Vacas loucas na ASAE

Público:

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica [ASAE] já apreendeu 240 mil litros de leite, desde que pôs em em marcha, na quinta-feira, uma operação de fiscalização nas grandes superfícies comerciais, para averiguar denúncias dos produtores sobre a prática de dumping (venda abaixo do preço de custo pago aos produtores).

Algumas considerações:

  1. Para se averiguar a referida denúncia não era necessário apreender leite. A qualidade do produto não está em causa. Os hipermercados envolvidos já têm, por isso, razões para processar o Estado.
  2. O desconto praticado pelo Continente não é sobre o leite apreendido (o cliente paga a totalidade) mas, sim, sobre quaisquer outros produtos que o cliente decida adquirir em posteriores datas.
  3. Os distribuidores não são vendedores de leite. Este tipo de promoções têm como objectivo incentivar os consumidores a, já que estão na loja, comprar outros produtos (“cross-selling”).
  4. Estas são práticas promocionais comuns no mercado. Tratando-se de “marcas brancas” outro objectivo será levar o consumidor à experimentação do leite comercializado com a marca do distribuidor. Por vezes, produtores também oferecem produtos com semelhante objectivo e não lhe chamam “dumping”.
  5. A Lactogal tem gasto bastante em publicidade para convencer consumidores à compra do seu leite. Agora, como as promoções das “marcas brancas” aparentemente estão a ter melhores resultados (não deve ser leite da Lactogal…), fizeram queixa na ASAE. Maus perdedores! Se pudessem voltar atrás, provavelmente teriam usado grande parte desse orçamento para oferecer leite. É que, por exemplo, a oferta de 240 mil litros custaria-lhes apenas 72 mil euros. Quanto é que gastaram em publicidade??!
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18 pensamentos sobre “Vacas loucas na ASAE

  1. Pingback: Sobre a liberdade e a propriedade privada « O Insurgente

  2. Carloos Pinheiro

    Pois é. Estes belmiros e estes soares da costa iludem o pagode e pôem à nossa disposição produtos com preços mais ou menos apeteciveis, os chamados produtos de marca branca, mas não nos informam onde são produzidos, onde são transformados e isso é um pormenor importante. Quando um tal soares da costa importa mais que a galp, algo está mal neste reino da confusão. Acho que nós consumidores, apesr de tesos, temos direito em saber de onde vem o que comemos, para podermos de algum modo escolher dentro das nossas dificuldades. E se eles estão a vender o produto abaixo do preço, alguma coisa estranha se passará. Esta gente só gosta de ganhar dinheiro. Perder, nunca. Portanto, mesmo não acreditando em bruxas, lá que as há, há. A ASAE que faça o seu trabalho enquanto a deixam trabalhar. SE calhar, para desengordurar este país, a ASAE vai ser a primeira Autoridade a acabar. E depois, este liberalismo, é que se vai servir a trote e a galope.

  3. Carlos Pinheiro, já existe um movimento para comprar “Made in Portugal”. Um dos membros desse movimento é a Lactogal. Se, mesmo assim, os consumidores preferem comprar outros produtos é porque têm – por enquanto – liberdade para o fazer.

  4. ricardo saramago

    São os mesmos que se queixam do custo de vida, que reclamam quando alguém vende mais barato.
    O ódio aos empresários é tanto que preferem pagar mais caro.
    Pois façam favor, comprem o que quiserem, onde quiserem, mas deixem aos outros a liberdade de escolher.

  5. Ricardo Campelo de Magalhães

    A confusão entre dumping e cross-selling é deplorável.
    No povo, eu ainda aceito. Agora, em alguém que usa o poder do Estado para atacar distribuidores e, sobretudo, os consumidores (sem efeitos nos produtores, refira-se), é indigno de polícias Zimbabueanos.

    Não sei o que impede a SONAE e a Jerónimo Martins de processar quem deu essas ordens…

  6. Carlos Pinheiro

    Coitados dos distribuidores? Coitados mas é de nós que temos que comer e pagar o que eles querem e pelo que vejo, também calar. Dumping é vender a preço mais baixo do que o preço da factura e isso é ilegal. SE aproveitam para fazer cross-selling isso é outra história e nada é feito por acaso, como também não é por acaso que essas grandes casas têm sempre os seus engenheiros financeiros e fiscalistas para atingirem os objectivos programados.
    Quanto à origem dos produtos brancos será que isso não interessa? Não temos direito a saber de onde vem o que comemos? Se o leite era espanhol, ainda vã que não vá. Mas traz o codigo 560, porquê? SE for assim não é uma trafulhice que merece ser condenável? E porque é que estas casas só passam factura a pedido? Quem os tem estado a defender que explique para percebermos bem.

  7. “Dumping é vender a preço mais baixo do que o preço da factura e isso é ilegal.”

    E é ilegal um produtor oferecer o seu produto como acção promocional?
    Trata-se afinal de um preço bastante abaixo do “preço da factura”

  8. Pedro

    O meu pai é um pequeno armador, que tem um barco em Marrocos. Há uns anos atrás, mandou um carregamento de peixe fresco para o MARL. Peixe capturado numa manhã, embalado em alto mar, descarregado nessa tarde para camião frigorifico, no mesmo dia à noite já estava em Espanha. Passou todos os (exaustivos) testes veterinários e sanitários dos espanhóis, e seguiu para Portugal. Na madrugada do dia seguinte, na zona de Setubal, foi o camião retido por uma fiscalização da ASAE. Que, convenientemente, lá levava uma equipa de reportagem da TVI. Escandalo! Peixe importado improprio para consumo! A noticia passou nos noticiários da TV, fez noticia nos jornais.
    Todo o carregamento foi apreendido, e a venda no mercado foi perdida. Dois dias depois, o carregamento foi liberado. Afinal não tinha problema nenhum. Não houve ninguém responsabilizado pelos prejuizos (peixe fresco com 4 dias já não é assim tão fresco), nos noticiários não foi noticiado nada. Emfim, é a ASAE que temos!

  9. “E é ilegal um produtor oferecer o seu produto como acção promocional?
    Trata-se afinal de um preço bastante abaixo do “preço da factura”…”

    Caro BZ

    Parece mentira, mas parece que é mesmo ilegal, a menos que o contabilize como oferta e leva com uma taxa autónoma de IRC de 35%.
    Tem que facturar o produto pelo preço de venda, depois creditar uma parte como desconto comercial e depois devolver o restante noutros produtos.

    Pelo menos foi assim que o meu TOC me explicou (se é que eu percebi), porque é que o meu fornecedor de telecomunicações, me fazia aquelas facturas esquisitas, quando de 2 em 2 anos me impingia um telemóvel novo, a custo final zero.
    .

  10. Só não consigo entender é como ainda se atura aquela maneira de actuar da ASAE.
    Indentificavam o eventual crime fiscal, passavam uma multa, mas não prejudicavam o consumidor.
    Não há pachorra para aquela estupidez.
    .

  11. Mentat,

    Não sou fiscalista mas penso que as ofertas promocionais, ao contrário das ofertas a clientes específicos, não são consideradas para a Taxa Autónoma.
    Vou tentar obter mais informação.

  12. E como é que actuar num só produto pode ser dumping?

    Que me lembre isso começou a ser feito pelos hipers há umas dezenas de anos atrás, em todos os produtos (ou quase).
    Quando a inflação tinha 2 algarismos, quem recebia à meia-hora e pagava a 120 dias ou mais, conseguia ganhar muito nas aplicações financeiras.

    E para mim, sabia bem porque me dava jeito, mas sempre considerei que isso subvertia o conceito de livre concorrência.
    .

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