Numa fraca tentativa de contrariar os factos abundantemente demonstrados, o Paulo Guinote tenta em quatro posts confundir o que está em causa: Que a diminuição do número de alunos resultante da diminuição da população se traduzirá inevitavelmente numa redução da necessidade de professores no sistema de ensino. Isto é da tal forma óbvio, que só pode ser negado por alguém que deliberadamente não quer enfrentar a realidade. Note-se que este facto inegável não implica necessariamente um redução de professores hoje (embora os números o sugiram); implica uma redução a prazo, uma tendência. Argumentar numa óptica de defesa corporativa a qualquer custo não é conducente a um argumento sério. Vejamos sucintamente as falácias argumentativas nos referidos quatro posts do Paulo Guinote:
- No primeiro post, ele argumenta que população está a crescer. É verdade. Mas ele sabe muito bem que o que está em causa é o número de jovens, que sempre diminuiu nos últimos 50 anos excepto na década de 70, em que ocorreu um ligeiro aumento. Depois refere que a escolaridade obrigatória era mais pequena do que hoje, o que até poderia ser relevante há vinte anos, mas não agora. Esquece ainda que o grande salto de imigração foi em 2000 e que esta tem vindo a diminuir drasticamente, tendo provavelmente atingido um pico há um ou dois anos a partir do qual tenderá a diminuir não apenas o fluxo mas o próprio número de estrangeiros a residir em Portugal (ou seja, o fluxo torna-se negativo).
- No segundo post, ele argumenta que o número de alunos inscritos entre 2005 e 2009 aumentou. Mas ele sabe muito bem que o aumento do pré-escolar não é relevante (a não ser que ele esteja a sugerir que professores do secundário passem para o pré-escolar) e que o salto no secundário é uma aberração estatística irrepetível (a escolaridade obrigatória não pode aumentar mais; a fraude das Novas Oportunidades acabará por esgotar-se).
- No terceiro post, desnecessariamente extenso com o fim de confundir as coisas, acaba por admitir que a evolução entre 2000 e 2010 é efectivamente negativa no que toca à quantidade de professores versus número de alunos. Afirma que é uma diferença pequena, no entanto. A análise de uma década é insuficiente, como ele bem sabe. As crianças actualmente no sistema de ensino nasceram na sua maioria antes da queda significativa de natalidade que ocorreu a partir de 2003.
- No quarto post, refere a dimensão das turmas e como Portugal está na média da OCDE. Mais uma vez, isso é irrelevante para o caso. A ideia de que se pode assegurar postos de trabalho aumentando a carga horária dos alunos ou mexendo no número de alunos por turma é apenas obfuscar o problema. De igual modo, quando argumenta que muitos professores estão nas escolas em posições não-docentes por falta de pessoal qualificado, isso levanta potencialmente a questão contrária: Estarão as escolas já a criar trabalho adicional para os professores para esconder o problema? Admito que não, mas a defesa corporativa do Paulo Guinote abre a porta a dúvidas legítimas.
Nota final: A vitimização do Paulo Guinote, sugerindo que existe uma qualquer animosidade contra os professores em quem apresenta estes factos, é totalmente disparatada. A constatação de que existe um problema é apenas isso, não reflectindo qualquer juízo contra os professores. Quanto mais não seja porque quem tem uma perspectiva política centrada nos indivíduos e não em grupos prefere fazer juízos individuais. Por mim o assunto encerra aqui, porque a argumentação começa a ser repetitiva e circular. Creio que o que havia a dizer já foi dito e demonstrado.