

8 pensamentos sobre “ACTA: Revolução Francesa, round 2

  1. …e negocio das pensões da Banca, ruinoso, e em que uma das condições é que passam para o Estado mas continuam a ter privilégios em relação as restantes pensões em Portugal…

  2. Luís Lavoura

    O facto de os lucros da indústria cinematográfica serem crescentes não significa que essa indústria não esteja a perder injustamente muito dinheiro com a pirataria dos seus filmes. Ou seja, esses lucros podem estar a crescer, mas se calhar deveriam estar a crescer ainda muito mais.

  3. elisabetejoaquim

    Luís, o argumento deles é que eles conseguem calcular quanto perdem de facto. Só poderíamos calcular isso se tivéssemos uma máquina que nos permitisse viajar entre universos paralelos, um em que há pirataria e outro em que não há. Obviamente o que eles se limitam a fazer é calcular quantas vezes certo filme, por exemplo, é pirateado e depois multiplicam isso pelo preço de venda do filme. Isso é obviamente falacioso porque alguém que pirateia um filme não iria necessariamente comprá-lo se não tivesse acesso a ele gratuitamente.

  4. Uma excelente analogia que encontrei uma vez numa caixa de comentários seria: “os taxistas deve juntar-se e combater quem dá boleias, pois quem dá boleias impede o lucro dos taxistas”.

    É este o triste ponto a que a economia de mercado chegou.

  5. Pingback: A esquerda ANTI-ACTA « O Insurgente

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