O estranho mundo dos Direitos de Autor III

Lizzy Grant lançou um álbum em 2010 que não levantou ondas. Hoje Lana Del Rey, a autora comprou os direitos de autor do seu primeiro álbum e vai relançá-lo daqui a dois dias. A estratégia com a nova editora passou por uma renovação total da imagem da cantora (comparar Lizzy Grant e Lana Del Grey ao vivo) e, estranhamente, pela partilha gratuita de todo o álbum no youtube meses antes da sua saída oficial.

Os apologistas de que a partilha gratuita de propriedade intelectual tem efeitos negativos para o autor, nomeadamente na quantidade de dinheiro que o artista deixa de ganhar nas vendas (ou perde mesmo, segundo os mais fundamentalistas) devem estar atónitos. Então a rapariga prejudica voluntariamente as vendas do seu álbum ao distribuí-lo gratuitamente?

Só este single tem 23078903 visitas no YouTube, sem contar com as visualizações de uploads feitas por anónimos, os vídeos gravados ao vivo da cantora, e as covers. Veremos nos próximos dias que tipo de impacto teve esta estratégia na venda do seu CD e no sucesso da sua tournée de concertos.

Coisas a reter preliminarmente:

1. É falso que as editoras sejam um agente passivo da exploração do autor. As estratégias de marketing e de compreensão do público alvo são determinantes na comercialização do próprio autor. O fenómeno Lana Del Rey prova que o mesmo artista com o mesmo álbum pode ter um sucesso radicalmente diferente dependendo da editora que acrescenta ao valor do artista o seu know how. Não faz sentido encarar os Direitos de Autor como um mecanismo que protege  o autor da ganância de quem o comercializa.

2. É falso que proteger o trabalho dos autores de um uso gratuito do mesmo seja o garante da justa remuneração de um artista. O caso Lana Del Rey mostra que a tendência é ganhar consciência do potencial da gravação e reprodução gratuita para a abertura de mercados, o que terá um efeito positivo a médio prazo na remuneração do trabalho do artista. Não faz sentido encarar os Direitos de Autor como um mecanismo que protege o autor da imoralidade do mercado.

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28 pensamentos sobre “O estranho mundo dos Direitos de Autor III

  1. luis

    Tenho uma visao desapaixonada da questao. Mas acho que o autor é o “dono” da obra. Como eu sou dono da minha casa. Da mesma forma que ninguem pode usar a minha casa sem autorizacao ou sem me pagar, mesmo que essa utilizacao valorizasse muito a minha casa, tambem entendo que a utilizacao da obra por quem nao seja autor deve ser paga e autorizada. Para mim de nada releva se isso dá ou tira dinheiro ao autor. é uma questao de direito de propriedade (neste caso, intelectual). Se um autor fizer uma obra e quiser que ninguem a use, está no seu direito
    No resto, concordo que as boas editoras podem ajudar muito os artistas a venderam as suas obras.
    Cumprimentos

  2. elisabetejoaquim

    Luis,

    Se o seu objectivo fosse vender a sua casa, cobraria entrada aos potenciais compradores que desejam visitá-la?

    Se «um autor fizer uma obra e quiser que ninguem a use», então porque a torna pública?

  3. luis

    Elisabete
    Quanto à primeira pergunta, quem diz que o autor quer vender a todo o custo? Pode querer vender só a quem a quiser livremente mostrar. Nao entra em minha casa, ainda que à venda, quem quer, mas apenas quem eu autorizo.
    Quanto à segunda, era o que faltava que eu fizesse uma obra e nao a pudesse mostrar a quem quisesse sem o risco de a ver usada por quem entender. Eu posso publicar uma obra sò para garantir que todos sabem que ela é minha (o primeiro a publicar é presumido como o autor da obra) e pelo gosto pessoal de ser reconhecido como o seu autor. A publicacao é uma garantia contra o plágio

  4. elisabetejoaquim

    Luís,

    A analogia da casa que fiz serve para mostrar que a propriedade intelectual não se pode obviamente comparar à propriedade privada: o objectivo da primeira é ter utilidade pública, e a segunda só entra nesse quadro conceptual se estiver a procurar vendê-la.

    «Eu posso publicar uma obra sò para garantir que todos sabem que ela é minha»: esse acto implica já em si que deseja que a obra seja reproduzida com o seu nome anexo à mesma. Se não, deixava a obra na gaveta. Não pode é desejar que a sua obra seja conhecida e ao mesmo tempo obrigar as pessoas a pagar sempre que as estão a conhecer. Quem tem medo que as pessoas se aproveitem do seu brilhante material intelectual, simplesmente não o torna público.

  5. luis

    “Quem tem medo que as pessoas se aproveitem do seu brilhante material intelectual, simplesmente não o torna público.”. Ou seja, quem tenha esse medo – nao é o meu caso, mas admito que outros o possam ter – nunca pode defender ser autor da obra que criou, pois se nao a pode tornar publica, nao consegue ser reconhecido como autor. Qualquer outro que tenha acesso à obra – ainda que ilicitamente, por exemplo assaltando-lhe a casa – pode vir arrogar-se em autor da obra, por ter sido o primeiro a publicá-la. Eu, como autor, posso até nunca querer vender. Mas se nao publicar a minha obra, nunca posso ser reconhecido como autor. Assim, a Elisabete so deixa ser reconhecido como autor e estar defendido contra o plagio quem estiver disposto a ver a sua obra reproduzida sem a sua autorizacao. E nao evitar o plagio è premiar possiveis aldraboes, que sejam os primeiros a publicar obras alheias e que organizem a sua comercializacao como se fossem autores que nao sao.

  6. elisabetejoaquim

    Fala de produtos intelectuais como se fossem coisas físicas. Se aguém o roubou, o que o impede de dizer publicamente que a obra é afinal sua? Ou o ladrão roubou parte da sua mente que o Luís selou magicamente àquele bocado físico de papel?

    «Assim, a Elisabete so deixa ser reconhecido como autor e estar defendido contra o plagio quem estiver disposto a ver a sua obra reproduzida sem a sua autorizacao.»: não sou eu, é a realidade. Enquanto não tivermos tecnologia de vigilancia em casa de toda as pessoas e em todas as ruas, a realidade dita que mesmo que o Luís faça uma conferência privada com entrada paga, não pode impedir as pessoas de chegar a casa e reproduzir o que acabaram de ouvir.

  7. elisabetejoaquim

    E, pasme-se, se aquilo que você disse na conferência tiver sido bom, a reprodução não autorizada do seu conteúdo pode fazer com que mais pessoas estejam dispostas a ouví-lo falar na próxima conferência que fizer. Se não confia na qualidade daquilo que disse, realmente sai-se melhor se conseguir que o Estado obrigue quem reproduziu a dar-lhe algum, sempre é melhor que nada.

  8. luis

    Elisabete
    Està enganada pois eu sou contra a taxa que foi aprovada!!!!

    Acho é que o direito de autor é um direito de propriedade. Nao acho que a obra criada seja de todos (ou de ninguem), mas do seu autor.

    Quem gosta, e gosta de reproduzir, que pague.

    Eu nao posso provar que alguem me roubou uma obra se nunca mostrei publicamente que a criei. Por isso, para a Elisabete, quem cria e nao quiser que outros usem nao pode usar a obra, tocar a musica, representar a peça, etc, bens que ele proprio criou e que nao pode provar que criou nem usar em publico.

    Espantoso!

  9. Pedro Bernardo

    Caros

    algumas considerações sobre o assunto, que, por obrigação profissional, acompanho há anos. E uma declaração de interesses: fui editor e há mais de uma década que estou ligado ao ramo. Além disso, integrei uma comissão que se constituiu na APEL para analisar o fenómeno dos livros fotocopiados e formas de solucionar o problema. Este é, para muitas editoras, um flagelo real, pois é receita que deixam de ter, e não são os autores os únicos prejudicados; indirectamente também o são os sectores/profissões que orbitam a indústria do livro: tradutores, revisores, gráficos, paginadores, tipografias, etc. Justamente isto invocava também Steven Soderbergh (presidente da Associação de Realizadores Americanos) há uns tempos.
    O direito de autor é uma forma de garantir uma remuneração pela autoria intelectual (que expira ao fim de 70 anos); e o autor pode evidentemente prescindir de ser remunerado, é um direito que lhe assiste. Mas quando há um investimento no produto (livro, música, filme, etc) há terceiros que são também prejudicados. Um pormenor por vezes esquecido: na música, cópia ilegal não equivale automaticamente a perda de receita; por ter feito um download não significa que fosse comprar o álbum; já um livro fotocopiado é sempre um livro não vendido (o argumento invocado é sempre económico). Nem sempre a gratuitidade é sinónimo de progresso. E diferentes «media» têm diferentes modelos.

  10. elisabetejoaquim

    Pedro,

    «para muitas editoras, um flagelo real, pois é receita que deixam de ter»: como calculam isso? Só podem fazê-lo se souberem o número de pessoas que precisam de comprar o livro em questão e não o fazem, estamos a falar de livros técnicos para efeitos de ensino? Se sim não pode tirar conclusões a partir daí porque o que motivava antes as pessoas a comprar essas obras não tinha a ver com a sua percepção da qualidade da mesma.

    «Já um livro fotocopiado é sempre um livro não vendido»: não concordo. Porque funciona a compra de livros de maneira diferente da compra de música?

  11. elisabetejoaquim

    Luís,

    Não vale a pena continuar a discussão porque comentário após comentário continua a tratar a propriedade intelectual como uma coisa física.

  12. Pedro Bernardo

    Elisabete

    Pela facturação das casas de fotocópias nas proximidades de escolas e universidades, pela quebra de receita de determinados livros que coincidiu com o embaratecimento da fotocópia; e, por último, por um estudo feito pelo ISCTE cujos resultados estimam 40 milhões de euros de receita. Também não sabe quem compra na economia informal e há estudos que a estima e fazem projecções. Mas neste caso basta cruzar alguns dados.
    E sim, essencialmente livros técnicos; embora creia que no futuro, com a facilidade na digitalização e a proliferação de readers e iPads as editoras de literatura comecem a sentir o mesmo flagelo.
    A diferença que tinha em mente quando citei a fotocópia e o download ilegal é esta: quem fotocopia o livro gastou dinheiro para o fazer, concretizou a sua intenção de compra; mas quem tem milhares de músicas que tirou da net muito provavelmente não iria comprar todos esses albuns.
    Para quem citou o caso do Paulo Coelho, não por acaso ele só o fez quando era um autor que já vendia milhões.

    Pedro Bernardo

  13. tiago

    “Mas acho que o autor é o “dono” da obra. Como eu sou dono da minha casa.”

    Luís, se eu copiasse a sua casa na minha propriedade você chamava a polícia?

  14. tiago

    Da próxima vez que decorarem a vossa casa, vejam lá se não estão a infringir os direitos de um decorador.
    Da próxima vez que vestirem um tipo de roupa vejam se não estão a infringir os direitos de um estilista.
    Da próxima vez que pedirem um projecto de arquitectura a um arquitecto, vejam se ele não copiou outros arquitectos.
    Da próxima vez que contarem piadas entre amigos, vejam se o comediante que a inventou está a receber os louros do seu trabalho.

    “Acho é que o direito de autor é um direito de propriedade.”

    O direito de autor é um direito de propriedade sobre os corpos das outras pessoas.

  15. elisabetejoaquim

    Pedro,

    A compra dos livros técnicos tem um elemento coercivo subjacente: as pessoas não compram porque acham que tem qualidade mas sim porque o prof x pediu ou porque é um requisito para o exame, etc. É normal que as vendas de tais livros decaiam quando há possibilidade de os obter “gratuitamente” (pagando fotocópias): uma pessoa só se sente seduzida a pagar por um produto que valoriza.

    Daí que tenha dito no comentário anterior que os livros técnicos não podem servir de exemplo sobre os benefícios da venda livre de produtos intelectuais pelo simples facto de que na maior parte dos casos os livros técnicos são vendidos à custa de uma imposição exterior e não como resultado de uma livre valorização de quem compra.

  16. Joaquim Amado Lopes

    A Elisabete Joaquim esquece um pormenor essencial: partilhar o álbum gratuitamente antes da saída oficial é decisão da detentora dos respectivos direitos. Não foi um qualquer “consumidor” que colocou as cópias no Youtube à revelia de Lana Del Rey.

    Quanto a “um livro fotocopiado é um livro não vendido”, também não concordo com essa afirmação (embora no caso de livros técnicos para o ensino se aproxime bastante da verdade, por ter o livro ser uma necessidade e não uma opção).
    Também acho que a compra de livros não funciona de maneira diferente da compra de música. Em ambos os casos há um universo de pessoas que sabem que a obra existe; uma parte delas conhece a obra; dessas, uma parte está disponível para a adquirir a um preço baixo e, destas, uma parte está disponível para a adquirir a um preço elevado.

    A Elisabete acha que, se se aumentar muito o número de pessoas que conhecem a obra, aumenta o número de pessoas que estarão disponíveis para a adquirir e o autor ganha com isso. Eu acho que se, para as pessoas conhecerem a obra, esta lhes fôr dada gratuitamente, o número de pessoas disponíveis para pagar por aquilo que já receberam de graça diminuirá muito.

    Mas essa diferença de opinião é irrelevante, assim como não interessa quão fácil é copiar a obra.
    A questão essencial é a que refiro no primeiro parágrafo: se fôr eu o autor da obra, qual a justificação para a sua opinião se sobrepôr à minha? É que se a Elisabete quiser disponibilizar a sua obra gratuitamente, eu não tenho nada a ver com isso.

    E, no caso de músicas e filmes, nem sequer se pode alegar qualquer tipo de necessidade.

  17. elisabetejoaquim

    Joaquim,

    «esquece um pormenor essencial: partilhar o álbum gratuitamente antes da saída oficial é decisão da detentora dos respectivos direitos». Como assim esqueço se todo o texto é sobre isso? Há autores que percebem que a circulação gratuita das suas obras lhes é favorável, e fazem-no voluntariamente.

    «Eu acho que se, para as pessoas conhecerem a obra, esta lhes fôr dada gratuitamente, o número de pessoas disponíveis para pagar por aquilo que já receberam de graça diminuirá muito.» A experiência de vários artistas e a tendência cada vez mais em voga da partilha voluntária prova que está errado.

    «se fôr eu o autor da obra, qual a justificação para a sua opinião se sobrepôr à minha?»: o objectivo desta série de textos não é que a minha opinião se “sobreponha” a de outras pessoas, é a de tentar demonstrar que elas estão erradas em achar que proteger obra intelectual é algo de benéfico para o próprio autor, logo que mudem de opinião por motivos racionais.

  18. luis

    “Luís, se eu copiasse a sua casa na minha propriedade você chamava a polícia?”

    Tiago: eu nao tenho qualquer direito de propriedade intelectual sobre o desenho da minha casa.

  19. Joaquim Amado Lopes

    Elisabete Joaquim (19),
    Não pode afirmar como facto que é benéfico para os autores permitirem a livre cópia e partilha das suas obras porque se trata da sua opinião e não de algo demonstrável.
    O número de visualizações no Youtube não tem qualquer impacto directo nas receitas dos autores. Poderá levar algumas pessoas, que de outra forma não teriam tido contacto com aqueles artistas, a comprarem os seus CD’s mas as canções/músicas são cada vez mais compradas sem suporte físico e ouvidas através de leitores multimedia. Assim, muitas pessoas que até poderiam estar motivadas para comprar as músicas/canções, em CD ou online, deixarão de o fazer porque podem facilmente fazer o download e copiá-las para os leitores multimedia, sem que a noção de ilicitude (ou de risco) que sentiriam ao roubar um CD numa loja.

    Mesmo que o volume de vendas das obras de alguns artistas tenha aumentado depois de as terem começado a distribuir gratuitamente, é impossível saber o que teria acontecido se não o tivessem feito. Pretender saber o que TERIA ACONTECIDO não é argumento e muito menos prova.

    Quanto ao uso das novas ferramentas de comunicação e partilha, um autor colocar online algumas amostras ou mesmo uma ou duas faixas de um álbum é completamente diferente de alguém que não tem nada a ver com o autor fazer a reprodução integral do álbum e colocá-lo online para qualquer um fazer o download.

    Quanto ao pormenor que afirmo que a Elisabete esqueceu, posso ter percebido mal a sua posição e ter-me expressado mal. Assim, vou tentar ser mais claro e peço-lhe que responda de forma clara e objectiva à questão que lhe vou colocar: se um autor decidir não autorizar que as suas obras sejam copiadas e partilhadas livremente por outros, acha que a cópia e partilha dessas obras deve ficar impune ou que deve ser penalizada?

    É que, se acha que deve ser penalizada, então (e porque isso faria uma diferença) sim, estará realmente a tentar convencer os autores a mudarem de estratégia comercial.
    Mas se acha que deve ficar impune então não está a tentar convencer os autores de coisa alguma uma vez que (para a Elisabete) a opinião dos autores será irrelevante em termos de as suas obras serem ou não copiadas e partilhadas livremente. Estará apenas a tentar justificar a cópia e partilha ilegal (por enquanto?) de obras de autor.

    Pelo que percebo dos seus posts e comentários (e corrija-me se estou errado), a Elisabete defende a livre cópia e partilha de obras de autor independentemente da vontade dos respectivos autores. Se é assim, então o post da Elisabete não é sobre a ESCOLHA da Lana Del Rey (direito que a Elisabete não lhe reconhecerá) mas sim sobre a ATITUDE de Lana Del Rey.
    Quando escrevi que a Elisabete se terá esquecido de que a Lana Del Rey ESCOLHEU distribuir livremente o seu primeiro álbum, o que queria dizer é que só pode notar esse detalhe se lhe reconhecer o direito a decidir de forma diferente (no sentido de que, se ela não o fizesse, ninguém mais o deveria fazer).

  20. Pedro Bernardo

    Elisabete (16)

    Concordo com a noção da obrigatoriedade de compra nos livros técnicos (embora coercivo não fosse termo que aplicasse, mas isso é irrelevante). Posso ter percebido mal o ponto inicial do post, mas gostava de pôr a debate o seguinte: a concretização da propriedade intelectual está (quase) sempre associada a alguém que investiu para a reprodução industrial da obra (editores, produtores de cinema, etc). Será legítimo que quem investe num determinado conceito e o concretiza, tendo depois de pagar os respectivos direitos de autor, veja o seu trabalho pirateado e, no limite, se arrisque a ter prejuízo?
    Hoje, a internet permite que os autores se autoproduzam com custos irrisórios, mas não considero legítima a apropriação gratuita, a não ser que seja assim disponibilizada, do resultado do trabalho e investimento de várias pessoas. Nem me parece que seja fonte de progresso e avanço na qualidadade dos produtos. Uma vez mais, o exemplo Paulo Coelho não colhe, pois é uma mera ferramenta de marketing. Até os copistas medievais ou os pintores tiveram mecenas (mas não direiros de autor…)

    Pedro Bernardo

  21. Pingback: ACTA, a Era do Ambiente Digital « O Insurgente

  22. Alexandre Gonçalves

    Isto faz-me lembrar a questão da diferença de pragmatismo que existe entre os que defendem a liberdade individual e aqueles que defendem os direitos de tudo e todos e a igualdade entre classes, e logo nos impõe as politicas socialistas a que estamos habituados.

    Estes últimos não aceitam a natureza humana e a toda a força querem mudá-la. Não é possível, não o conseguem, mas querem mudá-la. Não aceitam que numa situação de liberdade de 100 casos possa haver 1, 5 ou 10 casos injustos e 90 justos. E querem pela força da limitação da liberdade individual fazer com que os 100 casos sejam todos justos e moralmente irrepreensíveis. Só que ao fazê-lo, em vez de dar a liberdade às pessoas que vai permitir atingir por exemplo o patamar de 1000 (100 não é dinheiro, é utilidade, é valor), vão criar um sistema que só vai conseguir chegar aos 500. Ou seja, preferem limitar tudo e todos e atingir 500 e ter feito tudo para que não existam injustiças, do que 1000 com a possibilidade de haver injustiças e não existir nenhum mecanismo legal que as controle. Só que se esquecem que o sistema “perfeito” que criam, além de só chegar aos 500, vai acabar por gerar ainda mais injustiças do que o sistema liberal que chegaria a 1000. Isto porque o poder de decidir está centralizado e vai beneficiar os que estão próximos dos que têm poder. Ou seja, esta gente de superioridade moral de esquerda (e também muita direita) não aceita que o melhor sistema é aquele em que existe liberdade e, sim, onde vão existir SEMPRE algumas injustiças. Esta gente não aceita que não conseguem impedir essas injustiças de acontecerem, pelo que tem de haver uma lei, uma regra, que impeça tal de acontecer. Se ficar pior isso já não vem ao caso.

    Neste assunto é o mesmo.
    Amigos, esqueçam! Não vão conseguir impedir que a cópia e reprodução ilegal (que o é) de conteúdo aconteça. E se o conseguirem, estes iluminados artistas vão ficar mais pobres.

    Uma pergunta. Alguém consegue avaliar a riqueza (monetária) dos artistas hoje vs há 10 anos atrás? Tipo TOP$$$$ actores 2000 vs TOP$$$ actores 2012, TOP$$$ músicos 2000 vs TOP$$$ músicos 2012. E o mesmo para os escritores. Seria interessante ver. Não faço ideia, mas com certeza não devem ter empobrecido, apesar dos milhares de milhões de cópias ilegais que por aí se fizeram.

    A internet tem esta característica que é IMPOSSÍVEL de controlar. IMPOSSÍVEL.Há que ser pragmático e assumir isso como um dado adquirido. Há é que aproveitar o potencial que este canal tem para conseguir fazer alguém conhecido em todo o país, em todo o mundo, em menos de um fósforo.
    A única maneira de conseguir acabar com a pirataria na internet é acabar com a internet, e aí, saem todos a perder.
    Pragmatismo.

  23. Alexandre Gonçalves

    “Luís, se eu copiasse a sua casa na minha propriedade você chamava a polícia?”

    Mais uma vez o pragmatismo! É fácil para um arquitecto processar alguém por cópia dos direitos de autor. E acho bem que o faça! Eu próprio quando desenvolvo programações minhas não gosto que as copiem e faço tudo para as proteger. Por exemplo a propriedade industrial existe, e não há ninguém mais a favor disso do que eu. Agora reparem, é exequível proteger a propriedade industrial, o que é feito através de patentes, e mais, sendo exequível, é um factor de desenvolvimento pois só assim existe quem invista com o objectivo de ter retorno (o famoso lucro).

    Agora, quanto à questão da copia na net.
    Ponto 1 – É impossível controlar. Logo qualquer ponto para além disto é uma perda de tempo.
    Ponto 2 – Sendo impossivel de controlar, porque é que nos últimos anos as criações continuam, e pujantes? Porque no fundo os artistas não ganham por um lado mas ganham por outro.
    Este é o mundo que temos, e não conseguimos alterar as regras do jogo. Há que saber ir a jogo com estas regras. Se alguém sabe que é impossível impedir isto, então não vá a jogo. Paciência.
    Se eu fosse músico, a ultima coisa com que me preocupava eram com as cópias que não podia controlar. Eu preocupava-me é com o que eu podia controlar e fazer disso a minha força. De outra maneira, não ia a jogo. Se eu achasse que seria a vender discos que iria enriquecer, então nem uma palha mexia.

    Já agora, quantos de nós temos o Office licenciado em casa? Alguma vez a Microsoft se chateou. Sabem porquê?
    Porque souberam ir aos canais certos… abrir o apetite em casa para depois legalizar na empresa. Pragmatismo.
    Reparem, temos o open office de borla. Mas eu na empresa prefiro PAGAR para ter o office. É melhor!
    É isso que os criativos têm de fazer:
    1- Serem bons no que fazem, e logo gerar valor – fazer coisas que as pessoas gostem.
    2- Ganhar dinheiro onde é possível ganhar

  24. elisabetejoaquim

    Pedro,

    «Será legítimo que quem investe num determinado conceito e o concretiza, tendo depois de pagar os respectivos direitos de autor, veja o seu trabalho pirateado e, no limite, se arrisque a ter prejuízo?»

    Já me tinha colocado exactamente a mesma questão a mim própria, mas com uma intenção diferente: não ficariam as editoras mais pequenas melhor servidas se não tivessem de pagar direitos de autor? Quantos escritores viram já o seu projecto recusado porque não compensa às editoras investir em direitos de autor naquele caso? Não seria melhor para todos os intervenientes que o contrato entre autor e editora não tivesse o intermediário do Estado e ambos pudessem estabelecer livremente o número de anos que os vincula a contrato?

    «Hoje, a internet permite que os autores se autoproduzam com custos irrisórios.»

    Sim, existem certos autores que conseguem auto promover-se de forma muito eficaz, mas são exepções que acontecem sobretudo devido a um fenómeno B explicativo, como “publicidade” gratuita por parte de um famoso que recomenda a obra, ou a referência ao autor na TV, etc. O know how de uma editora (desde que estejamos a falar de uma editora que assume o seu dever de marketing na comercialização do autor) é sempre uma mais valia para o autor.

  25. Joaquim Amado Lopes

    Elisabete Joaquim,
    Continuo à espera da sua resposta à pergunta: se um autor decidir não autorizar que as suas obras sejam copiadas e partilhadas livremente por outros, acha que a cópia e partilha dessas obras deve ficar impune ou que deve ser penalizada?

  26. Pingback: Autores de todo o mundo, uni-vos!: os reais perigos do ACTA « O Insurgente

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