Profissão? Sindicalista

Hoje de manhã na SICN, durante uns directos para o congresso da CGTP, a repórter em conversa com um dos delegados ao congresso perguntou-lhe a profissão; a resposta: sou sindicalista da área metalúrgica. Seria interessante sabermos quantos dos delegados ao congresso da CGTP e quantos dos quadros dirigentes da CGTP têm como profissão o sindicalismo. Daria talvez para entender quão afastadas aquelas pessoas estão das empresas e até da função pública e quanto da sua actividade tem apenas como objectivo preservar o seu poder e o seu modo de vida.

Outro dos delegados que se ouviu na SICN dizia que Arménio Carlos, o senhor que se segue, conseguirá conter as opiniões radicais que sempre se fazem ouvir. No momento pensei que o radicalismo referido seria de grupos da esquerda proponentes de sequestros de patrões ou acções semelhantes, mas após ler este artigo, questiono-me se para o senhor ouvido os radicais (talvez de extrema-direita, tal o ambiente anacrónico) não seriam os elementos um tudo-nada mais moderados da CGTP.

Em todo o caso, parece que a CGTP, que já era com Carvalho da Silva uma das organizações mais reaccionárias e imobilistas do país, vai endurecer sob Arménio Carlos. O que pode revelar-se bom: o comunismo, quando se torna mais transparente, não costuma ser apetecível.

14 pensamentos sobre “Profissão? Sindicalista

  1. Carlos Pinheiro

    Bem. atenção. Compreendo o texto. Mas no outro lado, na tal UGT que foi criada por uma tal “Carta Aberta”, para combater a CGTP não será a mesma coisa? O que é que um tal Barbosa de Oliveira, um tal Delmiro carreira, um tal Paulo Alexandre, um tal Proenças, alguma vez fizeram na vida para além de sindicalistas? Esta ´bem? Está mal? É a realidade dos factos.

  2. Maria João Marques

    Mas achou que o meu texto era uma defesa da UGT?! As guerrinhas entre centrais sindicais só me divertem; eu não tenho qualquer simpatia pelo movimento sindical português, uma grande força de retrocesso do país.

  3. tainha

    Nós sabemos bem que tipo de sindicatos é que a MJM, (nada reaccionária) gosta. Gosta deles mansos e curvados. Recomendo-lhe que veja o video do inenarrável Mario Crespo a debater(!) com o Arménio Carlos, para ver como um radical e perigoso comunista fala quando confrontado com a tralha que a senhora e outros como você fazem passar por verdade.

    http://sicnoticias.sapo.pt/1249686

  4. Maria João Marques

    Tainha, diga lá, a sua profissão é ser o sindicalista que faz a volta dos blogues a ver se dizem mal da sua actividade? É esse o seu contributo para o país?

  5. Lidador

    Os romanos tinham dois deuses curiosos: o Deus Flatus e o Deus Pérfidus.

    O Flatus dizia ao que vinha. Era o que era e mostrava-o em altos berros.
    Tal como o Arménio: é comunista, é radical, é do Comité Central, e o que diz e escreve é directamente decalcado da cartilha.

    As “opiniões radicais” que ele supostamente combaterá, são as dos Pérfidus.

    O Deus Pérfido era silencioso, não se mostrava, não se anunciava, agia pela calada.
    Há por ali muitos desses.

    No fundo, tal como os deuses romanos aqui relembrados, são versões da mesma coisa: ventosidades.

    O Flatus, vulgo “peido”, é sonoro e de cheiro relativamente menos intenso. É o Arménio.

    O Pérfidus, vulgo “bufa”, é silencioso e de odor francamente intenso. São os outros companheiros do Arménio.

    A função?
    A mesma: libertar coisas acumuladas.

  6. JSP

    Esta velha e relha questão de “sindicatos” ( meras filiais das quadrilhas que , no torrãozinho de açúcar,passam por partidos), resolvia-se de uma vez por todas se as beneméritas organizações passassem a viver,única e exclusivamente, da quotização dos associados …

  7. Fernando S

    tainha : “Nós sabemos bem que tipo de sindicatos é que a MJM, (nada reaccionária) gosta. Gosta deles mansos e curvados.”
    .
    A MJM não sei…

    Pelo que me toca gostaria que os sindicatos fossem representativos (não são) e defendessem os reais interesses dos trabalhadores nas relações com as entidades patronais (não defendem).

    Os sindicatos actuais não são representativos a nivel nacional. Têm a adesão e o apoio de uma minoria dos trabalhadores portugueses.
    São respresentativos apenas em alguns sectores e empresas publicas. Porque defendem pura e simplesmente situações de privilégio de categorias profissionais que apenas são possiveis pelo facto de as receitas destes sectores e empresas serem garantidas pelo dinheiro dos contribuintes e por situações de monopólio e por não terem qualquer obrigação de resultados em condições de concorrencia (podem “falir” todos os dias !).

    Os sindicatos actuais não defendem os reais interesses dos trabalhadores. Por culpa deles muitas empresas perderam competitividade, deixaram de criar empregos, despediram trabalhadores, mantiveram remunerações baixas e condições de trabalho deficientes. Por culpa deles muitos investimentos nacionais foram para fora e, sobretudo, muito investimento estrangeiro deixou ou desistiu de Portugal. Os sindicatos têm uma grande responsabilidade no atraso do país e na situação dificil em que se encontra actualmente. Os sindicatos fazem parte do sistema de interêsses económicos e de forças políticas que promoveram e sustentaram o modelo de despesismo e intervencionismo estatal que agravou desequilibrios e levou o país para perto da bancarrota. Os sindicatos fizeram e fazem de tudo para bloquear as reformas indispensáveis para dar competitividade à economia portuguesa.

    Os sindicatos portugueses fazem parte do que há de mais reaccionário neste país. Não é de admirar quando a principal central sindical é uma mera correia de transmissão do PCP, um dos partidos comunistas mais retrógrados ainda existentes no mundo.

  8. tainha

    Cara MJM, o meu contributo para o país faço-o com o meu trabalho, com os meus impostos e sobretudo não sendo mais um carneiro que papa todas as baboseiras que certas pessoas me tentam impingir. E o seu?

    Caro fernando, quando o custo de trabalho é 14% dos custos totais das empresas, a culpa da falta de competitividade das empresas é dos…sindicatos(?!). Conseguiu escrever paragrafos inteiros da “tralha” de que falei no meu primeiro comentário. Parabéns, está bem ensinado. (Por culpa dos sindicatos as empresas despediram trabalhadores é a melhor de todas)

  9. Brunov

    Eu pensava que a CGTP teria enquanto objectivo representar os trabalhadores e não o PC, mas seguramente estou enganado.
    Para eventuais detratores, deixo um conjunto de questões:

    – Arménio Carlos hoje vai a eleições, sendo sufragado por que % dos trabalhadores quotizados da CGTP?

    – Não sendo sufragado pelos seus associados, foi sufragado pelo comité central do PC? Assim sendo como é que se podem considerar representante dos trabalhadores quotizados e não apenas do PC?

    -O Regime de candidato único (indigitado pelo PC), sem a existência de vários candidatos e programas alternativos não “seca” a luta dos trabalhadores, vendendo-os ao programa politico do PC, que na verdade é quem elege os seus dirigentes máximos?

    – Será democráticamente legitimo ter 25 anos de Carvalho da Silva, mais 25 de Emanuel Carlos…em 100 anos teremos 4 lideres deste sindicato se a tradição ainda for o que é.

    – Será legitimo toda a cúpula sindical se ter mantido inalterada á 25 anos? Será que este facto, conjugado com a sua “nomeação” politica os torna completamente desligados da realidade laboral em Portugal?

    As respostas a estas perguntas em parte parecem-me óbvias e é com tristeza que mais uma vez observamos a miopia e vistas curtas da nossa classe jornalistica “distraida.”

    Para mim a resposta passa pelo reforço do bicho papão dos sindicatos: as comissões de trabalhadores enquanto responsáveis democráticamente eleitos dos trabalhadores.
    Em vez de, como nos últimos 15 anos, os sindicatos permanecerem numa postura defensiva em relação à perca de direitos dos trabalhadores e acabar sempre como um menino mimado que se levanta da mesa de jantar aos berros e a bater no peito…sendo que apesar dos berros uma coisa é garantida os trabalhadores acabam sempre por comer a sopa (ou seja perder os referidos direitos).
    O que os sindicatos deveriam ter feito face ao retrocesso de direitos laborais dada a crise competitiva e ecónomica do pais, seria exigir em troca uma maior participação na vida das empresas, envolvendo os trabalhadores no futuro de cada empresa. Assim sim, trocavam sacrificios presentes, por benesses futuras derivadas do esforço dos trabalhadpores para a viabilização/crescimento das empresas (ex: autoEuropa).
    Como garantir que os sacrificios de hoje não são esquecidos amanhã pelos patrões? Na Alemanha p.e. o CEO de uma empresa, tb tem que ser aprovado pelo sindicato afecto á empresa…poderia ser uma solução interessante e que envolve os trabalhadores nos problemas e principalmente na repartição dos lucros das empresas.

    Mas os sindicatos preferem comportar-se que nem miúdo mimados e paus mandados do Pc á custa dos trabalhadores… Eu pela minha parte não me importo de passar sacrificios por uns anos se souber que passado uns anos sou recompensado, mas esta postura dos sindicatos o que nos dá é perdas presentes em troca de um conjunto de “nadas” futuros”

    PS: o exemplo das exigências sindicais na CP, num quadro de falência do pais mas principalmente da própria empresa é um caso que envergonha o pais. Estes senhores esquecem-se que sou eu e vocês quem sustenta o défice crónico desta empresa, e no fundo estes senhores pedem que os Portugueses paguem mais impostos para pagar as suas reinvindicações, sem apresentar soluções de saneamento financeiro para a empresa. Fica a minha pergunta: Está pronto a pagar mais para a CP….

  10. Lidador

    Os sindicatos, bem como uma série de “organizações de utentes”, etc, são normalmente representativas da direcção. E a direcção é geralmente eleita por meia dúzia de pessoas, os activistas que têm algum interesse e que se dão ao trabalho de estar sempre nas assembleias.

    Em o “Quarto Protocolo”, Frederic Forsythe dá conta de uma ficção em que o Partido Trabalhista britânico elege uma liderança radical e pró-soviética, desta forma.

    Na realidade, é assim que se elegem os corpos sociais dos sindicatos. Os outros têm mais em que pensar do que na luta de classes e meia dúzia de comunistas, decididos e organizados, toma de assalto as direcções.

    O que acontece é que os sindicatos assim dirigidos, vêm tudo como “luta de classes”.O mundo é simples: de um lado nós, os trabalhadores, os explorados, os bons; do outro eles, os maus, os patrões, os exploradores.

    O que lhes interessa não é promover os reais interesses dos trabalhadores, mas sim a “luta”.
    E, obviamente, usam os trabalhadores como carne para canhão, na “luta” contra o “capitalismo” e o “grande capital financeiro” e patati patatá.

  11. A. R

    É uma boa profissão:
    Menendez: Espanha! Relógios para cima de 5000 Euros cada
    http://www.intereconomia.com/noticias-/intereconomia/los-relojes-lujo-sindicalista-mendez-20120124

    Bons negócios no Imobiliário: Toxo consiguió un ático de protección oficial ganando 114.000 euros anuales
    http://www.libertaddigital.com/sociedad/toxo-consiguio-un-atico-de-proteccion-oficial-ganando-114000-euros-anuales-1276395286/

    Toxo (CCOO) preparou uma greve a bordo de um Cruzeiro que passou no Funchal e uns meses antes andava na mesma vida no Báltico;

    Menendez é assíduo frequentador dos restaurantes mais caros de Madrid: 100 Euros a garrafa de vinho é uma compra normal.

    Levam bem a sua vidinha sem um remordimento por ver o PSOE desvastar o mercado de trabalho em Espanha: 5.4 milhões de desempregados.

    Uma Sra do PSOE voltou à Andaluzia depois das eleições em Espanha: que foi fazer? “Liberada Sindical”

    È uma rapinagem legalizada.

    Como diz Esperanza Aguirre: “é do sindicato ao partido e do partido ao sindicato”

  12. Fernando S

    Caro Tainha,

    Compreendo que para alguém com as suas ideias paleo-comunistas tudo o que se diga em contrário seja “tralha” … mas talvez não seja o caso de ser inconveniente de modo gratuito !…
    Mas vamos antes aos factos e aos argumentos.

    O custo directo do trabalho nas empresas é obviamente superior aos 14% (?!…) que refere. Depende do método de cálculo, do que se inclui no custo do trabalho. De um modo geral, pode dizer-se que consoante as empresas varia entre 15 e 30% dos custos totais, tendento a ser naturalmente mais elevado na esmagadora maioria das pequenas e médias empresas.
    Mas o custo indirecto, isto é, o custo do trabalho incorporado em todos os outros custos das empresas de origem interna (sim, porque os fornecedores também têm trabalhadores !…), faz com que o peso do factor trabalho da economia no custo total da empresa seja ainda mais significativo. No conjunto da economia, cerca de 40% do rendimento distribuído corresponde a remunerações directas do trabalho.

    Mas, dito isto, é sabido que em termos de competitividade o mais importante é o custo unitário do trabalho. Ora acontece que a evidente degradação da competitividade das empresas portuguesas ao longo das duas últimas décadas correspondeu a um aumento deste custo a um ritmo superior ao do aumento da respectiva produtividade.
    Repare-se que o problema não é os salários terem aumentado mas sim este aumento ter acontecido sem se ter tido em conta a produtividade e ter acontecido de modo mais ou menos indiscriminado relativamente à situação de cada posto de trabalho, de cada empresa, de cada sector, da economia nacional relativamente a outras economias concorrentes.

    Por estas razões, e sem ignorar a existência de outros factores de custo que prejudicam a competitividade, alguns economistas portugueses e estrangeiros têm insistido para a necessidade de ajustamentos salariais em certas actividades e em certas empresas no sentido de se recuperar rápidamente algum do terreno perdido. Estes ajustamentos teriam certamente um impacto no conjunto da economia e os valores que são avançados apontam para reduções médias entre 10 e … 40%. Dito isto, nem todos estão de acordo quanto à necessidade ou à dimensão destes ajustamentos médios. No que muitos concordam é que é indispensável diversificar e flexibilizar as remunerações salariais consoante as características dos trabalhadores, dos empregos, das empresas, dos sectores, etc, e fazer com que os aumentos salariais sejam justificados por aumentos de produtividade.

    No fim de contas, o problema principal até nem é tanto o do custo do trabalho em si. O problema principal é o das condições de funcionamento da economia, da utilização eficiente dos factores produtivos nas empresas. De todos eles e não apenas do trabalho.
    A verdade é que a acção habitual dos “nossos” sindicatos prejudica e limita fortemente esta eficiencia. Esta acção sindical incide directamente sobre as empresas (falta de cooperação, agitação, bloqueios, greves, conflitos diversos, etc). Mas os sindicatos fazem mais do que um péssimo sindicalismo nas empresas. Os sindicatos fazem sobretudo politica, em defesa de um modelo social e económico estatalista e despesista que sobrecarrega as empresas de impostos e que as prende em verdadeiros coletes de força. Tudo isto desencoraja a iniciativa empresarial e os investidores, condiciona negativamente os gestores, desresponsabiliza e desmotiva os trabalhadores. Tudo isto prejudica a criação de riqueza, a manutenção e a melhoria dos empregos existentes, a criação de novos empregos. Por tudo isto, a acção dos sindicatos e as politicas por eles suportadas são efectivamente uma das principais causas do atraso da nossa economia, dos baixos salarios, do desemprego elevado, do descalabro das contas nacionais, da situação dificil em que se encontra actualmente o nosso pais.

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