On comprend rien

“(…) the [AF 447] crash raises the disturbing possibility that aviation may well long be plagued by a subtler menace, one that ironically springs from the never-ending quest to make flying safer. Over the decades, airliners have been built with increasingly automated flight-control functions. These have the potential to remove a great deal of uncertainty and danger from aviation. But they also remove important information from the attention of the flight crew. While the airplane’s avionics track crucial parameters such as location, speed, and heading, the human beings can pay attention to something else. But when trouble suddenly springs up and the computer decides that it can no longer cope—on a dark night, perhaps, in turbulence, far from land—the humans might find themselves with a very incomplete notion of what’s going on. They’ll wonder: What instruments are reliable, and which can’t be trusted? What’s the most pressing threat? What’s going on? Unfortunately, the vast majority of pilots will have little experience in finding the answers.”, em What Really Happened Aboard Air France 447.

Tecnologia a mais e experiência a menos. Um relato assustador…

4 pensamentos sobre “On comprend rien

  1. ricardo saramago

    “Keep it simple, stupid”
    É uma regra cada vez mais necessária nas sociedades modernas, da medicina aos frigoríficos, passando pela gestão, pelo direito, pela educação…
    O fascínio pela tecnologia e pelos gadjets de utilidade marginal duvidosa, leva à dependência de sistemas cada vez mais complexos, fora do alcance da mente humana.
    Quando algo corre mal as consequências são por vezes catastróficas, e temos saudades dos velhos e primitivos sistemas em que um pouco de experiência, bom senso e um rolo de fita cola permitiam ultrapassar uma dificuldade.ou uma avaria.
    Este é um daqueles casos, que há 50 anos não teria passado dum incidente menor e sem qualquer importância, mas que nos questionam se muitas das tecnologias de hoje contituem progressos de facto.

  2. FD

    A tecnologia quando falha, põe a nu algumas lacunas e gera discussão. Não deve cessar, compreendo, contudo e qualquer das formas, muitas das comparações deverão ser apenas alertas e não argumentos saudosistas de quem está a em erro. As tecnologias no geral e sobretudo na aviação, possibilitam actualmente superar em larga escala o que os anteriores sistemas primitivos nunca conseguiriam alcançar. Alias, foi com esse intuito que elas foram desenvolvidas. Podemos sempre retroceder uns bons anos e numerar os milhões de problemas aerodinâmicos corrigidos pelos sistemas de controlo computorizados, a navegação “allweather”, a eficácia da gestão electrónica de combustível, etc etc etc. Na sua ausência, noutros tempos, os acidentes que ocorreram foram bem maior numero com muito menos aeronaves no ar. Partiu-se de uma base mais perigosa e rudimentar, para uma tecnologia mais fiável e avançada reduzindo-se o numero de acidentes, mas no entanto não acabando com eles. Como actualmente nos carros, alguns podem argumentar “agora nem é preciso saber-se conduzir, se um dia falha qualquer coisa o homem não tem hipótese”, pois antigamente o homem tinha essa capacidade na mão e os acidentes eram mais que muitos, mais que hoje. Qual preferem ?

  3. Ricardo Arroja

    Caro FD,

    De acordo. De resto, o texto que citei, bem como o comentário anterior, não me parece crítico da inovação e da tecnologia “per se”. Aquilo que, contudo, salta à vista é a excessiva dependência que hoje existe em relação à tecnologia. Neste caso concreto do AF447, o que mais me espantou foi a tremenda inépcia/inabilidade de um piloto que aos 32 anos de idade já não era assim tão inexperiente quanto isso e que cometeu o erro mais básico de pilotagem: com o avião em “stalling” continuou a tentar levantar o nariz do avião…uma manobra 100% contrária àquela que se deve executar…

    Enfim, nem quero imaginar aqueles momentos e o stress que aqueles dois sofreram, mas levanta-se a questão: perante um erro tão básico, saberia aquele rapaz pilotar o avião sem o computador?!

  4. FD

    Muito provavelmente não, alias é possível que inclusive seja um avião não governável sem o computador e todas as funções e analises que ele lê para poder-se manter no ar. Não tenho conhecimento suficiente para dizer que ali existam sistemas de “override” que permitam ignorar, o que no meio da confusão, o que é na realidade e o que o computador pensa que é. Recordo que à uns tempos um piloto da NASA deparou-se com uma situação em que o computador do “fly-by-wire” leu mal os dados de voo, o avião entrou em perda e o piloto mesmo experiente não teve outra opção que a ejecção. O que eu quis dizer foi de que esta troca que se assiste nos dias de hoje em prol da eficácia e alguma facilidade, leva-nos a prescindir do que anteriormente era essencial para a missão ser cumprida. Toda esta facilidade também permite que o custo da formação seja mais acessível e rápido. .

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