Povo de parvos costumes

Com Portugal na bancarrota e sem sinais claros de mudanças no sentido da liberdade e responsabilidade individuais, há cidadãos que se entretêm a pedir embalagens de açúcar mais pequenas. (Isto depois de, há alguns dias, ter sido noticiado que a petição para a abolição das touradas liderava a lista de petições públicas.) Resistimos a generalizar e a dizer que os portugueses merecem todos os males que lhes caíram no lombo; o país é um circo de feminazis, higieno-fascistas e ecologistas-da-natureza-de-peluche, mas nem todos se identificam com estas cruzadas pela moral e bons costumes. No entanto, não resistimos a deixar uma mensagem a estes cidadãos tão empenhados em civilizar-nos: metam-se nas vossas vidas! Está bem?

28 pensamentos sobre “Povo de parvos costumes

  1. Guillaume Tell

    Ou… quem em Portugal tem acesso à mediatização e quem tem mais possibilidade de fazer ouvir as suas ideias são os tais “feminazis, higieno-fascistas e ecologistas-da-natureza-de-peluche, mas nem todos se identificam com estas cruzadas pela moral e bons costumes”.

    Duvido sinceramente que os outros portugueses se interessem por isso e não estejam desesperados com a cultura da superficialidade. Não se costuma dizer que “quem sabe não fala e quem não sabe fala”?

  2. O mais engraçado é a forma como o Público “noticia”, perdoem o excesso de linguagem, a coisa. Como se houvesse hordas de cidadãos (adoro o termo, eu que vivo no campo e abomino o urbano-socialismo) interessadas em normalizar os cafres. A ideia parte de 4 pirralhos, sem duvida tidos pelos paizinhos como inteligentissimos, dotados dessa pre-maioridade que lhes confere o direito (adquirido) de passarem por entre os pingos da chuva onde nós, que aqui estamos e com os nossos impostos pagamos as suas consolas e roupas de marca, teriamos levado vezes sem conta dois pares de estalos. Oh progresso, oh civilização, para quê Deuses quando temos o colectivo ego inflado como se aqui tivessemos sempre andado, e ca ficassemos ad aeternum.

  3. PedroS

    É “interessante” como uma petição com 145 assinaturas foi levada a sério por certos membros do Parlamento, e as petições contra certas “causas fracturantes”, apesar de assinadas por números significativos de Portugueses (bem acima do limite mínimo de 4000 assinaturas) foram ignoradas pela quase totalidade do Parlamento

  4. Pedro

    Isto não é um comentário. O único propósito deste texto é ser insultuoso e desagradável, e a única coisa que eu consigo aprender é a conjugar ofensas em forma de ultraje, de ataque súbito. Assim, Sr. Fernandes, não está a expressar uma opinião.
    Está a fazer o papel de menino mimado que faz uma birra violenta porque não gosta de sopa, e que aparentemente o senhor tanto detesta.

    Eu respeito a sua antipatia (por vezes, até consigo partilhá-la consigo), mas se começa a fazer uma gritaria e a atirar baba e ranho para todo o lado toda a gente perde subitamente a vontade de perceber o que é que o incomoda.

  5. Pedro Borges

    No link do Alexandre pode ler-se “Dressed up as freedom, it is a formula for oppression and bondage. It does nothing to address inequality, hardship or social exclusion.”
    Ao que eu respondo faz sim, evita que estados mal governados abram falência cujo resultado é “inequality, hardship AND social exclusion” precedidos da obliteração das liberdades individuais. Tal como nem todas as pessoas de esquerda são comunistas, nem todos os liberais são extremistas.
    É realmente impressionante como metade da página de propostas populares mais votadas é relativa a questões de direitos dos animais. Temos uma população de gente crescida que não é ainda adulta e não sabe distinguir um veículo de participação democrático de uma corrida aos likes no facebook. Mas mais grave ainda, que não sabe distinguir o que é razão do que é moral e insiste, como qualquer criança, em impingir a sua moral ao próximo a todo o custo. Se quem não gosta disto é liberal então eu sou liberal… e muito!

  6. Pedro Borges

    Não se regra o mercado meninos, é estúpido. Estúpido porque custa dinheiro tentar faze-lo e porque quando teimamos em fazê-lo ou gastamos dinheiro para nada porque o mercado até evolui para lá ou ficaremos a gastar dinheiro eternamente com essas regras na justiça (porque aumentamos sempre o peso da justiça a cada lei que fazemos), na economia (porque quem produz, comercializa e consome pacotes de açucar vai perder tempo na sua semi-implementação) e na administração pública porque é preciso pagar as comissões e fiscais e tudo o mais. E para quê? para os cafés começarem naturalmente a colocar dois pacotes de açúcar por bica servida. Bravo! é de génio… não admira estarmos como estamos.

  7. tiago

    é curioso que o link no comentário #6, usa um argumento que ainda dá mais razão à defesa da propriedade privada.

    “It would be impossible for the owner of a power station, steel plant, quarry, farm or any large enterprise to obtain consent for all the trespasses he commits against other people’s property – including their bodies.”

    Basicamente diz que um dono de uma empresa teria muita dificuldade em prejudicar o ambiente numa sociedade privada, ao contrário do que acontece actualmente que tem praticamente carta branca para fazer o que se quer.

    E claro que não deve fazer a menor ideia de que há bastante bibliografia sobre propriedade privada e ambientalismo.

    dei uma volta pelos artigos deste senhor, e não custou muito a descobrir tiques de planeador central. Em 2007 este senhor pedia mais 3 milhões de casa – http://www.monbiot.com/2007/11/27/three-million-homes/

  8. António Costa Amaral (AA)

    muito bem tiago, de facto aquele autor exibe uma ignorância – perdão desonestidade intelectual – atroz perante décadas de teorias económicas perfeitamente compatíveis com o liberalismo

  9. Renato

    Então se não houvessem “cidadãos que se entretêm a pedir embalagens de açúcar mais pequenas” existiriam melhores condições para emergirem “sem sinais claros de mudanças no sentido da liberdade e responsabilidade individuais”?????

    A liberdade serve para quê?

    Por outro lado, uma das justificações do estado não é a de criar padrões para garantir confiabilidade entre os cidadãos? O tamanho dos pacotes do açucar não podem ser padronizados? Em que medida se metem na sua , na minha vida ao criar unidades como o metro, o joule, o grama ou o tamanho do pacote do açúcar?

  10. O Sr. Renato não leu a petição. Eles pedem que seja proibido vender/entregar pacotes de açucar com mais de 6 gramas. Não há nada de liberdade nisto. Nesta linha de raciocínio devemos também exigir:

    – as porções nos restaurantes devem ser “padronizadas” (mais um eufemismo) para sei lá, 450 kcal;
    – os pacotes de ketchup/maionese/mostarda devem ser padronizados para sei lá, 2 gramas (nem sei quanto têm agora);
    – as batatas fritas de pacote devem ser padronizadas para … 15 fatias de batata e limitado a venda de 1 pacote por pessoa por dia;

    e podiamos continuar com esta padronização forçada até ao limite.

    Depois criariamos 1000 postos de trabalho na ASAE para andar de café em café, restaurante em restaurante, etc a controlar se alguém engordou quando lá passou.

    E teríamos notícias do género: “Mais 20 restaurantes encerrados pela ASAE por falta de condições … calóricas”

    De facto este país tem o que merece!

  11. Carlos M. Fernandes

    “…unidades como o metro, o joule, o grama ou o tamanho do pacote do açúcar?”
    Obrigado por este momento divertido. Há poucas coisas melhores do que uma boa gargalhada.

  12. Ahhh! E daqui a uns anos lermos notícias do tipo:

    Detidos no aeroporto um casal de traficantes de açúcar vindos do Brasil.

    O casal tinha disfarçado na sua roupa intima quatro pacotes de um quilo de açúcar com um street value de cem mil Euros.
    Ficaram em prisão preventiva.

  13. tugasnake

    Acho que neste momento o país tem falta de partidos dedicados há defesa dos animais. Urge corrigir esse grave problema visto não termos maiores coisas com o que nos preocupar!

    O caso das embalagens de açucar também deve ser imediatamente tratado e o governo deve pedir 1001 estudos, de forma a acertar com o peso certo e indicado para a população Portuguesa que tão desesperadamente precisa de orientação nesta questão extremamente bicuda.

  14. António Joaquim

    As padarias não foram obrigadas a diminuir a quantidade de sal? Os restaurantes não estão obrigados a usar menos sal na confecção das resfeições. O Continente na sua campanha de dumping não limitou o nr. da pacotes de leite? Não há um limite para tudo e mais alguma coisa. Os srs. ditos liberais e que dizem permitem tudo e mais alguma coisa porque é que estão a comentar e a qualificar os comentários? E esta é à Alvaro: Porque é que ainda ninguém se lembrou de recolher os pacotinhos de açucar que a maioria das pessoas deixa a meio e normalmente vai para o lixo?

  15. Alexandre

    “Basicamente diz que um dono de uma empresa teria muita dificuldade em prejudicar o ambiente numa sociedade privada, ao contrário do que acontece actualmente que tem praticamente carta branca para fazer o que se quer.”

    É isso que retira do texto? Hilariante e trágico ao mesmo tempo. Como os posts do AA, sempre um excelente entretenimento. Melhor só os do ciliciado.

  16. PT

    Isso de fazer petições para regular(leia-se proibir) coisas que nos fazem mal até nem é má ideia…
    Por exemplo, a mim a esquerdalhada em geral, e a caviar em particular, causa-me urticária. E se fizéssemos uma petição para a proibir?

  17. A única petição que deveria importar:

    O texto da petição resume-se a uma única frase.

    “Para que se apure onde foram gastos os dinheiros públicos, e quais as suas motivações, durante os governos do engenheiro José Sócrates, que duplicou a dívida pública de Portugal e nos conduziu à bancarrota”, lê-se no curto texto, cujo primeiro signatário é Ilídio José Ramos Vieira da Silva.

    http://vivendi-pt.blogspot.com/2012/01/o-poder-esta-em-nos.html

    O seu país está mais pobre?

    Analise então as seguintes causas praticadas pelo seu governo:

    regulamentações,
    burocratização,
    impostos,
    inflação,
    corrupção,

    Entenda isto e a falta de capacidade produtiva e políticas mais eficazes surgirão para um país prosperar.

  18. A. R

    Cruzadas? Crescentadas… isso sim! Já querem degolar, cortar cabeças, enforcar, enfiar sacos pela cabeça abaixo, regular a cerveja, etc

  19. efe

    Eu deito fora mais de metade do pacote de açucar actual. E como eu, muitos outros. Portanto, não vejo porque não se poderia reduzir o tamanho da dose actualmente existente. Quem usa mais do que a quantidade que a petição propõe, pode usar duas ou mais doses. Parece-me que a vacuidade anda mais pelo lado de quem ataca a proposta, e não terá coisa mais interessante ou importante sobre que escrever?! Não conhecia tal petição, mas considero-a útil.

  20. Renato

    #14 (Sr. Ricardo Batista) –

    De facto não li a petição, …. nem vou ler.
    O meu comentário centrava-se no texto no post e procurava sugerir que me parece contraditório o ataque a exposições de interesses particulares (incluindo os do pacotinho do açúcar e do seu direito em fazer petições) e, por outro lado, a defesa da liberdade pública que se baseia, pelo menos em parte, em convenções de aceitação geral – códigos.

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