Keynesianismo e o Peso do Estado

No seguimento de Peso do Estado e Crescimento Económico, Keynesianism Doesn’t Mean Bigger Government?:

.. First, Keynes’s argument for why his view of fiscal policy need not mean a larger government ignores the incentives facing the politicians who must implement it. Those incentives would lead to a larger government. Second, Keynes called for the socialization of investment as part of a broader vision of how to prevent the crises that necessitate stimulus spending in the first place. The result of both arguments is larger government ..

.. regardless of what Keynes believed government should do, what it in fact will do is another matter .. by removing the preexisting moral and institutional constraints on deficit spending as a way to balance the economy, Keynes and the Keynesians unleashed the perverse incentives of the political process into policymaking. The problem with Keynes’s analysis is that he paid no attention to the real incentives facing politicians, who now had the green light to deficit-spend in the name of economic stability.

.. politicians continue to deficit-spend even during periods of economic growth because none wish to raise taxes or cut the flow of government benefits to their prospective voters. The result is exactly .. large and increasing deficits and debt, and a growing danger of higher levels of inflation to pay it off.

.. Keynes’s fiscal policy analysis .. requires that government play a more prominent role in allocating money for investment to avoid future recessions. This element of fiscal policy clearly calls for a bigger government.

The claim that Keynesianism doesn’t necessarily imply bigger government and greater debt is shown to be mistaken when we consider the implications of Keynes’s argument for countercyclical fiscal policy, the record of Keynesian policy in the last 50 years, and the broader context of his views on fiscal policy in The General Theory.

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18 pensamentos sobre “Keynesianismo e o Peso do Estado

  1. Muito (nem tudo, mas muito) do que está aí é mais um argumento para dizer que o keynesianismo, na prática, implica grandes deficits do que propriamente muita despesa pública (mantendo eu a minha posição que não há nada de keynesiano num orçamento equilibrado com a receita e a despesa ambos em 60% do PIB)

  2. Lendo o texto todo, mantenho o que disse – o autor essencialmente explica que o keynesianismo real significa deficits permanentes, mas só de passagem aborda a questão do elevado peso do Estado.

    Afinal, podemos ter deficits com um Estado relativamente pequeno (estilo 15% de receita e 20% de despesa) e superavits com um estado grande (como 60% de despesa e 62% de receita).

  3. Paulo Pereira

    Ainda não entendi qual a vantagem para os Austriacos de ter impostos altos só para ter um deficit mais pequeno , nem qual a vantegem de ter desemprego elevado e pobreza só para ter um deficit mais pequeno ?
    .
    Então se temos uma forma de manter a economia a funcionar num estado de expansão quase permanente vamos abondonar esse mecanismo só porque é “imoral” ?
    .
    Então a ciência não devia avançar porque uma parte da ciência é usada para fins “imorais” ?!

  4. Os austriacos não defendem nenhum aumento de impostos para redução de déficits. Os austríacos defendem défice zero, ponto final. Não vamos confundir aquilo que Gaspar está a fazer com princípios da escola austríaca. Os austríacos nem sequer o padrão ouro defendem, coisa tão querida para os monetaristas.

    Mas qual é essa forma de “manter a economia a funcionar num estado de expansão quase permanente”? Keynes? Keynes defende bolhas especulativas atrás de bolhas especulativas (ele nunca o colocou desta forma tão honesta, mas Paul Krugman, seu discíplo, sim). E aqui chegamos, ao ponto onde estamos.

    Já que leram a General Theory, talvez seja boa ideia ler também Henry Hazlitt “The failure of the New Economics: An analysis of the Keynesian fallacies”

  5. Paulo Pereira

    Ricardo Baptista,

    Defender deficits zero permanentes é não entender nada de macroeconomia , é defender uma impossibilidade lógica.

    Se a propensão para o consumo é inferior a um , o que é uma verdade histórica e lógica, tem sempre de existir deficit, a menos que os marcianos importem e paguem o deficit.

  6. Caro Paulo Pereira

    Se tivesse lido o livro que lhe recomendei veria a resposta à sua ideia de que déficit zero é impossível.
    Ler a General Theory como quem lê a Biblia não me parece grande ideia, embora eu compreenda porque o “establishment” do ensino de economia em Portugal começa em ler Sammuelson como introdução (assim tipo o catecismo) para depois devorar a General Theory como se fosse a Bíblia. Eu próprio já fui durante muito tempo “keynesiano”, mas havia incongruências com a realidade e a lógica que nunca me convenceram totalmente.

    Para déficit zero a fórmula é simples: despesas = receitas (e de preferência ambas baixas).

    Sobre a propensão para o consumo inferior a um volto a recomendar Hazlitt, especialmente sobre o que ele demonstra em relação aos agregados keynesianos que somam galinhas com galos para no agregado terem uma média agregada e concluir que em média os galos também pôem ovos (exemplo meu, não de Hazlitt).

    Ainda sobre isto, talvez seja melhor ler “Human Action” de Ludwig Von Mises (há também em audio).

    Sobre o papel do Estado e a sua tendência para o totalitarismo recomendo “Road to Serfdom” de Hayek.

    Em termos resumidos foram estes os livros que me explicaram a lógica por detrás da aceitação generalizada pelos políticos dos princípios keynesianos (Keynes na versão alemã do seu livro até chega a afirmar que os seus princípios seriam muito mais fáceis de aplicar num estado totalitário como o da Alemanha dos anos 30.

    Estes livros e Atlas Shrugged de Ayn Rand preencheram a lacuna nos buracos que eu encontrava na teoria de Keynes.

    Cumprimentos

  7. Paulo Pereira

    Ricardo Baptista,

    Defender deficit zero é não entender nada de macro-economia. Não é possivel , ponto final .

    É uma impossibilidade lógical, porque a propensão para o consumo é inferior a um.

    A contabilidade é como o algodão, não engana.

    A economia moderna é feita de transações monetárias, não estamos numa economia de subsistência de troca directa, de galinhas por palha.

    É dificil entender o minimo dos minimos ?

    Essas lengalengas Neotontas só ajudam os Estatistas de Esquerda e de Direita.

    A GT diz o seguinte :

    – O investimento é extremamente pro-ciclico e o consumo ligeiramente pro-ciclico.

    Toda a história económica comprova estas duas teses , além de serem lógicamente irrefutáveis.

    O resto são lendas e conversa da treta, com intenções predirecionadas.

  8. Caro Paulo Pereira

    Há uma clara divergência o conceito de estado entre nós. Para mim o Sr. é um estatista precisamente porque acha que a economia deve ser comandada pelo estado. Keynes não inventou a economia. Nem os conceitos dele são nada de novo (em 1936). Na verdade Keynes é um mercantilista socialista que sistematizou as ideias de outros antes dele (Malthus e até certo ponto Pigout e Marx). Nisso Sammuelson (um keynesiano ferveroso) foi honesto ao dizer que falta na General Theory muito de agradecimento ao trabalho de outros. No entanto Keynes vinga porque o caminho apontado por ele é muito estimado por estatistas e por políticos.

    Mas ao menos tenha o trabalho de ler alguma coisa de outros autores para depois os poder descartar.

    Troca directa não é preconizada pela Escola Austríaca. Na verdade para a Escola Austríaca a moeda é um dos bens mais importantes de uma economia de mercado e deve estar sujeita ao sistema de cálculo de preços do mercado tal como qualquer outro bem. E o seu preço é a taxa de juro. Que deveria ser encontrado no mercado. Como vê há não nada de troca directa nisto. É Keynes quem recupera uma ideia mercantilista de desvalorizações da moeda e mexidas nas taxas de juro para condicionar a oferta monetária. Isto sim é pura demagogia. A maior falácia da General Theory, na minha modesta opinião, é que não mede as consequências das políticas económicas pelo seu efeito de longo prazo em toda a economia, mas apenas o efeito de curto prazo num determinado grupo ou sector da economia.

    Há um princípio que o Sr. encontrará em vários autores da “freshwater economics”: não devemos julgar as polícas pelas suas intenções, mas sim pelos seus resultados.

    Um outro princípio que encontrará em vários pontos da literatura “Austríaca”: o custo das iniciativas do estado é pago pela economia. Cada barragem ou PPP ou seja lá o que for que o estado se lembre de fazer para “estimular” a economia é paga com dinheiro que o estado tem que retirar da economia. Ainda que o estado se endivide, esses recursos financeiros são retirados da economia. Portanto a questão fundamental é: será que o estado gere melhor o dinheiro dos agentes económicos que eles próprios? Será que devemos confiar no estado para aplicar o nosso dinheiro com melhores decisões que nós próprios (afastando o moralismo da coisa)? Eu claramente acho que não, Keynes e o Sr. Paulo acham que sim.

    Cumps

  9. Ramone

    “Portanto a questão fundamental é: será que o estado gere melhor o dinheiro dos agentes económicos que eles próprios? Será que devemos confiar no estado para aplicar o nosso dinheiro com melhores decisões que nós próprios (afastando o moralismo da coisa)? Eu claramente acho que não, Keynes e o Sr. Paulo acham que sim.”

    Caro Ricardo, a questão está mal colocada porque presume que do outro lado está uma proposta totalitária. O problema da sua argumentação é que confunde participação e investimento do Estado na economia com totalitarismo. Ora é perfeitamente diferente uma proposta que considera que o Estado pode ter a sua participação em conjunto com o privado e uma outra proposta onde a participação do Estado seja totalitária. É esta falácia, ou torção não explicitada no seu argumento, que toma o diferente pelo mesmo, que, a mim, me leva a desconfiar muito da honestidade intelectual do seu argumento.

  10. Paulo Pereira

    Ricardo Baptista,
    A contabilidade e a lógica elementar não enganam e Conversa fiada não refuta a lógica e a história que :
    a) o investimento em bens de capital é extremamente pro-cíclico,
    b) o consumo é ligeiramente pro-cíclico
    c) a expansão do credito é pro-cíclica
    O que implica sem margem para contestação lógica que o sector privado por si só, numa economia capitalista monetária, não pode manter a economia num equilíbrio de emprego baixo.

    Afirmar que a lógica é estatista ou socialista é uma parvoíce.
    Sem perceber a macroeconomia abre-se o caminho para o estatismo de direita ou de esquerda, tal como se pode constatar por exemplo nos EUA ou na Alemanha.
    Sem perceber os mínimos a macroeconomia é uma discussão religiosa em vez de cientifica

  11. Paulo Pereira

    Sr. Ricardo,
    É impossível refutar históricamente e logicamente que num sistema capitalista tecnológico o investimento e o consumo são pro-cíclicos.
    Isto implica logicamente que o sector privado p

  12. António Costa Amaral (AA)

    Caro Ramone,
    _Nada_ no argumento do Ricardo Baptista faz essa distinção. Aliás, pode ser tomado à margem, ou como agregado.
    De resto, nem todos os erros lógicos (como o que o Ramone faz) derivam de desonestidade intelectual.
    A pergunta mantém-se ” o estado gere melhor o dinheiro dos agentes económicos que eles próprios?”

  13. António Costa Amaral (AA)

    Caro Ramone,
    _Nada_ no argumento do Ricardo Baptista faz essa distinção. Aliás, pode ser tomado à margem, ou mesmo como agregado.
    De resto, nem todos os erros lógicos (como o que o Ramone faz) derivam de desonestidade intelectual.
    A pergunta mantém-se ” o estado gere melhor o dinheiro dos agentes económicos que eles próprios?”

  14. “Caro Ricardo, a questão está mal colocada porque presume que do outro lado está uma proposta totalitária. O problema da sua argumentação é que confunde participação e investimento do Estado na economia com totalitarismo. Ora é perfeitamente diferente uma proposta que considera que o Estado pode ter a sua participação em conjunto com o privado e uma outra proposta onde a participação do Estado seja totalitária. É esta falácia, ou torção não explicitada no seu argumento, que toma o diferente pelo mesmo, que, a mim, me leva a desconfiar muito da honestidade intelectual do seu argumento.”

    – Nada na questão coloca do outro lado um Estado totalitário. O Estado “saca” dinheiro da economia das formas mais democráticas possíveis;
    – Todavia a própria natureza dos impostos é totalitária. Ninguém lhe pode fugir num estado (excepto talvez os “amigos” do estado que os fazem retornar na forma de subsídios e apoios ao “desenvolvimento”). Não há opt out. Ou pagamos ou somos expropriados.

    No entanto isto é lateral à questão. A questão é que temos que presumir que no intervencionismo há a ideia subjacente de que o Estado fará um melhor trabalho com o nosso dinheiro que nós próprios. Isto não me parece discutível do ponto de vista lógico.

  15. “no intervencionismo há a ideia subjacente de que o Estado fará um melhor trabalho com o nosso dinheiro que nós próprios. Isto não me parece discutível do ponto de vista lógico.”

    Talvez sim, talvez não – depende um bocado do que se quiser dizer com “fará um melhor trabalho”.

    É que há (pelo menos) dois tipos de argumentos intervencionistas:

    a) “Tu não sabes como gastar o teu dinheiro e por isso nós vamos tirar-te o teu dinheiro e gastá-lo da forma apropriada para o teu próprio bem”

    b) “Tu sabes muito bem como gastar o teu dinheiro para atingir os teus objectivos, mas esses objectivos vão contra os interesses mais vastos da colectividade; assim vamos tirar-te o teu dinheiro para o pôr ao serviços dos interessas das amplas massas em vez de aos teus interesses egoístas e mesquinhos”

    O a) tem implicito que “o Estado fará um melhor trabalho”; o b) penso que não.

    De qualquer maneira, isso não tem muito (ou nada) a ver com a oposição entre keynesianismo e anti-keynesinismo: não me parece que um keynesiano que defenda que, para estimular a economia, o Estado deve baixar os impostos durante as recessões (e é em parte isso que a teoria keynesiana implica que se deve fazer nas recessões) ache que o Estado gere melhor o dinheiro que os cidadãos (muito pelo contrário – essa posição seria melhor adscrita aos anti-keynesianos que, durante as recessões, querem subir impostos para “equilibar o orçamento”).

  16. Um exemplo concreto – o famos orçamento de 1981 da Margaret Thatcher, com um aumento brutal dos impostos, e que levou dezenas de economistas mais ou menos keynesianos a escrever uma carta ao Times dizendo que fazer isso durante uma recessão iria ser uma catástrofe.

    Independentemente de quem tivesse tido razão nessa contenda, parece-me que, nesse ponto especifico, até eram os anti-keynesianos a defenderem a posição “estatista”.

  17. Paulo Pereira

    Continuo a não perceber como é que os Austriacos querem ter defict zero e impostos baixos ao mesmo tempo.

    Podiam aprender com o Reagan e o Bush-Cheney, que os “deficts don’t matter” !

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